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10 de julho de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


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Agruras em agosto
Rui Sá Silva Barros

No início de agosto Marte ingressou em Câncer fazendo aspectos tensos com Urano e Plutão, uma onda de ódio e pânico varreu o mundo. Ódio principalmente no mundo anglo-saxão. Desde a eleição de Obama o termômetro da insanidade se elevou nos EUA: mulçumano, socialista, o que flerta com os inimigos, acusações diárias no rádio e TV, caldo de cultura da formação do Tea Party que elegeu dezenas de deputados em 2010. O aumento do teto de endividamento foi autorizado pelo Congresso dezenas de vezes no século passado, sem nenhum problema. Agora resolveram aterrorizar o país com chantagem: para nova elevação exigiram cortes drásticos no orçamento, especialmente na área de saúde e previdência. Mais uma vez o presidente vacilou e acabou cedendo, seu prestígio anda em baixa. Isto vai levar a uma estagnação longa e dolorosa para o povo. Tudo isso por conta das eleições do ano que vem, quando a histeria deve chegar ao auge.

NA INGLATERRA um jovem negro foi morto pela polícia, os familiares foram à delegacia pedir explicações e saíram com as mãos abanando. No final de semana eclodiram incêndios e saques em Londres, alastrando-se para outras cidades. Especialistas foram consultados, promoveram mesas redondas sobre a onda de fúria, estão perplexos, pois não foi nada parecido com as manifestações dos jovens europeus mediterrâneos. A amostra dos detidos detectou: os mais variados graus de escolaridade, emprego, renda, religião, etnia e nacionalidade; objetos mais roubados: vestuário de grife e eletroeletrônicos. Imediatamente a polícia, o judiciário e os políticos foram unânimes: ação de criminosos e baderneiros, nada de político ou social. Cameron voltou às pressas das férias para declarar a falência moral do país. Disto não se pode duvidar, mas partindo de quem partiu é para desconfiar, ora, não é que o primeiro-ministro foi preso, quando universitário, por promover uma noitada de quebra de vitrines. Ah! Mas isto são os pecadilhos da juventude rica de Oxford, coisa totalmente perdoável, na fase adulta eles se tornam sérios e responsáveis, chegando mesmo ao ponto de promover austeridade fiscal, cortando subsídios à educação, habitação, saúde e recreação aos mais pobres. Isto porque o ajuste está só no começo. Dezesseis mil policiais foram postos na rua e alguns mais alterados pediram o exército.
 
A realidade é bem chata, tratemos, pois, de substituí-la pela fantasia, que nos EUA toma a forma de teoria conspiratória: o Estado é um monstro que é preciso abater, preservando as forças armadas e dinheiro para socorrer bancos. Mas basta olhar o governo do santo padroeiro deles – Ronald Reagan, diretamente de Hollywood –, para ver que os gastos estatais subiram, bem como o número de funcionários públicos. Lembrete bem inútil, pois como notou Lacan os paranóicos são o próprio modelo da convicção. Já os dirigentes ingleses pensam, desde o século XIX, que a mob (ralé) é turbulenta por natureza e sujeita a explosões de ódio periódicas. Benevolamente trataram de instituir socorros estatais e privados ao longo do tempo, em vão; os ingratos não veem que o país está à beira da bancarrota? Que todos devem fazer sacrifícios, com a exceção dos executivos financeiros, os paladinos da nação?  Como não compreendem as coisas básicas da vida, que o rigor da lei caia sobre eles.

A ÍNDIA tem Marte no início de Câncer, setor 2, na carta natal; o retorno foi bem forte. No ano passado Sonia Gandhi fez um discurso inflamado contra a decadência dos valores, o governo enviou uma lei anticorrupção ao Parlamento, Anna Hazare achou fraca, convocou uma manifestação e iniciou uma greve de fome. O governo, bisonhamente, trancafiou o ancião de 74 anos, as manifestações cresceram como era de esperar. O problema é muito grave no país e atrasa a modernização econômica; abrir uma empresa lá é dispender um bocado de dinheiro em propinas e mantê-la exige malabarismos. Ainda há muita regulamentação, resquícios do capitalismo de estado, e os políticos e burocratas pensam que a sociedade deve pagar um imposto extra para funcionar. A crescente desigualdade de renda promete outros distúrbios.

