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10 de julho de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


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Netuno em Peixes e a esperança
Rui Sá Silva Barros

Avistado em 1846, no final de Aquário, Netuno penetrou em Peixes dois anos depois, onde permaneceu até 1862. O que ocorreu de importante neste tempo?

POLÍTICA
– Levantes liberais, democráticos e nacionalistas, na Europa, afogados em poucos meses, o que reforçou as monarquias absolutistas, dando um imperador de opereta na França e a liderança de aristocratas prussianos na unificação alemã. O Antigo Regime só terminou na Primeira Guerra Mundial. Revoltas na China e na Índia contra a presença inglesa. O socialismo emerge como força política.

ECONOMIA – Grande expansão da economia mundial até 1873. A industrialização, as ferrovias e telégrafos espalham-se na Europa e iniciam a jornada em outros continentes. Alimentos e matérias-primas baratos, empregos e salários em alta, as sociedades anônimas são estimuladas até o absurdo, a palavra capitalismo entra em circulação. Petróleo é perfurado nos EUA (1859). Urano e Plutão em Touro ajudaram bastante.

CIÊNCIAS – Início da microbiologia (Pasteur), consolidação da química industrial (corantes e outros), descoberta do primeiro fóssil hominídeo, lançamento do livro Origens das Espécies e do Grundisse, de Marx (1859), associações antropológicas surgem na França e Inglaterra, as bases para o entendimento da língua suméria são alcançadas. Maxwell prepara o lançamento de sua revolucionária teoria do campo eletromagnético.

ARTES
– O realismo e o naturalismo passam a predominar na literatura em prosa, enquanto a venda de livros de poesia despenca. A música torna-se mais sóbria com Brahms e Cesar Franck, a popularização da fotografia produz uma grande mudança na pintura. Edições baratas dos grandes clássicos são postas à venda, museus são abertos ao público e a música popular inicia sua trajetória ascendente.

RELIGIÃO
– Grande fervor pela Virgem Maria que culmina em Lourdes (1858), espantosos fenômenos são produzidos pelos médiuns e avaliados por cientistas, Kardek sistematiza uma doutrina no Livro dos Espíritos (1857). Eliphas Lévi dá novo impulso ao ocultismo com Dogma e ritual da alta magia (1856). O líder do movimento da resistência Taiping, na China, propaga ideias messiânicas oriundas do Cristianismo. O movimento Adventista ganha fôlego nos EUA e sua Igreja é fundada em 1863.


Santuário de Maria em Lourdes, França

Além disto, o racismo procura justificação teórica com Gobineau, começa a moderna literatura de autoajuda com Samuel Smiles, na Inglaterra, a filosofia míngua com Comte e Spenser. A loucura é encarada como degeneração hereditária com B. Morel. O materialismo popular, o cientificismo e o positivismo triunfam na Europa e EUA. Máquinas, armas e uso de aço tornam-se índices de progresso.
Como se vê, o espectro de Netuno vai muito além daquilo que está em livros didáticos, e o ciclo atual vai lidar com novos problemas piscianos: drogadição, seguridade social, meio ambiente e poluição marinha, o que agravará os processos em cursos. Temos que acompanhar Júpiter. Netuno amplia silenciosamente tudo o que toca (dinheiro, doença assintomática, redes sociais na internet, p.ex.) simboliza os produtos industriais que substituem os naturais (fibras sintéticas), os estados de ânimo de um período, a hipnose e o contágio emocional.
 
Os ambientalistas estarão em foco e em alta, o encerramento das usinas nucleares na Alemanha é um passo. Os que apreciam ajudar desamparados e aflitos terão muita atividade, os que são inclinados à devoção sentirão grandes impulsos nesta direção e, com sorte, teremos novas manifestações de nossa grande Intercessora. Os gestos de solidariedade anônima devem crescer. A drogadição vai aumentar e o que fazer com isto estará na pauta, a questão do pico petrolífero virá à tona. Esquemas mafiosos e escandalosos em organismos multinacionais (FIFA, FMI) serão manifestados. Doenças novas e contagiosas surgirão (o surto de uma nova cepa de E.Coli já é um exemplo) bem como novos avanços em bioengenharia.

