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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


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O vício do Alcolismo
  Emanuel J. Santos  
 
    Bem, eu estava adiando esse texto, não sei porquê. Talvez esperando os textos de Palavras de Osho e do Fer. Mas enfim, chegou a hora de Vícios, parte II: O Álcool e a Cartomancia. Sugiro que ouça a música Elephant Gun – Beirut enquanto lê o texto.
    O álcool é uma droga lícita interessante. Enquanto a cada dia que passa o cigarro é mais e mais considerado um vilão sem precedentes (ao mesmo tempo em que pululam nas prateleiras cigarros saborizados – atrativo a jovens fumantes), as pesquisas recentes apontam o consumo moderado de álcool como algo saudável e, por vezes, recomendado.
O vício do alcoolismo - ilustração de Isadora Segatto
 
O alcoolismo e o naipe de Copas
Ilustração de Isadora Segatto, feita especialmente para esse texto
 
    
    Sugiro a leitura dos seguintes textos sobre o vinho e saúde em www.miolo.com.br e veja.abril.com.br/blog/vinho, ou então jogue a tag [álcool e saúde] em qualquer site de busca. O problema é que a linha que separa o excessivo do moderado é muito tênue, e normalmente não é vista pelo maior interessado: o consumidor.
    O álcool destrói famílias. Ops, errei de propósito, e refaço a frase: o [usuário de] álcool destrói famílias. Ainda que a propensão genética para o alcoolismo seja realmente uma doença, o consumo do álcool é uma escolha. E como tal, pode ser visto como substrato para uma de nossas conversas cartomânticas.
    Mas, se o Oito de Espadas, a meu ver, representa o vício do cigarro, qual carta representaria o alcoolismo? Certamente uma carta de Copas, já que seu símbolo serve para sorver tanto a Água da Vida quanto Whisky (trocadilho infame: whisky, no original, significa Água da Vida, pois é uma água que não poderia ser contaminada – que microorganismo sobreviveria em tanto álcool?).
    Mas, entre as dez cartas numeradas, qual seria mais indicada para o diagnóstico? Pensei, logicamente, no Oito: desilusão, tristeza, melancolia, depressão... Mas esses são motivos, não causas. O Sete também poderia representar bem o alcoolismo - a escolha entre diversas possibilidades (copas).
 
Sete de Copas no Waite Tarot   Oito de Copas no Waite Tarot
Sete de Oito de Copas no tarô de Waite
 
    Mas há uma carta que, principalmente no Rider Waite, deixa clara a sensação que tinha em relação ao álcool: "mais uma dose? É claro que eu [não tenho certeza se] eu tô a fim...", já diria Cazuza vendo um Quatro de Copas.
    A Zoe de Camaris escreveu sobre o Quatro de Copas em seu blog, relacionando o Quatro com o tédio – uma possibilidade claramente representada na postura do personagem desenhado por Lady Smith. Mas, ao debruçar-se sobre a representação de Lady Harris para o Thoth Tarot, comenta a tradução de seu nome, Luxury, como luxúria, exuberância, excesso de prazeres. Vale lembrar que a tradução correta do termo inglês, Luxury é luxo, fausto.
    A Nelise Vieira, no Tarot Door, fala sobre a Conjectura, o Quatro de Copas do Kier: "A percepção, e a construção de uma visão explicativa dos acontecimentos, ajudam a organizar a ação. E para isto nada como a meditação e o isolamento, para trazer um discernimento maior.
    "Este arcano fala que você estava muito envolvido com situações no seu ambiente que estavam te intimidando, e criando problemas. Você conseguiu se isolar, e com isto libertar-se de emoções que estavam lhe impedindo a enxergar melhor sua vida e encontrar a solução para seus problemas. Então começa a analisar com uma certa distância. Como estão suas relações? Existem pessoas convivendo com você que estão muito conturbadas? Tente separar quais são seus quais são dos outros?"
    
Quatro de Copas no Waite Tarot   O Quatro de Copas no Thoth Tarot de Crowley   O Quatro de Copas no Tarot Egipcio Kier  
 
Quatro de Copas nos tarôs (da direita para a esquerda) Waite, Crowley, Kier e Osho
 
    Muito semelhante ao Osho Zen Tarot: A carta “Voltando para dentro” representa uma mulher, feliz, que não se deixa abater pelo seu derredor. O vê, mas não se envolve. Reconhece-o, mas dele não participa. Vive sua vida, do seu jeito.
    Há alguns outros possíveis significados no Shvoong e, claro, no Clube do Tarô sobre Copas
    O alcoolismo, ao meu ver, relaciona-se com o tédio. O beber torna-se um escape, levemente aceitável, de situações e agruras que vêm atormentando a pessoa, seja o consulente ou quem quer que esteja sendo influenciado por sua ação. Imagine alguma situação que envolva um vexame alcoólico – todos nós temos alguma história dessas para contar. Agora leia a compilação do Constantino: “Cansaço, desgosto, aversão, vexames imaginários. Presentes são oferecidos ao perdulário, mas não lhe trazem consolo. Novidade, novas referências, novas relações.”
    Parece familiar?
    Resumindo as possibilidades que os diversos baralhos oferecem, o reconhecimento do alcoolismo ou da tendência ao mesmo pode ser trabalhado pelo reconhecimento dos seus riscos. Porque dizer “ah, mas é só um copinho, só um golinho…” não funciona. Muito menos sentir (auto) complacência ou (auto) piedade. O reconhecimento do ambiente e dos seus problemas nos traz muito mais possibilidades de enfrentar esse vício, do que sentir qualquer tipo de sentimento por ele – muitas vezes, a carência também serve de incentivo ao consumo do álcool. Não consigo ver o Tarot como um instrumento que sentirá pena ou apontará o dedo para a situação de alguém – pois isso decorre da interpretação de cada cartomante à luz de sua experiência. Contudo, como diagnóstico, sugere possibilidades do próprio consulente enfrentar seus medos, expectativas e ilusões. E sugere a troca do vinho pelo suco de uva, da cerveja por sua contraparte sem álcool, da dos destilados pela água saborizada… da inconsciência vexatória pela consciência dos próprios limites. Para superá-los, claro.
novembro.09
Contato com o autor:
Emanuel J. Santos - http://conversascartomanticas.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
 
Para ler os outros textos de Emanuel J. Santos sobre os Vícios e a Cartomancia clique os links abaixo:
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