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17 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Simplicidade dos Símbolos
Luna Solis  
Na ânsia de esmero em nossas leituras, às vezes, acabamos por nos perder em elucubrações mirabolantes sobre a lâmina, esquecendo-nos daquilo que é mais básico: o contato visual com o arcano ou linguagem literal. Se examinarmos bem a figura, conseguiremos identificar aquilo que se encaixa no que desejamos saber. Cito experiências pelas quais passei, questões objetivas, de cunho prático de nosso cotidiano.
Caso 1: Vazamento
Fui responsabilizada por um suposto vazamento em meu banheiro que teria danificado apartamentos vizinhos. Como não queria fazer uma obra desnecessariamente, chamei uma empresa especializada para detecção do problema. Eles não tinham agenda proximamente e o “fantasma da obra” estava a me perseguir.
A Estrela no Tarot Besançon A Torre no Tarot de Besançon
7. Estrela e 16. Torre
Tarô de Besançon Grimaud-Arnoult, 1898
(reedição do original Lequart-Arnoult de 1748)
Relutava em consultar o tarô, pois sei que ele não tem papas na língua e iria me dizer aquilo que talvez não estivesse preparada para ouvir, mas decidi encarar a verdade e fazer a pergunta. Tirei duas cartas:
Após o veredito, senti-me aliviada, começando a me preparar psicologicamente para enfrentar minha desdita, face os arcanos que saíram. O laudo da empresa foi que existia mesmo um vazamento.
Tive que recuperar os imóveis dos vizinhos e colocar o banheiro abaixo, trocando toda a tubulação, reforma completa. Se tivesse entendido a Estrela como esperança, fé ou boa sorte, iria achar que escaparia ao meu destino.
A linguagem literal pela qual o oráculo me respondeu foi muito simples:
Estrela = água corrente = vazamento e Torre = prédio desmoronando = obra
Dependendo do baralho que estivermos utilizando, pode ser que a resposta a nossa pergunta não esteja tão óbvia em termos iconográficos. Exemplificando, refiro-me à Estrela do Pierpont-Morgan-BergamoVisconti-Sforza (1) e à Esperança (Estrela) do Cary-Yale Visconti (2), nos quais a água, elemento que é peculiar a este arcano, não está evidente, aparecendo de uma outra maneira:
(1) A figura apóia a mão sobre seu ventre volumoso, que pode-se deduzir grávido. O feto é mantido no líquido amniótico.
(2) Aos pés da figura, há uma âncora (objeto que nos remete ao mar), bem como um suposto Pendurado ou Enforcado, arcano cujo elemento é a água.
Assim, diante de iconografias veladas, podemos ler nas entrelinhas e fazermos associações com conhecimentos de outras esferas de saber. Poderíamos entender a Estrela como a constelação do Aguadeiro, relacioná-la à Vênus, deusa que nasceu da espuma do mar, etc.
Pesquisadores e estudiosos consideram o tarô de Marseille e seus afins ultrapassados, criticando as figuras toscamente desenhadas e borradas, não compreendendo que é justamente no grotesco e nas assimetrias que repousam ricas e elucidativas informações, visíveis para o olho atento.
 
 
Estrelas (1) e (2)
De forma cartesiana, atribuem o fato a falhas como imperícia do artesão, falta de tinta, moldes de madeira desgastados, etc.
Caso 2: O moedeiro
Dei falta de uma moedeira, importante para mim pelo valor afetivo. Havia saído com ela em uma manhã bem cedo. Como, ao longo do dia, troco de bolsa várias vezes, em cada uma levando apenas o que é específico para resolver o assunto ao qual se deve a saída, só dei falta dela no dia seguinte. Retornei ao local onde havia estado para ver se a encontrava, mas não tinha ficado lá. Depois de muito procurar, larguei de mão (rezando a São Longuinho, meu grande auxiliar de cada minuto, porque perco tudo, dos óculos até o sapato que estou calçando, tudo arte do gnomo que mora lá em casa).
Fiz uma tiragem com a seguinte pergunta:  “A moedeira está aqui em casa?” Retirei três cartas para: Situação, Oposição, Resultado.
   
