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29 de maio de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


O Tarô de Arthur Waite & Pamela Smith
Apresentação de
Constantino K. Riemma
 
 
 
O baralho de Arthur Edward Waite (1857-1942) impresso de início com o nome de "The Rider Tarot Deck", tornou-se o mais difundido dentre os produzidos sob inspiração das chamadas escolas ocultistas que apareceram na Europa a partir de meados dos século 19.
O desenho leve, luminoso, executado pela artista plástica Pamela Colman Smith (1878-1951) teve um peso inquestionável na ótima acolhida internacional dada a esse baralho inglês.
Devido ao êxito que obteve, encontra-se entre os jogos de tarô mais copiados e imitados modernamente.
Mais informações e comentários sobre este tarô são apresentados por Lívia Krassuski em seu texto Tarô Rider-Waite
<- A Temperança no tarô de Waite-Smith
Para ver ampliações e percorrer a Galeria Rider-Waite-Smith clique sobre a carta
 
Um Louco mais "loucão"
Sob o ponto de vista iconográfico mais rigoroso alguns reparos podem ser feitos ao baralho de Waite. Uma dentre as alterações significativas difundidas por ele pode ser observada na figuração do Louco, que passou do clássico peregrino ou brincalhão para a condição de um desavisado à beira do precipício. E esse detalhe se tornou referência para um grande número de cópias e reinvenções contemporâneas.
O Louco no Taro Visconti-Sforza     O Louco no Tarô de Jean Noblet     O Louco no Tarô Mitelli     
O Louco nos tarôs Visconti Sforza (1450), Noblet (1650), Mitelli (1660) e Waite (1910)
Mesmo que se considere outras versões antigas em que o Louco é representado como um personagem inconseqüente, por exemplo no Tarô de Mitelli, sua disposição infantil e lúdica está bem longe, segundo alguns críticos, "do iminente desastre suicida retratado no Tarô Waite".
Podemos notar também que ao grafar o algarismo zero na carta do Louco, instaura-se uma disparidade no conjunto, já que as demais lâminas mantêm os algarismos romanos, sistema que não utiliza o zero.
A flexão do Eremita
Dada a popularidade do tarô de Waite, vale a pena mencionar aqui o significado de alguns outros detalhes, pois a liberdade artística pode dar maior dramaticidade aos personagens, mas ao mesmo tempo alterar suas conotações simbólicas.
O Eremita no tarô Visconti-Sforza               
O Eremita nos tarôs Gringonneur (1450), V.Sforza (1450), Dodal (1701) e Waite (1910)
Como exercício, fica aqui o convite para o exame da carta de O Eremita em quatro baralhos: nos dois mais antigos conservados (de 1450), num intermediário (de 1701) e, por fim, no de Waite. A inclinação da cabeça no personagem redesenhado por Pamela Smith, amplia ou reduz seu sentido? Interioriza e eleva ou recolhe e deprime?
Questões como essas, na verdade, não se restringem aos baralhos ingleses, mas cabem em toda a trajetória das cartas, desde seu aparecimento histórico no século 14 até os dias de hoje. Qual recado sutil teria sido fielmente conservado? E o que foi perdido em razão do afastamento da fonte, das cópias modificadas livremente, das reinvenções subjetivas?
Outros detalhes das cartas são discutidos por Lívia Krassuski em seu estudo sobre o Tarot Rider-Waite, desenhado por Pamela Smith.
    
O discurso exotérico e suas provas
O exame das múltiplas versões dos arcanos menores exemplifica uma crise no conhecimento simbólico moderno, que se torna mais evidente a partir do final do século 18, período em que ocorre a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.
Não só entre os autores ingleses, mas de modo geral entre os europeus, a partir de Court de Gebelin, Etteilla e Lenormand, é comum encontrarmos textos enaltecendo as origens esotéricas, herméticas, maçônicas, ocultistas e mágicas das cartas.
No entanto, quando examinamos os tarôs produzidos por tais autores constatamos que poucos dentre eles apresentam pontes iconográficas significativas com antigo conhecimento esotérico.
Na maior parte dos casos, ou por mera concessão comercial ou por falta de base mais consistente do conhecimento simbólico, apenas re-copiam ou re-inventam imagens que traduzem apenas os significados simples e reduzidos da cartomancia popular.
O Dez de Espadas do baralho Rider-Waite ajuda a exemplificar essa freqüente contradição entre o que é propalado como fundamento e o resultado concreto.
Nessa carta fica clara a enorme distância simbólica entre o aniquilamento de um homem, abatido pelas costas com uma dezena de espadas, e os múltiplos atributos e significados do elemento ar (naipe de espadas) e do número dez (o retorno do conjunto à unidade). Diante de fato como este faz sentido a crítica de que, com esse figuração, o Waite "não só liquidou com o personagem, mas também enterrou a riqueza de significados esotéricos do Dez de Espadas".
 
Dez de Espadas
Tarô de Waite-Smith
Para ver ampliações e percorrer a Galeria Rider-Waite clique sobre a carta.
O papel das artistas
Para finalizar a apresentação deste jogo, inicialmente intitulado Tarô Rider-Waite, uma questão pode ser aqui recolocada com relação aos jogos modernos que se apresentam com nomes pessoais: Arthur E. Waite, por mais estudioso e homem de bom-gosto que fosse, teria sido capaz de elaborar sozinho um conjunto tão bem recebido?
Pamela, além do tarô
[http://www.kcl.ac.ukl]
 
Na verdade, constatamos que na maior parte das resenhas e estudos sobre os mais famosos baralhos modernos as pintoras, como é o caso de Pamela Colman Smith, são mencionadas como coadjuvantes secundárias das obras que elas próprias criaram. Em muitos casos seus nomes ficam escondidos numa mera lista formal de créditos editorias.
A mesma coisa acontece com Frieda Harris que desenhou o Tarô do Crowley: o enorme agito e as discussões em torno de seu titular obscurece a autoria ou, pelo menos, a participação decisiva da artista.
É evidente que sem o trabalho delas a intenção daqueles que deram nome aos baralhos teria permanecido no limbo. Foram essas artistas que, simplesmente, deram vida às cartas.
No caso de Pamela Colman Smith, tratava-se de uma conhecida ilustradora de livros infantis que também participou de outras atividades culturais, como foi o caso da Green Sheaf, uma revista experimental de arte e poesia.
A despeito de todas as críticas, aliás justificáveis, que se pode fazer quanto à consistência iconográfica da maior parte dos baralhos modernos, a ilustração reproduzida logo acima, que Pamela Colman Smith apresentou na Green Sheaf (1903-1904), confirma o quanto se deve à qualidade artística do seu trabalho o prestígio obtido pelo Tarô Rider-Waite.
jul.07/revisto em mar.12
Estudos sobre sobre o tarô de Arthur Waite & Pamela Smith
  Na Galeria são apresentadas as reprodução das setenta e oito cartas: Tarô Rider-Waite-Smith
 
  O peso da Espada. Emanuel J Santos estuda o naipe de Espadas no Tarô de Arthur Waite e P. Smith e relata suas conclusões: As cartas numeradas do naipe de Espadas no tarô Waite-Smith  
Contato com o autor:
Constantino K. Riemma - contato-ct@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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