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10 de julho de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


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Marte em Escorpião
Preparando terreno para Saturno
Rui Sá Silva Barros
Marte e Saturno em conjunção cumpriram o figurino: um terremoto no norte do Irã, muitos incêndios pelo mundo afora, tempestades tropicais e furacões. E muito mais na geopolítica.

Oriente Médio – As sanções econômicas batem forte no Irã, o governo começa novamente a falar na defenestração de Israel e convocou uma reunião de países não alinhados (uma relíquia da guerra fria) em Teerã. Para não ficar atrás, rumores em Israel relatam preparativos para um ataque com armas novas e potentes. A guerra civil na Síria transbordou para o Líbano e agora, com Marte em Escorpião, ameaça galvanizar de vez o conflito (mapa astrológico do regime sírio na última crônica, no fórum do site). O novo presidente egípcio trocou a cúpula da guarda pretoriana (forças armadas), combateu jihadistas na península do Sinai e o governo israelense não sabe o que pensar disto. O mesmo Marte açula os planetas em Leão no mapa de Israel. O mundo árabe tem uma grande quantidade de pobres e importa muito cereal e carne, cujos preços andam subindo em virtude das secas e enchentes nas áreas produtoras.

Ásia – Aumentou o nível de conflito no Pacífico norte em virtude de disputas por ilhotas desabitadas entre China, Japão, Vietnam, Taiwan e Filipinas, pesca e petróleo em tela. Na China, cujo mapa astrológico continua pressionado, a mulher do ex-dirigente Bo Xilai foi condenada num processo sumário, que  faz parte da transição de poder neste final de ano com a renovação do Comitê Central do Partido, enquanto a economia desacelera impiedosamente e os dirigentes ainda não se acertaram a respeito. Marte em Escorpião também impacta o stellium de planetas em Leão do mapa da Índia, aonde ocorrem apagões de energia elétrica e o governo anda comprando armas além de qualquer limite razoável. No Afeganistão começaram a decapitar pessoas.

Europa – Férias de verão que ninguém é de ferro. O governo alemão tenta empurrar qualquer decisão mais séria para o ano que vem, quando terá eleição, mas é difícil arrastar isto por mais tempo. Os mercados deram uma trégua à Espanha e Itália, o governo grego pede mais tempo e a economia do bloco está parada, agora em estagnação total e sem prazo para a retomada. Marte transitará o Plutão natal do mapa da UE. Na Rússia para protestar é preciso obter uma licença do governo, do contrário multas e prisão, como acaba de acontecer com a banda de garotas do Pussy Riot. Enquanto isto, os ingleses ameaçam invadir a embaixada do Equador, onde Assange se refugiou, e criam outro conflito diplomático com o Unasul, os suecos prometem solenemente não deportar o jornalista para os EUA, aonde ele faria companhia ao soldado Manning, preso incomunicável.

EUA – Marte e Saturno, além de mais uma carnificina, levaram Paul Ryan à candidatura de vice pelos republicanos. Ele é um deputado federal, representante do partido no comitê do Orçamento, cuja receita (corte nos impostos dos ricos e nos benefícios sociais dos pobres) jogaria a economia americana numa recessão. A campanha ainda está em banho-maria e deve começar a esquentar, os candidatos continuam empatados com leve vantagem de Obama em alguns estados. Os republicanos fizeram sua convenção na Flórida sob ameaça de um furacão, batizado de Isaac, o patriarca judeu cego, um desses sinais que não podemos desprezar. 


O furacão Isaac provoca alagamentos na Louisiania (28/8/2012)

A dolarcracia venceu a lealdade dos marines e um deles publicou um livro contando o assalto à casamata de Bin Laden e sua execução, o governo está irado. A carta astrológica do equinócio de outono pode dar indicações mais claras sobre as eleições, no mês que vem. A conjunção no céu afetou a oposição Mercúrio/Plutão na carta do país. A FAO pediu ao governo americano que não destine muito milho para a produção de etanol neste tempo de vacas magras.

