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19 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


As cartas "Gringonneur": O LOUCO
 
 
O Louco no Tarot "Gringonneur"
 

    Com a cabeça coberta com um capuz com ponta e orelhas de asno, gesticula e faz caretas agitando uma fieira de guizos, enquanto três crianças lhe atiram pedra e uma quarta o agarra nma das pernas. Parcialmente desvestido, sua grande gola com pontas rodopiantes, anuncia sua chegada ao som dos guizos, como um personagem marginal.
    Figura popular na arte, a partir do final do século XV, sua imagem havia sido difundida pela obra ilustrada do humanista Sébatien Brant, A Nave dos Loucos, dada a público pelo impressor Johannes Bergmann, da Basiléia, no dia do carvanal de 1494. O gravurista Dürer havia colaborado. Esse livro satírico, que se tornou célebre em toda Europa, colocava em cena uma centena de loucos, simbolizando o transcurso do século. O louco de Brant representa aquele que se desvia do caminho da razão e se afasta de Deus, contribuindo assim para a desagregação do mundo.
    Sem se afastar da interpretação de Brant, o personagem do louco abrangia outros aspectos mais divertidos. O louco da corte, o bufão, personagem artificial conhecido desde a Antiguidade, desempenhava um papel cômico junto a um soberano. Na mesma função, mas junto a um público mais variado, o louco acompanhava os jograis, os trovadores nas cidades e nos campos, cultivando os gracejos, a mímica, o cômico.
    Um simplório, um verdadeiro louco, por suas atitudes burlescas, suas propostas indecentes, também distraia. Não era aquele que fazia rir voluntariamente, mas sim aquele do qual se ria.
    Esse personagem com inúmeras facetas inspírou os artistas que multiplicaram suas expressões. Ele aparece, então, nos jardins do amor e nas cenas eróticas, onde simbolisava a luxúria, bem como em outras cenas do gênero, nas margens dos manuscritos. Sua representação foi menos difundidada na Itália que no Norte da Europa. O Louco do tarô dito de Carlos VI, por sua tênua licenciosidade, seu rosto com careta e as reações que suscita aparenta-se ao louco de Sébatien Brant.
    O Louco nunca é numerado no jogo de tarô. É permitido a ele evoluir fora da procissão carnavalesca, seguindo-a e se agitando ao longo do desfile.

    Tarô dito de Charles VI ou Tarô Gringonneur: O Louco. Norte da Itália. Final do século XV.
    Pintura com têmpera de ovo, sobre um desenho preparatório com tinta negra, tipo sépia; decoração com ramos estampados, após fixação de folha de ouro e prata, sobre uma camada assentada sobre suporte de papel; dorso branco sem adornos. Papel em várias camadas com "colarinhos" à moda italiana, alguns dos quais estão roídos. A parte do desenho dissimulado pelos "colarinhos" realizados posteriormente, foram redesenhados. Dezessete cartas: 80/185 x 90/95 mm. Paris, Biblioteca Nacional da França, Estampas, Res. Kh 24.  http://expositions.bnf.fr/renais/grand/035.htm.

Tradução de Constantino K. Riemma

   
 
 
 
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