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19 de setembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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Como lidar com as cartas
O preparo do baralho. Ritos e linhas de trabalho. Proteções.
Constantino K. Riemma


Esgotamento e Limpeza energética


Patricia Vieira
- 30/8/2010: "Fiz o curso de tarot e tenho praticado bastante, já há algum tempo, com amigos e parentes a arte de interpretar as lâminas, que é uma das minhas maiores paixões. Gostaria de saber dicas sobre limpeza energética e proteção, antes e depois das leituras, visto que após atendimento do consulente, tenho me sentido bastante esgotada. Ontem mesmo atendi uma pessoa e fiquei carregadíssima."

Ficar carregado com as tensões do consulente não é problema exclusivo dos tarólogos. Médicos, psicólogos e terapeutas estão sujeitos ao mesmo risco: serem afetados ou contaminados pelas cargas psíquicas e tensões emocionais daqueles que vêm em busca de ajuda para os seus problemas.

Um primeiro ponto a ser estudado diz respeito a nós próprios. Qual é a nossa atitude? Muito envolvida e misturada ao cliente? Preocupação excessiva em agradar, acertar e resolver as dificuldades alheias? Ser tomado pelo empolgamento, falar mais do que o necessário e esvaziar as energias?

Esse primeiro questionamento deve ser trabalhado por nós mesmos e, num certo sentido, não depende de outros para ser conduzido do melhor modo. Os psicólogos são treinados para manter uma justa isenção, sem se identificarem com as perturbações alheias. Os médicos igualmente são preparados para uma conduta estritamente profissional nos contatos e alguns deles, como vemos na prática, chegam ao extremo de nem tocarem nos clientes, restringindo-se aos exames clínicos! É claro que não precisamos exagerar, mas podemos conhecer bem melhor nossos pontos fracos.

[Ilustração copiada em www.letterkenny.olx.ie/psychic-medium]

Para lidar com a questão do esgotamento psíquico não existe uma receita única, pois depende muito do temperamento e do perfil energético do profissional, de sua maior ou menor permeabilidade psíquica, corporal ou mental.

Pessoalmente, já experimentei muitos recursos de proteção, especialmente nos primeiros anos. Enrolar o ventre com um pano dourado (no estilo de artes marciais orientais), copos d'água e cristais por perto da mesa, orações e assim por diante. Mas o que constituiu uma ajuda forte e eficaz foi trabalhar minha disposição: buscar equanimidade, ficar atento para não ser carregado por ondas de empolgação ou de obrigação de resolver os problemas dos outros, lembrando que somos apenas interlocutores, auxiliares no processo de tomada de consciência e no estudo de alternativas. É um equívoco tomar-se por um mágico ou sumo sacerdote que irá resolver todas as questões.

Com o tempo, aprenderemos a distinguir com clareza as situações que nos roubam energia, bem como o perfil das pessoas que nos consomem. Talvez não esteja ela no rol de nossos consulentes ideais. Talvez o nosso talento tenha uma clientela mais específica que podemos aprender a reconhecer e a selecionar. Por exemplo, no meu caso, não atendo pessoas que querem apenas previsões de futuro sem, no entanto, se interessarem pelo que devem fazer, elas próprias, para corrigirem seus rumos de vida. Se o que elas querem é diferente do que posso oferecer, isso gera uma tensão que não é fácil de administrar. Prefiro, em casos assim, indicar outros profissionais que poderão atender o que a pessoa deseja. É por isso vejo como um belo subsídio a organização do Guia de Tarólogos do site Clube do Tarô, apesar de todo trabalho que dá!!!

                                             [Pintura: Spiritual Cleansing de Nicole Helbig em www.fineartamerica.com]

Muitos recorrem também às práticas religiosas. Nesse caso, gosto sempre de lembrar que o melhor caminho é o da religião que o tarólogo segue. A simples repetição de ritos retirados do contexto de outras religiões pode tomar um caráter artificial e pouco eficaz. Se você for cristã, recorra às orações e ritos cristãos. Se você segue os cultos afros, siga a orientação dos seus instrutores. Se você for espírita, é natural que entenderá mais claramente o que os médiuns mais experientes indicarão para a sua proteção. Evidentemente não estamos colocando divisões estanques, já que no contexto da vida social e cultural brasileira vivemos uma rica interconexão entre as várias linhas espirituais. O nosso cuidado deve ser com a naturalidade das práticas, pois o artificial é pouco eficaz.

Banhos? E por que não?! Mas se você não tem ervas ou outros ingredientes particulares, se não vive próxima de uma cachoeira, seja prática: entre no chuveiro e tome um bom banho, como você faz no seu dia-a-dia. Por mais simples que aparente ser, todo gesto intencional para descarregar as tensões psíquicas podem tem bom efeito: tomar uma xícara de chá, acender uma vela e pedir ajuda de Nossa Senhora, dar uma volta pelo jardim, mexer na terra!

