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19 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


As cartas "Gringonneur": A MORTE (XIII)
 
 
 

    A Morte, esqueleto descarnado e revestido com uma túnica presa ao corpo por uma faixa branca com volutas, o crânio cingido por um turbante da mesma cor, cavalga sobre um corcel negro. Ela empunha seu atributo, a foice, cujo cabo, no primeiro plano, cria a impressão de profundidade. O cavalo ultrapassa a “barreira” da carta, transbordando o quadro. O artista se preocupou mais com o efeito impressionante do conjunto do que com seu desenho inicial. Em seu ímpeto, o animal salta sobre cinco defuntos, um papa, um bispo, dois cardeais, um rei, alusão à vaidade das majestades humanas.
    A arma ameaçadora, a foice, foi tomada de empréstimo a Saturno, que, com este atributo, representa o tempo. Esse deus agrário dos latinos, cujo reino de abundância e de paz correspondia à Idade de Ouro, era representado originalmente com uma foicinha. A partir do período romano clássico, ele foi assimilado ao deus grego Cronos e, a seguir, ao tempo Chronos. A homonomia dos termos foi, ao que parece, a razão desta confusão.
    Macróbio, escritor latino do século V, em sua Saturnália, deu à foicinha um outro significado: “alguns pensam que a foicinha foi a eleatribuída porque o tempo tudo ceifa” (I,8). A foicinha se transformou em foice no correr da Idade Média e se tornou o símbolo de um poder destruidor, como o da morte. Ela permaneceu também como atributo do Tempo, auxiliar da Morte.
    O cavalo faz uma referência aos quatro cavaleiros do Apocalipse, um dos quais simboliza a morte.

    Tarô dito de Charles VI ou Tarô Gringonneur: A Morte. Norte da Itália. Final do século XV.
    Pintura com têmpera de ovo, sobre um desenho preparatório com tinta negra, tipo sépia; decoração com ramos estampados, após fixação de folha de ouro e prata, sobre uma camada assentada sobre suporte de papel; dorso branco sem adornos. Papel em várias camadas com "colarinhos" à moda italiana, alguns dos quais estão roídos. A parte do desenho dissimulado pelos "colarinhos" realizados posteriormente, foram redesenhados. Dezessete cartas: 80/185 x 90/95 mm. Paris, Biblioteca Nacional da França, Estampas, Res. Kh 24.  http://expositions.bnf.fr/renais/grand/045.htm.

Tradução de Constantino K. Riemma

   
 
 
 
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