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12 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Heavy Metal
A ponte entre Crowley e o mundo da Música
Simone Gomes
 
Considerado controverso e “o homem mais perverso do mundo”, Aleister Crowley ganhou fama mundial, seja por seus escritos e pensamentos considerados polêmicos, seja pela legião de seguidores que conquistou. Da mesma maneira, o Heavy Metal, gênero musical conhecido por sua música pesada, foi associado ao Satanismo, ao culto ao Demônio, mas também arregimentou milhares de fãs e seguidores do mundo todo, os chamados headbangers ou metaleiros.
Ainda hoje, Crowley e o Metal são motivo de debates calorosos, preconceitos, fazem parte do imaginário coletivo em um misto de medo e repulsa, e são muitas vezes mal compreendidos tanto por religiosos como por aqueles que não conseguem entender algumas das muitas intenções de ambos: contestar a sociedade vigente e lutar pela liberdade de pensamento e de expressão.
Aleister Crowley
Aleister Crrowley representado entre o diabólico e contestador
Imagens pelo Google Search e www.senderosiniestro.globered.com
Mas o que Crowley e o Heavy Metal têm em comum? Quais as principais ideias defendidas por Crowley e os metaleiros? De que forma os metaleiros abordam Crowley em suas composições? É o que tentaremos explorar ao longo deste texto. Não é nossa intenção defendê-los ou prescrevê-los como algo que deva ser seguido e aceito por todos, porém nosso objetivo é promover um diálogo frutífero e mostrar mais uma das várias formas de abordar tais temas tão interessantes e instigantes para uns, e temíveis e abomináveis para outros.
Para isso, faremos uma breve apresentação do Heavy Metal, abordando sua origem, principais características, como foi e é visto ainda hoje. Do mesmo modo, traremos algumas informações a respeito de Crowley, sua “filosofia”, seus escritos, enfim, como esse homem tão polêmico via a sociedade em que viveu, o que fez para contestá-la e o que conseguiu com sua forma de pensar. Passaremos também pelo Movimento da Contracultura e pela Sociedade Alternativa para entendermos a ligação do ocultista britânico com os idealizadores desses movimentos e os metaleiros. Forneceremos exemplos de bandas, canções e alguns depoimentos de artistas e de pessoas a eles relacionados.
Da Metalurgia ao Entretenimento: nasce o Heavy Metal
O Heavy Metal, gênero musical, difundido principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos na década de 1970, tem suas origens no Rock Psicodélico e no Blues. Com a grande popularidade que alcançou nos anos 80, segmentou-se em milhares de subgêneros, como por exemplo, no Glam Metal – músicos com cabelos compridos e roupas com cor e brilho mais ressaltados –; no Symphonic Metal – possui elementos de música clássica e vocais femininos operísticos – e seus subgêneros: Black Metal – vertente mais extrema do Heavy Metal com vocais rasgados, músicas mais rápidas, e temática inspirada no Satanismo, no anticristianismo e no Paganismo; Gothic Metal – explora temas como religião, sexualidade e morte, além de criar uma atmosfera melancólica e sombria –, no Power Metal – além da forte influência da música erudita, os temas preferidos são religiosidade, fantasia, misticismo e Idade Média –; dentre outros.
O termo Heavy Metal foi “emprestado” da metalurgia e da química, pois assim como na Tabela Periódica os elementos são organizados de acordo com o peso do elemento, isso também ocorre com os diversos gêneros e subgêneros do Heavy Metal, mais precisamente para destacar as músicas mais potentes, que utilizam acordes de guitarras mais “pesadas” e distorcidas. Por outro lado, o Heavy Metal também ganhou um significado depreciativo, sendo na maioria das vezes associado ao uso de drogas, violência, rebeldia, e o conteúdo das letras classificado como agressivo e satânico. Infelizmente por causa do preconceito que sempre acompanhou a humanidade em qualquer esfera, ainda hoje ouvimos dizer que se tocarmos o disco desta ou daquela banda de Rock/Metal ao contrário é possível ouvirmos mensagens satânicas e demoníacas.
Heavy Metal e Ronnie James Dio
Heavy Metal e Ronnie James Dio
Ilustrações obtidas pela Autora no Google Search
Vale lembrar que o Heavy Metal também surgiu por causa da indignação da maioria dos operários serem explorados nas indústrias metalúrgicas do pós-guerra ou serem moradores de bairros industriais menos favorecidos e em situação de risco. As indignações e insatisfações vividas por esses trabalhadores eram transformadas em músicas,[1] que na maioria das vezes, eram tocadas por bandas por eles formadas na garagem de suas casas.
Um gesto muito popular entre os headbangers é a mão chifrada. Originário de culturas ancestrais como a mediterrânea, o símbolo foi erroneamente creditado a Ronnie James Dio (1942-2010, ex-vocalista da banda inglesa Black Sabbath), que o introduziu no mundo do Metal. Ao contrário do que diz o censo comum, o símbolo da mão chifrada é utilizado para se proteger, espantar ou lançar um mal olhado, e não propriamente em rituais satânicos. Muito popular na Itália, a mão chifrada foi adotada pelos metaleiros mais como “provocação”, “ironia” ou forma de reforçar mais ainda o sentimento de “medo” nas pessoas, já que o Heavy Metal sempre foi atrelado ao Satanismo e ao culto ao Demônio, dentre outras práticas consideradas anticristãs.