ISRAEL tem Vênus, regente do ascendente e do signo solar, no início de Câncer. Lá a coisa começou com protestos de estudantes sobre os preços de aluguéis e logo se generalizou com manifestações massivas contra o custo de vida. O governo de Bibi ficou acuado, mas por pouco tempo, pois logo um grupo terrorista islâmico atacou um ônibus no sul de Israel, matando e ferindo soldados. O Hamas declarou que o ataque não partiu dos seus, mas comemorou. Pelo sim, pelo não, Bibi mandou bombardear a faixa de Gaza e a península do Sinai, matando três policiais egípcios. O circo está armado, haja alfafa no mundo! Novamente um grupo islâmico aborta uma manifestação de massa popular.

Recrudesceu também a violência no Iraque, Afeganistão e Paquistão. A guerra é interminável nas bases políticas atuais. Os rebeldes líbios entraram em Trípoli e comemoram a deserção de gente próxima a Gadaffi, depois é que são elas.  Uma coisa é certa: os seis milhões de líbios não precisam se preocupar mais em gerir a dinheirama do petróleo, mãos mais experientes cuidarão da árdua tarefa. A retórica contra Assad aumenta no Ocidente, mas ninguém ousa intervir militarmente, pois a confusão será geral; os turcos já posicionaram forças armadas na fronteira para bloquear a evasão e outras eventualidades. No Egito a situação está cômica (humor negro): quando as massas se manifestam nas ruas pedindo celeridade, o exército prende e processa algum figurão associado a Mubarak, quando não exibe o ancião muito doente numa jaula para julgamento. A atual rusga com Israel também serve de combustível para o entretenimento das massas.

Enquanto isso, os mercados de ativos entravam em tobogã. Quem teve sangue frio e comprou no dia 09/08, na abertura dos pregões, já obteve uma bela renda, se vendeu no dia 15. O que aconteceu para deflagrar o pânico? Depois de muitas negociações, os dirigentes europeus acertaram um novo pacote de ajuda aos gregos, convidando os bancos a participar, alongando prazos e diminuindo os juros. Isto disparou o alarme, e se a coisa envolvesse países maiores? Então os financistas resolveram testar a UE, inicialmente com a Itália e Espanha, depois com a França. Isto obrigou os dirigentes europeus a socorrerem os títulos soberanos destes países, até mesmo o BCE, que era obstinadamente contrário à ideia. Sem razão alguma começaram a exigir taxas de juros cada vez maiores como se o calote fosse iminente. As dívidas são altas, mas perfeitamente manejáveis. Os governos cederam à chantagem e apresentaram mais planos de ajustes, que significam mais anos de estagnação e desemprego alto. Depois disso a maré virou e as ações, petróleo, metais e cereais subiram novamente, para a felicidade geral do povo financista que lucrou alguns bilhões. Circulam rumores de travamento de crédito no mercado interbancário europeu, se for verdade teremos mais um episódio de crise aguda com repercussões mundiais. 

