Responsável: Constantino K. Riemma
 
11 de maio de 2008
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TAROT - Tarôs e Baralhos
 
JEAN NOBLET
Texto de Jean-Claude Flornoy
cartier, restaurador, escritor,
Tradução de Constantino K. Riemma
    
    O pequeno tamanho, pouco habitual, deste tarô não afeta seu charme, mesmo com a falta de 5 cartas (do 6 ao 10 de Espadas). Seu fabricante está claramente designado na bandeirola do Dois de Ouros e sobre o medalhão do Dois de Copas: trata-se de Jean Noblet, morador do subúrbio de Saint-Germain, em Paris. A propósito, um certo Jean Noblet, “maître-cartier”, ou seja um “mestre impressor de cartas”, morador de “Saint-Germain-des-Prés, rua Sainte Marguerite, paróquia de Saint-Sulpice”, está citado em dois assentamentos de cartório, no ano de 1659.
       
O Mundo (XXI)
Original de 1650, sob guarda da Biblioteca Nacional da França
O Mundo (XXI)
Restaurado pelo autor desta resenha, Jean-Claude Flornoy
Dorso
desenhado com motivos hexagonais e com cruz de malta
    Trata-se de um jogo de 78 cartas, das quais restaram 73, impressas em Paris, em meados do século XVII. Com insígnias italianas e gravuras sobre madeira, coloridas com “pochoir” (moldes recortados), em papel com várias camadas, tamanho 92 x 55 mm.
    O grande erudito D’Allemagne também cita um Jean Noblet em sua lista de impressores de cartas parisienses de 1664.
    Não hesitamos, portanto, em datar este jogo de meados do século XVII, o que o torna contemporâneo de Jacques Viéville. O interesse por uma tal datação é que estamos diante de um jogo inteiramente conforme ao modelo do assim chamado “Tarô de Marselha”: ele é o primeiro exemplo conhecido.
        Podemos notar que a Morte (XIII) está com nome.
    O brasão do Carro (VII) traz as iniciais I.N., provavelmente as de Jean Noblet. (Era usual deixar esse tipo de "marca registrada" no brasão da carrugem).
    O dorso das cartas é rigorosamente o mesmo empregado por Viéville, também encontrado num tarô parisiense anônimo, dessa mesma época.
   
O dedo do mágico
    Com esse detalhe da carta do Mágico (I), não duvidem, já se gastou muito papel e tinta. Por qual razão um mestre tradicional do tarô se permitiria tal coisa?
        1650 é uma data em que, como muitas outras, uma espécie de guerra opôs a fiscalização da época aos impressores de cartas.
    É preciso saber que nessa época as taxas sobre os jogos de cartas representavam uma porcentagem importante do orçamento do Estado, claramente muito maior que o imposto sobre o selo.
    Para melhor controlar os fabricantes de cartas, eles haviam sido colocados em casas comuns. Toda a corporação era agrupada num bloco de casas vigiadas por guardas e agentes fiscais. Os trabalhadores eram selecionados e deviam ter um passe. As folhas trabalhadas durante o dia eram numeradas e levadas por um oficial. Os antigos moldes haviam sido apreendidos. Para serem refeitos, não havia muito problema para encontrar gravadores de cartas comuns, porém quando se tratava de gravadores de tarô, a situação era outra.
    Jean Noblet era editor e gravador. Para ele, especialista em tarôs, não havia complicações técnicas, mas deveria passar um ano, talvez mais, para refazer seus moldes de impressão.
    O seu dedo de honra é o sinal.
   
    Como ele faz uma modificação importante na carta, ele a anuncia pelo curioso título ao pé da carta “LL Bateleur”. O segundo L é o esquadro o mestre, a assinatura pela qual ele diz: “Fiz uma variação, eu sou um mestre e assumo”. Ela faria a mesma coisa com a “Lemperance” (XVII A esperança) e “Lestoille” (XIV A Estrela).
    Esse dedo de honra se dirige a nós, o público. Seria uma mensagem portadora de significado esotérico? Ouso esperar que se dirige ao fisco e que se trata da “linguagem dos pássaros”.
Rostos brancos, mãos brancas
    Não sei a razão pela qual os rostos e as mãos são brancas, tal como constatamos na maior parte dos arcanos maiores no tarô de Jean Noblet e no tarô de Jean Dodal. No de Noblet, o Mágico tem o roso branco e, o Louco, cor de carne. No de Dodal é exatamente o oposto.
    Em termos de impressão, o branco não existe; é apenas a cor do papel. Volto, então, à velha formulação que persiste ainda num dos cantares de companheiros: “brancas as lágrimas do Mestre Jacques”. Os rostos são expressão do estado de individuação. Esse estado gera lágrimas e as mãos, pelo seu “fazer”, também são portadoras de lágrimas. Em outros termos, as lágrimas são o resultado da individuação e de seus atos. É o “vale de lágrimas” do Evangelho.
 
      Em compensação, no tarô de Jean Noblet, a Imperatriz, o Imperador e o Louco têm a particularidade de mãos grandes e pequenas; uma grande mão, esquerda para o Imperador e o Louco, direita para a Imperatriz.
    Trata-se aí da “mão de glória”, bem conhecida nas corporações de ofícios. É a mão da mestria, do saber-fazer: a esquerda para a mestria do emocional; a direita para a mestria da ação.
   
    Clique sobre o número das cartas para ver reprodução dos originais e a restauração realizada por Jean-Claude Flornoy
   
Encarnação:    I  (O Mago)
Infância:
V
Aprendizagem:
Companheiro:
X
Mestria:
Sabedoria:
Iluminação:   O Louco
 
Para conhecer o trabalho de Jean-Claude Flornoy,
seus estudos, criações e trabalhos de restauração de baralhos antigos,
visite o site do autor: http://www.letarot.com
 
 
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