Os temas mais comuns das letras de Heavy Metal são guerras mundiais, religião, morte, sexo, mitologia, poesia, ficção, crítica sociopolítica. Além desses, outros temas também são muito explorados como Alquimia, Esoterismo, Ocultismo, Magia, Tarô. E uma figura muito recorrente entre as composições de autores metaleiros é o ocultista, mago, alpinista, pintor e criador britânico da filosofia de Thelema, Aleister Crowley (1875-1947), também versado em Cabala, Magia Cerimonial, Budismo, I-Ching, Hinduísmo e Tantrismo.
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[1] Adaptado de FERREIRA, Bruno de Sá. A Distorção Bate às Portas da Percepção: o roqueiro William Blake encontra os poetas da música. 2011. 209 f. Tese (Doutorado em Letras – Literatura Comparada) – Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, UFF, Rio de Janeiro Brasil.
Para mais informações acesse:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Heavy_metal
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3o_chifrada
http://whiplash.net/materias/cds/157237-dio.html
http://wikimetal.uol.com.br/site/ocultismo-e-satanismo
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Aleister Crowley: Vida e Obra
Aleister Crowley nasceu em 1875, em uma Inglaterra conservadora e puritana. Contrário aos valores morais e religiosos de sua época, Crowley empreendeu viagens ao redor do mundo para realizar suas pesquisas e estudos esotéricos. Fez parte de ordens como a Golden Dawn e Ordo Templis Orientis, e fundou sua própria ordem, a Astrum Argentum e a filosofia de Thelema, cujos princípios básicos eram “Faze o que tu queres, será o todo da Lei” e “Amor é a lei, amor sob vontade”.
Thelema – que em grego significa vontade – pode ser considerada um misto de filosofia, religião, Magia Cerimonial, Magia Sexual e Ocultismo. Possui como livro sagrado O Livro da Lei, escrito em 1904, que de acordo com Crowley, fora ditado a ele por uma entidade denominada Aiwass, que mais tarde ele denominaria seu Santo Anjo Guardião. Os princípios básicos thelêmicos eram o livre arbítrio, a verdadeira Vontade e o anúncio da Nova Era, cujo profeta seria o próprio Crowley. O ocultista britânico acreditava que cada indivíduo deveria viver conforme sua própria liberdade, e possuindo um Deus Interno, seriam também considerado um Ser Divino. Para Crowley, o homem não deveria prestar contas nem a Deus nem ao Diabo, mas à sua própria consciência, ao seu deus interior.
Crowley e o Tarot
Crowley em dois momentos de vida e a carta do Sol no seu Thoth Tarot
Para Crowley, o thelemita – o seguidor de sua filosofia-religião – tinha o direito de viver conforme suas próprias leis e princípios; trabalhar como e com o que desejasse; escolher com quem se relacionar e também quando e como morrer. O thelemita seria o “autor” do seu próprio código de ética e de conduta, pois Thelema ia contra dogmas e interpretações preestabelecidas. Aleister Crowley anunciava uma Nova Era – um Novo Æon –, ou período de tempo marcado pela evolução espiritual humana, a ponto de desprezar as divindades existentes e cada um considerar-se seu próprio deus.
Crowley viveu em uma Inglaterra vitoriana extremamente conservadora e defensora de um falso moralismo. Por ir contra os valores morais e religiosos de sua época e se intitular a Grande Besta 666, foi considerado “o homem mais perverso do mundo”. O ocultista britânico fazia uso de drogas como cocaína, haxixe e ópio de forma recreativa e durante os rituais que realizava. Envolveu-se em práticas homossexuais e sadomasoquistas que, obviamente, eram condenadas em seu tempo.
Além do Livro da Lei, Crowley foi autor, dentre outros, de O Livro das Mentiras, As Confissões de Aleister Crowley, O Equinócio dos Deuses, Mágica sem Lágrimas, Moonchild e O Livro de Thoth – seu último trabalho –, livro baseado nos mistérios egípcios, Alquimia, Cabala e Magia. Desse trabalho surgiu o Tarô de Thoth, cujos arcanos foram idealizados por Crowley e pintados por Lady Frieda Harris sob suas instruções. Um tarô de grande beleza, o conjunto de 78 cartas levou 5 anos para ser concluído em virtude da extensa pesquisa empreendida por Aleister Crowley e Frieda Harris.
Em seu tempo, Crowley criou inúmeros desafetos não apenas com a Igreja e a sociedade britânica por causa de seu pensamento ousado, mas também dentro das ordens das quais participou. Um exemplo disso é sua crítica ferrenha aos escritos de Arthur Edward Waite. No Livro de Thoth encontramos críticas, dentre outros, a Oswald Wirth, Péladan e Ouspensky, que, de acordo com as palavras de Crowley, “Nenhum destes ou seus aparentados fizeram mais do que ‘bancar o macaco aplicado’ em relação aos desenhos convencionais medievais”. Nem Éliphas Lévi escapou de sua língua mordaz: apesar do grau que ocupava na Grande Fraternidade Branca, para Crowley Lévi “não dispunha da previsão instruída do Novo Æon”. Aleister Crowley morreu em 1947, aos 72 anos, viciado em heroína, praticamente na miséria, vitimado pela bronquite e por complicações cardíacas.
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Para saber mais, consulte:
http://www.aleistercrowley.com.br/biografia.html
http://conversascartomanticas.blogspot.com.br/2011/01/o-taro-thoth-crowley-harris.html
http://www.clubedotaro.com.br/site/h23_20_crowley-claudio.asp
Crowley, Aleister. O livro de Thoth: um curto ensaio sobre o tarô dos egípcios. Edição em PDF, 1945.
