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19 de setembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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Aplicações e técnicas de tiragens
Um desafio para iniciantes e praticantes
Constantino K. Riemma
 

Perguntas e respostas. Trocas de experiências sobre o sorteio e leitura das cartas. Avaliações de diferentes técnicas. Sugestões para trabalhar as dificuldades iniciais.

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"A ou B?"

Flávio - 23/12/2011 09:05:36
Tenho uma dúvida: Qual seria um método de leitura adequado para analisarmos uma questão na qual o consulente tenha dúvida de qual situação ou opção é a melhor? Por exemplo: o consulente está em dúvida em comprar coisa A ou coisa B. Qual o método que poderia esclarecer os prós e contras de cada um ao final dar um conselho? Existe alguma técnica desse tipo?

A tendência habitual dos consulentes é pedir por respostas claras, "sim ou não", "A ou B".  Os símbolos, porém, são abertos e comportam muitos significados, pois caso contrário não seriam símbolos e, sim, sinais convencionais como os de trânsito, que só podem indicar uma direção.

Desse modo, os cartomantes que utilizam as cartas para respostas fechadas, sim ou não, A ou B, correm riscos de equívocos caso não façam tiragens que avaliem o melhor possível as alternativas e que nem sempre são excludentes. Daí, a importância da sua questão.

Acredito, no entanto, que as técnicas de tiragem, enquanto técnicas, por melhor que sejam não dão conta de respostas absolutas. A qualidade do aconselhamento para escolha das alternativas com as quais o cliente se depara, depende menos da técnica utilizada e, mais, da experiência do consultor, de seus dons de aconselhamento, de seu conhecimento psicológico para oferecer subsídios aos que se encontram em crise de indecisão. Muitas vezes, a elucidação das forças que atuam numa situação de vida ajuda mais as pessoas a fazerem as escolhas adequadas do que cenários esquemáticos de previsão.

Essas considerações, porém, não diminuem a importância de estarmos atento às técnicas de tiragens. Veja, como sugestão o tópico "O jogo das escolhas e decisões" na seção APLICAÇÃO DAS CARTAS / Métodos de tiragens / Técnicas simples. Ou clique no seguinte endereço: http://www.clubedotaro.com.br/site/p52_2_simples.asp#escolha

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"Sim ou Não?"

Alina - 19/08/2010 13:02:15
"Tenho dúvidas quanto às respostas “sim x não” através do tarô. Por exemplo, se pergunto se vou casar este ano, como saber se a resposta é positiva? Existem cartas que respondem como sim e outras que respondem como não, no caso de perguntas fechadas? Ou não se deve fazer perguntas fechadas ao tarô?"

Repito para você o que já comentei anteriormente para a Sueli (16/11/2009). As cartas, como acontece com os símbolos em geral não podem ser reduzidas a um "sim" ou "não". Por exemplo, cada signo astrológico tem seu lado luminoso e os seus desafios: nenhum deles pode ser tomado unicamente como positivo ou negativo. São qualidades que têm seu lugar no céu.

Gosto de lembrar que para escolher entre o "sim e o não", "preto ou branco", "direita ou esquerda", "norte ou sul" o melhor é utilizar a "cara ou coroa" das moedas, pois aí não existem dúvidas. As moedas são usadas não apenas para escolher o lado do campo no futebol, mas também, no caso do I Ching, para sorteio das respostas.

Falando de um modo geral, cada carta do tarô é sempre afirmativa, pois descreve uma determinada qualidade, uma certa dinâmica, que está além do sim ou do não. É por essa razão que para realizar previsões com as cartas torna-se muito importante a escolha da técnicas de tiragem, definir com clareza a função que cada carta terá na tiragem.

Também é bom lembrar que muitas vezes, mais proveitoso que perguntar um "sim ou não" é compreender bem o sentido do acontecimento e o caminho mais adequado para fazer face a ele. Quando apenas nos restringimos ao "sim ou não" corremos o risco de relaxar a atitude e abrir brechas para a adversidade. Vou ter uma boa colheita? Se a resposta for sim e por isso eu relaxar com as obrigações e não plantar as sementes, o resultado será o inverso do inicialmente previsto.

Minha sugestão é que você pratique os prognósticos com tiragens de pelo menos três cartas. Gosto de utilizar o modelo Kairallah. Essas duas técnicas são acessadas pelo Menu do site "Clube do Tarô" em: APLICAÇÕES / Técnicas & Tiragens / Técnicas simples. Ou clique o sobre o seguinte endereço:
http://www.clubedotaro.com.br/site/p52_2_simples.asp

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Previsões contraditórias

Angela Ribas - Cananéia (SP) 20/7/2010 21:34:49
"Há 20 anos atrás uma tarologa previu o que aconteceria com a minha vida amorosa nos dias de hoje. Não tenho mais contato com ela e passei a ler o taro com outra pessoa que num primeiro jogo confirmou as previsões feitas há 20 anos. Mas, agora, desconfirmou essas previsões. Isso pode acontecer no taro?"

