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28 de junho de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


As cartas numeradas
Glória Marinho
Estava mergulhada nos estudos das cartas numeradas em suas complexidades e na escassez de informações, isto sem falar sobre as interpretações várias... Li o grande mestre G.O. Mebes em sua abordagem dos arcanos menores e a incorporação da Cabala na sua interpretação. Genial, mas não é meu campo de interpretação simbólica... A minha linha de trabalho é regida pela orientação de Gilbert Durand em seu livro O Imaginário e na representação das figuras arquetípicas, seguindo um viés da linha junguiana do autoconhecimento. Escrevi e descrevi assim nos meus artigos separadamente sobre os Arcanos Maiores, os Cavaleiros, Reis e Rainhas, e finalizei com a imagética dos ases.
Em seguida me dediquei a estudar os Arcanos Menores e ao receber e-mails de algumas pessoas, cobrando a finalização de minha metodologia, resolvi fechar com este artigo o meu modo de pensar e de atuar na utilização da tiragem das cartas numeradas do Tarô. Sem nenhuma pretensão, só o meu jeito de ser... Veja: A imagética dos ases.
Os quatro ases - arcanos menores
Os ases dos quatro naipes: Bastões, Ouros, Espadas e Taças
Cartas do Illuminti Tarot de Kim Huggens e Erik C. Dunne
No meu entender a complexidade das cartas numeradas nos leva a uma “interdependência funcional” (G.O Mebes), isto porque a sua função é a de orientar, complementar e confirmar ou não os dizeres dos arcanos maiores em suas possibilidades, não esquecendo as inter-relações entre os arcanos maiores e menores.
Vivemos cercados de símbolos, signos e de sinais por todos os lados todo o tempo, o tempo todo... O Tarô, sabemos disto, é uma chave preciosa para o entendimento deste mundo complexo. A complexidade destas cartas nos permite compreender os significados destas relações. No entanto torna-se difícil, no tocante às cartas, devido aos inúmeros baralhos existentes e linhas diferentes de interpretação, sem falar que podemos mudar de baralho de vez em quando. Atualmente utilizo o Tarô Illuminati de Kim Huggens e Erik C. Dunne. O seu design com vestígios históricos me encantou. Os autores têm um ousado objetivo: “revelar as camadas belas e ocultas do simbolismo (...) para o leitor compreender, ler, traduzir e falar a linguagem do Tarô”.
O título nada tem a ver com a ordem conhecida como illuminati. De acordo com seus criadores, o simbolismo da luz “significa uma história sobre a revelação, a iluminação e a jornada em direção à consciência e à sabedoria, seguindo a própria luz do Tarô em sua subjetividade”.
Minha autora preferida Rose Gwain, alerta todo o tempo sobre a nossa objetividade nas cartas e a utilização da intuição em função das imagens.
Para iniciar uma síntese daremos em primeiro lugar uma orientação na classificação dos Naipes em relação aos quatro tipos:
  • Pensamento: naipe de Espadas
  • Sentimento: naipe de Bastões
  • Intuição: naipe de Taças
  • Sensação: naipe de Ouros
Para um estudo exaustivo e detalhado dos Arcanos Menores também temos os livros de Nei Naiff. Gosto dele. É muito esclarecedor. “Sem auto cura não há auto estima e sem auto estima, nunca haverá autoconhecimento”. E ainda “Espadas e Copas representam as polaridades da psique humana (psicoemocional) que buscam no cerne do naipe de Paus equilíbrio e evolução”.
Sintetizando as informações disponíveis em vários autores, cheguei a algumas conclusões. A primeira delas de que não existem palavras chaves universais e que tudo depende do baralho utilizado. Procurei me guiar ainda por minhas leituras e intuição para criar uma visão de significados diante dos significantes de uma maneira geral para meu entendimento sintético, sem esquecer, é claro, das representações figurativas das cartas numeradas. Assim sendo listei as informações seguintes.