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É Preciso Mudar o Mundo: Contracultura e Sociedade Alternativa
O pensamento de liberdade e realização da Vontade de Aleister Crowley e o desejo de lutar contra uma sociedade conservadora e preconceituosa dos jovens dos anos 1960/70 vão ao encontro de dois movimentos que são fruto das insatisfações e restrições vividas por Crowley – e outros indivíduos que pensassem e agissem como ele – na Era Vitoriana, não muito diferente daquelas vivenciadas pelos jovens da Era Contemporânea: a Contracultura e Sociedade Alternativa.
O Movimento da Contracultura, cujos precursores foram denominados beatniks, teve seu florescimento nas décadas de 1960/70 (e se estende até os dias atuais), nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, e foi capitaneado por jovens com ideais libertários e contestadores da sociedade preconceituosa e conservadora daquela época. Para que o movimento tivesse um maior alcance, foram utilizados meios de comunicação de massa com o objetivo de unir cada vez mais jovens principalmente da América Latina e da Europa.
Festival de Woodstock-1969
O marco representado pelo Festival de Woodstock em 1969
Apostando em novos estilos de se vestir e se relacionar, negando o consumismo, o patriotismo e as obrigações, surgiu o movimento Hippie, marcado pelo amor livre, abandono das convenções e a prática de tudo o que fosse contrário ao “sistema”. O marco do movimento Hippie foi o Woodstock, festival que aconteceu no final da década de 1960 em Nova Iorque, Estados Unidos. O festival contou com a participação de vários artistas do Rock, Folk e Blues interessados em criticar e contestar o atual modelo repressor.
De um modo geral, podemos citar como características principais do movimento Hippie: a vida em comunidade, o uso de drogas psicodélicas, liberdades sexual e amorosa, o lema “paz e amor”, o vegetarianismo, práticas de religiões orientais como o Budismo e a luta contra a economia capitalista, dentre outras.
De lá para cá, o movimento não parou de crescer, e um dos meios de comunicação de massa mais utilizados para propagar as novas “ideias”, foi a música dos grupos de Rock que surgiam em todos os lugares. Novos estilos de se vestir e viver foram adotados para reforçar a rebeldia em relação a tudo que fosse repressor e convencional, como por exemplo, rapazes com cabelos compridos, tatuagens, roupas jeans e de couro justas, e toda a sorte de maquiagem e adereços mais comuns no meio feminino.
Por meio da música, artistas como Janis Joplin – símbolo do movimento Hippie nos anos 1960 –, Jim Morrison e Jimmy Hendrix se encarregaram não apenas de criticar o “sistema”, mas inclusive a própria música de massa produzida até então. No Brasil, o movimento mais conhecido foi a Tropicália, que contou com a presença de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.
A Sociedade Alternativa, fundada em 1974 por Raul Seixas e Paulo Coelho, tinha como referência O Livro de Lei, de Aleister Crowley e, portanto, sua filosofia de Thelema. O lema principal foi o já conhecido “Faze o que tu queres, pois é tudo da lei”. Para a divulgação da Sociedade, foram veiculados manifestos e uma comunidade alternativa foi criada, a Cidade das Estrelas, lugar no qual obviamente cada um poderia viver da forma como desejasse.
Raul Seixas e Paulo Coelho
Raul Seixas e Paulo Coelho
De acordo com seus fundadores, a Sociedade Alternativa tinha como princípios básicos, além do exercício da própria Vontade e do “faze o que tu queres” preconizados por Aleister Crowley, a construção de um mundo melhor, de uma sociedade livre, sem regras, sendo que uma revolução deveria acontecer, antes de tudo, dentro de cada pessoa. Sendo uma utopia, a Sociedade Alternativa não realizada de fato, seria, de acordo com o próprio Raul, não um lugar concreto, edificado, mas um espírito que deveria pairar sobre a mente de todos aqueles que desejassem uma sociedade menos caótica, enfim, de igualdade e liberdade.
Fundada a partir da fusão de sociedades das quais participavam Raul Seixas e Paulo Coelho – Grã Ordem Kavernista e Sociedade da Besta do Apocalipse, respectivamente –, a Sociedade Alternativa foi anunciada por um manifesto proferido por Raul Seixas – escrito em parceria com Paulo Coelho e outros artistas – durante um show em 1973. A Sociedade, porém, foi censurada e considerada subversiva pela ditadura militar durante o governo Geisel. Raul foi – segundo disse posteriormente – torturado, mantido encarcerado por três dias e finalmente deportado para os Estados Unidos, de onde voltou algum tempo depois por causa do sucesso que seu álbum Gita, de 1974, havia alcançado.
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Para mais informações, consulte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Contracultura
http://www.suapesquisa.com/musicacultura/contracultura.htm
http://lemad.fflch.usp.br/node/217
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Alternativa
http://www.imagick.org.br/pagmag/musiritu/Raul.html
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“A Magia” acontece: Os Músicos Ocultistas visitam o Mago Metaleiro
Ao ler os tópicos anteriores, o leitor deve se perguntar: mas o que Aleister Crowley tem em comum com o mundo do Heavy Metal? Por que os metaleiros escolheram Crowley como um dos temas principais de suas composições? Qual a intenção da fraternidade do Metal ao destacar essa figura tão emblemática e controversa?