Do modo como entendo sua questão, diria que a questão central não está no tarô: as cartas não são responsáveis pelo modo como são usadas ou por por aquilo que é dito em seu nome. O ponto sensível está na maneira como as diferentes pessoas as utilizam.

Se você consultar adivinhos, eles farão a leitura das cartas com esse propósito, que no mais das vezes consiste em captar a mecanicidade da pessoa, ou seja, os trilhos em que ela se encontra presa, e ver no que isso tudo vai dar. Se as circunstâncias permanecem inalteradas, o cartomante pode acertar tudo. Se ocorre alguma interferência exterior e a mecanicidade é alterada, seja por alguma ajuda para encontrar desvios dos problemas, seja por algum acidente que dificultará os ganhos desejados, esse cartomante certamente errará suas previsões.

Existem aqueles que utilizam o tarô de maneira oposta. Até podem recorrer aos prognósticos, à compreensão das tendências, mas enfatizam o caminho de correção das dificuldades e a busca de alternativas. Nesse caso, o tarólogo desempenha um papel de orientador ou de terapeuta (quando tem qualificação profissional para isso) e pode ajudar a pessoa a lidar com a mecanicidade de sua vida, com as repetições dolorosas, e a administrar de modo mais construtivo os seus desafios existenciais.

Visto de um certo ângulo, foi sorte sua que as previsões de há 25 anos não se realizaram, especialmente se eram nefastas. Agora, se eram benéficas e a adivinhação serviu apenas para você confiar cegamente, se despreocupar e deixar de lado os cuidados necessários para o bom andamento das coisas, é uma pena. Essa é a razão para que tradicionalmente existissem reservas à adivinhação: elas tendem a acomodar as pessoas aos vaticínios e não trazem à luz o que precisamos ou poderíamos trabalhar em nós mesmos e nas circunstâncias em que nos encontramos.

Uma coisa é aceitar passivamente a tendência dos acontecimentos. Outra coisa é buscar ajuda para lidar de modo efetivo com os desafios e realizar o trabalho necessário para o bom encaminhamento de nossas vidas.

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Diferentes respostas dos tarólogos

Luciana - SP, 5/3/2010 23:11:27
"Por favor, gostaria de saber por que dois oraculistas, uma especialista em baralho cigano, numerologia e runas e, outro em Tarot Egipício e Tarot Zen, fazem previsões diferentes para a mesma questão feita pelo consulente ?"

Ótimo, você constatou a realidade. E nada indica que deveríamos esperar uma situação diferente dessa que você descreve.

Veja o caso dos texto Sagrados, por exemplo a Bíblia. Mesmo contendo mensagens reveladas por santos e sábios, vemos que cada grupo interpreta as palavras de um jeito. Até mesmo no âmbito da medicina, em que os profissionais passam anos estudando tempo integral a saúde humana, encontramos inúmeras divergências nos diagnósticos dos profissionais.

Se é assim que as coisas acontecem nos sistemas organizados de conhecimento, o que poderíamos então imaginar que deveria acontecer o tarô, se não as mais contraditórias interpretações? Não existe uma universidade de Tarô e, além disso, cada pequeno grupo utiliza diferentes baralhos, muitos deles reduzidos, alterados e até adulterados, cada um a seu modo, com as mais diferentes intenções. 

Ao criar o site Clube do Tarô o propósito foi o de ajudar as pessoas a se situarem o melhor possível, de forma séria e fundamentada, com essa linguagem simbólica. Se você tiver questões específicas, volte a me contatar ou recorrer aos tarólogos que respondem nos outros fóruns do site.

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Misturar os arcanos. As rainhas.

Elizana - 4/12/2009 18:53:37
Olá, eu uso o tarô de marselha, quando consulto, utilizo os arcanos maiores e menores juntos eu os embaralho, tiro as cartas e faço a leitura. Está correto usar os 2 tipos de arcanos misturados? E o significado de grupos de cartas de igual valor, é correto? Exemplo: quando sai 3 cartas de rei, segundo uma interpretação significa triunfo nos negócios! 