Não precisamos esperar Netuno em Peixes para iniciar trabalho espiritual, o que pode ser feito a qualquer momento. A astrologia pode ser útil nisto, pois ela mostra com clareza os obstáculos emocionais no caminho: no Sol (soberba, arrogância e insolência), na Lua (preguiça e devaneio), em Mercúrio (inveja e tagarelice), em Vênus (luxúria e ciúme), em Marte (ira e ressentimento), em Júpiter (gula, avidez e megalomania) e em Saturno (avareza e rigidez). Além disto, a astrologia fornece os ritmos e andamentos do trabalho. Netuno em desarmonia com os planetas pode intensificar estas emoções e estados até a insanidade.

Mesmo emoções como o medo, a raiva e a tristeza são úteis à continuidade da vida, mas a partir de certa intensidade podem paralisar o sujeito e repercutem no mundo intermediário (psíquico) onde se propagam e contagiam outras pessoas. Elas alimentam seres com os quais não convém manter contato. Emoções e sensações são pontes entre a mente (manas) e o mundo sensorial, as primeiras são psicossomáticas, reativas e relacionais, elas sinalizam como estão nossas relações conosco, com os outros e com o mundo. Aprender a reconhecer quando uma emoção emerge e como lidar com ela é essencial, pré-condição para qualquer trabalho espiritual. Como também é essencial perceber que não devemos reagir a tudo o que acontece ao nosso redor. Naturalmente as pessoas predominantemente emotivas (signos de água, Lua, Vênus e Netuno em destaque) terão mais dificuldades com isto e estão mais expostas ao contágio, são as que mais necessitam de distanciamento e reflexão.

Os esotéricos do século 19 embaralharam os conceitos espirituais e psíquicos, já a indústria do entretenimento apresenta emoções como se fossem pensamentos e ideias. As emoções sempre estão baseadas na tríade: gosto/desgosto/indiferente. O intelecto começa por se ocupar do que desgosto. Se alguma coisa existe e persiste por algum tempo atende a uma necessidade. Não aprecio a música neosertaneja, mas reconheço que ela é um importante fenômeno sociocultural: registra a migração rápida do mundo rural para o urbano com todo o tumulto possível. Não sou fã da cor cinza, mas reconheço que ela é muito útil para passar despercebido num lugar público, o que de vez em quando é necessário. A maior parte do debate público atual é só expressão de emoções em palavras: “Si me hace llorar es que es muy bueno. He dicho”, foi o comentário que encontrei no Youtube para o Concerto para piano nº 2, de Prokofiev, a Estética reduzida às lágrimas. Tudo isto é um abc trivial, mas dada a confusão imperante penso que vale recordar estes fenômenos primários.

Bem, Tereza, é um painel para começar a pensar: esperança e realismo podem ser as palavras de ordem do momento!

O solstício de Câncer, dias depois de um eclipse lunar, promete mais turbulências:


