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05 de junho de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


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CISNE NEGRO e seus arcanos
Leonardo Chioda


"...Um vasto conjunto de mitos, de tradições e de poemas celebra o cisne, ave imaculada, cuja brancura, cujo poder e cuja graça fazem uma viva epifania da luz. Há, todavia, duas alvuras, duas luzes: a do dia, solar e máscula; a da noite, lunar e feminina. Segundo o cisne encarne uma ou outra, seu símbolo inflete num sentido diferente. Se ele não se fragmenta e se quer assumir a síntese das duas, como é, por vezes, o caso, torna-se andrógino e, além disso, carregado de mistério sagrado. Finalmente, assim como existe um sol, e um cavalo negros, existe um cisne negro, não dessacralizado, mas carregado de um simbolismo oculto e invertido."
Chevalier e Gheerbrant são os consultores para tarólogos no delicioso Dicionário de Símbolos. Ali é que encontrei as primeiras referências para começar a analisar CISNE NEGRO, o filme do momento. Li por aí que é um ritual mágico poderoso a ponto de livrar o espectador de todas as teorias furadas que levam a uma reflexão pessoal intensa. E válida, que é o mais importante. E é. Dá medo. Inspira o reconhecimento do inimigo interno, se querem bem saber.

Já assistiu? Prossiga. Não? Pare por aqui, se quiser.
Deslizo as considerações iniciais de uma discussão que ensaio agora.

Três arcanos pontuam, até o momento, o meu palco analógico. Nina confronta-se, é fato. A sombra furtando a cena. Dançam as penugens. Dita-se o DIABO nas instruções do mestre: o estímulo tonificado pela sensualidade. "Lição de casa: masturbe-se um pouco", permita-se o demônio da técnica. Nada tenso; tudo puramente sentido. Dentro. A legião oferta a noite à bailarina. Todo o tempo. A cor do cisne no lago revela a LUA. E é ali, no espelho, que a ferida é dúbia. Quando o confronto é superado, vem a perfeição. O MUNDO é da dançarina. É a dança. Completa. Superar-se, sentir a plenitude do perfeito, exige a morte. Mas seguida da luz dos aplausos.

Se você chegou até aqui e não viu o filme, tudo bem. Não deve ter entendido muita coisa. Se você chegou até aqui e viu, o que entendeu?
Vamos discutir?
 
19/02/2011 23:03:36

Comentários

Giane Portal - 19/02/2011 23:12:54
Oi Leo! amei esse post. Conforme comentei, também percebo a presença da TORRE - num sentido de desconstrução do ego até a destruição física literal -
que é onde chega quando levamos o Arcano as últimas consequencias.

Também vejo o personagem do Treinador como o DIABO, além de ser o grande instigador desse processo de trazer a sombra a tona na personagem...

Leonardo Chioda - 19/02/2011 23:30:24
Percebe, Giane, o quão poderoso pode ser esse esquema de descontrução? A ruptura pode se dar por dois caminhos, na minha opinião: pela Torre, como você coloca e pelo Mundo, como o ápice. Ainda assim, não seria o lado negro e o lado claro, respectivamente, dando o desfecho à personagem? O tarô se vale de vias. Pela via da Torre, o fim do cisne branco. Pela via do Mundo, o fim do cisne negro. São visões a serem trabalhadas. Let´s go!

beijo,

L.

Giane Portal - 21/02/2011 01:46:58
Oi Leo, bastante perspicaz sua colocação... entretanto, não entendo o Mundo como um momento de ruptura, e sim como uma possível consequencia da mesma... que acontece na Torre, podendo atuar em muitos níveis. Se são aprendidas as lições no estágio Torre, continuamos nosso caminho pelos Arcanos em direção ao Mundo... já livres dos grilhões que aprisionavam. Entretanto, dentro do aspecto Luz e Sombra, se considerarmos os Arcanos citados como FIM e não como MEIO (processo), concordo totalmente. Quando cito a Torre, é pq vejo na história do filme uma história alguém que - instigada pela SOMBRA / AMBIÇÂO / DIABO, quebra a casca de uma personalidade reprimida (um aspecto da torre) mas não tinha condições de abarcar o que ela libertou, chegando ao ponto de se auto destruir (outro aspecto). Mais ou menos como na Magia né? Lidar com a sombra é perigoso....

abelnp - 22/02/2011 17:37:13
esse filme é maravilhoso! sua fotografia, atuação, história, seu figurino... uma obra de arte!

na minha interpretação do filme eu vi a morte de Nina como um novo começo, porque na vida todo fim é um novo começo... por isso acho q o arcano da MORTE entraria ai não? ou algum outro que desse a idéia de renascimento.

