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22 de agosto de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Leituras do Tarô: ACONSELHAMENTO
 
 
Mudanças e adaptações
Por Flávio Alberoni
 
Nota do Editor. Para compreender o princípio dos pares de arcanos que o Autor menciona nos textos a seguir, consulte Oswald Wirth: Indícios Reveladores
 
 
    Não sei onde li que passamos por muitas mudanças na vida, mas essa afirmação é falsa. São apenas adaptações de nosso modo de vida. Mudança mesmo não ocorre. Há um processo de escolha e de adaptação a essas novas escolhas. Mas a grandeza somada é a mesma que a da situação anterior ao processo.
    O que se espera da natureza humana é um processo de transformação, não uma simples mudança – isso na falta de um outro vocábulo. E também se houver coragem. Pois somos comumente covardes para enfrentar a mudança transformativa que a vida nos exige, pois nos unimos demais, somos sócios demasiados da realidade que está a nossa volta.
        Dois Arcanos em particular (do meu ponto de vista) regem o processo de transformação e são justamente os que – em muitas tradições – não têm nome ou número: O Arcano 13 ("Sem nome" ou "Morte") e o Arcano o 0 ou 22 (O Louco). O primeiro ataca o que D. Juan nos diz ser o nosso inventário, destruindo-o, e desta maneira provocando uma separação imediata entre nós e o ambiente.
    Perdemos, por uma ação direta, nosso contacto com o mundo pois os nossos apegos vão para o beleléu.
   
    O mesmo vale para o Arcano 22, mas neste caso não há um esforço imediato para se conseguir o resultado do Arcano 13. A pessoa age de uma certa maneira, na linha do menor esforço, e como resultado de uma experiência já adquirida.
    Gosto do Arcano 22 pelo seu caráter não obsessivo, que o leva a recorrer à sua bagagem (a sacola às costas) apenas quando necessário.
        Já o arcano 13 se desfez de tudo. Não há retorno. E sua associação com as ligações cármicas é profunda. Mas, não se pode esquecer que as atitudes do 13 são limitadas pelo senso de oportunidade (relação com o Arcano 10, A Roda da Fortuna), caso contrário suas ações caem no vazio.
    As somas algébricas (1 + 3 = 4 e 2 + 2 = 4) de ambos os Arcanos invadem a seara do Arcano 4, o Imperador, e com isso destroem facilmente (facilmente?) nossas rotinas.
   
    Uma dose, pode-se dizer, exagerada, de coragem é exigida para enfrentar até a si mesmo em todo o processo.
    Lembrei-me agora. Estas reflexões surgiram após a leitura de um capítulo do Osho, Psicologia do Esotérico. Se você se interessar, eu procuro por ele.
jan.07
A sombra e o caminho de superação
Por Flávio Alberoni
 
 
   "Acho super-legal o Alberoni utilizar o Tarot e visualizações para dar "toques” nas pessoas. Ajuda o consulente "ver" o que está no seu espírito e no coração encoberto pelo véu da personalidade.
   As imagens do Tarot e os símbolos parecem funcionar como "distração” para o Ego que, focado no apelo das imagens, baixa as guardas e permite que a "pessoa” consiga enxergar com clareza o que o véu (o medo, a auto-estima, o orgulho) impedia.
   Ao tomar consciência, a pessoa "se liberta” de suas limitações ou amarras; consegue vislumbrar saídas. Se vai segui-las ou não... Ah, isso já faz parte de outra etapa do processo, não é? Como no Sítio do Pica-Pau Amarelo: “Isso é uma outra história que fica para uma outra vez”.
 
 
Comentário recebido pelo Clube do Tarô
sobre os trabalhos de Flávio Alberoni.
 
 
    Uma senhora me procura através de outra pessoa. (Eu não a conheço). Sente-se frustrada em seu trabalho, mas com condições (a seu ver) de ocupar cargos de maior responsabilidade. Não conseguiu, porém, no decorrer da vida que a indicassem para cargos assim. Via de regra recebe postos subalternos.
           

Tirei três arcanos para a consulta e sairam:

-  para o eu elemental:
   8. A Justiça;

- para o eu consciente:
  13. A Morte;

- para o Eu superior:
   3. A Imperatriz.

 
    Quero mencionar primeiro o símbolo que consegui visualizar: uma mulher meio triste e um tanto frustrada, com a coluna declinada como se estivesse contemplativa, frente a um caminho estreito e meio fechado por arbustos. Não quer ir por ele, mas não há outro visível. Visível, pois só verá o outro (ou os outros) após enfrentar esse primeiro e trilhá-lo. Quando o faz - e este é o nosso exercício para ela - verá outros caminhos e o Sol vai brilhar, pois onde se encontra está escuro.
 