Já se lá vão cinco anos desde que o BNP Paribas anunciou a suspensão de operações de dois de seus fundos de investimento. De lá para cá a operação contenção (geopolítica e econômica) atuou com força total, a passagem de Saturno por Libra foi um tempo para negociações e acertos e quase nada foi resolvido, enquanto a pólvora estava sendo amontoada no paiol. Escorpião é signo de segurança (forças armadas, polícia e agências de espionagem), de segurança econômica (seguros, dívidas, o resultado da balança de serviços e capitais) e de limpeza do que está morto ou degenerado. É interessar assinalar que da última vez a medida drástica foi realizada quando Saturno estava em Libra, mas em conjunção com Plutão: durante a década de 1970 ocorreu estagflação nas economias do Atlântico norte, o Fed (o BC americano) elevou a taxa de juros bruscamente, o resultado foi que as economias da América Latina foram à moratória e a uma década perdida. A configuração astrológica era tremenda, com os cinco planetas lentos num espaço de sessenta graus. Saturno cruzou Escorpião de meados de 1983 até o final de 1985.

A guerra Irã/Iraque assumia um aspecto sombrio e selvagem, Indira Gandhi (foto ao lado) foi assassinada, a ditadura argentina terminava depois do fiasco da Guerra das Malvinas, o Líbano e América Central estavam em guerra civil. Os soviéticos puseram Gorbatchov para dirigir os atos finais da Cortina de Ferro, enquanto os chineses diziam que enriquecer é glorioso. Um grande terremoto no México e o desastre de Bophal na Índia. Para apaziguar os sofredores o crack começou a circular.

Tudo isto na superfície, pois as placas tectônicas moviam-se: grande transferência de renda para os empresários através da automação industrial e exportação de fábricas, informatização de serviços, impostos camaradas, liberdade para o capital financeiro. Datam daí o fascínio com os psicopatas, criaturas infra-humanas, homicídios e acidentes que infestam o telejornalismo; o voyeurismo elevado à categoria de arte e a monetização da política.

O sistema surgido nestes tempos gerou grandes bolhas econômicas e escândalos políticos, entrando em crise recentemente para surpresa e desgosto de quem dirigia o processo. O que está em jogo é a continuidade do processo, sem dúvida possível, mas a que preço? Daqui em diante precisamos seguir Marte, senhor de Urano em Áries e Saturno em Escorpião.

PINDORAMA –  O STF absolveu Fernando Collor por falta de provas e para que não se corresse o risco de apresentá-las, alguém mandou ‘queimar arquivo’, isto é, assassinar PC Farias. E ficou tudo por isto mesmo, estávamos em 94, o plano Real parecia trazer felicidade geral à nação, por que ficar revolvendo aquele lodo todo? Bem, havia pelo menos uma boa razão, pois durante aquele governo a presidência organizou uma bela quadrilha que funcionava implacavelmente. Os empresários, que apostaram todas as fichas no aventureiro, se arrependeram do mau passo e deixaram-no agonizar até o impeachtment. Agora está claro que o julgamento do mensalão não vai terminar em pizza, é provável que a maioria seja condenada. Não é o fim da impunidade.  Os políticos ficarão mais cautelosos e astuciosos. O sistema político brasileiro produz corrupção e impunidade como a vegetação produz oxigênio, mas chegando a esta conclusão seria preciso fazer alguma coisa.  Os juízes do Supremo são mais vaidosos que os juízes de Kafka, que contratavam pintores para imortalizá-los e a linguagem empregada continua a reverberar as ordenações manuelinas.  A peça de acusação não conseguiu elucidar totalmente o trânsito do dinheiro e João Paulo Cunha foi um inocente inútil se aceitou mesmo 0,5% de comissão quando a praxe é 10%, mesmo em negociações entre empresas. Em tempo, o glorioso mandato de Collor foi acompanhado por um trino de Vênus progredida ao MC natal!

<--  Roberto Jefferson: "Sozinho eu não caio..."

O Governo andou certo nos últimos meses com a baixa de juros e da dívida interna e agora com o pacote da infraestrutura. Quando informado dos detalhes, Eike Batista não se conteve e deixou sair: é um kit felicidade. Velha realidade! Nos tempos imperiais o governo, para atrair investimentos estrangeiros, dava uma rentabilidade mínima, garantia de juros de 7% ao ano. Belos tempos aqueles, em que os escravos eram açoitados em público para regozijo dos passantes. A moda pegou e nestes pacotes sempre há alguma garantia estatal, seja através do BNDES ou de fundos de pensão de estatais, com tarifas indexadas renovadas anualmente. Mas era preciso neste caso, os custos das estradas esburacadas para escoar as colheitas estavam chegando a um absurdo completo. Saturno retrógrado na carta natal impacta todo o sistema de transporte, comunicações, imprensa e educação básica. Sem comentários.

