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08 de dezembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Encontros com o Tarô na Vida
Joneth de Carvalho
 
Desde que tomei conhecimento do tarô, fico cada vez mais fascinado, encantado, com a profundidade que pode se abrir, quando se permite. E imaginar que em certa época de minha vida desprezaria suas possibilidades. Pois é, a vida ensina.
Faz um tempo que tenho estudado bastante os arcanos maiores, até porque a maior parte da literatura tarológica está voltada para eles. Desde que estudei o livro de Sallie Nichols "Jung e o Tarô", meus horizontes se abriram em relação a cada arcano maior e fiquei mais atento aos símbolos, movimentos e às situações que acontecem no dia a dia. E como eles têm traduzido a realidade! São realmente 22 grandes mistérios antigos. Em outra linguagem são arquétipos, matrizes arcaicas, que forjam imagens renovadas do mesmo tema.
Jung e o Tarô - Sallie Nichols       O Tarô e a Viagem do Herói, Hajo Banzhaf
Conhecer o tarô, seus arcanos e arquétipos me ajudam a viver. Eles abrem um senso de conexão com tudo e dão um vislumbre da eternidade, onde a lógica tempo e espaço desaparecem. Arquétipos ou Arcanos não são pessoas. Nós seres humanos, muitas vezes, ficamos energizados por eles (que são figuras que atuam no nosso inconsciente afetando toda dinâmica do sistema).
Algumas semanas atrás estava estudando o livro do Hajo Banzhaf, O Tarô e a  viagem do herói, com a Teresa Cristina. Ela com a versão ao espanhol e eu com a português/Brasil. Incrível como os dois textos ampliaram nossos horizontes e pescamos até algumas dificuldades, dúvidas nas traduções. Hajo foi bem fundo e seu escrito dá uma dimensão transcendente ao conjunto de cartas, fazendo-as contar uma história que é a de todos nós: a viagem do herói (ou heroína). E vale lembrar que Hajo bebeu na fonte de Sallie Nichols. Conexões maravilhosas. Voltando, estávamos estudando o casal terreno: a Imperatriz e o Imperador. Vou considerar aqui somente o Imperador, que para Hajo, é a força da cultura, da civilização. É também o impulso do homem para criar seu próprio meio, usar (ou abusar, né?) os recursos da mãe natureza e também se proteger dela. É o homem no uso da sua técnica. A mãe natureza (Imperatriz) é cíclica e o Imperador é metódico e estável. Tudo bem medido funciona bem, em harmonia, mas quando em desiquilíbrio... no mínimo, torna-se a monotonia do concreto e do asfalto.
E aconteceu a sincronicidade um dia desses:
Caminhos
Caminhos pelo bosque
Foto de www.fundodetela.com.br
Estava no domingo, na manhazinha desse inverno, fazendo minha caminhada (que poderia ser uma corrida, mas não é) no bosque, por suas estreitas ruas de terra. A paz que a natureza proporciona é divina. Muitas árvores, pássaros, mato, às vezes flores, às vezes algum animalzinho. Algo mágico ressoa dentro quando abrimos espaço para ouvir um cantar de pássaro, ou olhar de verdade uma planta...
O Imperador no Tarot of the Old Path
 
Por um dos caminhos, vi um senhor vestido com calça e camisa social (roupa incomum para o local) olhando as árvores; afinal ele puxou conversa (acho que sou simpático).
Ele havia trabalhado ali por mais de quarenta anos. Contou que naquela época não havia essas passagens. Ele ajudou, com o trator, a realiza-las. Mostrou muitas árvores, hoje grandes e frondosas,  as quais ele havia plantado e que eram apenas pauzinhos com algumas folhinhas... Contou do problema que ocorria com as queimadas que devastavam o bosque. Mas, sim, ele resolveu essa dificulade: derrubou algumas árvores, abriu espaçamentos, que ao longo dos anos se tornaram vielas, que impediam o fogo continuar seu trajeto devastador. Tudo isso foi feito num processo ao longo de anos de atitude incisiva.
Contou e apontou algumas árvores que estavam com prognóstico de morte naquela época. Ele com pá, adubo, água e com mais de seis meses de cuidados diários, elas voltaram à vida. Minha caminhada ficou atrasada mais de meia hora. Mas minha alegria adiantou-se alguns quilômetros ao reconhecer que aquele homem simples, com olhar direto e fala mansa, alimentou por décadas o que hoje passou a ser um refúgio contra a loucura da cidade.
Aquele homem, me lembrou o arcano do Imperador em seu modo mais positivo: aquele que em contato e harmonia com a mãe natureza, juntos, fazem com que as coisas fiquem melhores para toda humanidade.

Contato com o autor:
Joneth de Carvalho é tarólogo, oferece leituras e cursos:
 www.visoesdotaro.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores

Edição: CKR – 15/09/2014
Revisão: Ivana Mihanovich
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