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15 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


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O tarô e a terapia floral
Giancarlo Kind Schmid
  Em meados dos anos 90, iniciei uma pesquisa visando um paralelismo entre os arcanos do tarô e as essências florais de Bach. Cheguei a escrever dois ou três artigos sobre o assunto, mas a pouca literatura em nossa língua na época, me forçou a restringir minhas análises apenas a associações particulares entre os arcanos maiores e algumas essências. Hoje, contamos com mais de uma dezena de obras abordando o assunto, algumas muito bem escritas e fundamentadas, como é o caso da publicação “O tarô – das correlações arquetípicas ao seu uso terapêutico” da terapeuta floral Ednamara Marques, criadora do repertório “Florais de Minas” junto ao seu marido Dr. Breno Marques da Silva, um dos pioneiros na geração de essências nacionais. A obra é muito bem escrita e sugiro ao leitor sua aquisição e prazerosa leitura.
 


Baseando-me, neste artigo, no mais popular repertório (inglês, o de Bach), li duas ou três obras que apresentam diferenças (e até divergências) entre os arcanos maiores e as essências. Devemos primeiro frisar que o repertório de florais de Bach é integrado por trinta e oito essências (uma que é proveniente da água de um velho manancial da fazenda do Dr. Bach, o Rock Water e outra composta, o Rescue Remedy). Os arcanos maiores são vinte e dois, logo, é natural que duas essências cheguem a representar a mesma lâmina (carta). Dos escritores lidos, ficou caracterizado o apego associativo a um dos traços simbólicos do arcano. Por exemplo, há uma unanimidade ao afirmar que o sexto arcano maior, “Os Enamorados”, se reporta a indecisões ou dúvidas, cabendo relacioná-lo à essência Scleranthus (para indecisos ou inseguros). Ou, em outro caso, o segundo arcano maior, “A Sacerdotisa”, pode sugerir submissão ou dependência, onde podemos encaixar o floral Centaury (para os subservientes, que nunca dizem não). Porém, chega um momento em que o encaixe das essências com a simbólica arcana passa a ser forçada, dificultando um paralelismo ideal entre os elementos. Entra aí a sensibilidade do pesquisador e seu senso crítico e coerência, para não justificar uma associação de forma superficial ou incongruente.

No que tange à interdisciplinaridade envolvendo o tarô, é impraticável uma relação simbólica perfeita, simétrica, mas é possível uma relação combinatória satisfatória. Quando fizer um curso sobre o assunto, é preciso lembrar que as regras não são definitivas, fixas, apenas intercâmbios possíveis entre duas áreas distintas, assim como ocorre no paralelismo entre o tarô e outras práticas (cabala, astrologia, mitologia, numerologia, etc.). Afirmar, com toda veemência, que o conhecimento que integra as duas áreas é definitivo significa limitar as chances de se ampliar pesquisas e abrir para novas reflexões.

A utilização, hoje, da terapia floral com o tarô é uma das que mais cresce, cursos não faltam sobre o assunto e, em sua maioria, são dinâmicos na forma de workshops ou seminários. O que me preocupa é o pouco tempo de preparo do praticante, pois conhecer os florais e decorá-los mentalmente não é de todo o ponto mais difícil (alguns profissionais se valem de livros e apostilas para acesso às essências), porém, o praticante necessita saber como realizar uma anamnese ou mesmo, na utilização com o tarô, aplicar os métodos adequados e possuir uma boa percepção do problema do consulente. O acesso fácil tanto aos florais como ao tarô dá uma certa sensação de despreocupação e descompromisso no uso de ambos, como se bastasse “tirar uma cartinha aqui e sugerir um floral acolá”. Não é bem assim. Uma essência repassada erroneamente poderá deflagrar catarses violentas e disparar sérios distúrbios emocionais. Tanto a utilização do tarô, como a prática floral exige extremos cuidados e delicadeza, pois do outro lado há um ser humano (fragilizado) que requer apoio e orientação. Outro fator importante, é que os cursos e livros informam, o feeling psicológico do praticante vem com o ato da interação com os consulentes.

O grande avanço e conquista na área terapêutica do tarô foi exatamente proporcionar aos consulentes um tratamento imediato de acordo com o seu estado psicoemocional. O simples fato de ajudar, quem nos procura, em sua angústia ou ansiedade, já facilita (e muito) em sua capacidade de discernimento, concentração e conscientização perante as orientações dadas. Em muitos casos, os florais abreviaram anos de análises psicoterapêuticas ou aceleraram mudanças íntimas de tal forma que em dois ou três atendimentos os consulentes já sinalizavam equilíbrio e bem estar emocional excepcional.

Os florais podem se tornar poderosos aliados na prática com o tarô. Volto ao ponto onde friso a necessidade da delicadeza e sensibilidade para com o próximo, pois a cura começa no amor e respeito por quem nos procura.