Elizana, as regras são definidas por quem comanda a tiragem, tal como acontece com os jogos recreativos. Quem joga buraco, segue as regras inventadas para o buraco; quem joga poquer utiliza as regras criadas para o poquer e assim por diante. Em outras palavras, é você quem deve escolher se vai usar apenas os 22 arcanos maiores ou as 56 cartas dos menores ou apenas as 52 cartas do baralho comum ou as 78 cartas juntas. Veja o que escrevi, mais abaixo, para o José Edson.

Os significados das cartas de igual valor vão depender da técnica utilizada, das funções que o tarólogo ou cartomante previamente definiu para cada carta tirada. Por exemplo, se você quiser estudar as causas pelas quais um empreendimento faliu e saem 3 reis você não poderá dizer que o negócio triunfou. Nesse caso, devemos estudar o lado negativo desses arcanos para entender os fatores adversos que levaram o negócio à falência.

Uma vez fiz uma consulta em que saíram as quatro Rainhas. Pedi então para outros tarólogos comentarem a tiragem e montamos um painel com os vários pantos e vista, numa demonstração do modo aberto como as cartas podem ser interpretadas. Uma vez fiz uma consulta em que saíram as quatro Rainhas. Pedi então para outros tarólogos comentarem a tiragem e montamos um painel com os vários pantos e vista, numa demonstração do modo aberto como as cartas podem ser interpretadas.

Veja o painel, "O que as Rainhas indicam": http://www.clubedotaro.com.br/site/p55_0rainhas.asp

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Magia e o Valete de PAUS

Cristiano Ferreira - Uberaba (MG) - 3/12/2009
Olá, Constantino, venho novamente pedir seu auxilio para o esclarecimento de mais uma, dentre as muitas duvidas que se apresentam aos cartomantes. A questão é a seguinte: quando se utiliza o tarô ou o baralho cigano, facilmente se detecta a influência de magia, se essa é a pergunta do consulente, geralmente pelas cartas, a Lua no tarô e o Chicote no baralho cigano. No caso do cartomante utilizar para sua leitura o baralho comum, qual seria o melhor naipe e a melhor carta para detectar a influência em questão? E abusando um pouco mais da sua boa vontade, quero lhe perguntar se você não tem famosa técnica de tiragem da Mesa Real, aquela em que se expõem as trinta seis cartas do baralho cigano todas de uma só vez?

Um primeiro ponto de vista que gostaria de deixar claro é o de que cada carta deve possuir um simbolismo central, original, que independe da forma como ela passou a ser desenhada no correr dos séculos. Se não for assim, ficará impossível estabelecer qualquer relação direta entre elas e já não estaremos falando de um mesmo sistema simbólico. Veja o exemplo abaixo de uma série de Valete de Paus que vai de 1450 até o presente.


  O Valete de Paus, da esquerda para a direita, no (1) Visconti-Sforza, (2) Jean Noblet, (3) Lenormand,
  (4) Petit Lenormand ou Cigano e cartas para jogos recreativos ou de azar nos séculos XIX (5) e XX (6).

Se a Lenormand afunilou o sentido do Valete de Paus para simbolizar o "Chicote" isso não quer dizer que essa carta do chamado "Tarô Cigano" só represente disputas e brigas. Podemos admitir que os lados sombrio e luminoso do Valete de Paus vão muito além. Do mesmo modo, um assunto complexo como o desequilíbrio psicológico não pode ser traduzido por apenas uma carta do baralho comum (ou arcanos menores). Como você mesmo indicou, outras cartas, entre elas as dos arcanos maiores, como é o caso da Lua, podem também representar diferentes aspectos das questões psíquicas e ocultas que nos cercam.

Assim sendo, para um determinado assunto, podemos entender que cada um dos quatro naipes fala de cada um dos ângulos fundamentais de um assunto. Veja o Menu do CT: ARCANOS MENORES / Os Quatro Naipes (http://www.clubedotaro.com.br/site/n43_3_quatro_naipes.asp)

Se não era bem isso o que você queria comentar, me avise.

Quanto à Tiragem da Mesa Real, não conheço. Se você descobrir as instruções, avise para repassarmos aos interessados.

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Utilização de parte apenas das cartas

José Edson - S. Vicente Férrer (PE) - 1/12/2009
Olá Constantino, como vai? Gostaria de esclarecer uma dúvida: é correto usar um baralho comum, em conjunto com os arcanos maiores do Tarô? Esta questão em particular esta me inquietando bastante, visto que possuo um baralho Tarô personalizado e, por esta razão não tenho os arcanos menores. Aguardo ansioso pela sua resposta. Também vale lembrar que sou um iniciante nas práticas exotéricas que tanto me fascinam e os conselhos de alguém experiente com você seriam de grande auxílio.