Ingresso do Sol em Câncer - Washington (DC), 21 de junho de 2011 - às 13h16:30

EUA – Foi calculado para Washington e mostra os apuros à frente. Depois da execução de Bin Laden, Obama ganhou um fôlego e foi à Europa avisar aos emergentes que se comportem, pois os EUA continuam firmes e fortes. Assim que voltou ao país encontrou cidades destroçadas por tornados e um Congresso de maioria republicana que não quer expandir o teto do endividamento público, já quase do tamanho do PIB. A Lua, regente do executivo (MC) está em Peixes perto de Netuno, no setor 6 (trabalho, saúde e crise), em quadratura à Vênus regente do Ascendente Libra . Vênus e Marte estão em Gêmeos no setor 9 (judiciário, direito e finanças internacionais) e Urano no setor 7 (aliados, inimigos declarados, comércio internacional) em quadratura ao Sol que é regente do setor 11 (Congresso), e Mercúrio – regente do setor 2 (recursos naturais e agropecuária) – em oposição a Plutão, o clima anda atrapalhando soja e milho.  É muito conflito! A alardeada recuperação não decola: estados e municípios estão precários e desempregam; as malhas viárias estão sucateadas; o preço dos imóveis ainda em queda, e desemprego e trabalho temporário em alta. Apesar da depreciação do dólar a balança comercial continua deficitária, os partidos não se entendem em relação ao déficit do orçamento, e vários países e fundos de investimento se afastam da moeda americana pondo em questão a solvência pública. A crise tem sido externalizada com a emissão de enxurrada de dólares (QE2) que aprecia moedas pelo mundo afora, a grande questão nas casas de apostas é: até quando? Alguns republicanos estão propondo um default temporário no pagamento de juros, os chineses já estrilaram. A situação dos setores 7 e 9 prenunciam surpresas e desafios no front diplomático.

EUROPA – Jovens desempregados e instruídos acamparam em praças nas principais cidades espanholas, denunciando a falência da democracia existente. Enquanto isto, dois terços dos eleitores compareceram às urnas e deram vitória ao PP, partido conservador, o que significa mais austeridade, desemprego, recessão e dívidas a pagar. A virada europeia ao conservadorismo, também em Portugal, levou o excelente Trichet (BCE) a propor o poder de intervenção nos países membros em casos de desatino fiscal, tudo isto para garantir aos bancos que eles receberão os créditos, nem que os gregos tenham que vender ilhas. A unificação da Europa pode acabar acontecendo através de instituições não eleitas. A democracia existente pode ficar bem miúda e os europeus podem acordar, qualquer hora destas, com uma mão na frente e outra atrás. Um passo em falso na renegociação da dívida grega pode criar uma confusão infernal na economia mundial, e por isto eles querem a direção do FMI de qualquer jeito, os Brics que esperem.


Manifestação na Puerta Del Sol, Madrid

LEVANTES ÁRABES – Quarenta anos de ditadura dos Assad quebraram os sírios, depois de três meses eles não conseguem uma coordenação e muito menos organizar uma greve geral que encurralaria o governo. Há notícias de deserções no exército e incentivos aos palestinos no Golan a atormentarem o governo de Israel. No Iêmen a luta pode levar a uma fragmentação do território, Saleh está na Arábia cuidando de ferimentos e os EUA mandam seus drones à caça de células da Al Qaeda. Finalmente o G-8 acordou para o fato de que egípcios e tunisianos precisam de dinheiro: o turismo secou, o orçamento estourou, os investimentos refluíram.  O governo argelino está mandando armas para Gaddafi, que resiste de modo exasperante. Os sauditas andam ajudando ativamente os governos árabes, com dinheiro e armas. No Iraque o novo governo continua inoperante. No Irã, o presidente já se desentendeu com Khamenei sobre a demissão de um ministro, e agora com o Parlamento, por causa do ministério do petróleo, a briga no topo está feia e a economia patina o que abre espaço para a oposição. Com o endosso da Guarda Revolucionária, Ahmadinejad anunciou enriquecimento de urânio. A juventude turca, também instruída e desempregada, começou a se manifestar.

ISRAEL E PALESTINOS – Grandes lances: Fatah e Hamas fizeram uma frente unida, Bibi refugou e foi a Washington onde ouviu de Obama que a paz deve ser negociada a partir das fronteiras de 1967, foi ao Congresso e discursou sendo aplaudido como herói e ainda disse que Obama desconhece a realidade. Bibi dirige uma coalizão ultra que pensa que a Cisjordânia é parte da grande Israel do rei Salomão, mas naturalmente não tem coragem de alegar isto em público, a reação da comunidade internacional seria de gargalhadas. A maioria da população judaica está anestesiada e já aceita viver uma vida de vigilância e militarismo. A única saída para Israel é negociar uma paz justa e ser um polo econômico irradiador na região, pois um estado palestino sem atividade econômica será mais um fiasco. Mas, com Bibi, Libermann e este staff é esperar sentado, Israel estará ainda mais isolado do que nunca. Urano fustiga a Vênus natal em Câncer, setor 9 do mapa natal de Israel.