E marcou touca com os professores universitários. Eles foram enrolados a não mais poder durante o governo Lula, a greve era favas contadas. Mas os outros aproveitaram o embalo. Os salários de ingresso na Polícia Federal, Receita Federal e Anvisa, entre outros, estão em níveis bem razoáveis. Alguns milhares de trabalhadores paralisaram as alfândegas e os laboratórios ficaram sem reagentes, doentes sem remédios. Quem prestar um pouco de atenção sobre a marcha do orçamento, logo é atraído pelo aumento do funcionalismo... quanto maior o número de empregados na repartição, menor é a soma de serviços que presta; os poucos que trabalham são interrompidos pelos muitos que perturbam... não há funcionário que não se julgue mal retribuído, todos gritam...  Isto foi escrito em 1883 pelo Senador Castro Carreira, num livreto sobre a história orçamentária brasileira. Na altura eram uns 15 mil funcionários civis! Atualmente o número não é elevado, não chega a 1% da população econômica, nem os salários são exorbitantes, mas o serviço entregue deixa muito a desejar. Dois sábios já se debruçaram sobre o problema (Hélio Beltrão e Bresser Pereira) e tentaram desburocratizar o Estado, em vão, está mais burocratizado do que nunca. É um Estado Frankenstein que ganhou vida própria, quaisquer que sejam os ocupantes. O negociador do governo é Sérgio Mendonça que durante anos dirigiu o DIEESE, portanto é um especialista sobre a mão de obra no país, sensível à miséria da maioria dos trabalhadores e a proposta apresentada foi razoável. Com o retorno de Marte à sua posição original na carta natal do país, o processo tende ao acerto.

A carga tributária estava em 24% ao final do governo Itamar, foi a 30% no de FHC e chegou aos magníficos 36% atuais, tudo para sustentar políticos, burocratas e familiares e alguns programas ineficientes. Os empresários vivem se queixando desta voracidade estatal. Lorota! Finalmente um deles conseguiu colocar os pontos nos iis, Jorge Gerdau, eles só pagam IRPJ o resto é repassado ao consumidor. Estudo recente do IPEA mostrava que a carga tributária paga pelos pobres é proporcionalmente muito mais alta do que é paga pelos ricos. Nem sequer o IR sobre pessoas físicas é reajustado, o que eleva a receita do governo. Cobrar imposto sobre comida básica é outro disparate, especialmente para um partido que se proclama popular. A receita do governo (carga tributária) deve ser vista na casa 11, a segunda do MC.

É natural que governos celebrem suas benfeitorias, mas aos analistas compete a tarefa de esmiuçar a realidade: há muita coisa a ser feita ainda no Brasil. Continuamos com uma péssima desigualdade de renda, água e esgoto precários, cortiços e favelas com uma população robusta, níveis de escolaridade baixos, sistemas de transportes urbanos arcaicos. Depois de 190 anos neste regime há quem tenha se acostumado, virou uma espécie de natureza. Nossa legislação é maravilhosa prometendo o céu e entregando um purgatório chato, a violência alcança índices absurdos e o crime organizado vive em simbiose com os três poderes da República, como demonstra o caso Cachoeira. Não é para desanimar, por aqui as coisas demoram um pouco, mas acontecem: nossos dirigentes levaram 80 anos para abolir a escravidão e 120 anos pra trocar o mil-réis, a velha moeda portuguesa, cortesia do Sol em trino a Saturno no mapa natal.