NOS EUA a palhaçada foi geral e irrestrita, as invenções superaram as melhores expectativas. É certo que a dívida total (estatal, empresas e famílias) é impagável, mas ainda pode ser rolada por um tempo. Os políticos e a imprensa criaram uma histeria completa diante da possibilidade de suspensão de pagamentos, até mesmo anunciaram que os cheques da Previdência seriam suspensos, quando se sabe que ela tem um bom lote de títulos soberanos em caixa, resgatáveis a qualquer momento. Nenhum grande credor vendeu seus títulos durante a algazarra, sinal que esperavam um desfecho razoável. O desfecho chegou e não foi muito razoável; Obama não conseguiu a volta da taxação das grandes empresas e dos ricos, mas conseguiu empurrar o início dos cortes para depois das eleições. A seguir a S&P rebaixou a nota de crédito dos títulos federais e no dia seguinte houve uma corrida para comprar, isto mesmo comprar, mais títulos com taxas de juros negativas. Enquanto isto mais comédia: os chineses chamaram o governo americano à razão – chega de farra de crédito! O único problema é que se eles começarem a vender seus títulos americanos (1,2 trilhões), o dólar e seus rendimentos vão para o buraco e eles perderiam dinheiro. De vez em quando algum dirigente chinês acorda no meio da noite e pensa: puxa vida, estamos financiando a esquadra americana que azucrina nossos mares! E não consegue mais pegar no sono. O governo americano está numa bela enrascada, já gastou todos os estímulos possíveis, fiscais e monetários. As grandes empresas estão muito bem, com grandes somas em caixa ou ativos, esperando uma melhora no consumo pra investir; como a dívida das famílias ainda é muito alta podem esperar sentados. A dispensa de funcionários públicos (estaduais e municipais) continua a todo vapor. O bilionário Buffett publicou artigo no NYT alegando que ele e seus pares pagam poucos impostos e precisam ajudar nesta hora de apuros, uma mão para a campanha de Obama e desespero e ódio nas hostes do Tea Party.  Agora, dependem de um invento milagroso de um produto caro: talvez um carrinho voador como os Jetsons tinham – para quem não lembra, era um desenho animado futurista da década de 1960 – ou um andróide doméstico, daqueles que dizem: é o fim da linha, Mestre!

E agora todos os olhos se voltam para a CHINA. O que acontecerá se o dragão arrefecer seu crescimento econômico? Uma boa confusão. Durante trinta anos a China acelerou com exportações de multinacionais e empresas próprias, baseadas numa inesgotável reserva de mão de obra barata. A crise de 2008 acendeu a luz amarela, os chineses precisam fazer uma conversão na economia e desenvolver o raquítico mercado interno (34% do PIB, consumo). Isto significa elevar salários, criar previdência e saúde públicas e deixar o câmbio flutuar. Mas, como em qualquer lugar no mundo, os que lideraram o processo resistem, isto é, exportadores e parte da burocracia. É meta oficial do governo reduzir o crescimento para 7%, um número extraordinário ainda, mas até agora nada. No atual modelo o governo compra os dólares que entram no país, com isso acumulou 3,2 trilhões e agora está com dificuldades para investi-los, e a compra significa também dívida interna para o Banco do Povo, ainda manejável. O Sol do mapa natal do país sofreu uma passagem de Saturno e o tom das manifestações ambientais andou subindo nas últimas semanas. Isto vai longe, pois Plutão e Urano afligem o Sol demoradamente.

Estas lambanças todas ocorreram enquanto o Sol e Vênus, em Leão, signo das apostas, faziam quadratura a Júpiter em Touro. Alemães e franceses relutam a fazer o necessário porque não querem sustentar as dívidas dos demais e porque têm eleições no ano que vem, bem como os americanos. Uma estagnação prolongada já é bem ruim, mas pelo andar da carruagem as vacilações podem levar a mais um pique recessivo. Cada vez mais eleições e planos de ajustes estão em conflito, quem vai ceder primeiro?

FAXINA NO BRASIL – É um mau negócio ter que fazer faxina num governo recém-empossado, mas não havia jeito. Agora a queda-de-braço com o Congresso está instaurada e se o Executivo quiser governar no resto do mandato terá que apelar para a opinião pública, o que no Brasil é coisa temerária para os políticos. No front econômico opiniões desencontradas sobre tudo: câmbio, juros, desindustrialização, aumentos salariais, investimentos. Os oposicionistas já alardeiam que se o caldo internacional entornar a balança comercial ficará deficitária; pelo visto não, os preços de cereais e minério de ferro estão se mantendo com a demanda asiática, além disso o ritmo das importações desacelerou. Não é boa ideia deixar o setor de máquinas e equipamentos ir ao beleléu e, muito menos, a infraestrutura viária. O judiciário andou em pauta: congressos de juízes e desembargadores financiados por bancos, juízes mortos por pistoleiros e fóruns saqueados no norte do país; Saturno vai em direção ao nono setor da carta natal do país. Uma recessão no mundo rico cortará o exuberante fluxo de investimentos, o que atrasará muita coisa em andamento. O país precisa urgentemente de uma política de capitais para investimento de longo prazo: os fundos de pensão deveriam servir para isto, mas usam os recursos para financiar o Estado, especular com ações e participar de fusões bilionárias entre grandes empresas. E ainda dizem que o Estado intervém muito na economia, talvez em setores em que não é necessário, e onde precisa, necas! Alongar os prazos dos títulos federais com juros civilizados também ajudaria muito.

