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15 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Tarô na literatura: Etteilla em livro de Alexandre Dumas
Vanessa Mazza
Li recentemente o livro A mulher da gargantilha de veludo e outras histórias de terror, de Alexandre Dumas, numa edição comentada e ilustrada, da editora Zahar.
A mulher da gargantilha de veludo - Alexandre Dumas - 1001 Fanasmas - Etteilla
 
Esta foi a primeira obra deste autor que realmente li, pois, apesar de conhecer muito suas histórias, que foram adaptadas à exaustão no teatro, cinema e televisão, não conhecia o estilo literário dele.
Felizmente gostei bastante e recomendo este livro que, mesmo não sendo conhecido, traz histórias intrigantes. E, qual não foi minha surpresa ao me deparar com o nosso famoso amigo Etteilla numa das páginas do livro? Aliás, muitas páginas, pois compõe os contos de 1001 Fantasmas como personagem e narrador.
Esta obra começa com os contos 1001 Fantasmas, que se trata de um jantar no qual cada convidado (incluindo o próprio Dumas) expõe uma história de suspense, mistério ou terror. Etteilla conta uma das últimas histórias, chamada O Bracelete de Fios de Cabelo, à página 139. Nela, narrada em primeira pessoa, há uma cena interessante num cemitério, no qual a figura da Morte (dança macabra) surge pintada em um muro e aponta com o dedo o local certo de uma sepultura.
Antes de entrar nos detalhes, porém, para quem não está a par, Etteilla foi um famoso cartomante no século XVIII, cujo nome verdadeiro era Jean-Baptiste Alliette. Seu pseudônimo é, portanto, um anagrama de seu sobrenome. Existe, inclusive, um baralho com seu nome, que acompanha um livro da Editora Madras.
Para saber mais sobre a história de Etteilla, basta acessar o artigo de autoria James W. Revak traduzido por de Alexsander Lepletier : “O primeiro tarólogo profissional
De volta ao livro, Alexandre Dumas descreve Etteilla (páginas 43 e 54) de forma não muito elogiosa, afirmando que ele veste roupas encardidas, empoeiradas, rotas, manchadas e fora de moda, além de ter uma aparência de homem pequeno e roliço, atarracado, com cara de esfinge, roufenho, com boca ampla e desdentada. Seus cabelos são ralos, compridos e amarelados. No momento da história ele conta com setenta e poucos anos, mas afirma que possui 275.
Os outros personagens manifestam um olhar de desconfiança e sabem que ele mexe com “cartas e números”, que seus assuntos favoritos sãos os “tarôs, baralhos, sortilégios, ciências egípcias de Thoth”.  Comentam ainda também que ele tem o costume de jogar na loteria e que escreve pequenas brochuras “quem ninguém lê”.
O interessante é que Alliette viveu de 1738 a 1791, morrendo aos 53 anos. Não poderia ter, portanto, nem os setenta e poucos que os personagens davam a ele, nem os mais de duzentos que ele mesmo se intitulava. Mais ainda, Dumas se coloca como personagem dentro da história, como se ele tivesse sido testemunha ocular, aos vinte anos. Porém, o autor nasceu em 1802, ou seja, 11 anos após a morte de Etteilla. Nosso tarólogo teria que ter quase 90 anos para que pudéssemos levar o relato de Dumas como verídico ou coerente.
 
Etteilla
Etteilla, o primeiro tarólogo profissional
Retrato presumido do celélebre Etteilla
in www.taroflexions.wordpress.com
 
Esse quadro todo mostra que a fama de Alliette sobreviveu pelas décadas seguintes, como figura pitoresca da cidade, a ponto do autor francês inclui-lo em suas criações, mesmo que de forma não muito amigável.
Contato com a autora:
Vanessa Mazza, consultora de tarot
e estudiosa do I Ching, Feng Shui e Numerologia
www.vanessamazza.com.br

Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 2/05/2015
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