 
15/10/2010 12:52:37

Comentários

Carlos Alberto - 17/10/2010 09:02:39
Gostei! A dificuldade para a qual você chama a atenção, também vale para as relações entre os arcanos e os símbolos astrológicos. A maior parte das tentativas soam parciais, quando se tenta estabelecer uma relação única entre cada símbolo de outras linguagens com cada carta do baralho.

Giancarlo Kind Schmid - 17/10/2010 15:34:54
Oi Carlos,
É fato que as áreas simbólicas se comunicam, mas não se equiparam totalmente em significados. Citando o seu exemplo, já registrei associações astrológicas do arcano 01 (O Mago) tanto a Mercúrio, como a Gêmeos, ao Sol e também aos elementos fogo e ar. Assim também ocorre na Cabala: ora aparece associado à letra hebraica Aleph como também a Shin. Discutíveis são os paralelismos apresentados, o estudante normalmente mais se confunde e adeptos de linhas diferentes engrenam em discussões acaloradas. Entendo que o tarô em sua vasta expressão simbólica já se autoexplica; para que inventar (complicar) com atribuições de fora, se o estudo puro dos arcanos já nos toma tempo suficiente? Tudo parte das invencionices ocultistas dos séculos XVIII-XIX que procuraram fazer de seus pesquisadores, indivíduos afamados. No universo simbólico você enxerga o que quer, o que não significa que uma coisa justifica a outra. Eis aí o X da questão.
Abraços!

Maria Elisa Fernandes - 21/10/2010 16:00:34
Gian, adorei o seu artigo sobre essencias florais e, se voce me permite, gostaria de compartilhar algo dos conhecimentos que tenho obtido ao longo dos anos. Recomendo fortemente aos afeiçoados das flores e a quem se intressar pelo assunto a nível profissional, o curso de Radiestesia para prescrição das essências. Por que? As propriedades das essências florais são ilimitadas, não se restringem apenas a decorá-las e sòmente aquelas descritas pelos livros. É um mundo infinito esse das flores e também das ervas, se for o caso. Sabendo que elas atingem inclusive a nossa alma, nenhuma anamnese vai identificar o que vai na nossa alma.
Outro aspecto muito delicado em relação a essa terapia é a freqüência da quantidade e de tomadas diárias a serem prescritas. Cada ser é único e, portanto, cada um tem a sua dosagem específica.
Nunca iremos encontrar duas pessoas medrosas usando a mesma essência para o medo e com as mesmas dosagens para ambas. Isto só é possível através da Radiestesia.
Com esse diagnóstico, essa terapia associada a qualquer outra, propiciará 100% do resultado pretendido.
Parabéns pela matéria e um grande abraço!


Giancarlo Kind Schmid - 22/10/2010 11:50:03
Oi Maria Elisa,
Muito obrigado pelos seus comentários.
O foco do artigo foi mais a relação entre os florais e o tarô, deste modo, procurei dar ênfase às modalidades mais comuns na prática: a anamnese e o uso de metodologias tarológicas. Nem comentei a aplicabilidade de baralhos voltados especificamente para os florais, que são diferentes do tarô. Existe, pelo menos, meia dúzia de maneiras de se receitar os florais, mas procurei me prender às duas mais comuns supracitadas. Acredito que a radiestesia seja eficaz e certeira, mas não conheço nenhum tarólogo que faça esse intercâmbio (tarô-radiestesia-florais). Logo, penso não ser a prática mais comum.
Chegar às essências por meio dos arcanos também tem se mostrado eficaz, mas o praticante precisa estar bem interado das associações entre arcanos e essências. A anamnese é ainda o método mais aplicado. Dizer que ele é mais (ou menos) eficiente é questionável. Eu penso que tudo vai da sensibilidade do terapeuta, em qualquer caso (seja radiestesia, florais, entrevista, astrologia, cinesiologia, etc). Se o praticante não for capaz de sentir o outro, não há meio capaz de se chegar à receita certa. Minha formação em florais foi pelo Bach Institute e lá 80% a 90% dos terapeutas trabalham com a anamnese. É uma prática mais comum que imaginamos. Enfim, sei da importância da radiestesia e seu alcance, mas não a citei aqui exatamente porque os tarólogos que trabalham com os florais preferem as associações arcanos-essências, quando não, a anamnese. Mas, sua dica foi preciosa e muito elucidativa.
Obrigado pela parabenização e abraços!

Fernanda Luz - 01/11/2010 13:19:27
Oi, Gian querido
Aqui me foco nessa questão que inseriu, muito bem vinda: realmente tenho observado que os palpiteiros de plantão existem por aí aos montes. Acreditam que basta ler o "manual" e sair "prescrevendo" por ai a torto e a direito o que desejam.isso é de praxe também nessa área, sabemos.Grupos de florais existem aos montes, pessoas adentram aos mesmos, pedem opinióes aos ditos participantes. Logo em seguida uma gama de respostas, das mais variadas surgem.
Sou também terapeuta floral faz 15 anos.
Venho usando, inclusive, o Petit le Normand como ferramenta de diagnóstico.
Grande abraço fraterno, querido.

