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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Perguntas sobre o tarot que ainda persistem...
Jaime E. Cannes
 
 
O Autor comenta algumas questões que são frequentemente
colocadas pelos seus alunos nos cursos de iniciação ao tarô.
 
O tarot pode ser jogado apenas com os arcanos maiores?
Sim! Os limites perceptivos de uma leitura estão sempre no leitor e nunca no oráculo! É preciso que cada tarólogo perceba como se sente melhor ao ler o simbolismo dos arcanos. Muito embora haja autores que teimam em alegar que o tarot é apenas um sistema simbólico que pode ser interpretado "tecnicamente", na verdade a prática mostra o contrário! O processo intuitivo é importantíssimo! Estudar a estrutura simbólica das cartas é um processo mnemónico e até certo ponto racional, mas sua interpretação é muito mais intuitiva do que qualquer outra coisa... Quer dizer, pelo menos para quem se pretende ser mais do que um leitor mediano! Se você se sente melhor lendo apenas com os arcanos maiores, faça! Não limite, porém, seus alunos, caso os tenha. Dê-lhes uma formação completa e deixe com que eles façam suas escolhas.
Posso jogar com as cartas no chão?
Não vejo motivo algum que justifique o contrário!
Cartas no chão
Jogar com as cartas sobre o chão:
sintonia com a força psíquica da terra.
 
Algumas pessoas sustentam que as energias da terra são muito densas e que isso atrapalha na sintonização psíquica com o cliente. Eu costumo rebater essa afirmação com uma justificativa: olhe o mapa astrológico dessa pessoa! Cada um de nós possui mais identificação com um determinado elemento da natureza. Se você tiver muitos planetas em signos de terra é bem provável que você se identifique muito com a força espiritual desse elemento! Se gosta de jogar no chão (E a coluna aguenta) fique à vontade para fazê-lo.
Quem deve embaralhar as cartas?
Bem, isso varia e mais uma vez eu digo: perceba com qual das variações você se sente mais à vontade. Alguns tarólogos se sentem melhor com eles mesmos embaralhando as cartas e o cliente apenas cortando o maço antes de começar a leitura. Outros (Como eu) preferem que o cliente, além de cortar o maço, retire as cartas para montar o método de leitura escolhido. Essa é uma forma de envolver a pessoa na dinâmica do jogo. E por fim, há aqueles que preferem que o próprio cliente faça todo o processo, ou seja, que ele (O cliente) embaralhe, o leitor apenas corta o maço, ou ás vezes o cliente faz isso também, e que depois retire as cartas. Nesse caso, segundo os que preferem esse sistema, há um envolvimento total do consulente com o processo da leitura. Na minha opinião já é envolvimento suficiente retirar as cartas. Pessoas com pouca prática podem deixá-las cair no chão, ou amassá-las com a pouca habilidade, o que prejudica a preservação do baralho. Não retirar cartas apenas cortando o maço eu considero muito pouco envolvimento... Mas como disse, sinta e escolha o seu!
Afinal é tarô ou tarot?
Na língua portuguesa as palavras com o 't' mudo no final foram adaptadas, ou aportuguesadas para um circunflexo, e por isso tarot virou tarô. Muito embora a regra da língua portuguesa convencione essa formatação gosto de lembrar que absolutamente tudo na vida é uma questão de escolha pessoal!
Tarô x Tarot
Tarô ou Tarot?
 
E não há nenhuma lei ou regra que impeça você de usar uma grafia estrangeira porque essa lhe parece mais estética, por exemplo. Os que estudam o tarot a luz da cabala alegam que as quatro letras remetem aos quatro elementos representados nas letras hebraicas das iniciais do nome sagrado de Deus.
Aqueles que como eu preferem tarot com cinco letras alegam que assim introduzimos o quinto elemento, o éter ou espírito, na composição estrutural e vibracional do baralho. Além do que a soma numerológica de 'tarô' é 18, o arcano de A Lua, obscuro, vacilante, confuso e desorientador. Já 'tarot' soma 20, o arcano de O Julgamento, esclarecedor e revelador, o que varre para longe as sombras do medo e da ignorância.
Como podemos ver, não se pode relegar o tarot a uma simples regra gramatical, não é uma matéria exata, mas sim uma disciplina subjetiva onde cabem percepções pessoais. Assim sendo, aplique a sua!
Posso jogar com mais de um baralho?
Se você se refere a ter um ou dois baralhos diferentes de sua preferência e intercalar seu uso entre uma e outra sessão, sim, claro que pode! Agora se você fala de usá-los ao mesmo tempo, bem isso pode ser confuso e eu não entendo qual seria a utilidade de tal coisa!... Um único baralho na mesa já material mais do que suficiente. Ter dois ou mais jogos de cartas preferidos é muito comum, e pode inspirar bastante o processo intuitivo usar um ou outro conforme cada situação, dia ou pessoa para quem você for ler as cartas! Particularmente eu prefiro usar um baralho específico para leituras e outro para vivências. Há também aqueles que não trocam o baralho em nenhuma situação... Mais uma vez cabe aqui a subjetividade da alma humana. e mais uma vez eu digo para que cada um se sintonize com a sua e encontre sua resposta.
Qual a diferença entre o I Ching, o tarot e a astrologia?
Basicamente o I Ching trata de responder uma pergunta direta formulada anteriormente e o faz com máxima profundidade e detalhamento, sempre revelando as implicações filosóficas envolvidas na questão. Desde que evidentemente o questionamento seja colocado do modo mais claro possível. 
Moeda chinesa
Moeda chinesa
 