No fundo, a maior proteção virá do nosso amadurecimento. Podemos prestar mais atenção à nossa atitude e aos pontos fracos pelos quais nos deixamos levar e nos desgastar. Avaliar melhor certos sentimentos que nos obrigam a atender qualquer um, indiscriminadamente. Ficar mais atento, durante as informações prévias, ao que as pessoas desejam e, se for o caso, indicar outros profissionais que poderiam atender melhor às expectativas.  

O tema está em aberto! As experiências particulares de cada um serão muito bem-vindas.

Patricia Vieira - 3/09/2010: Achei muito interessante o ponto de vista da Bete Torii sobre a questão [topico.asp?topico=4&pagina=2&var=1#ComentariosLista]. Realmente, pessoas insistentes nos deixam tensas e cansadas e nessa hora, ser franca é a melhor saída. Seu relato de experiência foi enriquecedor.
Mas, quando coloquei a questão, me referi mais ao fato de que há pessoas que, simplesmente carregam uma carga psíquica muito pesada, negativa, e às vezes nem sabem disso. E o que acontece comigo é que no final da consulta o consulente sai muito bem e eu fico simplesmente sem forças. Então, gostaria de saber como lidar com isso.

Para lidar com isso, temos dois pólos: a outra pessoa e nós mesmos. Com relação à outra pessoa, se formos apenas tarólogos só poderemos recomendar algum especialista para cuidar da situação e corrigir suas descompensações energéticas ou psíquicas. Por exemplo, se fosse aqui por perto de onde moro, indicaria o Grupo Socorrista Maria de Magdala (kardecista) ou o Templo Guaracy (umbanda) ou o Padre Mário, exorcista da Igreja de São Gonçalo da Praça João Mendes. Do mesmo modo, se o assunto for de patologia clínica, vou recomendar consulta a psiquiatras.

Com relação a nós próprios, é evidente que podemos recorrer aos mesmos locais de ajuda religiosa. Mas, como mencionei antes, se alguma coisa está me fazendo mal o melhor caminho é evitar o contágio. Por exemplo, se fosse médico e me desgastasse o contato com portadores de moléstias infecto-contagiosas, deveria me afastar desses pacientes e prestar serviço em outras áreas. Aliás, conheço médicos que não toleram conversar com doentes e, por isso, se especializaram em anestesia! É muito saudável respeitar as próprias afinidades.

Estudar e praticar o tarô não nos dá onisciência. Humildade e reconhecimento dos nossos limites ajudam muito a compreender o que, de fato, está ao nosso alcance e não representará danos, sejam eles psíquicos ou astrais. Não sou obrigado a atender a quem me faz mal.

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Energização do Baralho


Pergunta de Maria Raquel – RJ (17/2/2009):
“Gostaria de saber como faço para energizar um tarô novo que eu acabei de comprar”.

Raquel, o seu desejo de dar boas vibrações às cartas revela uma atitude de respeito. No entanto, concordo com o Giancarlo, que "tudo isso é pessoal e o tarô independe de regras "fabricadas", oriundas do credo de cada um". Portanto, seja espontânea em seus bons sentimentos ao lidar com as cartas, pois isso é mais importante que as formalidades exteriores.
No site Clube do Tarô, existem dois comentários específicos sobre o assunto que te interessa:
1) Ao apresentar as técnicas de tiragens, logo no segundo item - "A atitude básica", registro meu ponto de vista sobre a preparação das cartas:
/site/p51_2_tecnicas.asp
2) No alto da mesma página que indiquei acima, existe um link para um texto do Giancarlo, "Dicas fundamentais": /site/p51_2giancarlo.asp. Especialmente nos itens 6 e 12 o autor dá sua opinião sobre o preparo do Tarot.
 
Já com relação a algum procedimento religioso ou ritual, o caminho é procurar alguém qualificado para isso. Perguntaria, portanto, qual é a sua religião? Se você for católica, veja se encontra algum padre que abençoe as cartas, pois, no fundo, as cartas estão na mesma linha dos santinhos católicos. Peça a benção para fazer um bom uso das cartas. Se nenhum padre de sua paróquia se dispor a dar essa benção, você tem o recurso de levar seu baralho a uma igreja e pedir ao santo de sua devoção que ele lhe inspire a fazer um uso correto das cartas.
Se você for protestante ou evangélica, imagino que será mais difícil encontrar um pastor que abençoes suas cartas. Reze, então, às forças do Mais Alto para orientarem sua utilização das cartas.
Se você for espírita, busque ajuda do seu médium-orientador. Se você for seguidora de algum rito afro, seguramente encontrará dentro de sua linha alguém mais velho para ajudar a preparação nos moldes que forem espontâneos para ele e para você.
     