A mim me parece que ao se tratar de números, a Numerologia vem em primeiro lugar na interpretação das cartas numeradas. Pitágoras (569-475) já dizia: “tudo se arruma depois do número”. Baseado nos números teremos então uma visão generalizada e também conhecida de todos:
  • dois (2) - dualidade
  • três (3) - estabilização
  • quatro (4) - interferência
  • cinco (5) - mudanças
  • seis (6) - instabilidade
  • sete (7) - mudanças drásticas
  • oito (8) - interferências
  • nove (9) - teste de vida...
  • dez (10) – marasmo, fim de ciclo
Simbologia dos números
Ilustração em http://secretserendipity.com
Segue os quatro elementos em suas várias interpretações:
  • Paus: Fogo, quente, princípio radiante
  • Espadas: Ar, gasoso, frio
  • Copas: Água, líquido, emoções
  • Ouros: Terra, material e espiritual.
Do genial Jaime Cannes temos o simbolismo dos naipes que pode ser aplicado à natureza da psique humana, apregoada pela filosofia taoista.
  • Paus - desabrochar da vida
  • Copas - as emoções humanas
  • Espadas - maturidade
  • Ouros - estação da colheita
Indo para Namur Gopalla teremos como que um parâmetro à evolução humana, também apregoada pelo Taoísmo.
  • um - Divino planejamento
  • dois - A busca do existencial para preencher o vazio
  • três - Canalização dos opostos, criatividade
  • quatro - Estabilidade, realizações
  • cinco - Busca de alegria
  • seis - Procura do equilíbrio
  • sete - A busca do mundo interior
  • nove -  Alcance do transcendental
  • dez - Grandes realizações
Aliando todas as informações com a intuição e a inter-relação das cartas antes e depois de cada casa, fácil se tornará a leitura da interpretação das cartas numeradas.
Além dos itens citados acima há que se acrescentar, penso eu, os elementos não só pertinentes à interpretação das cartas, mas também a inclusão do signo do consulente:
  • Paus, Fogo – signos de Áries, Leão e Sagitário
  • Espadas, Ar – signos de Gêmeos, Libra e Aquário
  • Copas, Água – signos de Câncer, Escorpião e Peixes
  • Ouros, Terra – signos de Touro, Virgem e Capricórnio
Nas minhas tiragens utilizo sempre dois arcanos em cada casa: Arcano Maior e Arcano Menor. Se um consulente, pertencente pelo nascimento ao naipe de Copas retirar, várias cartas numeradas do mesmo naipe uma certeza maior em suas realizações seria a resposta certa. As demais cartas numeradas trarão o Livre Arbítrio do consulente. Claro que haverá alguns acréscimos porque a interpretação das figuras das cartas, não poderá mudar... é o “schème” do evento em questão.
Tomemos por exemplo o 10 de Ouros. Na representação do Naipe "de evolução espiritual e material”, a mensagem seria “Felicidades em família” e, sem dúvida nenhuma, seria também a paz do tesouro interior. Na próxima casa, se sair outra carta numerada de Ouros, teríamos então a confirmação da durabilidade do evento. Não vamos esquecer que os Arcanos Maiores tratam das possibilidades de realizações e os Arcanos Menores da confirmação destas possibilidades.
Em suma, a predominância de Paus na tiragem poderia significar que o consulente estaria assumindo mais do que pode arcar. Se a predominância for de Copas significará que o emocional está desequilibrado. Sendo de Espadas esta predominância é um alerta para a objetividade de uma racionalidade exagerada das ações que poderá representar uma espada de dois gumes no relacionamento. Caso seja de Ouros as cartas numeradas seria bom lembrar que toda moeda tem dois lados. O ouro material nem sempre traz felicidades.
Resumindo quero relembrar que este artigo está de acordo com minha linha de pensamento nas tiragens das cartas. Acrescentaria apenas o signo do consulente para um melhor entendimento de suas emoções. Lembro também que tenho a orientação do oráculo chinês I CHING consultado antes da tiragem de cartas.