Giancarlo Kind Schmid - 01/11/2010 22:12:33
Oi querida Fernanda,
Agradeço sua participação e comentários prestimosos.
Infelizmente, o meio oracular e terapêutico é repleto de curiosos e despreparados, gente que tira o "brevê" num final de semana e se acha apto a atender o público. Muita gente acaba deixando a(s) prática(s) para trás, considerando que seria uma jornada fácil e lucrativa. Não é bem assim. Sabemos que o amor e respeito à profissão e clientes, é que faz toda diferença.
Tomar floral se transformou numa espécie de modismo, como tomar o refrigerante famoso do comercial. Dr. Bach deve estar se revirando no túmulo uma hora dessas. O que faz realmente a diferença é o tratamento ao cliente, a qualidade do serviço. Tenho certeza que você sabe do que estou falando. A combinação dos florais com qualquer prática oracular deve ser criteriosa e sempre observada atentamente: nenhuma associação é perfeita, o que considero bom por um lado (dá a liberdade ao pesquisador para criar suas próprias regras), mas por outro, fragiliza o entendimento dos leigos. Continue seu trabalho, confio que esteja no caminho certo.
Um forte abraço!

Marcos Wolff - 02/11/2010 22:02:16
Giancarlo,

Bastante interessante o seu texto!

Apesar de já ter estudado um pouco a respeito de ambos (Florais de Bach e Tarô) não procurei conciliar os dois.

Estou agora interessado em ler mais a respeito de possibilidades de pontes entre essas áreas!

Sds,
Marcos

Giancarlo Kind Schmid - 03/11/2010 14:36:41
Oi Marcos,
Obrigado por sua visita!
Recomendo estudar, antes, os florais, se já tiver algum conhecimento sobre os arcanos. Algumas obras são bastante interessantes para pesquisa (como o citado na introdução, da Ednamara Marques), ou ainda, o Curso de Tarô Terapêutico do Veet Pramad (ed. pela Madras). De qualquer modo, o intercâmbio entre áreas distintas (sejam quais forem), exige do pesquisador/praticante certo domínio de ambas; a conexão simbólica exige-nos conhecimento essencial dos elementos envolvidos (caso contrário, se torna "achismo").
Abraço!

Eliana Assoni - 11/11/2010 17:24:44
Olá, eis um assunto que costumo analisar com total "respeito" e encaro com muito cuidado pois, quando alguém procura uma orientação através do Tarô, normalmente já chega muito fragilizada, machucada e com uma série de medos, incertezas, angústias, ansiedade e é claro, precisando de ajuda. Penso que os Florais assim como o Tarô são maravilhosos e podem sim ajudar a equilibrar e muito. E concordo com você Giancarlo quanto ao cuidado que se deve ter na hora das indicações dos Florais. Em minha experiência observo o quanto é sutil a prática de ambos, e principalmente delicados. Existem vários tipos de emoções e sentimentos e além é claro, do fato de sermos "seres únicos" e que cada caso é um caso. O que posso dizer a todos que assim como eu, são estudiosos do Tarô e também dos Florais de Bach é o seguinte, estamos todos caminhando, buscando aprender e nos aperfeiçoando para sermos seres capazes de ajudar ao nosso próximo e por isso, deixo aqui minha sugestão. Por experiência própria, as Lâminas do Tarô e os Florais são poderosamente fortes, e muito ainda nos pedem em matéria de esforços e pesquisas para que possamos de fato, chegar perto daquilo que se passa na Alma Humana . Portanto, estudar, sentir com o coração e acima de tudo deixar o "ego" de lado são muito importantes nesta prática. Digo isso pois, conheço muitas pessoas que fazem cursos e num final de semana já se consideram "aptos" para ambas as práticas e acho isso algo muito "triste", pois como esclareceu e muito bem Giancarlo, temos diante de nós pessoas, sensíveis a dor, e por favor, entendam esse meu comentário como algo construtivo, não queiram saber tudo lendo um ou dois "artigos", ou mesmo só por terem um certificado pendurado na parede, queiram de fato "ajudar" aqueles que pedem ajuda, utilizando o Tarô e as Essências Florais" com seriedade e respeito. Os Florais como o Tarô são práticas que precisam ser feitas com muito amor, respeito e carinho.
Paz Profunda à todos!

Giancarlo Kind Schmid - 13/11/2010 21:58:13
Oi Eliana,
Seja bem vinda!
Suas palavras foram muito pertinentes, hei de concordar com cada uma delas. Obrigado pelos seus preciosos comentários.
Abraços!

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