MENTALIDADE – Todas as crises correntes (econômicas, políticas e ambientais) não são nada se comparadas com a crise de mentalidade e valores, enquanto isso não for resolvido andaremos em círculos. Os saqueadores ingleses deram uma declaração política quando elegeram seus alvos – vestuário de grife e eletroeletrônicos: Queremos participar do jogo! O único problema é que não dá mais. Basta uma rápida olhada na história do trabalho no século XX para perceber que bons salários e Estado do bem-estar ocorreram quando a indústria ocupou quase 40% da população trabalhadora, isto acabou e não volta mais, graças à automação e à informática. Restam os empregos pós-modernos: assoprador de fogo em semáforos, passeador de cachorro de madame, balcão de lojas, acompanhantes, call center (aporrinhador de ouvidos alheios) e, para os mais empreendedores, abrir mais lojas, inventar a roda etc. De outra maneira, um indignado em Madri, dizia algo parecido: – Não somos contra o sistema, ele é que não nos quer! O que fazer com a plebe que viceja nas metrópoles do mundo em situação de penúria material e espiritual, é a indagação que surge na véspera do sono dos dirigentes do mundo. Imagino os pesadelos que se seguem.

Editorial publicado na Folha de SP, em 22/08, celebrava a longevidade, assinalando idosos de 80 anos e mais, em plena atividade e na posse de seus recursos físicos e mentais. Isto posto, argumentava que a aposentadoria dos funcionários públicos podia ser estendida aos 75, sem mencionar que isto taparia um belo rombo no Tesouro Nacional, lembrança terrivelmente deselegante da minha parte. Aqui a realidade é pura e simplesmente suprimida. Deem uma olhada ao redor e verão rapidamente que as pessoas com mais de 80 anos vivem, na maioria, na companhia de alguma doença crônica debilitante e incapacitante, em variados graus. O dinheiro que vai em remédio é incontável. A longevidade é vendida como uma benção, mas está rapidamente se transformando em maldição, que só pode ser suportada por uma ocupação intelectual ou artesanal e uma sólida formação espiritual. Esse editorial parece encomenda do Ministério do Planejamento, que cuida do orçamento e projeções. No mundo atual os idosos estão destinados a um sofrimento cruel nas mãos dos burocratas e dos planos de saúde, as clínicas de repouso e os facilitadores da morte ganharão muito dinheiro.

Tenho escrito repetidamente sobre o declínio intelectual na modernidade. Li recentemente um ensaio de Neal Gabler sobre o tema, publicado no NYT de 21/08. Ele escreveu uma biografia de Walt Disney e crônicas regulares sobre TV. Lamenta a ausência de intelectuais nos debates públicos e aponta para dois processos que levaram a isso: o narcisismo, só queremos saber do que nos interessa; e a avalanche de informações na internet, triviais e irrelevantes na maioria. Refletir agora é esnobismo e o ensaio provocou uma chuva de críticas, o que acentua a validade da tese do autor. As personalidades narcísicas odeiam a realidade e constroem outra a partir das fantasias megalomaníacas, o assunto foi exposto com vigor pelo historiador Christopher Lasch em O Eu mínimo, livro da década de 1970, editado aqui pela Brasiliense. O vácuo intelectual é preenchido com emoções e sensações fornecidas pela indústria do entretenimento. Acumular informações ainda não é pensar.

