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13 de outubro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


As Figuras da Corte no naipe de Copas
Ana Magalhães Correa
 
 
O presente texto resultou da apresentação feita por Ana Correa na
Jornada com os Arcanos Menores, realizada no segundo semestre de 2010.
O trabalho de transcrição e de redação ficou a cargo de Ivana Mihanovich.
 
 
Comecei meu caminho com as cartas através do baralho comum, aos 14 anos e por brincadeira. Através da prática, fui acertando previsões e, ao mesmo tempo, percebendo a dificuldade de estabelecer o tempo (presente, passado e futuro), pela oscilação da energia que vibra ainda um pouco para a frente, um pouco para trás, tornando delicada essa questão. Também percebi a importância de refinar a própria ótica para acessar a sutileza e não apenas a sombra ou o mais pesado de uma leitura. Em função disso busquei alcançar mais e mais concentração através da meditação, embora na época eu sequer soubesse que o que eu fazia tinha esse nome.
O Cavaleiro de Ouros no tarô de Salvador Dali
Cavaleiro: a figura ausente
no baralho comum
Cavaleiro de Ouros de Salvador Dali
 
De qualquer maneira, passou a ser fundamental, para mim, essa concentração antes de uma leitura, afinal, vamos falar de sorte e azar, das possibilidades do bem e do mal no planeta, de coisas importantes, enfim. E acredito que concentração é estar mais presente, mais conectado ao momento e, também, ao outro que compartilha conosco aquele momento. Para mim, o Mago, a magia, é a capacidade de concentrar a maior quantidade de energia no meu ser e determinar isso em direção ao objetivo.
Por usar o baralho comum, desconhecia a existência do cavaleiro e na verdade o Valete não me parecia muito poderoso. Na verdade, ele sugeria-me mais a representação de um ser com desejos de vir a ser mais poderoso, mas ainda sem as ferramentas para isso; alguém ainda na condição de serviçal ou de aprendiz. Vendo-o como um ser dependente, comecei a buscar as cartas que poderiam potencializá-lo mais e percebi a importância da presença do Ás e do sete de Ouros. Ao lado dessas cartas (que considero mensageiras de que tudo se resolverá, independente dos conflitos que possam estar representados por Espadas, por exemplo), o Valete ganhava algum peso. Quando ganhei um tarô, fiquei encantada, inclusive por descobrir a presença do Cavaleiro. Esse, ao contrário do Valete do baralho comum, podia ir mais longe, tinha independência, poder próprio e ferramentas para abrir portais, abrir caminhos.
Em contato com os arcanos do tarô, aos poucos fui criando um sistema pessoal, onde designei uma palavra-chave para cada Arcano Maior e, na leitura dos menores, uso a mesma, mas acrescida do significado do naipe.
O naipe de Espadas é em geral visto como um signo de sombra, de problemas, de dor, mas por isso mesmo eu o considero um conhecimento essencial para entender e lidar com a decadência do mundo, como o vemos hoje. E, por exemplo, se para mim Espadas - além de dificuldades e conflito, como costuma ser visto - é a necessidade de lutar contra a mentalidade (elemento ar) vigente ou presente na situação, um dois de Espadas será lutar contra a mentalidade do conhecimento, pois "conhecimento" é minha palavra-chave do dois. Seguindo a mesma linha, um dois de Copas será o conhecimento de duas pessoas, um conhecimento que pode vir a desenvolver-se amorosamente (elemento água).
Ás de Paus no Tarô de Salvador Dali    Ás de Ouros no Tarô de Salvador Dali    Ás de Espada no Tarô de Salvador Dali    Ás de Copas no Tarô de Salvador Dali
Os quatro naipes no tarô de Salvador Dali: os ases de Paus, Ouros, Espadas e Copas
O naipe de Paus, elemento fogo, para mim é "trabalhoso", é transformar algo através da ação do trabalho, é uma iluminação no sentido kármico, é transformar e expressar os próprios dons e implica em estar concentrado, bem consciente e conectado ao momento, para não ser consumido pelo próprio fogo.