PINDORAMA – As medidas de contração, tomadas no final de 2010, começam a dar resultados: a atividade econômica desacelerou, o crédito idem, e o surto inflacionário arrefeceu. A coisa desandou na política como era previsto: Dona Dilma resolveu peitar as demandas por ministérios, cargos e verbas, escalando Palocci para fazer o trabalho. Foi eleita com apoio de grande e heterogênea coligação. Cinco meses depois da posse, o chefe da Casa Civil foi alvo de fogo amigo e o Código Florestal passou na Câmara com emendas de arrepiar, o troco foi de amargar. Já é a terceira de Palocci e já era hora de cair fora, num mundo onde o dinheiro compra tudo e todos, é melhor legalizar e regulamentar os lobbies. As emendas precisam ser vetadas e Dilma deve negociar e fazer política, até a bancada do PT está dilacerada. Para ajudar na confusão o MEC resolveu colaborar com o kit de anti-homofobia e um livro didático infeliz sobre a diferença entre a língua falada e a escrita. Enquanto isto, o faroeste prossegue na região amazônica com assassinatos anunciados. A ocupação da região durante a ditadura militar foi um desastre completo. Já passou da hora de fazer uma intervenção organizada e incentivar uma exploração sustentável da floresta, rica em produtos fitoterápicos, frutos, grãos oleaginosos etc. Para variar, o planejamento da construção das hidroelétricas foi rasante e o resultado aí está: contestações por todos os lados. As vastas fronteiras precisam ser ocupadas com projetos interessantes. Enquanto isto acontecia o Sol, Mercúrio e Vênus adentravam o setor 4 do mapa natal do país, oposta ao setor do executivo, o local de aliados e oposição, em breve Marte cruzará a linha e desencadeará novos lances, pois a designação de duas senadoras petistas para ministérios estratégicos não agradará muito o PMDB.

PERU – André Barbault definiu Saturno/Netuno como símbolo astrológico do socialismo, mas para ser mais exato: do nacionalismo-popular estatizante de qualquer matiz. Em 1952 o governo boliviano estatizou a mineração e em outros países da região a coisa se repetiu. O andamento foi semelhante: com pouca poupança e investimento (público e privado), a economia desandou em inflação, evasão de divisas e bancarrota, os governos caíram sob golpes de estado.
No Peru a economia neoliberal andou crescendo a base de 7%, mas sem distribuição de renda e muitos conflitos sociais, levando Humala à presidência por pequena margem. O Peru é riquíssimo em minérios, mas tem uma carga tributária de 15% (muito baixa) e nenhuma sociedade civil organizada, uma situação muito pior do que a que Lula enfrentou. É o caso de desejar infinitos votos ao eleito, sua tarefa é hercúlea. Depois de tantas experiências fracassadas os movimentos populares da América do Sul já deviam saber que sem poupança e investimento nada andará, não haverá dinheiro para planos sociais e que a solução pode ser a UNASUL e um tratamento inteligente ao capital estrangeiro.

A mineração no Peru

O Peru declarou independência em 28/07/1821, Lima, 10h53, a carta mostra o Sol a 5 de Leão no setor 10, sob intensa estimulação: Júpiter em quadratura, Urano em trino, Netuno e Plutão em quincunce, conhecido o resultado da eleição este Sol (empresários, intelectuais e políticos) se manifestou de forma histérica: a bolsa caiu bruscamente e eles exigiram a nomeação imediata do ministro da Economia, indicado por eles, naturalmente. Isto dá uma ideia do que Humala vai enfrentar.