No Tarô, as regras são sempre muito relativas e não podemos ficar presos a normas absolutas.
No caso que você pergunta, posso simplesmente responder: sim, é correto utilizar o baralho comum em conjunto com os arcanos maiores. Na verdade, o que chamamos de "tarô" é o conjunto de 78 cartas, sendo 22 "arcanos maiores" com 56 (ou 52) chamadas "baralho" ou "arcanos menores".
 
Dado o fato de que, repito, não existem regras absolutas, cada um pode utilizar o jogo como bem entender:
a. o baralho inteiro com 78 cartas;
b. só os 22 "trunfos" ou "arcanos maiores";
c. só os 56 "arcanos menores" ou "baralho" ou "cartas de jogar";
d. só as 52 cartas do "baralho comum" (sem as 4 Rainhas);
e. 36 cartas do baralho comum (sem as Rainhas e as numeradas de 2 a 6), conjunto reduzido muitas vezes designado por "Lenormand", "Baralho Cigano".
f.  42 cartas: os 22 arcanos maiores e 20 arcanos menores (os 4 ases + as 16 cartas da corte).

São diferentes arranjos que ficam à escolha do praticante. Tudo depende do propósito de cada um e das afinidades por uma ou outra das diferentes linhas de utilização das cartas.

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Lançamento em cruz Péladan-Wirth 

Pergunta de Rui Óscar - Portugal (6/9/2009)
"Comecei recentemente a tentar ser um autodidacta do Tarô. Todos os dias de manhã faço um lançamento em cruz Péladan/Wirth, para ver como vai ser o meu dia. Mas, como todos os aprendizes tenho as minhas dificuldades.
A questão é: como devem ser lidas (o que significam) as 4 cartas, uma vez que a tiragem é para saber como vai ser o aquele dia? Já acedi à vossa rubrica de técnicas de tiragens simples e percebi que segundo Péladan/Wirth, a 1ª é o que está a favor; a 2ª o que está contra, etc. etc. Mas, fico sem saber se isto também é assim quando a tiragem tem a finalidade acima mencionada."

Essa questão, de fato, é muito desafiadora para quem se inicia na prática com as cartas. Poderemos, no entanto, receber uma ajuda se nos situarmos de modo adequado diante de dois pontos distintos.
Em primeiro lugar, sim, é de fundamental importância nos colocarmos como aprendizes dos significados dos arcanos, cientes de que temos um caminho infindável para aprofundar os conhecimentos simbólicos. Um tanto de humildade e a disposição de aprender com quem tem maior experiência vem a calhar.

Por outro lado, não é desse modo que devemos nos colocar diante das técnicas de tiragens. Se olharmos para elas como dogmas, que não podem ser alterados, nosso aprendizado ficará prejudicado, engessado. É mais estimulador considerarmos as técnicas como sugestões e fazermos as adaptações adequadas para cada assunto que quisermos examinar. No seu caso, por exemplo, minha sugestão é a de que você considere a tiragem de 5 cartas, inspiradas no modelo Péladan, como uma simples referência que deverá ser melhor adaptada ao seu caso. Não fique prisioneiro das funções ou propósitos que alguém atribuiu a cada posição, pois foi uma simples convenção que ele adotou e praticou. Ótimo, é assim mesmo. E isso vale para todos os demais praticantes. Cada um convenciona, antes de virar cada carta, a função elucidativa que espera obter.

Quando você fizer um lançamento para o seu dia, poderá delimitar uma área em particular que pretende elucidar: o trabalho formal ou as relações profissionais, o período de lazer, as relações de amizade, e assim por diante. Do mesmo modo que não existe regras fixas para dizer quais assuntos examinar, você igualmente não precisará se ater a regras fixas quanto a função de cada carta na tiragem.

Você poderá considerar as cartas 1 e 2, por exemplo, como eu (1) e o outro (2). Mas qual outro? Seguramente, tanto poderá se referir aos outros em geral ou alguém em particular. Você é quem decidirá: se seu chefe no trabalho, ou sua companheira, ou algum amigo, e assim por diante. Quem realiza a tiragem é que define. Quanto mais clara for a questão, mais clara será a função atribuída à carta e, consequentemente, mais elucidativa será a resposta.

Tente nessa direção e dentro de algumas semanas conte o que aconteceu, quais as novas questões decorrentes da experiência.

