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07 de fevereiro de 2012

Responsável: Constantino K. Riemma


As cartas "Gringonneur": A TEMPERANÇA (VI)
 
 
 

    A Temperança verte água de um vaso ao outro, para temperar ou para equilibrar as quantidades de líquido contidos nos dois vasos. Ela simboliza a mestria e o equilíbrio de forças.
    As três virtudes cardeais – a Temperança, a Força e a Justiça – são trunfos do jogo do tarô. A quarta virtude, a Prudência, figura apenas no minchiate de Florença.
    As virtudes têm uma origem antiga, enquanto que as virtudes teologais – a Fé, a Esperança e a Caridade – são conceitos cristãos. Os gregos, que identificavam a virtude à coragem, ao valor tanto da alma quanto do corpo, haviam dado a ela o nome do deus da guerra, Ares (Marte). Platão e Aristóteles atribuíam um sentido moral às virtudes. Quanto ao nome em si, vem do latim virtus, valor guerreiro, de vir, homem corajoso. A virtude se define como a força aplicada ao bem.
    A representação das virtude foi freqüente na Itália dos séculos XIV ao XVI. Acompanhadas de atributos, tinham de início a função principal de decoração dos túmulos e, após, ornaram os púlpitos, as pias batismais, os tabernáculos. Elas se impuseram, a seguir, na iconografia profana, representando a moral e servindo na decoração de edifícios públicos, palácios, fachadas de casa, objetos (castiçais, cofres, bainhas de punhais).
    As virtudes foram integradas, com freqüência, a grandes conjuntos decorativos, enciclopédicos, que inspiraram programas de teólogos ou de humanistas, grandes afrescos da civilização de então. As virtudes eram aí representadas ao lado dos vícios, dos heróis bíblicos, dos deuses antigos, das artes liberais, das Musas, dos planetas e signos do zodíaco, dos profetas e sibilas. Sua presença no jogo do tarô é facilmente compreensível.
    As virtudes do Taro dito de Charles VI ou Gringonneur são todas três representadas por moças sentadas, rosto em três quartos, cabeça ornada por um auréola ou chapéu.

    Tarô dito de Charles VI ou Tarô Gringonneur: A Temperança. Norte da Itália. Final do século XV.
    Pintura com têmpera de ovo, sobre um desenho preparatório com tinta negra, tipo sépia; decoração com ramos estampados, após fixação de folha de ouro e prata, sobre uma camada assentada sobre suporte de papel; dorso branco sem adornos. Papel em várias camadas com "colarinhos" à moda italiana, alguns dos quais estão roídos. A parte do desenho dissimulado pelos "colarinhos" realizados posteriormente, foram redesenhados. Dezessete cartas: 80/185 x 90/95 mm. Paris, Biblioteca Nacional da França, Estampas, Res. Kh 24.  http://expositions.bnf.fr/renais/grand/039.htm.

Tradução de Constantino K. Riemma

   
 
 
 
 
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