Cartas e signos
Ilustração em http://awakeninglove.co
Os pensamentos a seguir foram extraídos do livro Arquétipos do Zodíaco de Kathleen Burt.
  • Áries: O Herói de Áries luta no mundo exterior mais que interior. Ele que ir e agir.
  • Touro: A teimosia pertence ao jovem Taurino. Na maturidade uma abertura para o espiritual. Os talentos para o sucesso material estão inseridos nas possibilidades.
  • Gêmeos: Observador, analítico, realiza a classificação racional dos dados. A objetividade faz parte desta personalidade além de ser prestativo.
  • Câncer: Sua base de poder é familiar e ele sofre por não receber a atenção que merece. São pessoas muito sensíveis, de alto potencial de inteligência e muitas vezes de baixa estima.
  • Leão: A força sempre estará presente. Seu caminho é consciente, criativo, altruísta e objetivo.
  • Virgem: Perfeccionistas, curiosos, responsáveis e impacientes. Geralmente são introvertidos.
  • Libra: Busca a alma gêmea com muitas exigências. São teóricos abstratos e vivem em busca do equilíbrio.
  • Escorpião: Tem sorte com finanças e com a vida sexual. Carrega consigo a capacidade de mudar os ambientes ao seu redor e a si mesmo.
  • Sagitário: Expansão da consciência. Ânsia de grandeza e a habilidade de motivar, inspirar ou “incendiar” as pessoas. Signo batalhador.
  • Aquário: altruísta em demasia. Gosta de ser popular. Ambiciona o sucesso. Seu objetivo maior é servir `Humanidade.
  • Peixes: Sensível em excesso. Muito adaptável às situações. Vive fora da realidade real, Imaginativo e fantasioso.
Resumindo: para a formação de uma síntese temos que levar em consideração os itens citados:
  • Numerologia
  • Elementos dos Naipes
  • Simbolismo das cartas
  • Arquétipos do Zodíaco
  • Intuição
No meu entendimento, o método e o estudo do Tarô precisa de adaptação às estruturações mentais da psique de cada pessoa. Estas estruturações foram criadas pelo psicólogo Yves Durand – Estrutura heroica, estrutura mística e estrutura sintética. Assim sendo, é um prazer a mais o estudo do Tarô quando se adequam aos estudos.
De acordo com o AT9 (teste dos 9 elementos) a minha estruturação é sintética. Isto quer dizer que cada Tarólogo fará as suas adaptações. Falei disto no artigo sobre os Cavaleiros.
Exemplificando melhor. Se compreendermos o Tarô como um sistema dinâmico de energias vivas, funcionando como um sistema antigo de pensamento, mas, com possibilidade das adaptações ao tempo atual, sem esquecer de que é um repositório de toda a sabedoria humana, fácil será estabelecer um elo de entendimento entre o tarólogo ou tarotista e o consulente na tiragem de cartas.
No entender de Rose Gwain, em Descobrindo o seu Eu Interior através do Tarô, os Arcanos Menores, como as demais cartas, têm dois níveis de interpretação:
  • Nível exotérico: experiências mundanas em nossas vidas
  • Nível esotérico: os níveis de consciência
Senão, vejamos: o segundo nível estará relacionado com a inter-relação das cartas dos Arcanos Maiores e Menores das casas anteriores ou posteriores da Mandala. Já o primeiro nível estará relacionado com a representação mais objetiva das cartas dos Arcanos Menores.
Finalizando, espero ter me feito entender na minha maneira de lidar com os Arcanos Menores de forma sintética, percebendo a riqueza de detalhes que podem ser incluídas numa tiragem de cartas. Para mim era muito difícil decorar apenas as palavras chaves de forma automática. Precisava saber a razão daquelas palavras. Meu conselho é que cada pessoa interessada em estudar o Tarô descubra a sua estrutura mental e faça adaptações para que o estudo seja prazeroso e concreto.
Glória Marinho é historiadora e antropóloga formada pela UFPE.
Atende pessoalmente, seguindo a linha junguiana: glorieta@bol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Edição: CKR – 24/05/2017
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
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