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Como aprender

Pergunta de Celina Arantes - SP (26/8/2009)
"Também quebro a cabeça com os métodos de deitar as cartas. Gostaria de conhecer o melhor caminho para aprender"

Constantino (26/08/09):
O fundamental da técnica de tiragem é deixar claro o que se quer saber com cada uma das cartas sorteadas. Se desejo deixar claro o lado positivo de um empreendimento, tiro uma carta para refletir sobre esse ponto. Se também estou interessando em conhecer os riscos, posso tirar uma outra carta para esse aspecto. Se desejo um conselho quanto a melhor atitude diante desse empreendimento, tiro uma carta para me orientar quanto a isso.

Visto desse modo, está resolvido o problema da técnica de tiragem. O essencial é muito simples: basta definir a função da carta. Essa definição não é mágica nem complicada. Pelo contrário, é muito natural e direta; basta simplesmente buscar uma resposta para o que estou desejando esclarecimento. Já as técnicas formalizadas e ritualizadas, elaboradas por terceiros, pode estar muitas vezes repletas de ângulos que não fazem parte do meu objetivo específico; são portanto inadequadas, por maior que seja a badalação em torno dela.

[Ilustração ao lado: cartas do Tarot Waite]

O iniciante que conseguir se descomplicar com a técnica de tiragem, logo verá que a dificuldade básica é a de aplicar o significado da carta ao ponto específico para o qual ela foi sorteada. O desafio verdadeiro é o de como aplicar, como traduzir o sentido da carta para um assunto concreto. Como aprender a ler.

Um caminho que sugiro e que tem sido útil para muitos iniciantes é tirar uma carta para ver como será o seu dia. No final do período tente comparar a carta com os fatos vividos na realidade. Se você praticar esse exercício por alguma semanas, ganhará experiência e confiança para fazer outras leituras, coisas que a técnica de tiragem em si não pode oferecer. Com o tempo, você ficará à vontade para  sortear mais de uma carta para o dia. Por exemplo, uma carta para falar do ambiente de trabalho profissional, outra para indicar como serão as coisas do ponto de vista emocional, uma terceira para entender o significado do acontecimento mais marcante do dia. Enfim, o assunto, a função da carta, é você quem decide.

Se o iniciante, para tentar estudar o sentido das cartas na sua vida diária, utilizar técnicas muito elaboradas só complicará as coisas. Para quem quer aplicar o tarô, precisa primeiro estudar o simbolismo das cartas e, em segundo lugar, definir por conta própria quais aspectos lhe interessam. E para definir o que desejamos saber não dependemos de qualquer técnica pronta.

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Cruz Celta - pontos de vista sobre a técnica

Um alô de Rogério Novo, tarólogo de Belo Horizonte (20/04/09):
"Gostaria de trocar alguma idéias sobre um trabalho que estou preparando sobre o método da Cruz Celta".

Constantino (20/04/09):
Ficarei na torcida para você concluir esse trabalho e colocar para divulgação no site Clube do Tarô. Lá, temos uma descrição muito sucinta da tiragem “Cruz Celta”:
       http://www.clubedotaro.com.br/site/p52_3_elaboradas.asp#celta
e um texto mais elaborado do Jaime E. Canne, um tarólogo do RS:
       http://www.clubedotaro.com.br/site/p52_3celtica_jaime.asp

Acredito que outros ângulos de aprofundamento, como o que você pesquisa, serão muito bem-vindos.

Espero que você não me considere inoportuno, mas tenho uma sugestão: tente definir seus próprios critérios para a leitura e não fique amarrado em referências abstratas ou difíceis de compreender. Professo, como princípio válido para as técnicas de tiragens, que os jogadores é que definem as regras. Essa afirmação tem um apoio histórico que acompanha o advento das cartas de jogar. Os jogadores de baralho convencionam uma regra que, se for aceita pelos interessados, será seguida sem maiores complicações.

Para permanecer, no âmbito dos jogos recreativos, por exemplo, aprendi já na infância a jogar “Buraco” com os meus familiares e vi que muitos detalhes das regras foram variando de lugar para lugar, mudando até de nome “Canastra”, “Tranca”. Qual é o mais evoluído, o melhor? Essa questão talvez não seja pertinente, pois são simples variações do jogo e se equivalem. O importante é que os jogadores, quando variarem livremente as regras para renovar o interesse, deixem bem claro quais são essas novas regras. E pronto! Sem maiores problemas, pois o interesse do jogo está no seu desenrolar sempre imprevisível e não nas regras fixadas.

É claro que existem diferentes níveis de exigências: se for um grupo mais esnobe, não jogará “Buraco” mas “Bridge”. Se for jogar com crianças pequenas o melhor é o “Rouba-Montinho”. Se estiver sozinho, cai bem uma “paciência” tipo “Crapaud”.