[A carta acima, 14. A Temperança, é do The Witches Tarot

 
10/08/2009 19:00:16

Comentários

Marcio Garrit - 24/09/2009 11:22:33
"tudo isso é pessoal e o tarô independe de regras "fabricadas", oriundas do credo de cada um".
Constantino, Parabens pelo respeito em tratar esses assuntos pessoais.
E o Gian, é o Gian..... sou fa dele!!!
Continue escrevendo sobre isso, pois são poucos que respondem com o respeito que voce colocou aqui.
Abçs

andrea c . garcia - 29/09/2009 14:05:16
OLA! A TODOS.....A POUCOS DIAS DESCOBRI UM SITE (WWW.NILTONSCHUTZ.COM ), NO LINK, ESTUDOS; UM ARTIGO SOBRE CONSAGRAÇAO DO TAROT DENTRO DOS PRECEITOS DA CABALA,É BEM COMPLEXO,MAS INTERESSANTE. QUEM QUIZER DAR UMA ESPIADA......... ABRAÇOS.

Leonardo - RJ - 04/11/2009 19:49:57
Olá, tenho muita vontade de fazer uma consulta às cartas, e gostaria de saber se qualquer lugar é aconselhavel pra fazer tal coisa.
Em um site, fiz uma ’consulta’, pensava em uma coisa e escolhia uma carta aleatória. No amor, deu a carta do Louco, nos estudos deu o Mago e na profissão deu a Morte. São coisas boas? desde ja agradeço!


Constantino K. Riemma - 04/11/2009 19:57:22
Leonardo,
existem muitos modos de lidar com as cartas e estão em aberto as situações para fazer consultas. Não fique preso a normas e regras. Experimente, estude, e com o tempo você perceberá o que faz mais sentido para você.
Quanto às cartas que você retirou, poderia simplesmente responder: todas as cartas são boas, pois simbolizam qualidades superiores. Para estudar um pouco melhor cada uma delas, acesse pelo menu do site (coluna esquerda) a seção: ARCANOS MAIORES / As 22 cartas. Lá você encontrará links para saber mais a respeito dos arcanos que retirou.
Boa sorte

Sueli Lima - 15/11/2009 18:05:39
Mas é mesmo necessário fazer algum tipo de energização do baralho?

Constantino K. Riemma - 16/11/2009 15:46:39
Sueli,
na prática, a utilização do baralho não depende de ritos ou cerimônias. Os eventuais preparos e energizações das cartas são opções de quem o utiliza, de seus propósitos e crenças. Assim sendo, não existem normas absolutas e cada praticante está livre para adotar os procedimentos que preferir, que forem mais de acordo com sua linha religiosa ou de conhecimentos. Quanto mais natural fora a utilização do baralho mais fluídos e espontâneos serão os resultados.

ralph - 03/12/2009 18:21:04
posso ver o orixa que rege o ori da consulente com quantas cartas e qurdas

Constantino K. Riemma - 04/12/2009 10:12:48
Quem joga é que define. Se tiver dúvidas e quiser aprofundar a questão é mais importante consultar o orientador espiritual e não as técnicas de jogo, pois estas são muito variáveis e pessoais. As técnicas são secundárias. O importante é conhecer bem o nível invisível do qual as cartas poderão ser mensageiras.

simone - 24/03/2010 18:19:37
Ola Constantino, gostaria de esclarecer uma duvida sobre o 8 de copas. Nos meus estudos tenho visto que a palavra que define o 8 de copas e fracasso, e denota uma carta de despedita,sofrimento, porem aqui no site vejo que e uma carta bem positiva, gostaria de entender melhor o oito de copas.obrigada.
Simone

Constantino K. Riemma - 26/03/2010 16:44:19

Simone, de fato, as interpretações são muito variáveis e dependem do "código" pessoal adotado. Por exemplo, se entendermos o Oito de Copas como o arcano da Justiça (8) com a qualidade do naipe de Copas, portanto, com coração, sentimento, podemos interpretar o Oito de Copas como uma carta de rigor mas que inclui a consideração afetiva dos envolvidos.
Portanto, como nos jogos com o baralho comum, em que precisamos escolher as regras (se do poker ou do truco), do mesmo modo é imprescindível definir previamente qual linha de interpretação adotaremos. Quando se trata das cartas não existem regras e interpretações absolutas. Tudo depende do nível de compreensão e orientação seguida pelo praticante.
Uma sugestão para você: pratique para testar os significados. Por exemplo, tire uma carta para fazer prognósticos de situações da vida diária, que você poderá conferir o resultado no mesmo dia. A experiência dirá, para o seu caso, qual é a linha mais verdadeira de interpretação.

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