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19 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


As cartas "Gringonneur": O EREMITA (XI)
 
 
 

   Velho, com longa barba, vestido com uma capa, o Eremita aponta com uma das mãos a ampulheta que segura com a outra. Esta iconografia é semelhante à do Eremita do tarô pintado para a família Visconti-Sforza. A ampulheta é o emblema do tempo que escoa e o da duração da existência terrestre. O Eremita é uma representação do tempo destruidor, em sua relação com a morte: ela é, com freqüência, figurada com o mesmo instrumento, ao lado de uma jovem, de um casal de namorados, de um cavaleiro.
   O tempo, a morte, são temas muito presentes nos séculos XV e XVI. A sociedade exprime, desse modo, sua angústia diante da inexorabilidade da sorte, das guerras, das epidemias, das fomes que dizimam a população daquela época.
   A ampulheta aparece na arte quando os artistas quiseram ilustrar Os Triunfos de Petrarca, no qual o Tempo triunfa sobre o Renome (ou Fama). Na Alemanha, foi utilizado em temas diversos. Dürer (1471 e 1528) fez da ampulheta um de seus símbolos ao associá-la às suas três obras-primas, testamento espiritual do artista: São Jerônimo em sua cela, O Cavaleiro, a Morte e o Diabo, e Melancolia.
   [Nota: Entre 1351 e 1352, Petrarca empreendeu a redação dos Triunfos, poemas alegóricos em tercetos, que revisaria muitas vezes, até sua morte, em janeiro de 1374. Vencido pelo sono, o poeta italiano é espectador de uma visão filosófica e moral que narra em seis quadros: o Triunfo do Amor, o Triunfo da Castidade, o Triunfo da Morte, o Triunfo do Renome, o Triunfo do Tempo e o Triunfo da Eternidade].

    Tarô dito de Charles VI ou Tarô Gringonneur: O Eremita. Norte da Itália. Final do século XV.
    Pintura com têmpera de ovo, sobre um desenho preparatório com tinta negra, tipo sépia; decoração com ramos estampados, após fixação de folha de ouro e prata, sobre uma camada assentada sobre suporte de papel; dorso branco sem adornos. Papel em várias camadas com "colarinhos" à moda italiana, alguns dos quais estão roídos. A parte do desenho dissimulado pelos "colarinhos" realizados posteriormente, foram redesenhados. Dezessete cartas: 80/185 x 90/95 mm. Paris, Biblioteca Nacional da França, Estampas, Res. Kh 24.  http://expositions.bnf.fr/renais/grand/043.htm.

Tradução de Constantino K. Riemma

   
 
 
 
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