Saturno e Netuno também têm uma dimensão econômica. No final dos anos 1960 o grande impulso econômico do pós-guerra estava se esgotando: a rentabilidade das empresas caía, os EUA enfrentavam inflação devido aos custos da guerra no Vietnam e os europeus reclamavam e queriam receber ouro por suas exportações. Em 1971 o padrão dólar-ouro foi desfeito unilateralmente por Nixon, Saturno em Gêmeos oposto a Netuno em Sagitário. Começa uma nova era marcada por estagflação e picos nos preços do petróleo. No final de 1979, Saturno em Virgem estava em quadratura a Netuno em Sagitário, Thatcher e Reagan deram início ao ciclo do predomínio do capital financeiro com o estado mínimo e desregulamentação máxima. Em 1989 ocorreu a conjunção em Capricórnio e o Consenso de Washington virou política do FMI e BM, a Índia e a China começaram sua ascensão econômica. Em 1998, nova quadratura, Saturno em Touro e Netuno em Aquário, rescaldo da crise asiática, nova rodada de desregulamentação nos EUA e bolha acionária da internet em formação. Em 2006, nova oposição, agora com Saturno em Leão e Netuno em Aquário, marcando o início da atual crise. Netuno entrando em Peixes está a 90 graus de sua posição inicial deste ciclo.

Nada surpreende mais do que a inércia dos partidos e movimentos populares e dos sindicatos nos últimos anos. Com a automação na indústria caiu consideravelmente a proporção de operários na população empregada, os sindicatos foram enfrentados pelos governos e com a queda do bloco soviético, os sistemas de seguridade social ocidentais já não eram tão necessários. Além disto, as pessoas foram bombardeadas pela indústria do entretenimento: se você é pobre a culpa é toda sua! Quando protestam, os movimentos não vão além de assegurar benefícios existentes ou pedir empregos. Ainda não compreenderam o que é a servidão da dívida, nova política econômica em voga. E servidão lembra Peixes, sociedades vigiadas e policiadas, maiorias silenciosas ignorando o sofrimento dos demais. Em todos os cantos o mesmo problema: a precariedade ou a falta de trabalho.

Neste momento Netuno tem a ajuda de Júpiter em Touro e no ano que vem terá a de Saturno em Escorpião, é um bom começo! De resto ouvir muita música boa para espantar o medo: quem apostaria que alguém pusesse música nas palavras do profeta Isaías, as mais duras que se possa imaginar? O valente taurino Brahms fez isto no segundo movimento do Réquiem Alemão, Denn alles fleisch es ist wie gras, em variadas e boas gravações no Youtube. Façam bom proveito, pois isto também passará.

 
12/06/2011 19:22:45

Comentários

Bete Torii - 14/06/2011 00:29:27
Ah, querido Rui, finalmente vejo um motivo para discordar, ainda que parcialmente, de você - a respeito de um subtópico do tópico "Pindorama". Não acho que houve "um livro didático infeliz sobre a diferença entre a língua falada e a escrita", houve o infeliz comentário de um blogueiro que não leu de maneira minimamente inteligente determinado trecho do livro - e cuja crítica foi repercutida por uma horda de jornalistas e blogueiros preguiçosos que não foram ler o texto original. Ver alguns artigos contrários à onda de malhação, como por exemplo "Educação para o debate", de Sergio Fausto, diretor executivo do Instituto Fernando Henrique Cardoso (publicado pelo Estadão em 30 de maio), "Uma falsa polêmica", de Marcos Bagno, linguista, escritor, tradutor e professor (Publicado por O Globo em 23 de maio), e "Uma defesa do "erro" de português", de Hélio Schwartsman, articulista da Folha de São Paulo (publicado em 16 de maio). Na verdade tenho indicações de mais 15 artigos como esses, posso enviar para quem quiser.