Antes de nos debruçarmos sobre nossas hipóteses, cumpre dizer que Crowley influenciou, de forma bastante ampla, os mais diversos segmentos da cultura e do entretenimento. Na Música, apenas para citar algumas bandas e cantores, temos: Behemoth, Bruce Dickinson, David Bowie, Iron Maiden, Led Zeppelin, Ozzy Osbourne, Raul Seixas, Rolling Stones, The Beatles, Therion, e algumas bandas pouco citadas nesse sentido, Angra, Celtic Frost, Dimmu Borgir e Edguy. No Cinema e na Televisão, temos: Master of Darkness (documentário), Perdurabo – nome atribuído a Crowley quando fez parte da Aurora Dourada e que significa “aquele que dura até o fim” – (curta-metragem), Lucifer Rising (filme), Bellini e o Demônio (filme nacional), Crowley/Chemical Wedding (filme de Bruce Dickinson como roteirista e ator) e Supernatural (série televisiva). Na Literatura os exemplos são: Aldous Huxley, Allan Moore, Neil Gaiman, W. Somerset Maugham, Robert Anton Wilson, Fernando Pessoa, dentre outros.
Depois dessa apresentação, é hora de fornecermos alguns exemplos da influência de Aleister Crowley em cada uma das bandas de Rock e Heavy Metal citadas. A lista de exemplos pode parecer demasiadamente extensa, mas mantivemos todos os exemplos possíveis para ilustrar o quão expressiva tem sido a referência ao singular e emblemático mago britânico. Também não temos a pretensão de que seja uma lista definitiva, já que os exemplos de bandas e suas respectivas canções são praticamente infinitos. Nossa intenção é colaborar com exemplos que geralmente não são encontramos na íntegra em um único texto.
Behemoth: a banda polonesa de Black Metal lançou em 2001 o álbum intitulado Thelema 6 (imagem abaixo), como uma clara referência à filosofia thelêmica e o Livro da Lei de Aleister Crowley.
Behemoth e Bruce Dickinson
Bruce Dickinson e Behemoth
Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden): do álbum Accident of Birth (1997), temos Darkside of Aquarius. Nesta composição, a ideia de igualdade, fraternidade e a possibilidade de uma vida com menos dificuldades e problemas, prenunciados pela Nova Era – a Era de Aquarius –, daria lugar à guerra, à destruição, à intolerância religiosa, e finalmente, à morte. E não apenas à morte física, mas à morte espiritual, à morte de sonhos, esperanças e da tão sonhada paz mundial (“O lado negro de Aquarius tem roubado nossas almas e mentes”). Man of Sorrows é sobre Crowley menino, sua infância. Trata também da profecia de Crowley da Nova Era (“Uma visão de um mundo novo, das cinzas do velho / ‘Faças o que tu quiseres’, Ele gritou de sua amaldiçoada alma / Um visionário torturado, um profeta de nosso vazio / Perguntando por que, perguntando por que”). The Magician, título homônimo de um dos arcanos maiores do Tarô, é a narrativa de um professor que mostra a um aluno/discípulo sua forma tradicional de pensamento, que poderia estabelecer um paralelo com a Era de Peixes (“Velha Era”), em contraposição à Era de Aquarius (Nova Era). O professor, então, oferece a esse aluno uma opção de escolha: ou as “velhas tradições” que estão ao seu alcance ou a oportunidade de experimentar uma nova forma de pensamento, de uma nova mentalidade e não se basear apenas em pensamentos dogmáticos e tradicionais (“Agora que te conheço e você me conhece, temos segredos que podemos dividir / Podemos construir um novo amanhã a partir do lixo do passado / E não será a última vez, e estou contente por ter te encontrado”).
O álbum Chemical Wedding (1998) é totalmente baseado em Alquimia, Ocultismo e Tarô. Em The Tower, título homônimo de um dos arcanos maiores do Tarô, um jovem casal consulta uma cartomante para saber sobre sua união. Pelo arranjo das cartas que imaginamos durante a narrativa, vemos que o final feliz, isto é, o “casamento alquímico”, a união do masculino com o feminino não ocorrerá (“Amantes na torre /A lua e o sol divididos, e a sacerdotisa se ajoelha para receber / Amantes na torre / A lua e o sol divididos, / O mago dá risada”). Navigate The Seas of The Sun, do álbum Tyranny of Souls (2005), faz referência ao arcano maior O Sol que simboliza a consciência, a inteligência e a cabeça humana: é preciso libertar-se daquilo que nos aprisiona e restringe (“Nossas crianças continuarão a navegar os mares do Sol”). A faixa-título A Tyranny of Souls, nos diz: “Quem tira a criança do útero? / Quem ergue a adaga, quem toca a música? / À beira da condenação no dia do julgamento”). Trata-se de uma descrição do Æon, como observado na carta do Tarô O Aeon, que nos tarôs tradicionais recebe o título O Julgamento.
David Bowie, cantor britânico de Pop/Rock: as canções Quicksand, do álbum Hunky Dory' (1971, imagem ao lado) e Station to Station, do álbum homônimo (1976) fazem referência ao Esoterismo, à Golden Dawn, à Cabala e à magia tibetana. Da canção Quicksand temos o trecho: “sou ligado à Aurora Dourada, imerso no imaginário uniforme de Crowley”.