ULISSES – A Odisseia de Homero é uma viagem iniciática tal como o Pert Em Heru (livro dos mortos egípcio). Aqui o falecido tem que atravessar regiões tenebrosas e se vale de fórmulas recitadas para vencer os obstáculos. Em Homero as coisas mudam, Ulisses se vale da astúcia, os gregos eram um povo de marinheiros e comerciantes. Milênios depois um irlandês abordou novamente o tema, atualizando-o: Ulisses agora é Leopold Bloom, um judeu errante, vendedor de anúncios de jornal; casado com uma mulher, cantora e adúltera, pranteia um filho morto e atura uma filha que ensaia os passos da mãe. Telêmaco é Stephan Dedalus, um jovem adulto e órfão de mãe, lutando contra o legado católico em que foi criado.
James Joyce (foto ao lado) escreveu uma iniciação ao inferno da modernidade. A ação transcorre em menos de 24 horas e a primeira inovação é que temos que acompanhar todas as divagações de um homem comum, o que para muitos é um espelho insuportável. Consciente do declínio da importância da palavra escrita, Joyce recapitula muitos estilos em pastiches maravilhosos (Proust também foi um grande pastichador). Para ler e fruir o romance não é necessário ter lido Homero, mas o conhecimento dos paralelismos ajuda bastante. Ele iniciou a redação da obra em 1914 e retrata a tomada de consciência do fim do século de progresso e paz, foi lançado em 1922, ano de grandes obras literárias. 

A descrição do fluxo de consciência foi realmente uma realização notável. Este tropel de imagens, vozes e palavras que nos assaltam durante as horas de vigília, não é natural, de maneira alguma. É fruto da urbanização, do ambiente de escrutínio obsessivo moderno e da hiperestimulação ambiental. É o maior obstáculo ao trabalho de concentração e união que busca o yoga védico. Joyce viu antecipadamente esta civilização de caixeiros-viajantes, onde todo mundo pretende vender alguma coisa, há alguns momentos no romance em que a tolice de Bloom nos cansa, mas é nesta tolice que passamos agora a maior parte do tempo, tentando consertar o passado ou controlar o futuro. Os caixeiros são pessoas simples e sem ambiguidades: se vende muito, a mercadoria é das boas.

Há, em qualquer parágrafo do Ulisses, mais esoterismo que nas obras desunidas de Paulo Coelho, este digno neto de Cagliostro, o bandoleiro patusco. 

Matilde de Magdeburgo foi uma mística cristã que viveu no século 13. Ao longo dos anos escreveu o livro Luz fluindo da Divindade, de onde retiramos a passagem:

             Estas são as palavras do canto, mas as vozes do amor
             e o doce som do coração devem ser silenciados,
             pois não há mão humana que possa descrevê-los.
 
31/08/2012 10:16:36

Comentários

VOLTAIRE VIANNA - 02/09/2012 10:34:00
Oi Rui,
Parabéns pela sua análise... de novo.
Mas o que DIZEM OS ASTROS SOBRE O JULGAMENTO DO MENSALÃO?
Eles nos reservam alguma surpresa?

Rui Sá Silva Barros - 02/09/2012 12:05:30
Olá Voltaire:
Vai prevalecer o rigor e criar uma jurisprudência sobre os casos futuros, não há dúvida nenhuma. Isto também pode criar uma enxurrada de processos miúdos por vingança e, pior, se concentrar no varejo e não olhar o atacado. Vc conhece a legislação e os procedimentos de licitação no país? São excelentes, o problema é que meia dúzia de empreteiras em conluio contornam as regras com a maior facilidade. Abs, rui.

Marco Aurélio - 03/09/2012 09:32:38
Rui, parabéns novamente, por essa análise tão clara e abrangente! Ainda mais com o acréscimo ref. ao 'fluxo de consciência', tão bem elaborado por James Joyce no 'Ulisses'. Há comentários por aí, entre os adeptos do Quarto Caminho, trazido à tona modernamente por Gurdjieff, que era a esse 'fenômeno' no ser humano que ele se referia quando mencionou o 'órgão kundabuffer'. Sem dúvida, é nessa condição tola que ficamos tentando consertar e controlar as coisas, com o acréscimo, aqui em Pindorama, da falta de participação ativa e efetiva do cidadão, em relação às mazelas dos manda-chuvas nos diversos níveis do poder... E fico me perguntando: será que as coisas demoram tanto por causa do miasma de nossa herança cultural + o tamanho do país?? Olhando o mapa do país -- com Marte quincúncio Vênus+Júpiter, e ainda com Vênus no pt médio desse aspecto, com todas as implicações envolvidas e com Saturno chegando 'sobre' o Marte no final de outubro: a par dos julgamentos ref. mensalão, será que podemos esperar alguma mudança no quadro político, talvez com menos corrupção e mais realização??

