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14 de dezembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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Salto quântico: as razões do desatino
  Rui Sá Silva Barros  
Ao panorama traçado pelo físico Sérgio Cortizo, vale a pena acrescentar: nos últimos 80 anos tentaram criar uma teoria unificada (relatividade e mecânica quântica), sem sucesso; e além disso precisam lidar agora com a matéria escura e a força antigravitacional. Nosso conhecimento do mundo sensorial é ainda pequeno e fragmentário, e com base nisso querem explicar fenômenos do mundo psíquico e espiritual, quando a metodologia saudável indica precisamente o contrário.  O salto quântico dos elétrons nas órbitas não é o mesmo que o teletransporte de Jornada nas Estrelas, e muito menos, que estes raros momentos de iluminação que vivemos; são fenômenos de domínios completamente diferentes que envolvem mecanismos distintos. Outros acreditam piamente numa máquina do tempo, como se o passado existisse em algum lugar do espaço ao qual poderíamos regressar; já no mundo psíquico isso é perfeitamente possível, sem necessidade de máquina alguma. Poderíamos multiplicar os exemplos, mas é mais produtivo procurar as razões desta tremenda confusão. Eis algumas delas:
1 – Já não encontramos mais tantas pessoas levitando quanto na Antiguidade. Levitação e outros fenômenos diminuíram bastante, dá o que pensar. Se a Cosmologia e a Antropologia tradicionais ainda circulassem não teríamos dificuldade de entender isso, pois se a constituição humana permanece a mesma, sua composição varia conforme a era cosmológica. Estamos no final de um ciclo (kali-yuga, idade do ferro) e nossos elementos constituintes – espirituais e psíquicos – estão embotados, daí o menosprezo pelo conhecimento tradicional,  o declínio dos fenômenos, e as afobadas tentativas de explicá-los por conceitos físicos.
Mandala de Amytaius   Mandala do Butão   Representação do átomo
Mandala Amitayus (esq.), "Cosmic Mandala Buthan" (centro) e uma representação moderna do átomo
Fontes: www.muian.com, www.valgusesaar.ee e www.science.howstuffworks.com
2 – Na Europa, a perda do conhecimento pode ser datada do século XIV, quando as organizações iniciáticas foram reprimidas e as nascentes monarquias intervieram na Igreja controlando as eleições do Papa. Depois disso veio a secularização com o Humanismo, Reforma, mecanicismo e racionalismo, que deram nascimento às ciências empíricas. O ataque frontal ao pensamento religioso deixou um vácuo preenchido por esta sublime criação do século XIX, o cientificismo, que é um artefato ideológico, um saber que supostamente explicaria tudo, a crer na mídia atual; sendo que os cientistas sabem que não.
3 – O resultado foi o desenvolvimento de uma mentalidade subalterna no campo religioso e esotérico, tentando convencer os senhores, cientistas detentores da verdade, da veracidade dos fenômenos. Assim, médicos, físicos e químicos foram chamados para fotografar, medir e pesar espectros! Sem nenhum resultado conclusivo. Para os cientistas algumas realidades não existem. As ciências empíricas produziram alguns conhecimentos e muitas hipóteses, produziram alguns aparelhos e máquinas úteis. Em suma, elas têm um lugar legítimo na vida humana, mas quando querem ter o monopólio da investigação da realidade, que é bem mais complexa do que imaginam, estamos em plena falsificação, o que está nos saindo muito caro. É inútil querer investigar a telepatia com máquinas e conceitos da Física, trata-se de uma realidade do mundo psíquico, ao qual as máquinas não têm acesso e o conceito de espaço ou ondas cerebrais não têm uso. É inútil e falso explicar a astrologia por eletromagnetismo e gravitação.
4 – A moderna sociedade urbana desequilibrou de vez nossos órgãos de percepção, exacerbando a visão e atrofiando os demais. Atualmente compreender é ver, e nossa convivência diária com a TV só reforça a tendência. Quando os físicos começaram a investigar a composição do átomo, a primeira ideia que lhes ocorreu foi dizer que era uma miniatura do sistema solar, pouco depois abandonaram a analogia por ser falsa, o átomo é outra coisa. As realidades últimas do mundo sensorial – eletromagnetismo e partículas subatômicas – não comportam modelos visuais, apenas modelos matemáticos. Os divulgadores da mecânica quântica omitem sistematicamente a matemática dos livros, pela dificuldade, e acentuam os fenômenos paradoxais para nossa percepção. O resultado é que
gente semiletrada, que já ouviu falar de mil e uma coisas nas nossas maravilhosas faculdades e documentários na TV, fica embasbacada com o mundo miraculoso e começa a acreditar que aí reside a explicação de fenômenos psíquicos e espirituais. Não é à toa que o segundo mandamento ordena: não farás imagens das coisas celestiais. Não é só para prevenir idolatria, mas também falsidade, pois a imagem pertence ao mundo sensorial.
5 – Na realidade, todo cuidado é pouco na investigação dos elementos últimos do mundo sensorial, pois abaixo dele há outra realidade da qual devemos manter distância: trata-se do lixo da criação, designada por klipoth, na literatura kabalística.
Aqueles que adjetivam de quântica suas práticas de meditação, curas e mancias, proclamam o triunfo final do materialismo a pretexto de combatê-lo, e nem se dão
 
Qlipath
Klipoth
Autor desconhecido
conta de que o adjetivo vem do substantivo quantidade, característica do mundo sensorial. Mas a maioria que se entrega a tais desvarios é irresponsável e nada sabe das doutrinas tradicionais. Já não é o caso dos cristãos religiosos, que patrocinam documentários para provar a realidade física do Êxodo dos judeus do Egito, através da explosão do vulcão da ilha de Santorini em 1500 a.C, que teria gerado as 10 pragas, aberto o Mar dos Juncos etc. Novamente aí o triunfo do materialismo é total, eles querem ser levados a sério pela comunidade científica. E isso, depois que Jesus disse que todos os pecados serão perdoados, exceto os cometidos contra o Espírito Santo.  Mas será que ainda entendem as frases dos Evangelhos?
A perda do conhecimento a que nos referimos constantemente é uma “Queda”  também, e uma vez iniciada deverá seguir o curso até o final. Estamos tão afastados do mundo psíquico e espiritual, embora vivamos neles, que só nos resta o simbolismo e a analogia para falarmos deles. Isso é legítimo quando a analogia é apropriada e produtiva, mas só colabora com a confusão crescente quando se confundem os domínios e se quer explicar o superior a partir do inferior. A tradução de algumas obras védicas tratando de Cosmologia e Antropologia seria obra de saúde pública mental preventiva. Ao trabalho real!
Adendo – Para quem tem interesse em estudar detalhadamente a perda do conhecimento tradicional na Europa, sugiro René Guénon, “A crise do mundo moderno”; e minha tese “Tomando o céu de assalto”, textos encontráveis na biblioteca deste site.
março.10
Contato com o autor:
Rui Sá Silva Barros - rui.ssbarros@uol.com.br
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