David Bowie e Iron Maiden
Capas de discos de David Bowie e Iron Maiden
Iron Maiden, banda britânica de Heavy Metal: do álbum Piece of Mind, (1983) temos em Revelations, “Apenas um bebê em um abismo negro”, que de acordo com Crowley, designa aquele que se atira ao abismo e o atravessa. De Powerslave (1984, imagem acima), a faixa-título trata de um faraó que é considerado deus e por isso não quer morrer para continuar governado (“No abismo eu cairei – o olho de Hórus / Nos olhos da noite – me olhando ir”). O faraó figuraria a “Velha Era”, o pensamento ultrapassado e tradicionalista, que deveria ser substituído pela Nova Era, período de libertação do pensamento e valores em relação ao anterior. Moonclihd, do álbum Seventh Son of a Seventh Son (1988), é o título de uma obra de Crowley. Em The Final Frontier, (2010) temos na canção Starblind com o verso: “Você é livre para escolher uma vida para viver” como uma clara referência ao cumprimento da Vontade da lei de Thelema. The Alchemist, além do tema da Alquimia, trata de John Dee (1555-1597) mago, suposto espião, idealizador e praticante da Magia Enochiana, criada juntamente com Edward Kelley, que seria mais tarde praticada por Aleister Crowley. O verso “Ouça o mestre chamar os espíritos por seus nomes” refere-se às invocações enochianas de Dee, Kelley e Crowley.
Led Zeppelin: Jimmy Page, guitarrista da banda britânica de Rock/Heavy Metal, seguidor e divulgador de Aleister Crowley estudou, de forma aprofundada, a obra de Crowley e comprou a mansão Boleskine, na Escócia, que a ele pertenceu. Page possui vários manuscritos de Crowley, vasto material de estudos de Ocultismo e outros assuntos a ele relacionados.
Ozzy Ousboune, cantor britânico de Heavy Metal: Mr. Crowley, do álbum Blizzard of Ozz (1980), é uma crítica à magia de Crowley que ele chamou de “enganadora”: “Você enganou todas as pessoas com magia / Você esperou ao chamado de Satã / Sr. Encantador, você achava que era puro? /Sr. Alarmante, em harmonia noturna”.
Led Zeppelin e Raul Seixas
Led Zeppelin "Disciple of Aleister Crowley" e a capa do "Novo Aeon" de Raul Seixas
Raul Seixas, cantor brasileiro de Rock: a maioria das canções foi baseada em Aleister Crowley e em Thelema. Do álbum Gita (1974), temos Sociedade Alternativa (“Faz o que tu queres / Há de ser tudo da Lei / Viva! Viva! /Viva A Sociedade Alternativa / Todo homem, toda mulher / É uma estrela / Viva! Viva! /Viva A Sociedade Alternativa”), e Loteria da Babilônia (“Tudo o que tinha / Que ser chorado / Já foi chorado / Você já cumpriu / Os doze trabalhos / Reescreveu livros / Dos séculos passados / Assinou duplicatas / Inventou baralhos”). Do álbum Novo Aeon (1975, imagem acima), temos a homônima Novo Aeon (“Sociedade alternativa / Sociedade novo aeon / É um sapato em cada pé / É direito de ser ateu / Ou de ter fé”). De A Pedra do Gênesis (1988), temos  A Lei (“A lei do forte/ Essa é a nossa lei e a alegria do mundo / Faz o que tu queres há de ser tudo da lei / Fazes isso e nenhum outro dirá não / Pois não existe Deus se não o homem / Todo o homem tem o direito de viver a não ser pela sua própria lei”). Do álbum A panela do Diabo (1989), temos Nuit (“Mas é com o sol que eu divido toda a minha energia / Eu sou a noite do tempo. Ele é o dia da vida / Ele é a luz que não morre quando chego e anoiteço / O sol dos dois horizontes a mais perfeita harmonia... / Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia”).
Rolling Stones, banda inglesa de Rock: o álbum Their Satanics Majesties Request (1967), a canção Simpathy For The Devil, do álbum Beggars Banquet (1968) e as imagens do encarte do álbum Goats Head Soup (1973) possuem o Satanismo como tema central. [2]
The Beatles, banda britânica de Rock: Crowley aparece na capa do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (imagem abaixo), de 1967. John Lennon foi um devotado estudioso da obra de Aleister Crowley.
Beatles e Therion
Capa de álbum dos Beatles com rosto de Crowley entre os figurantes e a banda Therion
Therion: a banda de metal sinfônico sueca (imagem acima) empresta seu nome daquele assumido por Crowley – To Mega Therion – ao atingir o grau Magus na Astrum Argentum. Dentro da temática crowleyana podemos citar To Mega Therion (“Carregue a marca da vitória / E a lança do destino / Carregue a marca da vitória / Poderes de Thagirion / Para To Mega Therion / Poderes de Thagirion”) do álbum Theli (1996), e Gothic Kabbalah (“Nos seus sonhos a porta está aberta / Dos dias antigos a profetisa me fala /Através dos ventos do norte / O talismã da Cabala Gótica, ela revela para mim / Os ensinos e letras rúnicas são escritos nos céus / Leia o livro de Gog / O talismã da Cabala Gótica unirá sua alma”), faixa-título do álbum de 2007.
Angra: da banda brasileira de Power Metal temos Nova Era, canção do álbum Rebirth (2001), cujos versos nos dizem “Brilha o novo dia, anjos caídos se levantarão / Nova Era traz as cinzas de volta à vida / Tudo acabado, as dores e mentiras / Anjos se erguerão / De volta à vida!”.
Celtic Frost: o segundo álbum da banda suíça de Black Metal, To Mega Therion (1985) leva o nome, em grego, com que Aleister Crowley se autodenominava, cujo significado é A Grande Besta (aquela que é descrita no Apocalipse).
Dimmu Borgir: a banda norueguesa de Black Metal Sinfônico lançou em 2010 o álbum intitulado Abrahadabra, palavra retirada do Livro da Lei, denominada por Crowley como a “Palavra do Æon” e que representa a Grande Obra concluída. Da canção Ritualist desse álbum, citamos “Fora com obstáculos ao progresso / Aqueles deficientes na ambição de prosperidade / Anseio, mas que já se foi / Os restos divagam / E começa novamente”.