O tarot, embora também possa responder perguntas bem, é mais preciso ao retratar um determinado período de tempo da vida de quem procura as suas cartas. E esse período pode ser os últimos dias, semanas, meses ou anos!... Mas é  um sempre um momento, onde é possível detalhar todos os sentimentos e pensamentos envolvidos. Já a astrologia trata de um tempo maior, o intercurso de uma vida inteira em todos os seus potenciais e talentos, crescimento e desenvolvimento prático, psicológico e espiritual possível.
Sintetizando, a astrologia trabalha o nível da personalidade com mais eficiência, o tarot momentos mais abrangentes e o I Ching questiona-mentos bem específicos.
Existem diferenças interessantes na maneira desses três sistemas de sabedoria operarem. Claro que o I Ching pode também trazer reflexões sobre um determinado período de tempo mais amplo, da mesma forma que o tarot pode responder uma pergunta com muita profundidade e implicações filosóficas e reflexivas. Assim também a astrologia pode descrever um tempo mais breve da vida de uma pessoa... O que eu quero dizer para você é que essa não é a melhor aplicação desses oráculos. Eles possuem enormes qualidades, mas também limitações como o tudo o mais nesse mundo! Além de características bem próprias, como uma espécie de assinatura. O êxito ao se tentar inverter suas aplicações, pode ter mais a ver com o talento do intérprete do que com as tendências intrínsecas de cada sistema. O funcionamento acima descrito é o mais preciso, e o que se coaduna melhor com as características de cada um desses instrumentos orcaulares... E se duvidar, faça a sua experiência!
Devemos considerar as cartas invertidas?
No meu livro Tarot para a Autotransformação e a Cura eu detalho melhor essa questão. Posso dizer aqui que considerar as cartas invertidas é, além de muito interessante, muito compensador. Amplia nosso entendimento sobre a própria tarologia tanto quanto sobre como opera o inconsciente humano! Segundo a taróloga norte americana Rachel Pollack [Setenta e Oito Graus de Sabedoria, Ed. Nova Fronteira, São Paulo 1991.], a inversão de uma carta pode marcar, entre outras coisas, um bloqueio no fluxo energético daquela carta. Como algo que não consegue ser atingido, ou desenvolvido pelo cliente.  
Pode também representar uma inversão total no significado do arcano. Por exemplo, se  O Imperador representa a estabilidade e a liderança, invertido pode estar mostrando instabilidade e submissão. Da mesma forma se A Morte simboliza as perdas, invertida pode estar apontando uma reintegração, e assim por diante!
Interrogação
 
Outra consideração interessante dada pela autora Gail Fairfield [Choice Centered Relating and the Tarot, Weiser Books, 2002] é a de que uma carta invertida pode mostrar uma qualidade ou vivência interna que no entanto não se mostra exteriormente.
Um Rei de espadas invertido, por exemplo, poderia assinalar uma pessoa que se sente muito forte, organizada e firme internamente, muito embora o mundo exterior não aposte nisso!
Considerar as cartas invertidas não é de modo algum uma obrigação, mas que você experimente suas aplicações antes de descartar.
Nenhuma escolha deve ser feita pelo preconceito ou a ignorância. Descubra qual das possibilidades acima mais combinam com você, quem sabe todas! Ou quem sabe você descobre novas!... Vivencie isso!
Quando retiramos as cartas quem está respondendo?
Puxa!... Veja bem, nos tempos antigos acreditava-se que os oráculos de modo geral eram auxiliados por seres espirituais superiores que inspiravam o leitor a atingir a verdade sobre o destino de quem se consultava. Com o passar do tempo uma versão mais psicológica, muito fundamentada em Jung, diz que as imagens ajudam a acessar o grande inconsciente coletivo humano (E hoje até se fala em inconsciente universal), onde reside toda a sabedoria da nossa espécie... Ou seja, tiramos o poder dos Deuses e colocamos na própria ancestralidade!
Algumas doutrinas esotéricas, entretanto, dizem que uma parcela da divindade mora dentro de cada indivíduo desde sempre, e que nenhuma sabedoria sobre esse planeta Terra se desenvolveu sem ela. O que para mim quer dizer que quer você creia em entidades espirituais o auxiliando ou em acesso ao plano do inconsciente coletivo, e não há um limite claro e comprovável entre elas, você está acessando algo que vive dentro de você, ou que o alcança através dessa força aí dentro! As teorias junguianas são tão difíceis de se comprovar cientificamente quanto a mais abstrata teoria oculta, simples assim! Ao retirar as cartas quem responde é, de qualquer maneira, a parte mais profunda, sábia e divina de você mesmo! Uma porção que não acessamos com a mente consciente, e precisamos dos símbolos para essa tarefa.
setembro.11
Contato com o autor:
Jaime E. Cannes - www.jaimeecannes.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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