O naipe de Ouros, elemento terra, envolve tudo que refere-se ao corpo físico, incluído o próprio corpo (uma doença em Espadas é mental; já em Ouros é física, concreta). Dessa forma, o trabalho eu vejo em Paus, mas o mercado de trabalho eu vejo em Ouros, pois muitas vezes precisa-se muito mais do entendimento do próprio mercado de trabalho para, sentão, gerar estabilidade e criar uma estrutura material firme.
O naipe de Copas, nosso objeto de estudo aqui, envolve o sentimento, a emoção, mas além disso a expressão "abrir-se em Copas" significa que a pessoa se rende, se entrega às condições que são maiores e mais sutis do que ela. Simbolicamente refere-se ao que vem de cima e a pessoa recebe aqui embaixo. É preencher-se da inspiração que vem de cima e então transbordar essa riqueza emocional e espiritual. Porém, é fundamental trazer isso para a condição planetária da Terra: a condição física. Caso contrário, como acontece numa leitura onde só vemos Copas, é indicação de estar sem pé no chão ou totalmente iludido. Signo da receptividade, Copas implica em confiança, em confiar que essa energia te alimenta e circula em você (aliás, livre arbítrio, para mim, é unicamente escolher se vou ser amorosa ou odiosa, porque a única certeza é escolher qual dessas vibrações prefiro acessar dentro de mim).
Valete de Copas no tarô de Salavador Dali  Cavaleiro de Copas no tarô de Salavador Dali  Rainha de Copas no tarô de Salavador Dali  Rei de Copas no tarô de Salavador Dali
As figuras da Corte no tarô de Salvador Dali: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei
Nas figuras de Copas, vejo o Valete ou Pajem como representação do início, do aprendizado, da necessidade de um grande esfôrço para se chegar a algum lugar. No caso de representar uma pessoa, é alguém sem suporte próprio, dependente, alguém que precisa de ajuda, pratica e emocionalmente. Às vezes, inclusive, vejo dependência de drogas quando há um Valete, dependendo de como está o seu entorno (se há muitas caratas de Espadas, por exemplo). Em Copas, o Valete pode significar tanto amor quanto ódio, dependerá de como está situado na leitura.
Já o Cavaleiro de Copas, vejo-o como uma alegria num jogo, pois os Cavaleiros ainda não tem sobre si o peso do encargo que um Rei terá. Um Cavaleiro de Copas é jovial, é livre para ir e vir, abre portais, tem autonomia para negociar e para sentir e sem ter o peso "do estado" nas costas, como o Rei.
A Dama de Copas é a "Rainha das Emoções", é uma rainha absolutamente inconsequente. No plano da historia, da lenda pessoal, dos conflitos, ela é completamente irresponsável e precipitada. Subiu o sangue, ferveu a água, ela vai, sem medir consequências. Mas tem um poder muito grande na própria força por não ter maldade na intenção ou quando se precipita; é uma rainha que aposta no próprio coração e, em geral, no final tudo dá certo para ela.
Finalmente, o Rei de Copas, é um rei meio complicado, afinal rei é uma figura de comando, de autoridade, de penetração nas camadas. Porém, um Rei de Copas é um rei centrado em água, como se tivesse o trono boiando na água, então, que rei é esse? É o que chamamos de "um doce de pessoa", mas é meio medroso, meio imaturo, precisa de treino para equilibrar-se, senão fica sonhando, tudo transborda e sai do eixo (ele é, aliás, muito generoso com o que não tem). Embora, por outro lado, seja uma personalidade capaz de nos motivar, de nos fazer enxergar nosso próprio valor e de aumentar nossa autoestima, o Rei de Copas, mais adiante, não tem estrutura para manter a situação e, em geral, também não consegue estabelecer-se com firmeza.
julho.12
Contato com a autora:
Ana Magalhães Corrêa - correaana@terra.com.br
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