Rui Sá Silva Barros - 03/09/2012 11:55:54
Olá Marco:
Este monólogo interior é realmente desnaturado e penso que foi acelerado com as condições de vida pós-Renascimento. Penso que o julgamento está criando um novo patamar para a jurisprudência, mas acho que estão atropelando um pouco as coisas. A meu ver a investigação não foi ao fundo do mecanismo e do trânsito do dinheiro: por que um banco concederia favores registrados contabilmente se podia ter feito uma doação direta ao partido? Uma coisa é clara: o amadorismo completo. Creio que políticos e burocratas ficarão mais atentos e ardilosos. Temo que Saturno provoque mais tormentos econômicos no país, a balança comercial degrada rapidamente, a receita do orçamento desacelera e há um zilhão de investimentos a fazer. O caso da Petrobrás é típico, mas este está sob o signo de Urano transitando o Plutão natal.Vamos acompanhando.
A história de qualquer povo ou país é feita de continuidades e mudanças, em nosso caso a continuidade pesa bastante e está refletida no mapa com uma porção de terra (elemento), o trino Sol a Saturno e a queda de braço entre Marte e Saturno.
Esqueci de assinalar algo importante relacionado com a passagem de Júpiter pela casa 4: o encontro do MST, Contrag e agricultores familiares em Brasília pela reforma agrária. É uma pena, mas penso que nestas alturas Inés já é morta. Uma das grandes besteiras feitas pelos governos militares foi acelerar a migração campo-cidade através da mecanização agrícola. As metrópoles tornaram-se inadministráveis, com uma população flutuante vivendo bicos e encarapitada em favelas e cortiços. Depois da redemocratização nenhum governo pensou em fazer qq coisa a respeito. É outro problema que vai sendo empurrado com a barriga. Abs, rui.

Ozanam Thales - 03/09/2012 20:10:08
Oi Rui, no sábado vi seu post, acho que passei do limite. De qualquer forma parabéns.
Taí um item pra sua análise: Saiu no The Economist Em negrito – A Bíblia do Liberalismo - Os melhores generais do Exército alertaram publicamente que só havia munição para uma hora de combate. A única fábrica de munição não é nacional e tem sede num paraíso fiscal. O próprio Exército bloqueia, de forma inexplicável, a fabricação de munição por nacionais. Além do mais, a guerra mudou; será feita com bombardeios por aeronaves não tripuladas onde o que valerá serão os mísseis. Os atuais fuzis e tanques ficarão reduzidos a meras armas policiais. Nossos generais sabem. Não falam porque não querem.
A Presidente continua a abaixar os juros. Embora atraindo a ira dos especuladores, forçando aos rentistas a investir em empreendimentos que tragam desenvolvimento. O FMI pegou pesado, pregando que estaríamos em grave risco. Alfinetaram nossa gestão econômica afirmando, sem argumentos, que o Brasil ameaça repetir o cenário de colapso registrado nos últimos anos nos EUA, Irlanda ou Espanha. Silencia sobre o magnífico resultado do nosso agronegócio.
Sejam ou não criticas corretas, quando o FMI e demais esquemas da Oligarquia Financeira Transnacional começam levantá-las: Sentindo seus interesses contrariados iniciam as pressões. Se o gestor não ceder, deve ser substituído por outro que “faça o dever de casa”. Pretextos para derrubar o governo pode surgir a partir de um escândalo como o do mensalão, ou quem sabe gerado por uma metástase do Cachoeira. Assim funciona a prática da conspiração. Para os bancos pode ser melhor repor FHC ou mesmo Lula no Planalto do que continuar suportando o ataque de Dilma, que está usando a força do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal contra as manipulações bancárias. Não se pode descartar que a onda de greves dos servidores públicos esteja sendo incentivada por isto. Pode ser apenas uma coincidência, mas parece que não é.