Se não busca
com ousadia tudo se fecha
e os caminhos se tornam obscuros
e as margens das trilhas confundem-se com a paisagem.
Se o faz sem discernimento,
sua corrida será contra uma parede,
embora o caminho límpido
esteja a sua frente e a leve bem além
de si mesma.
 
 
Se sua ação é correta,
apenas espere. O tempo
como entendemos não é somente nosso
e tem o seu ritmo próprio na vida.
 
    De acordo com os arcanos 8, 13 e 3, trata-se de uma mulher madura, de bom senso e atitude firme perante a vida (8). Passa por um momento difícil (13), no qual o resgate cármico é evidente. Sofre uma série de - a seu ver - humilhações (3), pois acha (e acha certo) que merece mais do que ao cargo que ocupa. Sumamente inteligente (3), pesquisadora (3), analítica (3) e frustrada quanto às suas metas (3 invertido). Não consegue esconder essa decepção (13), pois sua mente é boa e tem uma tendência contestatória inata, seja pela expressão ou pelo comportamento (13).
              
    A soma dos números dos dois primeiros arcanos retirados (8 + 13 = 21. O Mundo) indica uma pessoa impaciente, esfuziante, simpática e que busca sempre um lado sintético das coisas apesar da mente analítica (13 e 3). A soma dos dois arcanos finais (13 + 3 = 16. A Torre), revela que há uma certa impaciência e pouca aceitação de seu próprio destino.
    Sua sombra é obtida pela adição de 21 + 16 = 37 -> 3 + 7 = 10. A Roda da Fortuna. Esse resultado fortalece a impaciência e não a aceitação.
    O ritmo a se impor é o 16, arcano da cura (= 10 + 6). O que vale dizer: aceitação de si e do que lhe acontece.
    Nada para fazer de imediato. É uma pessoa bastante afetiva e conflituosa por excelência (6), que dissipa sua energia com conflitos e processos indecisos, o que lhe diminuem a energia e torna o seu poder pessoal enfraquecido. É ambiciosa (13 e 10), contestadora (13, 16) e esconde muito o que tem dentro de si. Busca demonstrar uma afetividade, uma simplicidade, uma meiguice que não possui de fato. Isso não a diminui, mas são suas armas para enfrentar... a vida.
    Um alternativa para ela é buscar ajuda de si mesma e até dos pretensos adversários. Nada vai conseguir sozinha e isso é uma prova para a sua auto-imagem orgulhosa e senhora de si. Um de seus grandes problemas é não ter um foco definido, uma meta (3 invertida) e, com isso, não consegue alimentar sua essência com algo direto, pragmático e sem conflitos: a natureza do 6 o impede. De imediato: esquecer suas metas (suas ambições), fazer o melhor possível do momento presente para que, quando ultrapassado o caminho aparentemente inóspito, ela consiga ver os outros.
    Em verdade, ela tem de merecer ver os outros.
    Conclusão: uma pessoa com muitos dons, mas que precisa de um grupo espiritual para drenar a energia exagerada que recolhe de sua personalidade e afeta o seu comportamento e suas metas. Sem um grupo - ou sem um exercício direto de meditação - vai ser difícil. Note que o arcano 2 (A Papisa) não aparece, pois ela nem pensa de fato, com firmeza, na ajudas possíveis. O seu mestre é bastante severo (é uma mestra) e vai fazê-la andar bem devagar. Que ela se prepare a cada passo.
    Ajuda direta: homeopatia. Outra ajuda: arte marcial. Não Yoga, arte marcial. Algo que lhe dê concentração mental, propósito, e ao mesmo tempo veicule o excesso de energia para fora a fim de não bagunçar dentro de si.
dez.06
17. A Estrela: esperança e fé
Por Flávio Alberoni
 
    O arcano 17. A Estrela é basicamente aliado à esperança e à fé. Sempre relacionei esta sensação à uma mudança de patamar. Se você tem um conflito, representado pelo arcano 6. O Enamorado, após resolvê-lo você muda de patamar.
        Lembre-se de que o 17 é oposto ao 6, quando as cartas são vistas na disposição circular.
    O conhecimento adquirido incorpora certeza sobre o assunto e isso reflete na fé. Porém, dadas as características do arcano há um aporte também de esperança, onde alguém, ou algo, pode acontecer para melhorar ainda mais o objeto em estudo ou as suas aspirações. Além do conhecimento. Além do que a mente recebeu e limitou.
   
