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15 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


A magia do tarô e o tarô sem magia
Angélica Lavenir
 
Desde que passei a escrever neste site ou outros locais, e a ter mail disponível em listas, percebi que um número muito grande de pessoas confunde e coloca no mesmo balaio todas as funções ou profissões ditas “alternativas” ou “esotéricas”.  Acham que as pessoas que se
Superposição de significados
Superposições
 
dedicam a essas atividades pertencem todas a um mesmo mundo, uma mesma escola de pensamento, e isso gera situações que chegam a ser esdrúxulas.  Ninguém exige que o técnico do computador saiba qual a cadeira ou os óculos mais indicados para quem vai trabalhar horas em frente ao computador, mas já recebi muitas perguntas de gente que acha que eu vou fazer um estudo numerológico do seu nome, ou que sei como fazer e desfazer “trabalhos” de magia, simplesmente porque sou taróloga.
Começo informando, então, que tarô não pressupõe magia. Por outro lado, também não pressupõe estudo ou metodologia definidos. Não existe nem irmandade nem conselho profissional nem faculdade de tarologia, taromancia ou cartomancia. Nesse mundo tão informal há, sim, tarólogos sérios, cultos e responsáveis, mas há também uma quantidade enorme de pessoas despreparadas e pouco informadas; algumas das quais, não duvido, fazem atendimento e dão cursos. E o pior é que uma pessoa despreparada muitas vezes será das mais assertivas e autoconfiantes, apresentando-se como
Dr. Sabetudo – seja por má fé ou, mais frequentemente, por mera falta de conhecimento.
Cito uma imagem da qual gosto muito, para tentar explicar o que disse: o conhecimento de uma pessoa é como um grão ou uma bolinha mergulhada no oceano de todo o conhecimento possível. À medida que a pessoa aborve mais conhecimento, essa bolinha vai crescendo – e, evidentemente, aumenta a superfície de contato dela com o que lhe é desconhecido. Assim, quanto mais sabe, mais percepção a pessoa tem da extensão do seu desconhecimento, ou de quanto existe por aprender. Por isso se diz que os verdadeiramente sábios são humildes. E inversamente, quanto menos sabe, menos noção a pessoa tem de sua ignorância – ou da ignorância de outrem.
O que torna a situação especialmente confusa para todos é que o maluco mundo atual da informação fácil junta indiscriminadamente sistemas simbólicos, mancias, religiões, práticas de cura etc., misturando-as entre si e vinculando-as ora a fantasia e modismo, ora a elementos míticos, mitológicos ou religiosos, ora a charlatanismo. Isso ocorre em várias frentes: em matérias da imprensa, em livros e filmes, em cursos e convenções de toda ordem, em centenas de sites, blogs e comunidades de redes sociais. Se para quem já estuda um desses assuntos há tempos é às vezes difícil separar o joio do trigo, imagine-se para alguém de fora. Como o interesse por essas áreas se avolumou rapidamente e tudo vem emergindo meio junto e misturado na última década, as pessoas acabam achando que tudo faz parte do mesmo movimento e “eles que são esotéricos se entendem”. Isto é, que numerólogos, xamãs, quiromantes, tarólogos, terapeutas holísticos etc. são todos membros do mesmo tipo de clube, versados basicamente nas mesmas coisas e, principalmente, têm um conhecimento que elas mesmas não têm.
 
A Roda da Fortuna no Tarot de Waite
Roda da Fortuna
Tarot Waite
Considerando tudo isso, dou duas dicas para ajudar você, consulente de tarô:
Primeira – A maioria dos tarólogos desenvolve também algum outro tipo de estudo e atendimento: astrologia, numerologia e algum tipo de terapia são os mais comuns (para não falar em ramos de feitiçaria, que também parecem ser bem frequentes). Isso acontece, creio eu, porque o tarô é um sistema multifacetado e seu estudo leva naturalmente a outros interesses. Mas isso não significa que o tarô esteja ligado necessariamente a qualquer desses outros sistemas, nem significa que todo tarólogo vai lhe ensinar simpatias ou receitar florais.
Segunda – Assim como existem professores de teatro, astrólogos e até médicos que adotam “escolas” e abordagens muito diferentes umas das outras, os tarólogos também não pensam nem agem de forma igual! Não existe um padrão. Por isso, se você sabe o que quer de uma consulta, pergunte ao tarólogo se a sua expectativa cabe no estilo de atendimento dele.
maio.11
Contato com a autora:
Angélica Lavenir - ange-l@uol.com.br
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