Rui Sá Silva Barros - 14/06/2011 10:41:28
Olá Bete:
Não li o livro e vi alguns poucos comentários. Na realidade o que foi infeliz? A ocasião do surgimento da polêmica, levando mais água para o moinho. Júpiter está no setor 3 (educação, transportes e outros assuntos) e o MEC deveria tomar cuidado, logo adiante há uma oposição à Marte natal. No entanto, a polêmica é boa, pois a distância entre a língua escrita e a falada vai crescendo cada vez mais. O chato é que os jornalistas no rádio e tv de vez em quando improvisam e cometem derrapadas sensacionais.A internet está repleta de material escrito onde a língua é barbaramente massacrada. Para complicar as coisas a linguagem escrita também anda claudicante, principalmente no estilo pesado e rígido, cheia de jargão e construções contorcionistas. Em suma, perdendo a fluidez e musicalidade. Tudo isto é mais um sintoma do que temos visto em outros temas: um nivelamento por baixo.Discorde mesmo, às vezes o texto fica muito compacto e dá margem para confusão, que espero os leitores desfaçam. Bjs, rui.

Bete Torii - 14/06/2011 16:49:26
Tem toda razão, Rui! A língua vem sendo massacrada, "dissolvida e globalizada" - o que deve ter a ver com Netuno em Peixes. Há uns poucos anos venho me escandalizando com o nível da (falta de) revisão dos jornais: vários exemplos diários de supressão ou mau uso de preposições, regências verbais tortas... Depois do nauseante gerundismo, agora todo mundo "busca por x", num anglicismo idiota, em vez de simplesmente "buscar x", como se faz em português correto. E "onde" invade frases enjoadas e vale para tudo: lugar, tempo, situação, condição... [Dá pra ver que "mexeu com a língua, mexeu comigo", não é?]
Enfim, eu assino embaixo daquela frase "o limite da sua linguagem é o limite do seu pensar" - e vejo que é difícil, hoje, encontrar pessoas que pensem claramente e de forma inteligente. Principalmente em uma área que já foi celeiro dessa qualidade: o jornalismo.
Vejo seu fórum como oportuníssimo farol a nos ajudar na tentativa inglória de ter clareza. Beijo, Bete

Marco Aurélio T. Fernandes - 15/06/2011 10:46:04
Em primeiro lugar, parabéns ao Rui, pelo artigo, como sempre fruto de conhecimento ímpar, além da clareza e objetividade. E os tópicos sobre países / povos / regiões, além disso, são 'up-to-date'! Vi tb os três comentários (Bete / Rui / Bete) e tb apreciei bastante!! -- inclusive os comentários sobre essa problemática / discussão toda sobre língua falada x língua escrita... Sem contar o destaque da Bete, em sua frase final (no 2º comentário dela)! Enfim... parece que a 'esperança' do título só poderá ser encontra a nível individual / pessoal/ interior...

Rui Sá Silva Barros - 15/06/2011 10:58:20
Com gestos e umas 300 palavras as pessoas conseguem sobreviver e se comunicar. Paciência! Para trabalhar é preciso um pouco mais. O cinema, os seriados e os quadrinhos com frases de 10 palavras no máximo deram sua contribuição a este cenário. O vocabulário básico é diminuto e a atividade intelectual é reduzida a uns poucos cálculos e expressão de sensações, emoções e desejos. É uma trajetória de queda, como podemos ver em outros aspectos da vida humana.Isto reverbera na linguagem formal, que se isola no jargão técnico ou simples parolagem, distanciando-se cada vez mais do grande público num mandarinato insustentável, talvez um prenúncio da futura ordem política no mundo. Bjs, rui.

Rui Sá Silva Barros - 15/06/2011 11:21:07
Olá Marco:
Grato pelo comentário gentil. Bem que eu gostaria que um enviado divino viesse nos ajudar, alienígenas benevolentes nos ensinassem a usar energia solar, mas acho insensato cruzar os braços e ficar esperando Godot, especialmente depois de tudo o que já nos legaram. Netuno em Peixes facilita realmente uma aproximação de nosso mundo com o suprassensível, mas agora ele está cheio dos dejetos que criamos nos últimos milênios. Eu tenho esperança na benevolência, solidariedade e heroísmo anônimos, isto mantém as coisas funcionando, e não fosse por isto já teríamos mandado tudo pelos ares. As crônicas são exercícios complicados: a linguagem precisa ser clara e objetiva sem cair no jargão da astrologia, geopolítica, economia ou metafísica, a esperança precisa ser temperada com realismo. Em todas chamo atenção para um elemento central: temos realmente a liberdade de iniciar trabalho espiritual a partir de qualquer momento, em qualquer situação. Os textos e as pessoas qualificadas estão por aí, é só procurar. Abs, rui.

