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13 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


O Arroz de três camadas, o Escotismo e o Tarô
Jorge Purgly
 
Desde a minha pré-adolescência fui escoteiro do Grupo Escoteiro os Guarus de Guarulhos. Por várias vezes íamos fazer acampamento de férias num sítio em Santa Isabel, SP onde ficávamos acampados por cerca de uma semana. Depois das atividades do dia, alias uma lição de vida natural e civismo, nós nos recolhíamos nas nossas barracas e ali ficávamos jogando cartas, conversando, jogando dominó, noite adentro, relembrando os fatos pitorescos recentes e colocando as histórias de outros acampamentos em dia, muitas vezes sem conciliar o sono até a hora da alvorada do dia seguinte.
O Escotismo aceita todas as religiões, pois o que importa é ter religiosidade. Nós também  aceitávamos uns aos outros sem importar a religião a que cada um pertencesse. Com isso em mente, uma vez levei um baralho de tarô de Marselha para o acampamento. De noite, após o recolher, fui todo animado tirar cartas para os meus irmãos escoteiros, companheiros de barraca. Para minha surpresa, um deles se afastou e quando eu perguntei por quê ele disse: — Isso é coisa do Cão. É coisa do Maligno!
O tarô e os temores diabólicos
Os temores de alguns pelo lado "diabólico" do tarô
Ilustrações do www.nerdspot.com.br e Google Search
— Quem foi quem disse isso para você? — perguntei. Ele respondeu que foi um pastor da igreja dele que falou isso num culto. Em respeito a isso, guardei o Tarô e nunca mais levei o baralho para um acampamento ou sequer fiz menção dele no meio escoteiro.
Entretanto, algo que me lembro bem e que toda a minha família também recorda, é que sempre que eu dizia que era escoteiro, vinha à tona o assunto do meu prato, especialidade da casa e único que eu sabia fazer no acampamento: o arroz de três camadas. E, depois que a curiosidade estava aguçada entre as pessoas, sempre vinha alguém e perguntava: — Mas como é esse arroz de três camadas do qual eu nunca ouvi falar? Muito simples, eu respondia: — Cru em cima, papa no meio e queimado em baixo. Sorte de quem comia a papa. (Risos). O arroz era servido com o famoso bife James Bond: Imbatível, duro, frio, com nervos de aço e licença para matar (mais risos).
Hoje, passadas décadas, sempre vem alguém da minha família me lembrar do meu arroz de três camadas. Recentemente, aproveitei para perguntar para a minha esposa, Tininha, se ela se lembrava de algo relativo ao Taro ocorrido enquanto eu era escoteiro e ela mencionou que no dia que eu fiz o meu primeiro caldeirão de arroz de três camadas para alimentar os acampantes eu havia levado o tarô comigo.
Arroz de três camadas no acampamento
Arroz em três camadas no acampamento
Ilustrações do www.ampoescolasp.blogspot.com.br e Google Search
Então me lembrei da pergunta: Será o Tarô obra do Maligno?
Fui buscar a resposta na Bíblia do Tarô, de Sarah Bartlett, Editora Pensamento, que, em sua página 14, esclarece: “O tarô não é maligno. O tarô não é '‘sinistro’', nem “maligno”, a menos que a pessoa que o usa faça uma escolha neste sentido. O tarô está além de nossa projeção de bom e mau e somente reflete a energia do momento e do leitor. Mas nós podemos projetar a nossa bondade e a nossa maldade nele também. Usar o tarô é uma maneira de abrir-se para a Sabedoria Interior e para o conhecimento oculto. Devido ao medo que a Igreja incute nas pessoas sobre todas as questões esotéricas que remetam ao ocultismo, o tarô passou a ser associado com as mais sombrias artes ocultas, o que explica o medo comum que as pessoas têm do seu poder. Infelizmente essas associações coletivas continuam profundamente enraizadas na psique individual e coletiva. O tarô não é intrinsecamente contra qualquer religião ou credo. Ele é simplesmente uma ferramenta para revelar o que existe, no sentido mais verdadeiro da palavra.”
Enfim, o arroz de 3 camadas faz parte da nossa lembrança de infância e adolescência, assim como o taro e o escotismo.
Contato com o autor:
Jorge Purgly atende com Tarot Egípcio, leitura de mãos,
Terapia Floral, em Indaial - SC : www.purgly.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 12/01/2015
Revisão: Ivana Mihanovich
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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