Para olhar este caos e não cair no desespero é preciso uma rigorosa dieta diária: meditação, leitura sacra e muita música boa. Do contrário vem a indignação e com esta o ódio, o que é preciso evitar a qualquer custo. Hoje não sabemos mais disto, uma emoção é uma substância psíquica plástica e maleável que pode se propagar, contagiar, condensar-se e produzir fenômenos físicos nas pessoas e na natureza.

Tive o prazer de prefaciar o Novo Tratado de Astronomia de Raimundo Lúlio, sábio, filósofo e místico catalão que viveu no século XIII. Trata-se de uma obra de fundamentação da Astrologia, partindo de uma visão cosmológica que tem início no Deus Criador, onde Lúlio aplica sua arte combinatória com grande coerência. Ao tomar as qualidades primitivas, formadoras dos elementos, como centro organizador do trabalho e desenvolvendo novos conceitos a partir destas premissas, o autor traz novas luzes sobre o saber astrológico. O livro foi publicado pelo Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúllio, dirigido por Esteve Jaulent, que traduziu a obra. Pode ser adquirida no site do Instituto –http://www.ramonllull.net – ou nas boas casas do ramo.

 
26/08/2011 09:27:29

Comentários

Ely Varella - 28/08/2011 19:57:45
Boa noite Rui!
Claro que gostei da matéria. Claro que olho pra tudo isso com olhar dividido entre os saber astrológico e o de simples mortal; mulher e na idade do limbo...rsrsrs, o que torna tudo meio estranho. Mas lamentando muito que o ser humano custe tanto a aprender alguma coisa que chegue perto do "não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem a você".
Luz em seu caminho
abraço
Ely Varella

Rui Sá Silva Barros - 29/08/2011 12:04:59
Ola Ely:
Este determinismo que ora observamos nas configurações astrológicas, não é a regra. Os antigos faziam rituais para neutralizar estes aspectos tensos, perdemos este saber e muitos outros.A ignorância para o que é importante nos trouxe até o atual estado de coisas, onde esperam que com desemprego alto haja paz social.
O recente terremoto e furacão na costa leste americana parece confirmar o que escrevi no penúltimo parágrafo. Força aí. Abs, rui.

pedro tineo - 30/08/2011 21:46:40
guste de este articulo .Soy de la venezuela agora aca vivimos momentos de mucha violencia.Procurare textos de Lullio.Obrigado pelo dato. SALUDOS

Rui Sá Silva Barros - 31/08/2011 13:44:19
Olá Pedro:
Seas benvenido! O governo venezuelano perdeu uma grande oportunidade quando os preços do petróleo estavan altos (2002/8), agora corre atrás do prejuízo com problemas na eletricidade e abastecimento. Se você tiver a data e o horário da posse do Chavez, me mande por favor, veremos as perspectivas.Abraços fraternos, rui.

Pedro Alboneti - 31/08/2011 15:26:58
Caro, quando você faz referência no texto, sobre “a ausência de intelectuais nos debates públicos” ... e coloca como fator determinante narcisismo, e a avalanche de informação a que se está sujeito atualmente.
Certamente, a falta de grupos de discussão e de engajados nos emas sociais e políticos, estão todos no poder e pensando e fazendo conjecturas diárias em prol de seus próprios umbigos. Nada mais. E tudo que é realizada não é bem vindo para estes no poder.. E o povo, que está sob a s mãos do Poder.? Ah. Par a estes restam os prazeres da vida, uma fone de renda, formal ou não, um Time, companheiros de torcida, de praia, de farra, de crime, de desamor... Afinal tudo é permitido, tudo é amparado, a liberdade dá segurança pra toda libertinagem, “os direitos humanos” o EA dão guarida a tudo e a todos, indistintamente. A Lei, ? Ora, a Lei.

Então, como você afirma, “O vácuo intelectual é preenchido com emoções e sensações fornecidas pela indústria do entretenimento.” Resta então a grande a firmação ou justificativa, exclamativa ou interrogativa, ou todas juntas: pensar, ler, escrever, saber, pra que? Hoje quase tudo se resume a um “Control c” “Control v”.

