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19 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


As cartas "Gringonneur": O MUNDO (XVIIII)
 
 
 

    Uma mulher, com a cabeça aureolada ou enfeitada por um chapéu, tem numa das mãos um cetro e, na outra, um globo. Ela se encontra de pé sobre uma esfera, que representa, sem dúvida, o universo e que evolui sobre nuvens ou água. O globo, símbolo do mundo, e o cetro, símbolo do poder, são igualmente atributos do Imperador. A auréola ou o chapéu com aparência de grinalda é também usado nos trunfos que representam as virtudes – a Força, a Justiça e a Temperança. Ela está muito parecida com uma representação da Justiça numa gravura florentina, o Triunfo do Renome (da Fama), que data dos anos 1460 (Hind, A I, 21, 1).
    A iconografia do Mundo é difícil de interpretar. No centro da esfera que, sem dúvida, representa a Terra, erguem-se arquiteturas de cidades fortificadas nos topos dos montes. Um largo círculo o circunda, talvez o mundo celeste, composto de nove céus superpostos, segundo o sistema de Ptolomeu, conhecido na época.
    Esse sistema fazia da Terra o centro do universo. À sua volta, o mundo celeste correspondia aos sete planetas (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), à esfera das estrelas fixas e à do Primeiro Móvel ou Cristalino que, por sua vez, estava em contato direto com a última esfera, denominada Causa Primeira, ou seja, Deus. Este transmitia o movimento ao Primeiro Móvel, motor que animava as demais esferas e se encontrava na origem de todos os movimentos do universo. O sistema de Copérnico (1473-1543) era ainda pouco difundido no início do século XVI.
    O Mundo do jogo de tarô poderia ser uma representação alusiva ao universo de Ptolomeu.
    A figura se aproxima igualmente, pela sua posição em pé sobre uma esfera e pelo cetro que segura, à alegoria da Fortuna. No entanto, inúmero detalhes iconográficos a afasta dessa referência. A deusa da Fortuna está nua e tem uma venda sobre os olhos.

    Tarô dito de Charles VI ou Tarô Gringonneur: O Mundo. Norte da Itália. Final do século XV.
    Pintura com têmpera de ovo, sobre um desenho preparatório com tinta negra, tipo sépia; decoração com ramos estampados, após fixação de folha de ouro e prata, sobre uma camada assentada sobre suporte de papel; dorso branco sem adornos. Papel em várias camadas com "colarinhos" à moda italiana, alguns dos quais estão roídos. A parte do desenho dissimulado pelos "colarinhos" realizados posteriormente, foram redesenhados. Dezessete cartas: 80/185 x 90/95 mm. Paris, Biblioteca Nacional da França, Estampas, Res. Kh 24.  http://expositions.bnf.fr/renais/grand/049.htm.

Tradução de Constantino K. Riemma

   
 
 
 
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