Tayná - 16/06/2011 02:38:52
O texto me deixou algumas dúvidas: Netuno, o planeta que rege Peixes (signo de grande sensibilidade) não deveria fortalecer a poesia, em vez de fazer com que as vendas de livros de poesia despencassem? E o Naturalismo e Realismo, tão contrários ao sentimentalismo pisciano, se fortaleceram. Qual o significado disto?

Fiquei muito confusa, ficaria feliz se alguém pudesse tirar essas minhas dúvidas.

Rui Sá Silva Barros - 16/06/2011 10:31:57
Ola Tayná:
Pense em Peixes como final de processo, um momento de totalizações, depurações e dissolução das formas caducas. Os artistas românticos usaram e abusaram da grandiloquência e sentimentalismo, por volta de 1848 o público cansou. Mas observe que a arte de Dickens ou Brahms também está carregada de emoções: os conflitos da modernidade. O que há de autenticamente pisciano no período é o início da indústria de entretenimento com a consolidação dos jornais diários (que alojavam literatura em série)e das revistas semanais, disseminando sensacionalismo, medo, indignação, etc.A venda de poesia despencou, mas hoje lemos Baudelaire e dificilmente Lamartine. É preciso tomar cuidado com as definições estereotipadas oferecidas em livros populares e didáticos de Astrologia, pois signos e planetas são duais e ambiguos. Atartuk, general turco "pai da pátria", comandou o genocídio aos armênios, ele era pisciano.
Eu espero que Netuno em Peixes ajude a mostrar com clareza os limites da industrialização desvairada, com saques de recursos naturais, poluição ambiental e desordem climática, só então faremos alguma coisa a respeito. De uma maneira confusa e desordenada cresce a consciência de que algo está errado e precisa mudar, é um típico processo netuniano, abrangente e silencioso. Abraços fraternos, rui.


Tayná - 16/06/2011 22:35:54
Rui, muito obrigada por me responder! :)

Bom, eu conheço bem pouquinho de astrologia, e gostaria muito de aprender mais. Você diz para tomar cuidado com visões estereotipadas da astrologia... Mas que livros sobre este tema você considera realmente bons? Eu acabei de comprar pela internet o "Conhecimento de Astrologia" da Anna Maria da Costa Ribeiro, você conhece?
Eu estava pensando um pouquinho melhor e percebi que, no período dessa influência de Netuno, tivemos escritores profundamente místicos, como Rimbaud, Yeats, Baudelaire (que você citou), Guimarães Rosa... E em compensação, também tivemos na literatura uma negação de qualquer misticismo (e até ateísmo), como no caso de Sartre...
Bom, acho que preciso ler melhor sobre a influência dos planetas para saber do que se trata, para não afirmar algo sobre coisas que não sei.


Rui Sá Silva Barros - 17/06/2011 11:21:09
Oi Tayná:
O livro da Ana Maria é um bom começo. Sobre Netuno há pouco material, experimente o de Liz Greene (não sei se tem traduzido). De uma maneira geral vc encontrará muitas descrições voltadas para a Astrologia pessoal, o que sempre dá uma visão parcial das coisas. Tenha em mente que os planetas afetam todos os setores da vida humana cada um com seu prórpio modus operandi, e assim Netuno também afeta a economia, a tecnologia, a política, como também o psiquismo, traços de personalidade, biologia, etc. Netuno em Peixes cobre o período de publicação das obras de Baudelaire, Rimbaud já está Áries-Touro, Mallarmé em Touro e Gêmeos e Yeats vai de Gêmeos a Leão. Boa pesquisa, abraços, rui.

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