Sem dúvida a sua conclusão é “ a conclusão”: Para olhar este caos e não cair no desespero é preciso uma rigorosa dieta diária: meditação, leitura sacra e muita música boa. Do contrário vem a indignação e com esta o ódio, o que é preciso evitar a qualquer custo. Hoje não sabemos mais disto, uma emoção é uma substância psíquica plástica e maleável que pode se propagar, contagiar, condensar-se e produzir fenômenos físicos nas pessoas e na natureza.
Obrigado pelo seu texto...


Victor Albaini - 01/09/2011 05:04:46
Muito obrigado! Me deixou um pouco tonto, confesso. É uma bela leitura da metade vazia, mas acho que me esclareceu muita coisa. Não estou fazendo uma crítica, acho que esta visão pessimista tem seu lado confortador em si mesma. Ou eu sou otimista demais em relação a tudo.

Se ficou complicado entender: é mais ou menos como pensar que todo aprendizado é doloroso e pode ser usado para os momentos de paz.

Abraços!

Lilia Reis - 01/09/2011 07:23:31
Ola! é a primeira vez que leio seu editorial e tomo conhecimeto de como é o seu articular notícias e pensamentos. Gostei do teu texto. E concordo em vários parágrafos..realmente como dito abaixo por outro observador,, é de ficar tonto..mas para mim tb o mundo está passando por um caos total e restam as pessoas que não caíram nessa sociedade do espetáculo tentarem fazer a sua parte propagar com suas mentes e discussões em pequenos grupos como neutralizar a arrogãncia que impera e a desproteção de conhecimento sólidos sobre religião, filosofia e ciências ocultas ou não, tentando com isso reverberar para todos muita luz e calma..Um forte abraço e obrigada pelo texto.

Rui Sá Silva Barros - 01/09/2011 13:44:32
Olá Pedro:
Tenho sublinhado constantemente em crônicas anteriores (ver o fórum do site)a importância da crise de mentalidade, o que você observou com acerto. O papel dos intelectuais na sociedade contemporânea declinou bastante desde o final da segunda guerra mundial, agora economistas e marqueteiros monopolizam o jogo, e artistas pops são consultados a respeito de tudo, como se tivessem obrigação de acompanhar tudo o que ocorre. Mesmo o intelecto é útil para algumas tarefas, mas o que importa mesmo é a Sabedoria, que os védicos designam por Buddhi e os judeus por Hochmah. Abs. rui.

Rui Sá Silva Barros - 01/09/2011 13:57:26
Prezado Victor:
Este mês de agosto foi mesmo de amargar por conta da dos aspectos tensos de Marte, agora que terminou a quadratura com Saturno as coisas não estão agudas. Eu também sou otimista: há muita gente de boa vontade por aí que mantem o mundo humano funcionando, não fossem elas e já teríamos mandado tudo pelos ares. Novos enviados divinos virão e um novo ciclo de ouro começará, mas ainda estamos na fase final de um, o que é sempre pertubador e destrutivo. As escrituras de todas as doutrinas tradicionais dizem o mesmo acerca deste assunto. Tenho insistido muito no trabalho espiritual, pois as escrituras também garantem que o mérito do trabalho em condições adversas é muito grande, há efetivamente uma janela aberta para escapar da Roda das metamorfoses. Mantenha seu otimismo, pois ele tem uma base real, mas olhe a realidade atual sem deixar que o desejo distorça a percepção. Abraço fraterno. rui.

Rui Sá Silva Barros - 01/09/2011 14:06:28
Cara Lilia:
Gostei da referência à sociedade do espetáculo, nome de um livro essencial e muito pouco conhecido, escrito na década de 1960. E gostei mais ainda quando se referiu a importância dos grupos. Participar de um grupo com referências afins é essencial neste momento. Caso este novimento alucinado dê um trégua pretendo iniciar uma série de crônicas com assuntos mais substanciais e detalhar melhor alguns temas rapidamente pincelados em crônicas anteriores. Obrigado pelo comentário gentil. Abraço fraterno. rui.

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