21. O Mundo, O Louco e 1. O Mago
Tarô de Besançon Grimaud-Arnoult, 1898 (reedição do original Lequart-Arnoult de 1748)
– “Que pena! Minha moedeira caiu no Mundo e nunca mais vou vê-la.”, pensei.
Mas, o Louco na oposição pulou na minha frente e falou:
– “Sim, sim, não sou tão doido quanto pareço; a moedeira está aqui, com certeza, e dentro de alguma coisa (mandorla do Mundo).
O Mago arrematou dizendo que deveria estar em uma das bolsas. Procurei naquelas que tinha usado e neca: “Seu Mago careta, você não se cansa de me passar a perna e deve estar agora dando gargalhada, né? Lembre-se que quem ri por último ri melhor. Ademais, tenho um pacto forte com São Longuinho.”
Mais tarde lembrei-me que a bolsa que usei naquela manhã não era nenhuma das que havia inspecionado e aí, “fiat lux”: encontrei a moedeira. Mas, fiquei triste por não ter conseguido destrinchar a mensagem do Mago
– “A moedeira está dentro de uma bolsa (igualzinha a esta que está em cima de minha mesa de trabalho) e é exatamente a primeira que você usou, afinal eu sou o número 1!”
Mantendo o hábito, ele riu de mim:
– “Como é que você não entendeu o que eu estava falando? Mais claro que isso, só o sol, sua trouxa. Eu sempre respondo direitinho e não dou furo. Não tenho culpa que você esteja esclerosada e não se lembre do que fez há cinco minutos! Conselho do Mestre: Fosfosol já”.
Caso 3: A lanterna
Perdi uma excelente lanterna. Quando precisei dela, pedi socorro ao tarô novamente. Fiz uma tiragem linear, que pode ser interpretada em qualquer ordem:
   
3. A Imperatriz, 9. O Eremita e 13. A Morte
Tarô de Besançon Grimaud-Arnoult, 1898 (reedição do original Lequart-Arnoult de 1748)
– Qual lugar da casa poderia representar a vaidosa e faceira Imperatriz? Guarda-roupa!
– O Eremita deixa a lanterna dele à mostra, mas tratou de esconder a minha muito bem entre suas roupas.
O Ceifador disse:
–“Ah! Não tem nada não. Eu vou descobrir, pois tenho a capacidade de ir fundo e desvendar”.
Tradução das imagens: “A lanterna está no guarda-roupa (Imperatriz), escondida com um monte de coisas por cima (Eremita). Será encontrada, tirando tudo que a encobre (Ceifador).”
Pensando também que o Eremita é a essência, só poderia estar no fundo de algo. Interpretando a mensagem, imediatamente lembrei-me que, há mais ou menos um mês, voltando de uma reunião de cabeça quente, escondi a chave reserva do carro, como faço sempre, no fundo de uma gaveta do guarda-roupa, e “voilà!”, a lanterna estava ao lado da chave, com uma montanha de coisas por cima.
Um desafio
E, por falar em decodificação simbólica, aqui vai uma dica para quem começa a perder o bronzeado de verão e sente que corre risco de não conseguir conquistar aquele(a) gato(a) que só se interessa pelos(as) moreninhos(as):
– “Não precisa se descabelar! Madame Luna Solis tem a solução certeira para você. Siga o conselho que a sequência de arcanos está indicando e a conquista estará garantida!”
                   
20. O Julgamento, 19. O Sol, 5. O Papa e 17. A Estrela
Tarô de Marseille restaurado por Alexandre Jodorowsky e Phillippe Camoin.
Tarô, difícil? Humm, não! É só dar asas à imaginação!
PS: As trocas de opiniões a respeito poderão ser feitas no fórum: Mural - Enigma
junho.11
Contato com a autora:
Luna Solis - fadamadr21@gmail.com
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