    Veio-me um insight, num dia desses, que me satisfez muito: fazemos parte de um organismo vivo. Somos uma célula, ou um órgão, como queiram, desse organismo. E recebemos a energia que promana deste organismo. Isso é fé.
        A esperança é que de algum modo – por comunicação direta (21. O Mundo), pelo auxílio de alguém (4. O Imperador), pelas circunstâncias do destino (10. Roda da Fortuna) – este organismo nos dê, de alguma maneira, mais energia. A suficiente para conseguirmos o que desejamos de imediato.
    Quando tal comunicação é feita, tomamos consciência de nós mesmos (11. A Força) e sabemos o que podemos (18. Lua) realmente reivindicar de melhor.
   
    E o "motor" que nos leva a caminhar é o desprendimento (8. A Justiça).
    A relação do arcano 17 com o 8 (1 + 7 = 8) e deste com o oposto, ou seja, o arcano 15. O Diabo e deste, por sua vez, (1 + 5 = 6) com o 6. O Enamorado (como já vimos, oposto ao 17) é estreita e fundamental.
    A fé do arcano 12. O Pendurado, é diferente ou, pelo menos, a maneira de encarar a fé é diferente. Consiste numa ação inspirada pela aceitação total de um altar (Cristo, Buda, sua igreja, seu família) e pela certeza de que nunca irá lhe faltar.
    A ação desintegradora do 12 exige um altar. Daí o seu apostolado. Sem este altar teremos o esquizofrênico.
   
    Que os psicólogos de plantão me ajudem, por favor.
set.06
 
Arcanos 10 e 13: mudanças
Por Flávio Alberoni
 
    Observei que a energia dos arcanos funcionam não apenas como possibilidades, são ordens mesmo do Poder que nos dirige.
        Estava trabalhando sobre o arcano 10. Roda da Fortuna e o seu oposto, 13. o arcano sem nome (ou Morte). O Arcano 10 rege a disposição intrincada da energia onde há uma abertura ocasional e repentina para mudança de estado. E as mudanças – ocorreu-me – as mudanças reais, via de regra são repentinas, pois quando não o são, nossa mente cria adaptações ilusórias (olha a proximidade com o 11. A Força) que nos fazem pensar que há mudança e estas em verdade não ocorrem. Só que, para que a mudança ocorra, a modificação do ser tem de tornar-se corajosa, pois deve destruir um esquema elaborado e incorporado como rotina. Daí o Arcano 13 (oposto ao 10), forte e exigindo isso.
    Veja bem. A rotina é um processo que o Arcano 4. O Imperador (13 --> 1 + 3 = 4) incorpora bem, para proteger o Arcano 19. O Sol (19 --> 1 + 9 = 10). Pode-se considerar, que a lei (4) proteje o verdadeiro e puro cidadão (19). Só que um 4 exagerado cria rotinas exageradas que o estrangulam e impedem sua respiração.
    A mudança só ocorre com a ação exterior – 10. Se não, nada feito.     Observe o quadrado 4, 19, 10 e 13. Todos rajas, e todos dão uma soma de 10 e 4 entre si – 2 a dois. Quando o 4 é bem dirigido ele proteje e não impede a liberdade do 19. E quando este surge, muda o destino (1 + 9 = 10, ou seja, ação do destino).
   
       O outro insight que me veio é que estamos mergulhados em uma fonte de Poder e o que nos afasta desta fonte é o que D. Juan chama de tonal. Ele pode muito bem ser representado pelo arcano 4. O Imperador.
   Este 4 nos protege e nos limita ao mesmo tempo desta fonte. E a abertura tem de ser gradativa, para que o Poder não nos massacre com a sua luz.
   E também deve ser uma abertura bem programada, pois se ocorre em alguns pontos apenas, é por lá que essa energia maior entra e quebra toda a harmonia (ou pseudo harmonia, ou segurança) que o 4. O Imperador, conseguiu.
     Nossa função é não ativar um ponto determinado. É introduzir elementos para que haja uma limpeza nesse 4, maturando todo o conjunto para que que quando o 10 apareça na vida do indivíduo a oportunidade seja reconhecida. E quando reconhecida, aproveitada. Fazer mais que isso é perigoso e nunca será nossa função grupal.

    Interessante, pois, fugir dos chamados desenvolvimentos mediúnicos.
   
jul.06

Contato com o autor
Flávio Alberoni
- alberoni@uol.com.br
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