Celtic, Dimmu e Edguy
Capas de álbuns das bandas Celtic Frost, Dimmu Borgir e Edguy
Edguy: da banda alemã de Power Metal temos a canção Out of Control, do álbum Vain Glory Opera (1998) que cita expressamente o nome de Crowley (“Onde quer que eu possa vagar ali será ódio e dor / Olho por olho, dente por dente, respeito é o que eu ganho / Eu olho para Sr. Crowley, forças maléficas: agora unidas / Eu serei seu pesadelo mais obscuro / Minha vida é uma luta fatal”). Theater of Salvation, do álbum de mesmo nome de 1999 refere-se à lei de Thelema nos trechos: “Eu vou viver como quiser antes de morrer”, “Eu tenho cabeça para descobrir o que é certo e o que é errado” e em “Liberdade me chamando” (trecho várias vezes repetido, como para enfatizar a importância de libertar-se daquilo que nos impede de buscar as respostas para os nossos questionamentos de forma independente). Em relação à Nova Era, temos: “Eu ouço vozes em meu sonho / Fizeram-me levantar, ajudaram-me a ver" Aaah... / As visões o chamaram para acordar sua mente / Para encontrar seu horizonte / E encontrar o que pode estar por trás”, o refrão: “Olhe para o portal aberto / Ande e não fique com medo / Liberte sua mente naquilo que eles bradam / É o coração da tentação!” e “Eles construíram um símbolo de aviso / Para me deixar com medo /Para me deixar longe do paraíso / Apesar de eu estar tão perto / Esperando que eu não olhe / Para o que está pra trás: Liberdade chamando...” Como dissemos, a Nova Era seria o período de tempo marcado pela evolução espiritual humana, a ponto de desprezar as divindades existentes e cada um considerar-se seu próprio deus. Neste último trecho o “símbolo” a que o autor se refere parece tratar-se do crucifixo – um símbolo Católico – pois ele menciona “o padre” e “o homem de preto” em outros momentos da canção. Golden Dawn, do álbum Mandrake (2001) refere-se à ordem da qual Crowley fez parte (“Golden Dawn, uma nova era começou / Golden Dawn em cada um / Não fuja, não diga que é tarde demais / Comece a tocar no ano: Golden Dawn”). Hellfire Club, (2004) teve seu título emprestado do nome dos clubes particulares frequentados pela elite inglesa do século XVIII. De acordo com a crença popular, os clubes funcionavam como local de encontro para orgias sexuais, bebedeiras, prática de magia negra e de rituais satânicos, e também para discutir arte e literatura. New Age Messiah do álbum Hellfire, é uma referência a Crowley (“Perdoe-me / Erga uma imagem esculpida / Eu sou o novo messias para o mundo / Você não pode ver / O esplendor da minha auréola / Mas eu sou o novo messias para o mundo / Para os cegos”). O título da canção Aleister Crowley Memorial Boogie, do álbum Age of the Joker, (2011) é autoexplicativo , além de se referir à participação – de Crowley ou outra pessoa – numa ordem iniciática (“Olhe ao seu redor /Limpe seus sapatos e entre / Passe o portão / Tire seu casaco e deixar sua vida para trás”).
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[2] Embora Rolling Stones aborde o tema do Satanismo e não exatamente Aleister Crowley (que não era propriamente Satanista, mas sim um anticristão e declarado combatente da religião doutrinária e repressora de sua época), deixamos como exemplo. Outras bandas e artistas que utilizam a mesma temática podem ser encontradas em http://whiplash.net/materias/curiosidades/000116-robertjohnson.html. [29/10/14]
Para mais informações, acesse:
http://letras.mus.br
http://whiplash.net/materias/biografias/098428.html
http://cinegnose.blogspot.com.br/2013/12/aleister-crowley-e-bohemian-grove-o.html
http://wikimetal.uol.com.br/site/ocultismo-e-satanismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thelema#Influ.C3.AAncia_cultural
http://whiplash.net/materias/curiosidades/201398-brucedickinson.html
http://www.deldebbio.com.br/2011/07/04/bruce-dickinson-e-aleister-crowley
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Crowley Não Para Por Aí!
O cantor Bruce Dickinson também é coautor, ao lado de Julian Doyle, de Crowley, o livro baseado na vida do mago inglês e que se tornou filme. Produzido em 2008, o filme de terror/mistério, dirigido por Julian Doyle, escrito e estrelado por Bruce Dickinson – Chemical Wedding (imagem abaixo) no Reino Unido ou Crowley nos Estados Unidos –, possui parte da trilha sonora do próprio Dickinson e do Iron Maiden. O filme – com o mesmo título da música e do álbum solo de 1998 – conta com a participação de Simon Callow (“Amadeus”, “Shakespeare Apaixonado” e “O Fantasma da Ópera”, entre outros) no papel do ocultista Mr. Crowley, Kal Webber, Lucy Chudden, Jud Charlton e John Chrapnel. O enredo do filme é sobre um professor de Cambridge “conhecedor dos trabalhos de Crowley, [que] acaba incorporando seu espírito, devido a um experimento científico realizado em uma máquina de realidade virtual. O professor, agora Crowley reencarnado, passa a agir como o mago inglês, realizando rituais, palestras de literatura inusitadas, e preparando o ritual final para a reencarnação definitiva, onde o professor deixaria de existir, e Crowley estaria definitivamente de volta. Claro que havia um grupo de pessoas da universidade que não poderia deixar isso acontecer e pretendem estragar os planos do professor”.