Helena - 23/02/2011 16:37:17
O final é entendido por mim de outra forma, o confronto sim, mas ela quer acabar com a aquilo que é parte dela, quando deve-se entender e aproximar, não matar e quando chega a perfeição, vejo a perfeição que sempre buscou, mas nunca de alma, sempre a perfeição que a mãe menciona.

Leonardo Chioda - 25/02/2011 15:01:36
É, a Torre e a Morte permeiam o filme também.
Quais as cenas mais marcantes e quais arcanos as representam?

Edna Lúcia - 27/02/2011 12:50:12
Morreu sim...A menina amada e castrada pela mãe completa que realizava todos os desejos inclusive ensinando-lhe a ganhar o papel prnicipal.Atentada pelo diabo-diretor do espetáculo-ela vive afetos densos e reprimidos.O recalcado vem á tona e a neurose espelhada no corpo vem a tona e é obturada.As asas (Escapulas) feridas tem que ser furadas para crescer e permitir a Nina voar.Ela se coça ate sangrar.Os chacras pincipalmente o cardiaco e o plexo solar deixam vazar todo o sanque das angustias contidas-quem as tem sabe como doi!.A transformação dolorosae destroi as formas desgastadas de vida acontece para dar lugar ao novo.Restos infantis são jogados no lixo.A sexualidade pulsa e se mostra na dança.Espelhosrefletem as várias faces do ego que se destroi(A Tore?).Nasce a mulher que sabe viver a beleza ,a perfeição mas sabe amar seu homem com o coração aberto.Belissimo filme.Impossivel dizer dele todo.Diversos arcanos nessa viagem que como todas acaba no Mundo.Sai do cinema meio tremula,nesse calor todo busquei um café quente.Será que o diabo me atentou também

Leonardo Chioda - 28/02/2011 16:58:29
É, Edna. O Diabo de CISNE NEGRO nos convida à nossa própria arte. Percebem? Como E a Torre e a Morte, vamos discorrer um pouco mais?
Já li impressões de que Nina não morre. Como seria esse processo?

Edna Lúcia - 28/02/2011 21:42:31
A torre,A Morte:Falam de mudanças.Quando Nina "enforcada" pela castração e repressão transmuta na Imperatriz-grande mulher que encanta a seleta plateia e simboliza a aceitação das pessoas.Nesse momento percebe-se no canto dos lábios do diretor a expressão de humildade.Transformar ,mudar,transmutar...Lidar com a morte simbolica é mais facil que vislumbrar a morte fisica .Mas se Nina morreu fisicamenta também?Quebra alguma coisa:ATorre.Perdemos nossa principal argumetação teórica em relação ao filme e nossa defesa tambem.Ontem eu tinha certaza que era só transformação.Nina não morreu.Mas hoje comecei pensar nessa possibilidade.Como disse sai do filme assim meio A Roda da Fortuna.Um pouco tremula...Café quente em pleno verão.Não sou tarologa pq misturo arcanos.Penetro no mistério e me perco.Não sou Nina.Apenas tento atingir a perfeição

paula fernandes - 05/03/2011 14:59:19
Bem Leonardo, vi o filme sim. Tive um olhar parecido com o seu, no sentido de que no final, é o artista buscado a perfeição ( Mundo ). A perfeição consiste em sentir visceralmente o drama do personagem( o Cisne ). Sua penas desabrocham e criam asas ( O Negro ), enquanto ela vibra e sai do sofrimento dando asas ao lado que antes sombrio ( Lua ), assustador, revela-se a glória, sem medo. Ela o beija, plena, sem medos.
Não sinto que o diretor represente o diabo. Mas sem dúvida um gde instigador. O diabo não ajudaria nesse sentido, pelo menos não tem essa intenção, a meu ver. Ele talvez a levasse a cometer erros mesmo. Com a intenção de derrubá-la. O diretor quer arrancar dela, o que está reprimido. O que ela mesma ainda não viu.
Qto à Torre, eu a vejo mais na cabeça das pessoas... nas reações que as pessoas tem vendo o filme... As pessoas estão carentes de algo mais contundente, mais profundo, menos mascarado no seu dia a dia. E como esse filme mexeu... comessa necessidade. É tão simples, bem menos complexo o que aparece ali. Mas parece que virou um grande evento, passear pelo interior humano, é tão simples... estamos cheios de máscaras... nos relacionamos com esses personagens, como personagens e como num filme a realidade virou um evento.

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