Rui Sá Silva Barros - 04/09/2012 14:04:53
olá prezado:
A tecnologia militar mudou rapidamente e as armas obsoletas serão vendidas aos submergentes para guerra civil ou controle de população. A Síria e Nigéria podem dar uma ideia do que pode vir pela frente.
Desde 2010 Economist, WSJ e FT editam matérias alarmantes sobre a economia brasileira. Há problemas, como tenho assinalado nas últimas crônicas, mas os jornais estão fazendo terrorismo com bolhas imaginárias. O capital financeiro prepara-se para o assalto final contra o estado de bem-estar, a plataforma dos republicanos extingue qq dúvida a respeito.
Não creio que a CUT esteja envolvida em qualquer complô contra o governo, seria um tiro no pé. Foi oportunismo mesmo. A queda nos juros e câmbio serão um bom negócio mais a frente, por enquanto a situação continua complicada com o investimento insuficiente, um problema crônico em Pindorama desde o Chalaça. Decerto a oposição quer criar um clima de crise política, que creio artificial. Mas é preciso tomar iniciativas no front econômico, pois a situação pode se complicar no cenário mundial e manter o nível de emprego e renda popular vai ser difícil a partir de agora.Abs, rui

André - 05/09/2012 11:01:24
Rui,

Esse trígono do Sol com Saturno, qual o lado mais positivo desse aspecto para a nação (sendo Saturno o regente do mapa)?

Rui Sá Silva Barros - 05/09/2012 12:10:56
Olá André:
A miscigenação da população é um lado positivo, veja que no mapa dos EUA os dois planetas fazem uma quadratura e há segregação por lá. De vez em quando o governo atua contra sua própria base econômica. Foi o caso do arrastado processo da Abolição e dos governos dos cafeicultores (Prudente, Campos Sales e Rodrigues) cuja política econômica foi vituperada pelos fazendeiros paulistas. Este trino evitou guerras civis como as americanas, alguns analistas deploram isto, pois nos EUA tem um impulso tremendo ao país, apesar da carnificina. O preço que pagamos pela 'paz' no Brasil é este deixa andar que vemos.E ainda assim há quem veja no narcotráfico e na violência cotidiana uma guerra civil larvar, o que não pode ser deixado de lado.
Mas penso que o 'atraso' brasileiro nos preserva para o futuro, vc já pensou se o Brasil tivesse se tornado uma potência como queriam os militares na última ditadura?Aacho que seria muito ruim no atual cenário. Abs, rui

André - 06/09/2012 13:29:55
Realmente, há essa extrema lentidão e suaves prestações para que algo realmente mude, é aos poucos. De todo modo, eu acho que há muita violência no nosso dia a dia, será o marte em oposição a saturno? Não sei se uma guerra civil teria mudado muito, acredito que teríamos um país menor, talvez até 3 países. Não sei como seria mentalidade da população e dirigentes.

Plutão na 2ª casa estaria relacionado com a concentração de renda? Como você vê a passagem de Urano por esse ponto? Já não somos os campeões de desigualdade (apesar de ainda alta), acredito que a sociedade civil aqui só será forte quando a desigualdade for reduzida (muito mais).

Rui Sá Silva Barros - 06/09/2012 14:31:41
Órimas reflexões André!
A violência campaeia desde a colonização e é particularmente severa devido a nossa urbanização acelerada na época da ditadura. Sem dúvida Marte e Saturno estão envolvidos. Observe que ela é pública e privada, institucional e doméstica.
Plutão na casa 2 também indica concentração entre outras coisas (p.ex. a riqueza mineral). Andei olhando o Censo de 1872, 2% das famílias detinham mais da metade do patrimônio, agora a coisa melhorou um pouco, 10%. As disparidades salariais melhoraram um pouco com o aumento real no salário mínimo, mas a distribuição de lucros, juros e dividendos X salários e rendimentos de autônomos continua perversa.
Além disto, a diferença de mentalidade entre dirigentes (políticos, empresários e intelectuais) e o povo é abissal, simbolizada pela quadratura Lua/Sol. Nas últimas décadas está acontecendo um fenômeno interessante entre os ricos: são todos fanáticos por futebol, carnaval e imitam a fala dos meliantes, é a maneira que encontraram para se aproximar do povo.
Para ter uma sociedade civil forte é necessário que a classe dos pequenos empresários seja robusta e independente. Aqui a coisa pega, pois são eles que ofertam a maior parte de empregos no país. O índice de mortalidade das empresas é altíssimo e a formação cultural é quase nula. Como sair de um buraco destes?
Escolaridade, incentivo à pesquisa tecnológica, baixar a carga tributária e torná-la progressiva, esvaziar as áreas metropolitanas e muito mais. Por enquanto o povo está se regalando com a possibilidade de ter casa e eletrodomésticos, depois se tornará mais exigente. Abs, rui.

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