Home page

13 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Natal, Papai Noel, festas e presentes
Denise Fernandes Marsiglia
 
 
Com o Coração às vezes
Raramente com a Alma
Quase nunca com a Força
Poucos hão de amar.
Emily Dickinson
 
Meu neto Cauê reclama de ter sido enganado com a história do Papai Noel. Ele se sente revoltado com a mentira e nada a justifica do seu ponto de vista. Para quê enganar as crianças? No meu jogo de tarô, o Cauê está representado pelo Papa. Ele é o arcano 5, o ânimo novo, a criança, a visão nova. Se há revolta nele, ela é legítima, expressão do novo e da força que é o cinco.
Quando pararam de me enganar, meu pai deixou claro que os interesses econômicos é que mantinham todo tipo de festa, o objetivo era o lucro e por isso não devíamos ligar muito para esse tipo de festa. Jesus era apenas uma desculpa para muita gente ganhar dinheiro. Fiquei meio perplexa: se não devíamos ligar para essas festas, iriamos ligar para quê? Meu pai querendo simplificar, sempre só complicou mais ainda o que já nem era muito simples.
É muito difícil não ligar para festas, presentes, é mais fácil andar sobre brasas. Vivo esperando esse meu momento kung-fu, meus pés sem arder sobre as brasas, meu sangue sem arder diante da vida. No meu jogo, sou a Sacerdotisa, com minha intuição, meus sonhos e minhas buscas. Meu pai nesse jogo é o Imperador, arcano quatro, ditando regras, conselhos, orientando caminhos, sendo segurança.
Enquanto isso é Natal, tenho vontade de dar presentes, de comer delícias, de ganhar presentes. É a presença da carta número três no meu jogo, a energia da Imperatriz na minha vida. Faz parte de estar viva, como também essa vontade de querer o impossível.
No enfeite de Natal desse ano tem a poeira do ano passado, tento tirar, mas não sai, poeira de Natal. O melhor de quando eu acreditava em Papai Noel é que eu via seu brilho, me escondia no jardim e sempre achava que ouvia seus passos, sua respiração; meu coração disparava. Contava para todos e as crianças acreditavam em mim. Ficávamos fazendo plantão no escuro, esperando o Papai Noel. Muitas vezes eu tinha companhia: alguém ouvia seus passos, mais alguém via seu brilho.
Nunca houve Natal na minha vida que não tivesse uma alegria especial e por isso devo ter que ser bem agradecida mesmo. Não se trata de luxos, mas a sorte de poder viver bons momentos, de sentir o coração cheio de esperanças pequenas e delicadas.
Obediente a meu pai, todo o tempo eu tento não ligar para festas e presentes, tudo isso que foi transformado numa forma de maximizar lucros e minimizar sentimentos. O sorriso cansado da vendedora, onde tento comprar um presente, ajuda a desfazer a mística natalina. Acho que ela estava com dor nos pés, o feliz natal que ela disse era bem triste.
Tento não ligar para essa cultura festiva que já sei que ligo, e dessa guerra de conceitos nascem tantas dúvidas, coelhos da páscoa, reis magos com seus presentes e outros seres espirituais, algumas poucas certezas.
 
O Hierophant por Satory
O Papa
Arte de Satory Ashura
Uma dessas certezas é que desejo sempre um Feliz Natal a todos, repleto de amor e paz e gostosuras e travessuras, um Natal de poesia e luz, talvez com um toque de renascimento da Páscoa.
Outra certeza é que sei que também me desejam alguns, que são muitos para mim, um feliz Natal bem feliz mesmo, um ano novo maravilhoso. E esses desejos bem legais captados por minhas antenas, expressados pelo arcano um, o Mago no meu jogo, imaginados, são uma música que infelizmente não posso compartilhar com ninguém, mas faz parte do Natal e do final de ano de todos. Obrigada.
Contato com a autora:
Denise Fernandes Marsiglia - taróloga e astróloga.
Psicóloga com especialização em psicossomática.
www.mitosesimbolosassessoria.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 3/01/2014
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
Publicidade Google
 
Todos os direitos reservados © 2005-2018 por Constantino K. Riemma  -  São Paulo, Brasil