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21 de novembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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O tarô e a terapia floral
Giancarlo Kind Schmid
  Em meados dos anos 90, iniciei uma pesquisa visando um paralelismo entre os arcanos do tarô e as essências florais de Bach. Cheguei a escrever dois ou três artigos sobre o assunto, mas a pouca literatura em nossa língua na época, me forçou a restringir minhas análises apenas a associações particulares entre os arcanos maiores e algumas essências. Hoje, contamos com mais de uma dezena de obras abordando o assunto, algumas muito bem escritas e fundamentadas, como é o caso da publicação “O tarô – das correlações arquetípicas ao seu uso terapêutico” da terapeuta floral Ednamara Marques, criadora do repertório “Florais de Minas” junto ao seu marido Dr. Breno Marques da Silva, um dos pioneiros na geração de essências nacionais. A obra é muito bem escrita e sugiro ao leitor sua aquisição e prazerosa leitura.
 


Baseando-me, neste artigo, no mais popular repertório (inglês, o de Bach), li duas ou três obras que apresentam diferenças (e até divergências) entre os arcanos maiores e as essências. Devemos primeiro frisar que o repertório de florais de Bach é integrado por trinta e oito essências (uma que é proveniente da água de um velho manancial da fazenda do Dr. Bach, o Rock Water e outra composta, o Rescue Remedy). Os arcanos maiores são vinte e dois, logo, é natural que duas essências cheguem a representar a mesma lâmina (carta). Dos escritores lidos, ficou caracterizado o apego associativo a um dos traços simbólicos do arcano. Por exemplo, há uma unanimidade ao afirmar que o sexto arcano maior, “Os Enamorados”, se reporta a indecisões ou dúvidas, cabendo relacioná-lo à essência Scleranthus (para indecisos ou inseguros). Ou, em outro caso, o segundo arcano maior, “A Sacerdotisa”, pode sugerir submissão ou dependência, onde podemos encaixar o floral Centaury (para os subservientes, que nunca dizem não). Porém, chega um momento em que o encaixe das essências com a simbólica arcana passa a ser forçada, dificultando um paralelismo ideal entre os elementos. Entra aí a sensibilidade do pesquisador e seu senso crítico e coerência, para não justificar uma associação de forma superficial ou incongruente.

No que tange à interdisciplinaridade envolvendo o tarô, é impraticável uma relação simbólica perfeita, simétrica, mas é possível uma relação combinatória satisfatória. Quando fizer um curso sobre o assunto, é preciso lembrar que as regras não são definitivas, fixas, apenas intercâmbios possíveis entre duas áreas distintas, assim como ocorre no paralelismo entre o tarô e outras práticas (cabala, astrologia, mitologia, numerologia, etc.). Afirmar, com toda veemência, que o conhecimento que integra as duas áreas é definitivo significa limitar as chances de se ampliar pesquisas e abrir para novas reflexões.

A utilização, hoje, da terapia floral com o tarô é uma das que mais cresce, cursos não faltam sobre o assunto e, em sua maioria, são dinâmicos na forma de workshops ou seminários. O que me preocupa é o pouco tempo de preparo do praticante, pois conhecer os florais e decorá-los mentalmente não é de todo o ponto mais difícil (alguns profissionais se valem de livros e apostilas para acesso às essências), porém, o praticante necessita saber como realizar uma anamnese ou mesmo, na utilização com o tarô, aplicar os métodos adequados e possuir uma boa percepção do problema do consulente. O acesso fácil tanto aos florais como ao tarô dá uma certa sensação de despreocupação e descompromisso no uso de ambos, como se bastasse “tirar uma cartinha aqui e sugerir um floral acolá”. Não é bem assim. Uma essência repassada erroneamente poderá deflagrar catarses violentas e disparar sérios distúrbios emocionais. Tanto a utilização do tarô, como a prática floral exige extremos cuidados e delicadeza, pois do outro lado há um ser humano (fragilizado) que requer apoio e orientação. Outro fator importante, é que os cursos e livros informam, o feeling psicológico do praticante vem com o ato da interação com os consulentes.

O grande avanço e conquista na área terapêutica do tarô foi exatamente proporcionar aos consulentes um tratamento imediato de acordo com o seu estado psicoemocional. O simples fato de ajudar, quem nos procura, em sua angústia ou ansiedade, já facilita (e muito) em sua capacidade de discernimento, concentração e conscientização perante as orientações dadas. Em muitos casos, os florais abreviaram anos de análises psicoterapêuticas ou aceleraram mudanças íntimas de tal forma que em dois ou três atendimentos os consulentes já sinalizavam equilíbrio e bem estar emocional excepcional.

Os florais podem se tornar poderosos aliados na prática com o tarô. Volto ao ponto onde friso a necessidade da delicadeza e sensibilidade para com o próximo, pois a cura começa no amor e respeito por quem nos procura.

 
15/10/2010 12:52:37

Comentários

Rosana - 13/06/2012 22:29:23
muito boa a matéria! parabéns!
Realmente é muito importante a sensibilidade, honestidade e consciência do terapeuta, pois o que mais encontramos hoje são pessoas se aproveitando da fragilidade de outros para viver.
Importante também é o respeito pela individualidade, pois também é muito comum "rotular" as pessoas como este ou aquele grupo, esquecendo que cada indivíduo é único e a função do terapeuta deve ser ajudá-lo a encontrar a sua própria essência e não "plantar" verdades que ele acredita na cabeça do consulente, fazendo com que ele não tenha uma identidade própria e sim seja uma extensão e tornando-o dependente.

Giancarlo Kind Schmid - 18/07/2012 21:51:06
Oi Rosana,

Agradeço sua visita e comentários.

Existem algumas linhas que envolvem os florais e o tarô, eu mesmo faço as associações de forma particular de acordo com a estrutura arquetípica de cada arcano e o foco de tratamento da essência. Aqui no Brasil a Ednamara Marques desenvolve um trabalho onde integra o repertório floral mineiro com os arcanos. Recomendo escrever para ela: floraisdeminas@nwnet.com.br

Abraço!

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