Ao ser perguntado sobre o fato do roteiro do seu filme ter sido ridicularizado pela imprensa cinematográfica antes mesmo de ter tido acesso a ele, Dickinson declara: “Na verdade eles estão incomodados com o fato do filme abordar um personagem tão controverso quanto o Crowley. E também estão incomodados com o fato de termos arrecadado um excelente orçamento para o filme, mais que o dobro do que eu imaginava inicialmente”.
Com essa resposta já podemos imaginar o impacto causado, ainda hoje, ao abordar Crowley, mesmo para o Cinema, algo que nos parece absurdo, já que milhares de personalidades, mesmo as mais controversas, são retratadas em filmes e não causam tanta repulsa assim. E Dickinson completa: “Além disso, o filme tem uma abordagem diferente sobre Aleister Crowley. Foge dos clichês tradicionais, acho que aborda muito mais uma questão fáustica, de como alguém é capaz de apelar para qualquer coisa, por mais perigosa que seja a fim de realizar seus objetivos, seus desejos mais perversos. Tentei também citar figuras que foram preponderantes na vida de Crowley como Jack Parsons e Ron Hubbard”, quando questionado se tudo o que poderia ser dito a respeito de Aleister Crowley já não havia feito.
Dickinson e Edguy
O filme de Bruce Dickinson e a capa do álbum "Mandrake" da banda Edguy
Conforme dissemos acima, os músicos de Heavy Metal recorrem a temas variados ao produzir suas canções: Alquimia, Esoterismo, Ocultismo, Magia, Tarô. Outra figura que também merece menção – apenas a título de curiosidade, uma vez que Aleister Crowley é o foco deste artigo – é Leon Giglio (1911-1993), mágico e ilusionista ítalo-americano mais conhecido como Leon Mandrake ou Mandrake, o Mágico. Embora seja um magista de salão e de clubes e não um magista cerimonial como foi Crowley, trouxemos essa personalidade como exemplo por ter sido escolhida pela banda alemã Edguy como tema do álbum Mandrake (2001, imagem acima) para mostrar, que seja como for, a Magia também é um tema recorrente nas composições da fraternidade do Metal.
Como vimos, a presença de Aleister Crowley no mundo do Heavy Metal é vasta. O assunto beira o infinito. Odiado por muitos e aclamado por uma legião de seguidores e admiradores, não podemos negar que essa figura singular e muitas vezes mal compreendida – não apenas em sua época, mas ainda hoje também –, deixou sua “marca no mundo”. E as marcas de Aleister Crowley podem ser vistas, sentidas e ouvidas com grande clareza, já que se passaram apenas quase 70 anos de sua morte.
Um dos objetivos de Aleister Crowley era mudar o mundo. E por que não arriscar dizer que ele conseguiu? De qualquer forma, mesmo que não tenha mudado, é certo que mudou a vida de muitas pessoas aqui e ali, mesmo que distante geograficamente umas das outras, como por exemplo, Raul Seixas, Bruce Dickinson, David Bowie, Aldous Huxley e tantos outros artistas do mundo cultural, assim como seus seguidores contemporâneos.
Dickinson, um grande admirador do pensamento e estudioso da obra de Crowley disse: “Acho que o Crowley é sem dúvida a figura mais inspiradora do universo do ocultismo. Leio e estudo Crowley desde minha pré-adolescência. A despeito de todas as controvérsias que sempre o rondaram, ele levou o “faze o que tu queres ao limite do extremo”. Ele é sem dúvida a inspiração definitiva para todos aqueles que amam o ocultismo e dedicam suas horas vagas para entender o submundo em que vivemos”.
Em 2011, Bruce Dickinson recebeu da Universidade Queen Mary, de Londres – universidade na qual se formou em História em 1979 – o título de doutor honorário em música por suas contribuições à indústria musical, pelos discos que lançou dentro e fora do Iron Maiden, pelos fãs conquistados em todo o planeta e pelos concertos beneficentes realizados. Por ocasião da entrega do diploma, Peter Mc Owan, professor dessa Universidade e fã de Iron Maiden declarou: “O Heavy Metal ajudou a nos tornar o que somos hoje”. O tempo de Bruce no Iron Maiden, suas letras inteligentes e apresentações brilhantes foram uma parte positiva de nossa juventude e suas grandes realizações empresariais, na aviação e no entretenimento fazem dele um verdadeiro sábio britânico do qual podemos nos orgulhar”.
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Para saber mais, consulte:
http://ambrosia.virgula.uol.com.br/crowley-o-filme/
http://www.mortesubita.org/sinfonias/musica-e-ocultismo/iron-maiden-visita-aleister-crowley
http://whiplash.net/materias/biografias/098428.html
http://oglobo.globo.com/cultura/bruce-dickinson-recebe-doutorado-honorario-em-musica-em-universidade-inglesa-2714179
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Ecos da Liberdade: Todo Homem e Toda Mulher é Uma Estrela
No tópico anterior vimos quão expressivas têm sido as referências a Aleister Crowley nos mais variados campos da cultura e do entretenimento, principalmente no mundo da música, em especial nos gêneros Rock e Heavy Metal. Retratado em letras de música, filmes ou lembrado em relação à Magia, como vimos em Mandrake, abordar Crowley é assunto que beira o infinito, mediante o legado por ele deixado e mantido durante décadas e gerações por seus adeptos e estudiosos.
