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30 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


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Detalhes simbólicos nas cartas do Tarô
Particularidades na iconografia dos baralhos
Constantino
  Numa troca de mensagens sobre um detalhe nas cartas dos arcanos menores mostrou o quanto é significativo colocar questões, ouvir os outros e somar as informações.

Foi o estímulo para transcrevermos essas mensagens num novo fórum e oferecer espaço para apreciações sobre as particularidades simbólicas das cartas.
 

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A numeração nos arcanos menores

Janaína Corrêa - 15 de março de 2011
“Tenho uma dúvida relativa aos naipes de copas e ouros: por que esses dois naipes não têm números escritos em suas lâminas, como a família de paus e de espadas?"

Resposta do Constantino:
Janaína, até hoje não tinha me ocorrido essa questão e fui conferir nos baralhos antigos. De fato, no tarô de Marselha (Ed. Grimaud - Ed. Pensamento) só aparecem algarismos romanos nas cartas de 1 a 10 nos naipes de Paus e Espadas.
No entanto, na restauração do Tarô de Marselha, feito por Kris Hadar e que serve de ilustração para os arcanos menores no site nenhuma carta recebe algarismo:  http://www.clubedotaro.com.br/site/n45_3_paus.asp 
Examinei outro baralho antigo, de 1650, como é o caso do tarô de Jean Noblet: http://www.clubedotaro.com.br/site/h23_16_Jean_Noblet.asp. Nele, algumas (nem todas) cartas dos naipes de copas e ouros recebem algarismos romanos, como no exemplo ao lado, do Três de Copas.

A única explicação que me ocorre, para partilhar com você, é que a adição de algarismos não devia ser visto como assunto de grande importância, pois a quantidade de objetos é facilmente reconhecida.
Você em algum outro palpite?


Janaína Corrêa – 17/03/2011:
"Meu palpite é que há algo relacionado com as mãos que empunham a força dos naipes nos respectivos Ases: a que ergue a espada e a que impulsiona o bastão. No meu Tarot de Marselha, desenhado por Claude Burdel (1751), nos ases  de Paus e Espadas estão desenhadas mãos humanas, justamente os naipes possuem números escritos II e III...

Por exemplo, o Dois de Espadas possui o número II escrito na borda, como a Papisa. Ambos os arcanos, de pesos diferentes, evocam o estudo de um impasse. Contudo, o Dois de Copas não me passa a mesma idéia, mas sim de união de valores, de comunhão e comunicação sentimental, e não tem o algarismo II representado; são apenas imagens e duas copas. Assim, o Ás de Copas é representado por um objeto: um copo "borbulhante".

As cartas cima, da esq. para a direita: Ás de Paus no Tarot de Claude Burdel,
Ás de Espadas no Tarot de Jean Noblet e os ases de Ouros e Copas no de Marselha.
As mãos aparecem apenas nos ases dos naipes ativos: Paus que corresponde ao
elemento Fogo e, Espadas, ao elemento Ar. Os naipes relacionados às qualidades
receptivas - ouros-terra e copas-água - não têm mãos nos respectivos ases.
[Notas de CKR].


Emanuel J Santos – 17/03/2011:
Os naipes de Espadas e Paus, conforme o Carlos Godo, em seu “Tarô de Marselha” (Pensamento) seriam passíveis de serem "confundidos". Ele inclusive aponta para um ser reto e o outro curvo. Só por isso já se percebe, para um primeiro contato, serem naipes difíceis de precisar.
E convenhamos que contar as Espadas e os Cetros é bem chatinho num primeiro momento! Isso justificaria sua numeração frente aos naipes de Ouros e Copas, cuja iconografia é mais evidente.

Na versão do Tarô de Marselha impresso pela editora Fournier - Espanha
http://taroteca.multiply.com/photos/album/149/Marseilles_Fournier todas as cartas possuem sua numeração específica, inclusive, de forma a sabermos quando ela está invertida (coisa bem difícil de fazer com a versão Grimaud da Pensamento).
Concordo contigo, Constantino. A adição é didática, para facilitar o primeiro contato com o baralho.

 
19/03/2011 16:11:44

Comentários

yewa lintz - 21/03/2011 19:37:41
concordo que alguma razão de ordem prática deve ter influído...até porque a tendencia foi de numerar todas as cartas...mas como o Tarot tem seus segredos, quem sabe teriam outras razões que levaram a este processo? muito interessante a observação e o comentário de vcs.

Bete Torii - 21/03/2011 21:32:47
Ah, para mim não há dúvida de que se trata de uma adição de cunho prático, como comentam o Constantino e o Emanuel: se em Ouros e Copas não há necessidade de numeração porque é muito fácil contar os elementos da carta, é difícil e chatinho contar cetros/tacos e espadas/adagas, e os números ajudam bastante.