Às vezes se inventam jogadas e batizam com nomes pomposos que não têm a ver com o símbolo evocado. Na minha opinião é o caso da chamada “Cruz céltica” ou “Cruz celta”. Basta olhar a disposição das cartas nessa técnica para ver que nada tem a ver com a verdadeira cruz celta (veja ilustração ao lado). Portanto, me parece uma tarefa no mínimo complicada colocar em relação duas coisas (pelo menos do meu ponto de vista) que se mostram díspares. O que estou dizendo não é para desmerecer a tiragem “Cruz Céltica”, muito pelo contrário. Já utilizei bastante essa técnica em outros tempos. Significa simplesmente que podemos colocar em questão a atribuição subjetiva de nomes, sem maiores rigores simbólicos.
 
Para continuar abusando da sua boa vontade de escuta, daria mais dois palpites:
1. se você gosta da tiragem pela “cruz celta” aprofunde a partir de sua própria experiência, colocando à prova diferentes associações entre as cartas, revendo e ampliando as funções (“regras”) atribuídas a cada carta. Teremos, neste caso, a descrição de uma técnica que ganhará vida com a experiência real de um praticante interessado. 
2. Se você gosta da verdadeira cruz celta, aí sim, se coloca o convite para criar uma nova tiragem apoiada nesse símbolo. Com 9 cartas? Com 15? Com 17? E que função terá cada uma das quatro cartas das pontas da Cruz? Qual o significado que você atribuirá à quinta carta, no centro da cruz? Como você montará o círculo? Com mais quatro cartas? Ou com mais 12 delas? 

Não existem regras para isso enquanto você não as criar e não as definir com a clareza que eventualmente estiver ao seu alcance. Aliás, você mesmo já menciona uma bela combinação analógica do círculo e da cruz. Já é um bom ponto de partida.

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Resposta de Rogério Novo (20/abril/2009)
Quanto às suas observações, pertinentes é claro, e longe de inoportunas, tenho algo a esclarecer:
) a Cruz Celta, ou Cruz Solar, como era denominada pelos Celtas, não é o meu "jogo" preferido, ele apenas está servindo de base para o estudo que estou fazendo;
) o meu real interesse é no "ritmo de leitura". Façamos uma comparação grosseira: numa dança você tem os passos 1, 2, 3, 4, etc. O que aconteceria se você resolvesse dar os passos como achasse melhor? Primeiro o 3, depois o 1, a seguir o 4, etc.? É claro que a dança desandaria!
) defendemos que o Tarô é um instrumento simbólico, e símbolo a gente não altera ao nosso bel prazer!
) a Geometria Sagrada prega, desde os primórdios, que tudo que que foi construído pelo homem e que existe na face da Terra, segue seus princípios (no que acredito piamente!). Além do mais, a própria GS é um sistema simbólico!
) não acredito, e sou absolutamente contra, infelizmente, que cada leitor, cada taromante, possa interferir no sistema e no ritmo de um método, ignorando a simbologia nele contida! Se assim o fosse poderiamos fazer uma leitura ignorando, inclusive, o simbolismo dos Arcanos !

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Constantino (21/04/09):
Apreciei bastante seus comentários, pois deixaram mais claro para mim a sua postura diante do Tarô. Muito bom!

Concordo com você em sua afirmação “3º) defendemos que o Tarô é um instrumento simbólico, e símbolo a gente não altera ao nosso bel prazer!”.  Estar a serviço dessa convicção, aliás, tem me dado ânimo e persistência para sustentar a trabalheira interminável que o site me dá...

Talvez o nossos pontos de vista se contraponham num único aspecto. Segundo o que estou entendendo até aqui, você valoriza a técnica de tiragem com o mesmo peso simbólico que reconhece no tarô. Já, para mim, as regras de leitura estão “abaixo” da linguagem simbólica, pois foram todas inventadas muito depois de o Tarô ter sido colocado em circulação exotérica. Nada nos garante que algumas técnicas sejam de alto nível só porque foram batizados com nome sério. Portanto, o caminho é em primeiro lugar avaliar a consistência da técnica e depois, caso valha a pena, aprofundar o estudo.  

Na prática, vejo o próprio Tarô ser desvirtuado e mutilado por muitos pretensos “mestres” que passam a servir de referência. Que respeito posso ter pelo modelos de tiragens que esses autores propõem?  É comum entre os tarólogos falarem em “métodos” de leitura... Se formos rigorosos na linguagem nunca poderíamos falar de uma verdadeira “metodologia”, que aliás não existe na prática. O que encontramos são simples “técnicas”, procedimentos práticos, para fazer leitura.

