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23 de outubro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


A Jornada de Vida através dos Arcanos Maiores
Glória Marinho
 
Quando tiveres encontrado o Caminho,
a
Estrela de tua Alma mostrará a sua Luz.
Dito Cabalístico.
 
Todos nós sabemos que o estudo do Tarô, seja como tarotista ou tarólogo, há que se ver com o simbolismo das representações dos arquétipos nos trunfos do Tarô.  Os Junguianos falam que os arquétipos são as ideias primevas da humanidade. Assim, as funções mais relevantes do estudo das lâminas podem ser vistas de três maneiras:
  Apresenta em linhas gerais as possibilidades dos talentos a ser desenvolvidos através do tempo.
  Ao lidarmos com os trunfos devemos ter em mente a diferença entre mito e arquétipo em si mesmo.
  O objetivo final do estudo é a constatação do despertar da consciência utilizando o livre arbítrio para se chegar ao processo de Individuação.
Em continuação, o mito é moral e pode mudar com a cultura. É a chamada remitologização de que nos fala Gilbert Durand. O arquétipo ético não pode mudar em sua essência. Ele é Universal. O arquétipo é uma ideia primeira que vai tomar forma a partir das modelações várias, entendendo-se como símbolo na representação das ideias complexas ou em conceitos com dificuldades de verbalização, utilizados na busca do caminho do meio.
Caminhos da Vida
"New Pioneers" by Mark Henson
Portanto um estudo da Jornada de Vida seria uma abordagem de verificações das possibilidades futuras e de aconselhamento, sabendo-se que os Arquétipos não têm julgamento do certo ou errado. Isto caberá ao livre arbítrio na jornada da Individuação. O mapa da Jornada de Vida do Tarô, diz Sallie Nicholas, “são projeções inconscientes de nossas tendências e potencialidades que podem ser entendidas como projeções também do nosso mundo interior em sua explicitação no mundo exterior. Quanto mais cedo acontecer esta inserção mais fácil será manter o equilíbrio que se busca para atingir o Caminho do Meio”.
É sabido por todos que a tradição da Numerologia está no cerne dos estudos esotéricos participando assim do nosso dia a dia: música, padrões da natureza e frequências da própria vida que é uma constante. Por isso é lógico e salutar a existência nas inter-relações com o Tarô, I Ching, Astrologia etc... Levando–se em consideração que os significados essenciais dos números são considerados místicos e eternos, entende-se que eles, vão com o passar dos tempos, sofrer adaptações várias de ordem culturais. Já dizia Pitágoras que os números determinam as categorias e as ideias.
Em seu livro, Arquétipos do Zodíaco, Kathleen Burt justifica a utilização da Numerologia no estudo da astrologia usando palavras de Jung: “arquétipo é como um cristal em sua forma e como um recipiente vazio que conta em si modos de comportamentos idênticos em todos os indivíduos”.
Então foi com prazer, que descobri o livro de Celeste Rodrigues, Linha da Vida – Mapa Natal do Tarot.  Conhecendo seu livro anterior – Tarot Uma Proposta de Vida – me identifiquei de imediato com suas ideias e vi lógica na sua abordagem criativa de cada posição da Linha da Vida com a interpretação dos Arquétipos, utilizando o Alfabeto da Roda de Pitágoras e a redução teosófica. Mas com a minha estruturação sintética, sinto necessidade de algo mais na formação do meu raciocínio.
Linha da Vida pelos arcanos maiores do Tarô
O modo de Maria Celeste Rodrigues cálcular a Linha da Vida
está disponível na seção de Tiragens Mistas no Clube do Tarô :
www.clubedotaro.com.br/site/p52_5_lv_celeste.asp
Isto posto diria que os místicos agem sem muitos questionamentos lógicos. Os heroicos com muita praticidade e lógica. Eles são rápidos no pensar. O Sintético precisaria de mais elementos para melhorar o raciocínio.
Falando sucintamente: a Astrologia seria de grande ajuda na determinação das principais características da personalidade analisada como, por exemplo, a independência de um escorpiano ou a loucura de um capricorniano ao lidar com as energias conflitantes do seu mapa Natal.
No dizer da autora Kathleen Burt “O horóscopo é a mais pessoal das ferramentas que temos para o desenvolvimento individual. É importante compreender as energias arquetípicas e integrá-las, se levarmos a sério o processo de individuação que Jung discute, ou se em nossa busca da iluminação desejamos ser pessoas felizes”.
Por isso seria perfeito o acréscimo do signo dos consulentes na minha prática, pedindo licença à Maria Celeste, e ainda lembrando o que ela disse que “os pares de arcanos devem ser apreciados nas suas interconexões, sintonia ou falta dela, para que possam ter uma visão clara da possível trajetória do Consciente”. Acrescentaria ainda a visão de Nei Naiff quando ele fala dos sintomas dos arcanos: emissores... sucessores... e ressonantes.... explicitados em seu livro Tarô, vida e destino, vol. 2.
De posse destas informações, do signo e das interconexões de Nei Naiff, além das inter-relações descritas pela Celeste, (me perdoa a intimidade) teríamos um mapa perfeito ou um guia para uma Jornada de Vida.
Para encerrar o meu raciocínio apresento a visão de um escorpiano de estrutura Sintética. O Mago como 1º arcano traria de outras vidas muitos talentos inacabados porque nunca se fixou em nenhum deles. Suas energias continuariam semi-adormecidas. Sua missão nesta vida seria escolher e cultivar os talentos., embora esta busca do si mesmo continuasse até o início do processo de Individuação. O escorpiano enfrentaria o mundo exterior e abriria o seu próprio caminho na vida, apesar dos pesares...
Reitero ainda a necessidade do signo do consulente, definindo assim o posicionamento de cada um diante dos obstáculos da Linha de Vida. Como exemplo, teríamos um Virginiano e um Geminiano lidando com estes obstáculos de maneira criativa e imaginativa e até mesmo com excesso de perfeccionismo.
Sintetizando, assim ficaria a Jornada de Vida:
  os arcanos indicados pelos cálculos de Maria Celeste Rodrigues
  com o acréscimo do signo do consulente e da
  consideração do sintoma da força simbólica de Nei Naiff
Finalizando, e de acordo com a fala de Maria Celeste Rodrigues, diria que os Arcanos perpassam por nossas vidas o tempo todo e todo o tempo indo e vindo. Não podem é permanecer por muito tempo estagnados porque isto acarretaria até mesmo doenças psíquicas. Compreendendo assim o vai e vem dos Arcanos em nossa vida como essenciais no desenvolvimento da alma, este Arcano final nos levaria ao “...clímax da trajetória da Linha da Vida, acompanhando as 5 etapas da jornada e nos lembrando do projeto final”.
Enfim, deixo meus votos de sucesso para Celeste Rodrigues dizendo que vou esperar com ansiedade seu novo livro Tarot e Mito e seguirei os seus conselhos ao pé da letra. A prática leva à perfeição...
Glória Marinho é historiadora e antropóloga formada pela UFPE.
Atende pessoalmente, seguindo a linha junguiana: glorieta@bol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Edição: CKR – 2/10/2017
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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