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22 de julho de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


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Os Vícios e a Cartomancia: A dependência química

  Emanuel J. Santos  
 
    Ao contrário dos dois posts anteriores, sobre o cigarro e sobre o alcoolismo, este é mais de uma busca por respostas que um encontro de possibilidades. Eu pude refletir com calma sobre o cigarro, porque já fumei com certa regularidade; embora não entenda a intensidade envolvida no vício de muitos anos, posso conceber numa oitava menor suas conseqüências. Da mesma forma, posso não ter vivenciado o alcoolismo, mas como qualquer pessoa, tive a
oportunidade (e certamente não a perdi) de dar vexame devido ao excesso de álcool. Me ative às minhas experiências e, relacionando-as às experiências de outrem, pude estabalecer ligação com a Cartomancia, buscando imagens e significados que se correlacionassem com minha visão do tema. Certamente outros cartomantes teriam outras possíveis variações sobre o mesmo tema.
    Mas em relação à dependência química, tive um pouco mais de dificuldade de falar, por não ter a vivência do tema. Seria hipocrisia de minha parte afirmar que não conheço usuários; mas ao mesmo tempo, mais hipócrita seria falar de algo que não experienciei nesse corpo, nessa vida.
    O que me aproximou do tema foi a experiência do Fábio Assunção, que deu uma entrevista ao Fantástico, reproduzida no site Famosidades e que me emocionou um bocado: www./entretenimento.br.msn.com/famosidades. Não pela vivência do ator – diversas pessoas se encontram após uma fase trágica de dependência química e, principalmente em igrejas de devoção em massa, partilham sua experiência em falas emocionadas e envolventes.
 
O ator Fábio Assunção
O ator Fábio Assunção falou
sobre o problema com droga
ao "Fantástico" (13.set.09)
 
    Isso não era novidade para mim. O que me tocou, especialmente nesse caso, foram os dez segundos de silêncio com os quais o ator iniciou sua fala. Silêncio significativo, de quem não sabe como começar, de quem não sabe como abordar um tema que motiva julgamentos e críticas, sobretudo pelo fato de ele estar na mídia. E estável – Fábio Assunção não é um nome de verão, que aparece e some.
    Em suas próprias palavras: "Eu acho bom falar sobre isso. Eu nunca falei sobre isso. Não porque eu tenha nada pra esconder, mas é que isso foi uma coisa tão íntima. Eu me tornei dependente químico. E isso foi uma coisa que... É muito difícil você administrar dependência química com qualquer coisa que você faça na vida", afirmou.     
    Essa fala é significativa. Lembra novamente o Oito de Espadas, por ser constritivo. Mas passa também pela questão da imagem pessoal, já que é muito mais julgado o dependente químico que o fumante inveterado (que não deixa de ser dependente químico também).
    Outra coisa que ficou clara para mim em sua fala é a vergonha, a expectativa por um mau julgamento. "Sentia medo de se julgado, de ser criticado, de até ser visto como uma referência negativa. Eu acho que esses medos todos fazem com que você só aumente o seu problema. Eu acho que ano passado o que aconteceu, de certa forma, foi maravilhoso, porque quando eu tive a minha doença exposta eu pude ficar livre. Eu falei: 'bom, agora que todo mundo sabe, eu vou assumir isso então'. Eu tirei um peso das costas", disse.
    
O Diabo no Phoenix Tarot by Paola Angelotti   A Torre no Phoenix Tarot by Paola Angelotti   O Julgamento no Phoenix Tarot by Paola Angelotti   O Cinco de Paus no Phoenix Tarot by Paola Angelotti
O Diabo, a Torre, o Julgamento e o Cinco de Paus
www.78tarots.com - Phoenix Tarot by Paola Angelotti
 
    
    Até aqui, dá para perceber bem a influência de Arcanos Maiores, sobretudo a Torre, em seu aspecto revelador e libertador, e o Julgamento (Æon). Há também um quê de Ajustamento, muito sutil. O fato de serem cartas ígneas nos dois primeiros casos apontaria para a busca de sua significadora no naipe de Paus. A presença de uma carta de Ar nos aponta para a possibilidade de encontrarmos essa significadora em Espadas. Mas continuemos analisando a fala de Fábio Assunção: "Eu acho que o espírito da gente não está muito interessado se você tem tudo, ou se você não tem tudo, se você faz sucesso. Eu fui, sei lá, eu fui brincar com uma coisa que eu não tinha dimensão de o quanto perigosa ela é. Porque eu acho que a gente tem um lado às vezes que é autodestrutivo, entendeu? Eu me coloquei em risco várias vezes, risco de saúde, risco de vida, risco de ter problemas legais". Grifo meu. Ponto para a Torre, de novo. Com um toque de Diabo.
    Mesmo com o tratamento finalizado, Assunção não se sente curado e livre do vício. "Não! De jeito nenhum, de jeito nenhum e não quero me sentir. Porque eu acho que esse lado, esse lado da doença eu não posso fingir que isso não existe, esse diabinho, eu não posso achar que ele não existe, eu tenho que ter o respeito por ele. Mas assim eu estou encantado de como a recuperação é uma coisa genial. Eu hoje poder marcar os meus compromissos e eu estar lá, isso me da uma sensação de vitória. Pô, eu tô conseguindo!", comemorou.
    Diabo? Você está aí?
     Perceba que eu usei os Arcanos Maiores em toda a análise. Contudo, o uso de drogas ainda está na esfera da escolha, pertencente aos Arcanos Menores, antes de tornar-se um
 
O Dez de Paus no Tarô Mitológico
Dez de Paus
Tarô Mitológico
  problema crônico. Seguindo com as possibilidades que percebi dos Arcanos Maiores relacionados, a presença de Fogo em excesso me remeteria ao naipe de Paus. Seria esse vício relacionado com o Cinco de Paus? A relação entre o planeta Saturno e o signo de Leão me sugere a tensão entre a individualidade e algo mais forte, que nos desafia, mas não nos vence. Nos enfrenta. E a relação crônico = Chronos = Saturno também me oferece essa ligação.
    Se bem que, pensando um pouquinho, poderíamos creditar o vício também ao Dez de Paus. Saturno mantém o problema como algo crônico, como é de sua natureza. Contudo, Sagitário nos lança a uma outra possibilidade: se Leão, por essa abordagem, representaria a individualidade, Sagitário representaria talvez os planejamentos de longo prazo, ou mesmo o reconhecimento, por um outro patamar, de que a droga não é tão maravilhosa quanto nas projeções feitas sobre ela num primeiro momento. A primeira imagem que me vem quando penso nisso é o Dez de Paus como idealizado para o Tarot
Mitológico: Jasão encontra-se oprimido por suas próprias realizações. Ou seria por suas próprias escolhas?
     Mas essas são apenas sugestões, como disse no início. Como você veria o mesmo tema? E, mais que isso, você considera plausível reconhecer tais temas em um diagnóstico cartomântico? Já vivenciou esse aspecto em sua vida, ou em suas cartas?
novembro.09
Contato com o autor:
Emanuel J. Santos - http://conversascartomanticas.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
 
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