Responsável: Constantino K. Riemma
 
02 de dezembro de 2008
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O conjunto dos Arcanos Maiores
    [ < voltar]    [1. A roda, as fileiras e os quatro grupos]  [2. Os onze pares]  [3. Tétrades comparativas]
Os indícios reveladores dos segredos do Tarô
3. Tétrades comparativas
Oswald Wirth
Traduzido do original francês por
Constantino K. Riemma
    
    Os pares que acabamos de passar em revista dão lugar a relações do mais alto interesse. Comparados dois a dois, colocam quatro arcanos em oposição conjugada. Formam as tétrades, algumas das quais merecem mais particularmente a nossa atenção.
    Em cada tétrade, o primeiro arcano está para o segundo assim como o terceiro está para o quarto. O primeiro está, por outro lado, em relação ao terceiro tal como o segundo está para o quarto. Finalmente, o primeiro está para o quarto assim como o segundo está para o terceiro.
    Para aprofundar o estudo do Tarot, é importante resolver a série de problemas e de equações que são colocados pelas tétrades. Existe aí um exercício intelectual do qual tirarão proveito principalmente aqueles que querem aplicar o Tarot à adivinhação.
    Esse exercício ativa a imaginação e a prepara para apreender as relações entre as imagens que se justapõem. É impossível que o Tarot fale enquanto o adivinho não assimilar a linguagem dos símbolos. Estes não falam por si mesmos, sem serem solicitados; daí a necessidade de os interrogar com método. Nada é mais fecundo a esse respeito que a disciplina das tétrades aqui preconizada.
    As indicações seguintes mostrarão como se pode obter, de um lado, a idéia sintética que liga os quatro arcanos entre si e, a seguir, a compreensão dos diferentes aspectos dessa mesma idéia oferecidos pelos arcanos um a um.
 
O princípio da inteligência individual
 
1. O Mágico (Prestidigitador)
No poder.
Apto para se instruir em todas as coisas.
 
 
 
11. A Força
Na ação.
Plenamente instruído
e aplicado às obras práticas.
 
 
X
 
 
0. O Louco
Inativo, inerte, incapaz intelectualmente.
Estupidez. Incompreensão.
 
 
 
12. Pendurado
Entravado, tornado improdutivo. Gênio incompreendido.
Pensamento por demais sublime para se tornar inteligível.
 
 
O espírito (a mente) em presença do mistério
 
2. A Papisa
Esforço para penetrar.
Adivinhação, intuição, gnose, fé.
 
 
 
10. A Roda da Fortuna
Diferencia, descobre.
Detém-se em conjecturas geniais.
 
 
X
 
 
21. O Mundo
Percepção do conjunto.
Visão estática. Ciência integral.
 
 
 
13. A Morte
Rejeição, negação.
Desilusão. Ceticismo absoluto.
 
 
O Princípio Espiritual, fonte do pensamento e da vida
 
3. A Imperatriz.
Atração pela inteligência, que se assenta para gerar as idéias.
Compreensão, concepção
 
 
 
9. O Eremita
Frutificação na inteligência que constitui a esfera mental.
Reservatório da memória.
 
 
X
 
 
20. O Julgamento
Sujeição da inteligência que fecundou.
Inspiração, entusiasmo.
 
 
 
14. A temperança
Circulação e animação da multiplicidade dos seres.
Via universal.
 
 
A Luz criadora
 
4. O Imperador
Fixada no centro da personalidade, princípio de energia voluntária,
da expansão individual e do crescimento.
 
 
 
8. Justiça
Afinada, harmonicamente repartida para assegurar o funcionamento normal do organismo e sua conservação.
 
 
X
 
 
19. Sol
Irradiante de sua fonte universal.
Expansão do ser. Altruísmo.
 
 
 
15. O Diabo
Condensada com excesso.
Congestão, cio, ardor cego, instinto brutal. Egoísmo.
 
 
A quádrupla fonte das convicções humanas
 
5. O Papa
A tradição filosófica ou religiosa.
Crentes esclarecidos.
 
 
 
7. O Carro
Pesquisa independente da verdade.
Livres-pensadores.
 



X
 
 
18. A Lua
As opiniões recebidas, os preconceitos dominantes.
Supersticiosos, escravos da letra morta.
 
 
 
16. A Casa de Deus
A contradição de doutrinas inimigas.
Sectários anti-religiosos, falsos livres-pensadores.
 
 
Diferentes aspectos da Verdade
 
2. A Papisa
Mistério que solicita a intuição e pede ser penetrado.
 
 
 
5. O Papa
Dogma no qual importa compreender o esoterismo, pensamento intimo ou espírito vivificante.
 
 
X
 
 
21. O Mundo
Absoluto que só se revela no arrebatamento do êxtase.
 
 
 
18. A Lua
Signos materiais, formas, invólucros, cascas do pensamento, letra morta.
 
 
A idéia em relação ao entendimento
 
3. A Imperatriz.
Ela é atraída, penetrada e ganha raízes.
 
 
 
4. O Imperador
Ela desenvolve todas as suas conseqüências lógicas.
 
 
X
 
 
20. O Julgamento
Ela se apropria espontaneamente, provocando delírio e entusiasmo.
 
 
 
19. O Sol
Ela se afina, torna-se mais sutil e assume um caráter poético ou sublime.
 
 
Resultados da atividade humana
 
7. O Carro
Triunfo, sucesso conquistado pelo mérito.
 
 
 
10. A Roda da Fortuna
Êxito obtido por favores ou pela sorte.
 
 
X
 
 
16. A Casa de Deus
Reveses provocados pelas ilusões ou pelos erros.
 
 
 
13. A Morte
Catástrofe inevitável e fatal pela qual a vítima não é responsável.
 
 
Aplicações da energia
 
8. A Justiça
Equilíbrio entre receita e despesas, funcionamento normal.
 
 
 
9. O Eremita
Redução das despesas, reserva, abstinência.
 
 
X
 
 
15. O Diabo
Acúmulo levado ao extremo e, depois, despesa súbita; ardor veemente, explosão.
 
 
 
14. A Temperqnça
Relaxamento, indolência, indiferença, apatia, frieza.
 
 
    O leitor fica convidado a não se deixar desanimar pela aridez esquemática das indicações que acabam de ser dadas. O programa traçado oferece à sua iniciativa pessoal um campo fecundo para explorar e aprofundar.
    Para aprender a decifrar o Tarot é indispensável o exercício de comparar os arcanos, a fim de extrair tudo o que podem sugerir as múltiplas relações e contrastes. Um espírito meditativo saberá retirar de cada tétrade um amplo material para expressão simbólica. Mas cada um tem a obrigação de pensar por si mesmo, e nós não faríamos bem se déssemos tudo mastigado para os iniciantes preocupados em levar a sério o estudo do Tarot.
    
    
out.07
 
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