Um exemplo do que estou tentando apontar é o da Mandala Astrológica (esquema ao lado). As casas astrológicas são referências amplas, abertas, mas na transposição para a prática dos tarólogos e cartomantes se reduzem a funções bem limitadas. Posso até concordar com você na afirmação: “5º) não acredito [...] que cada leitor, cada taromante, possa interferir no sistema e no ritmo de um método, ignorando a simbologia nele contida!” Acredito, porém, que essa afirmação vale para a simbologia do Tarô e não para as técnicas de leitura. O que constato na prática é que 95% dos tarólogos que conheci simplesmente reduziram o simbolismo astrológico dos signos e das casas a um repertório esquemático, sem as implicações simbólicas dessa antiqüíssima linguagem simbólica, que nos foi legada pela Idade de Ouro.

Na prática – tive, no passado, que dar a mão à palmatória – boa parte desses tarólogos fazem interpretações convincentes das cartas apesar do empobrecimento simbólico da técnica de tiragem, se comparada aos modelos originais.

Para falar por analogia, diria: o Tarô é como um cereal, fonte de vida. A forma como será preparado e servido esse cereal tem importância secundária, é uma simples decorrência da imprescindível existência da matéria prima. O trigo pode virar pão, ingrediente para quibe, farinha que será aplicada em centenas de pratos mais ou menos elaborados, com incontáveis temperos, mais ou menos sutis, mais ou menos saudáveis. Acredito que a qualidade do resultado não é decorrência necessária da receita (da técnica de utilização) mas sim da qualidade do cozinheiro (do tarólogo).

Meu caro, são simples pontos para discussão. Estou apreciando essa troca pois me ajuda a refletir sobre os diferentes pontos de abordagem e resultam em apontamentos por escrito...

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Baralho Cigano

Questão de Cristiano Ferreira - MG (5/5/2009):
"Eu uso o baralho cigano e tambem quero utilizar o baralho comum para cartomancia. Tenho dificuldades em encontrar tecnicas de tiragens das cartas para o baralho cigano, tenho tecnicas que utilizam 1, 3 e até 5 cartas muito semelhantes,as ensinadas no seu site. Gostaria de saber se posso usar a cruz celtica para o baralho cigano. Tambem gostaria de saber se posso utilizar as tecnicas de tiragem ensinadas no seu site para o baralho comum, pois a simbologia das cartas ja tenho como conseguir. Porém, as tiragens para o baralho cigano e baralho comum é muito dificil de encontrar alguem que queira passar. Como percebo que o seu site ensina de verdade, peço o seu conselho."

No site você poderá perceber que existem diferentes pesos dados às técnicas de tiragens. Do modo, porém como vejo as coisas no Tarô, a primeira e mais significativa escolha é a do baralho. As técnicas de tiragens, por outro lado, têm uma importância relativa e devem ser experimentadas, adaptadas e escolhidas de acordo com as circunstâncias, com o tempo de estudo e de prática daquele que lida com as cartas. Do mesmo modo que não existem “regras verdadeiras” ou “técnicas certas” para os jogos de carteado com o baralho comum, os procedimentos com as leituras de tarô não têm regras fixas e podem ser procuradas sob diferentes critérios e níveis. Tudo depende mais do propósito, da linha de interesse do praticante, e menos do baralho em si.

Tenho apreço pelas senhoras do povo que, sem o menor vedetismo esotérico, benzem e ajudam os seus próximos fazendo leitura com as cartas do baralho comum. Não exibem qualquer forma de vedetismo esotérico e nunca encontrei duas delas utilizando as mesmas técnicas de “tirar as cartas”. Cada uma dessas mulheres, em seu estilo e boa vontade, cumpriam seus propósitos de ajuda. Desse modo, só posso responder a você, que independentemente do baralho que utilizar, experimente as técnicas disponíveis até encontrar aquela que seja mais conveniente aos seus propósitos pessoais. Com qualquer baralho, seja o chamado cigano, seja o tarô clássico, podem ser utilizadas qualquer técnica disponível ou que você crie para o seu estilo de leitura.

Confesso que a minha maior dificuldade para começar a utilizar o Tarô, após muitos anos de interesse e de estudo dos símbolos dos arcanos, foram as “receitas” de tiragem. Sempre me pareciam artificiais. Entendi mais tarde que o importante era eu compreender bem os ângulos úteis que poderiam ajudar o meu interlocutor e, só então, pedir as cartas para elucidarem cada um desses ângulos. Não são as técnicas previamente definidas por terceiros que serão as mais eficazes para o meu consulente e para os meus próprios limites de compreensão dos mistérios da vida.

