Responsável: Constantino K. Riemma
 
11 de outubro de 2008
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Baralho Rider-Waite
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O Tarô de Arthur Waite & Pamela Smith
Apresentação de
Constantino K. Riemma
    
 
A Temperança
Tarô de Waite
 
    O baralho de Arthur Edward Waite (1857-1942) impresso com o nome de "The Rider Tarot Deck", tornou-se o mais difundido dentre os produzidos sob inspiração das chamadas escolas ocultistas que apareceram na Europa a partir de meados dos século 19.
    O desenho leve, luminoso, executado pela artista plástica Pamela Colman Smith (1878-1951) teve um peso inquestionável na ótima acolhida internacional dada a esse baralho inglês.
    Devido ao êxito que obteve, encontra-se entre os baralhos mais copiados e imitados modernamente.
    Maiores informações sobre este tarô são apresentadas por Lívia Krassuski em seu texto Tarô Rider-Waite
Para ver ampliações e percorrer a Galeria Rider-Waite
clique sobre a carta.
 
Um Louco mais "loucão"
    Sob o ponto de vista iconográfico mais rigoroso alguns reparos são feitos ao baralho de Waite. Uma dentre as distorções significativas difundidas por ele pode ser observada na figuração do Louco, que passou do clássico peregrino para a condição de um desavisado à beira do precipício.
    
            
O Louco nos tarôs Visconti Sforza (1450), Noblet (1650), Mitelli (1660) e Waite (1910)
    Mesmo que se considere outras versões antigas em que o Louco é representado como um personagem inconseqüente, por exemplo no Tarô de Mitelli, sua disposição infantil e lúdica está bem longe, segundo alguns comentaristas, "do iminente desastre suicida retratado no Tarô Waite".
    Podemos notar também que ao grafar o algarismo zero na carta do Louco, instaura-se uma incoerência no conjunto, já que as demais lâminas mantêm os algarismos romanos, sistema que não utiliza o zero.
    
Uma quebra no Eremita
    A liberdade artística pode dar maior dramaticidade ao personagem e, ao mesmo tempo, reduzir sua amplitude simbólica.
    
           
O Eremita nos tarôs Gringonneur (1450), V.Sforza (1450), Dodal (1701) e Waite (1910)
    Como exercío de apreciação, fica aqui o convite para o exame da carta de O Eremita em quatro baralhos: nos dois mais antigos conservados (de 1450), num intermediário (de 1701) e, por fim, no de Waite. A quebra na nuca no personagem redesenhado no século passado, amplia ou reduz seu sentido? Interioriza e eleva ou recolhe e deprime?
    Questões como essas, na verdade, não se restringem aos baralhos ingleses, mas cabem em toda a trajetória das cartas, desde seu aparecimento histórico no século 14 até os dias de hoje. Qual recado sutil teria sido fielmente conservado? E o que foi perdido em razão do afastamento da fonte, das cópias adulteradas, das reinvenções subjetivas?
    Outros detalhes das cartas são discutidos por Lívia Krassuski em seu estudo sobre o Tarot Rider-Waite, desenhado por Pamela Smith.
    
O discurso exotérico e suas provas
    O exame dos arcanos menores exemplifica uma crise no conhecimento simbólico moderno, que se torna mais evidente a partir do final do século 18, período em que ocorre a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.
    Não só entre os autores ingleses, mas de modo geral entre os europeus, a partir de Court de Gebelin, Etteilla e Lenormand, é comum encontrarmos textos enaltecendo as origens esotéricas, herméticas, maçônicas, ocultistas e mágicas das cartas. No entanto, quando examinamos os tarôs produzidos por tais autores constatamos que poucos dentre eles apresentam pontes verdadeiras com antigo conhecimento esotérico.
    Na maior parte dos casos, ou por mera concessão comercial ou por falta de base mais consistente do conhecimento simbólico, apenas re-copiam ou re-inventam os significados simples e reduzidos que se encontram no uso popular das cartas.
    O Dez de Espadas do baralho Rider-Waite ajuda a exemplificar essa freqüente contradição entre o que é propalado como fundamento e o resultado concreto.
 
Dez de Espadas
Taro Rider-Waite
 
Para ver ampliações e percorrer a Galeria Rider-Waite clique sobre a carta.
    Nessa carta fica clara a enorme distância simbólica entre o aniquilamento de um homem (abatido pelas costas com uma dezena de espadas) e as múltiplas qualidades e referências do elemento ar (naipe de espadas) e do número dez (o retorno do conjunto à unidade). Como dizem alguns críticos, com esse figuração o Waite "não só matou o personagem, mas também enterrou a riqueza de significados do Dez de Espadas".
    
O papel das artistas
    Para finalizar esta apresentação de um baralho moderno que tem como título o nome do editor e do orientador, uma questão insiste em aparecer: Waite, sozinho, por mais estudioso e homem de bom-gosto que fosse, teria feito sozinho um conjunto de imagens tão bem recebido?
 
Pamela, além do tarô
[http://www.kcl.ac.ukl]
      Na verdade, constatamos que na maior parte das resenhas e estudos sobre os mais famosos baralhos modernos as pintoras, como é o caso de Pamela Colman Smith, são mencionadas como coadjuvantes secundárias das obras que elas próprias criaram.
    A mesma coisa acontece com Frieda Harris que desenhou o Tarô do Crowley: o enorme agito e as discussões em torno de seu titular obscurece a autoria ou, pelo menos, a participação decisiva da artista.
    É evidente que sem o trabalho delas a intenção daqueles que deram nome aos baralhos teria permanecido no limbo. Foram essas artistas que, simplesmente, deram vida às cartas.
    No caso de Pamela Colman Smith, tratava-se de uma conhecida ilustradora de livros infantis que também participou de outras atividades culturais, como foi o caso da Green Sheaf, uma revista experimental de arte e poesia.
    A despeito de todas as críticas, aliás justificáveis, que se pode fazer quanto à consistência iconográfica da maior parte dos baralhos modernos, a ilustração reproduzida logo acima, que Pamela Colman Smith apresentou na Green Sheaf (1903-1904), confirma o quanto se deve à qualidade artística do seu trabalho o prestígio obtido pelo Tarô Rider-Waite.
    
Sobre Arthur Edward Waite e seu baralho
    O Clube do Tarô reproduz as cartas do "Rider-Waite Tarot Deck" e dispõe de outros trabalhos sobre esse baralho:
  • Galeria, apresenta o baralho completo: Waite-Pamela
  • Tarô Rider-Waite, em que Lívia Krassuski discute o arcanos maiores e os menores do baralho desenhado por Pamela Colman Smith sob orientação de Arthur E. Waite. Situa os vínculos desse Tarô com a Ordem Golden Dawn: Rider-Waite
     
    jul.07
     
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