A partir dessas considerações, podemos traçar algumas hipóteses em relação à influência e ao pensamento tão vivos de Aleister Crowley que nos acompanham e nos iluminam continuamente. Crowley, que já foi chamado “o homem mais perverso do mundo” ou “o pior homem da Terra” se faz presente se não fisicamente, mas espiritualmente entre nós, independente do que quer falemos ou imaginemos a seu respeito.
Aleister Crowley tornou-se uma figura “ativa” e “participante” entre artistas que desejam manter vivo o seu espírito de liberdade e abandono de regras preestabelecidas por uma sociedade ainda conservadora em muitos aspectos como a que vivemos. Se por um lado, a figura de Crowley causou tanto espanto e repulsa, por outro angariou uma legião de seguidores e admiradores que se mantém fiel até hoje.
Amor e faça o que quiser
Amor e não guerra. Faça o que quiser.
Lutar por essa liberdade encontra sua origem já nos anos 1960/70 quando nasceram os movimentos da Contracultura e da Sociedade Alternativa que se insurgiram contra uma sociedade conservadora, dominada pelo pensamento religioso e pela ideia de que o homem vive um eterno pecado. E um dos modos que uma parte daquela juventude encontrou para dar o seu recado foi através da música, algo que poderia estar em todos os lugares ao mesmo tempo, inclusive nas regiões mais distantes do globo.
Baseados nos ideais da Crowley como o “faze o que tu queres”, de viver conforme a vontade de cada um, infelizmente tanto os músicos quanto os fãs do Heavy Metal ainda são tachados de satanistas, maloqueiros, drogados, desocupados, mal educados, quando na realidade o verdadeiro intuito dos primeiros, é levar diversão e emoção aos jovens do mundo todo, e dos fãs é desfrutar das canções, fazer novos amigos, ouvir músicas “críticas” e de conteúdo “inteligente”. É claro que o lema “faze o que tu queres” aqui não deve ser tratado como um ato inconsequente, mas viver de forma que a liberdade de um indivíduo não apague a do outro, sendo essencial o respeito à figura humana.
Dizer que “todo homem e toda mulher” é uma estrela significa que todos devem ser respeitados em sua individualidade, cada um é uma parte significativa do universo, não importando gênero, condição social ou crenças. É esse o espírito que os seguidores de Crowley procuram validar, principalmente através da música: um mundo marcado pela expansão da mente humana, da iluminação e abandono de ideias retrógradas e preconceituosas. A liberdade, nesse sentido, tornou-se soberana e distintiva de toda uma geração.
Longe de serem propriamente satanistas, adoradores do Demônio e bebedores de sangue – como se supõe ainda hoje – a intenção principal dos metaleiros era e é exatamente chocar sociedade ainda conservadora com seu modo peculiar de se vestir e de se comportar. Para isso esbanjam cabelos compridos, tatuagens, camisetas e uma infinidade de acessórios com nomes e logotipos de suas bandas favoritas; fazem uso de pentagramas, figuras demoníacas, caveiras e outros símbolos que “provoquem” ainda mais a imaginação o sentimento de medo e aversão entre aqueles que os criticam. Comparecem a concertos muitas vezes considerados verdadeiros espetáculos de pirotecnia e efeitos especiais.
Homem e mulher são estrelas.
Cada homem e cada mulher é uma estrela.
Edguy em concerto: imagem obtida em www.edguy.net/eng/photos.php

 

Pode ser que algumas das ideias e ações de Crowley ainda soem esquisitas, excêntricas e inviáveis no mundo em que vivemos. Podemos considerá-lo controverso, bizarro ou mesmo louco. Seja como for, estando certo ou não, o mago britânico assumiu os riscos e foi em frente, em uma época em que não havia internet e as facilidades de hoje. Crowley viajou pelos continentes, colheu informações, realizou estudos, documentou suas impressões e isso é algo que não deve ser ignorado, mesmo para aqueles que o consideram louco. Sim, ele foi um louco, mas no sentido de que apostou tudo em nome daquela liberdade que não seria conquistada apenas para ele, mas para as gerações após sua morte. E reconhecer a coragem de Crowley não deveria ser forçoso, porém parte da nossa memória histórica.
Crowley ainda vive. Seja nas canções, nos cinema ou na literatura. E muito do que sabemos sobre esse homem tão singular devemos aos poetas do Heavy Metal como Bruce Dickinson, Edguy (imagme acima), Iron Maiden, Raul Seixas, Therion e muito outros. Como dissemos: devemos muito ao Heavy Metal e longe de ser apenas fruição e entretenimento, ele “ajudou a nos tornar o que somos hoje”, pois compreendê-lo em profundidade exige de nós estudo e pesquisa, reflexão, um olhar atento e o que consideramos o mais importante: uma mente aberta para conhecer o novo, o diferente.
Em meio a tantas informações veremos o quão instigante e interessante se tornou o que antes nos parecia terrível ou abominável. Assim, nosso objetivo, com esse artigo, não é fazer com que Aleister Crowley ou Heavy Metal sejam aceitos pela unanimidade. Nosso intuito é tentar dirimir preconceitos que ainda ecoam entre nós, seja por nossas escolhas religiosas, políticas, estéticas, de gênero ou estilos musicais. Um diálogo aberto e plural é sempre muito bem-vindo. Felizmente, hoje existem diversos sites e revistas especializados em músicas que se dedicam integralmente ao tema tratado ao longo desse artigo, no intuito de informar e divertir fãs e curiosos. De qualquer forma, preconceitos sempre existirão, contudo é possível conquistarmos avanços positivos como temos feito até aqui.
Contato com a autora:
Simone Gomes Omega
gommes78@gmail.com e
www.facebook.com/simonegomes78
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 19/01/2015
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