Como tenho formação astrológica, tentei durante certo tempo utilizar a tiragem pelas casas astrológicas. No entanto, em razão da linha de atendimento que adoto, essa técnica fica excessiva, muito em aberto. Prefiro, portanto, calcular previamente o mapa astral para ajudar na compreensão do momento e, quando vou para as cartas, pratico técnicas simples e diretas de tiragem, que facilitam o envolvimento do cliente na compreensão do quadro.

 
13/08/2009 22:58:08

Comentários

Cleide Amaro - 23/08/2009 23:21:05
Concordo com a idéia de que o mais importante é a atitude do tarólogo, o baralho que ele usa. A técnica vem a seguir e pode ser adaptada às questões e aos clientes.

Constantino K. Riemma - 23/08/2009 23:28:26
De fato, o conhecimento e a postura do profissional é o ponto essencial. Se ele se engana ou "faz de conta", mesmo que utilize um baralho clássico, de qualidade e aplique uma técnica de leitura considerada consistente, o resultado será lamentável.

Arnaldo Bassi - 26/08/2009 09:28:41
A técnica de tiragem tem uma grande importância. Posso ter o melhor baralho, mas se não conheço nenhum sistema de tiragem, nada a ver...

Sônia - 29/09/2009 09:12:34
27/9/2009 20:22:29
Olá ainda; sou nova com as tiragens e metodos,tenho alguma dificuldade em interpretar as tiragens feitas com 2 arcanos quando feita com,1 arcano maior e 1 menor, por ainda não conhecer muito dos arcanos menores, como posso praticar a leitura em pares, existe alguma tecnica que ajude
Um abraço e obrigado

Constantino K. Riemma - 29/09/2009 09:32:30
Sônia, temos no site, um painel sobre a combinação de arcanos maiores e menores, com a participação de vários autores: http://www.clubedotaro.com.br/site/p53_maiores-menores.asp
Especificamente sobre a leitura aos pares, veja os comentários de Jaime E. Cannes:
http://www.clubedotaro.com.br/site/p53_jaime.asp?
Pelo Menu (coluna esquerda do site) o caminho para estudar as tiragens é:
APLICAÇÕES / Técnicas&Tiragens.

Jaqueline Cesar - 11/10/2009 21:23:39
Jogo taro desde 2001,adoro este site.Minha postura diante das tiragens é aplicar o conhecimento das lâminas aliado a minha intuição.
Voce já ouviu falar da tiragem Jornada do Louco?Eu a aplico como a jogada inicial,como um primeiro contato com a consulente.É como se fosse um mapa onde eu me situo da situação em que a pessoa se encontra no momento da consulta.

MARIA FERNANDA - 12/10/2009 02:24:51
OI CONSTA!!!!

VOCES ESTAO SE SUPERANDO A CADA EDICAO.
CONTINUO AQUI na CALIFORNIA E RECEBER TEUS INFORMES, COMENTARIOS E TOPICOS PARA REFLEXAO REFORCAM E APRIMORAM AINDA MAIS AS TIRAGENS QUE FACO POR AQUI, ATRAVES DOS ARCANOS MAIORES, COM MUITO SUCESSO POR SINAL.
SUPER THANKS MESTRE.
BJKS
MARIA FERNANDA

margarete machado - 12/10/2009 15:04:00
Estudo o taro desde 2001 e quando utilizo as técnicas de tiragem dependendo da situação do consulente,vou adptando as técnicas adequdadas na tiragem das lâminas.Na minha opinão o conhecimento dos arquetipos que representam cada mito do taro mitologico,são fundamentais para uma boa consulta aliados a intuição e ética profissional.

Constantino K. Riemma - 13/10/2009 11:51:57

JAQUELINE, um alô do Jaime Cannes sobre a "Jornada do Louco" pode ser acessada no site pelo Menu (APLICAÇÕES / Técnicas & Tiragens / Ténicas elaboradas) ou copiando este endereço:
http://www.clubedotaro.com.br/site/p52_3_louco.asp.
Se você quiser acrescentar dados da sua experiência, encaminhe para eu incluir como texto na seção de Tiragens.

MARGARETE, o mesmo convite se estende a você, caso queira dar mais detalhes sobre sua experiência.

FERNANDA, obrigadão e aquele abraço.

Edna Rodrigues - 13/10/2009 21:04:27
Ola Constantino, como vai, bom eu gostaria de participar do seu clube como faço, eu leio tudo. Acho o máximo tudo que vejo acho muito bom.

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