Não entendi o comentário de Janaína sobre os ases de Espadas e Paus, nem tampouco a aproximação entre o número II do arcano A Papisa e o II de Espadas. Na sua opinião, isso se estende a todos os números de I a X, Janaína? Mas se esse fosse o motivo da numeração, por que o paralelismo entre Espadas e Paus, e por que só esses dois naipes seriam ecos dos Arcanos Maiores?

Obrigada a todos, Bete

janaína - 22/03/2011 16:41:57
Olá Bete, como eu escrevi acima, no tarot de marselha os As'es de espadas e de Paus possuem mãos humanas que carregam os símbolos: http://www.clubedotaro.com.br/site/n45_0_cartas.asp

Ainda, no meu tarot são esses arcanos que têm algarismos na familia dos arcanos menores. Não por acaso, são mãos humanas que podem escrever os números. né ?

Eu entendo o tarot como uma rede interligada. Assim, trabalho sempre, em um nível de interpretação mais avançado, com a ligação entre os maiores e menores. Sempre. Por exemplo: o 9 de espadas pode estar ligado com o heremita, o 9 de paus também. E talvez, não por acaso, essas duas cartas têmo algarismo IX representado na lâmina, assim como o heremita.

Eu entendo que esse detalhe seja uma lembrança ao arcano maior, sempre dependendo da disposição das cartas, obviamente.

Imaginando uma situação hipotética, em que uma pessoa que desconheça a decodificação dos algarismos numéricos, examine as cartas do tarot. Ela iria encontrar essa a semelhança das representações numéricas nos arcanos maiores e nos menores e talvez pensaria sobre a existência de alguma relação entre eles.

Espero me ter feito clara,

agradeço a todos por esse fórum.

abraços,

Janaína


janaína - 22/03/2011 16:49:31
eu não estou de acordo com a representação numérica de ordem prática. Mesmo porque descobri que essas numerações variam de baralho para baralho.
Falo por mim, que depois de muito deitar o tarô não olho aos números para decodificar a carta, olhi direto nos símbolos. (contanto os cabos das espadas)
abraços!

Janaína

Fábio - 25/03/2011 15:31:56
Acho que vocês deveriam arrumar o que fazer da vida em vez de discutir o significado idiota de cartas de baralho que não servem pra nada a não ser enriquecer cartomante charlatao!!!

Constantino - 26/03/2011 15:01:51
Fábio,
estou montando um painel sobre a utilização das cartas além da cartomancia, por exemplo em jogos e jogatinas, no lazer, na arte. Se você quiser desenvolver o seu ponto de vista num texto, para compor esse painel, será bem-vindo.

Bruno Borges - 10/05/2011 16:27:28
Por favor, tenho mil duvidas pois estou iniciando meus estudos recentemente e minha duvida pode parecer simples, mas está fulminando minha cabeça.
Quando uma carta será considerada "invertida"? O que faz com que ela seja considerada "invertida"? Pois bem, é isso. Estou procurando o que isso quer dizer e ainda não encontrei resposta. Alguem poderia me explicar?
VLW!!!

Constantino - 13/05/2011 00:19:23
Bruno,
Como já escrevi no site (na introdução da seção” APLICAÇÕES / Métodos de tiragens”) muitos tarólogos e cartomantes levam em conta se as cartas saem direitas ou de cabeça para baixo. É relativamente freqüente atribuírem um sentido negativo às cartas que saem invertidas (de cabeça para baixo).
Para quem embaralha as cartas alinhadas, certamente não aparecerão cartas invertidas nas tiragens. Portanto, quem deseja trabalhar com essa diferenciação, deverá embaralhar rodando as cartas sobre a mesa, para garantir a variedade de posição.
É importante notar que uma mesma carta pode sair direita ou invertida dependendo de o praticante “abrir” a carta girando-a no eixo vertical ou horizontal. Por essa razão é indispensável que cada um defina seu próprio código pessoal, caso queira levar em conta o fato de a carta sair em pé ou de cabeça para baixo.
Os tarólogos que preferem trabalhar com todas as cartas diretas, sem deixá-las invertidas, encontram outros caminhos para ver os aspectos difíceis ou negativos de alguma questão. Podem, por exemplo, simplesmente tirar cartas específicas para descrever tais aspectos.

Veja também o que diz o Giancarlo Kind Schmid em suas dicas para utilização das cartas:
www.clubedotaro.com.br/site/p51_2giancarlo.asp#invertidas

Já uma bela e didática demonstração da utilização das cartas invertidas aparece no Fórum de Ricardo Pereira:
http://www.clubedotaro.com.br/site/forum/topico.asp?topico=12

Bruno Borges - 13/05/2011 06:24:38
Certo!!!
Vlw mesmo
me ajudas-te muito
brigadão!!!

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