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24 de abril de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


 
Tarot "Charles IV" ou "Gringonneur"
 
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Texto de Alain Bougearel
Tradução de Constantino K. Riemma
    
    Deste Tarô, de rara qualidade estética, restaram apenas 17 cartas, que se encontram na Biblioteca Nacional da França. O jogo foi, durante muito tempo, erradamente associado ao rei francês Carlos VI, nascido em 1368.
O Louco
O Imperador (III)
O Papa
Os Enamorados (V)
A numeração das cartas (e nem todas têm cifras inscritas), não correspondem à ordenação encontrada nos jogos pintados nos séculos seguintes.
Clique na carta ou em seu nome para ver ampliação e notas explicativas.
    O mal-entendido quanto à origem destas cartas deve-se a um registro do contador Charles Poupart, que menciona o pagamento de 56 soldos parisienses a um certo “Jacquemin Gringonneur, pintor, por três jogos de cartas pintadas a ouro e com diversas cores, ornadas com várias divisas para o referido senhor rei para o seu divertimento”. (Charles Poupart, Registre de la Chambre des Comptes, 1392)
    A nota do tesoureiro do rei é autêntica, mas faz referência, de fato, a um outro jogo inteiramente diferente deste que reproduzimos aqui. Por essa razão, o estudioso Ross Caldwel preferiu denominar este conjunto de Gaignières Tarot, para diferenciar do jogo pintado por Gringonneur, que até hoje não foi encontrado.
O Carro (VIIII)
A Justiça (VIII)
O Eremita (XI)
A Força (VII)
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    Este pseudo Tarô Charles VI poderia, com grande probabilidade, datar da segunda metade do século XV e teria sido feito na Bolonha, no Norte da Itália. Essa datação é resultado do exame efetuado pelo Laboratório de Pesquisa dos Museus do Louvre (França).
Pendurado (XIII?)
A Morte (XIII)
A Temperança (VI)
A Casa de Deus
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Um erro de numeração, nas cifras que parecem ter sido adicionadas anos após a confeção das cartas: O Pendurado e A Morte estão com o mesmo número 13.

    Thierry Depaulis pondera que as análises de laboratório oferecem apenas resultados “formais: os pigmentos empregados não permitem ir muito além de uma datação geral. A presença de malhas, sublinhada pelo relatório de análise, testemunha a favor de uma fabricação tardia, mesmo que, evidentemente, o desenho e a pintura tenham sido colocados sobre a carta já montada, como foi também o caso das cartas da Coleção Rothschild”.
    Outra questão que interessa aos estudiosos do Tarô é a numeração, ou seja, ordem em que os trunfos (os arcanos maiores) são apresentados. No caso deste tarô “pseudo Gringonneur”, a numeração das cartas é próxima à da tradição bolonhesa. Mas esse fato não parece ser suficiente para garantir sua origem, pois poderia apenas indicar uma fonte de inspiração.
A Lua (XVII)
O Sol (XVIII)
O Julgamento (XX)
O Mundo (XVIIII)
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    Como informa Depaulis, “As cifras indicadas estão legíveis, parcialmente ou não, no alto das cartas – salvo no caso do Pendurado, em que a cifra se inscreve em baixo, ao inverso. Essas cifras em algarismos romanos foram feitas à tinta e parecem posteriores à realização das cartas (primeira metade do século XVI ou mais tarde”.
 
O Valete de Espada
      Michel Dummett foi um dos pesquisadores que se debruçou sobre a questão das cifras romanas inscritas à tinta na parte superior das cartas (exceto no caso do Pendurado) e cujas bordas se encontram parcialmente desgastadas.
    Esse autor pode assim reconstituir uma ordem dos trunfos que parecem próxima da tradição bolonhesa... O que também pode significar que os tarôs da Bolonha teriam se inspirado nestas cartas”, ou seja, este jogo que aqui reproduzimos poderia ser anterior aos de Bolonha.
    Há quem acredite que Florença poderia ter sido o local de criação deste jogo. No entanto, a carta do Eremita seria estranha aos padrões praticados tanto na Bolonha como em Florença, nesse período histórico.

    Em suma, a data precisa e a origem exata deste belo jogo permanecem ainda em aberto.
 



    Contato Alain Bougearel: http://tarot-fr.com
    O texto do autor, em francês, aparece no http://trionfi.com/0/a/01/
    As 17 cartas originais, aqui reproduzidas, estão sob guarda da Biblioteca Nacional da França e podem ser diretamente acessada pelos links abaixo, de 035 a 051:
http://expositions.bnf.fr/renais/grand/035.htm
http://expositions.bnf.fr/renais/grand/051.htm

ou: http://images.bnf.fr/jsp/index.jsp


Bibliografia:
Thierry Depaulis, Tarot, Jeu et Magie, pp 40 – 41. Bibliothèque Nationale, 1984

 
rev: agosto.08
 
 
 
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