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23 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Não tenha medo da Morte
Tinah Lima
Na lista dos “arcanos malditos”, a Morte, um arcano difícil de aceitar como sendo bom, na verdade pode nos ajudar a enxergar as coisas como elas realmente deveriam ser.
O Beijo da Morte
“El Petó de La Mort” (O Beijo da Morte, 1930, no cemitério Poble Nou – Barcelona)
www.commons.wikimedia.org/wiki/File:El_Cementiri_Vell_de_Poble_Nou_(Barcelona)_-_2.jpg
Existem muitos mitos por trás desta carta tão temida. Nos antigos baralhos de tarô não existe a numeração conhecida por nós e nem a nomenclatura gravada nas cartas, como nós conhecemos hoje. Isso foi adicionado ao longo do tempo, provavelmente para facilitar o jogo. E então todos os arcanos ganharam um número e um nome inscritos nas cartas, com duas exceções: O Louco, que ficou sem número, e eu falo sobre isso no artigo: Quem é O Louco no tarô: o 0 ou o 22?, e A Morte ou O Ceifador ou O Arcano Sem Nome, como queiram, que é considerado tão maldito, que nem ousaram escrever seu nome na carta.
O número atribuído ao arcano também ajuda nessa questão, pois existe uma série de superstições e azar envolvendo o número 13. Fui pesquisar a respeito disso e descobri que o medo do número 13 é muito mais comum do que podemos imaginar e até existe uma doença catalogada para isso, cujo nome é Triscaidecafobia (veja na Wikipedia: Triscaidecafobia). Essa fobia, e também todo o azar ligado ao numero 13, estão diretamente relacionados ao medo da morte.  Muitas fontes apontam como origem disso a última ceia de Cristo e seus apóstolos, pois eram 12 sentados à mesa mais o Cristo, que foi traído por um deles, crucificado e morto. Não se sabe se isso deu origem à crença, mas caso não tenha dado, só veio reforçar o medo que já existia da morte envolvendo o número 13, e que até hoje se faz presente.
Santa Ceia d Leonardo da Vinci
Santa Ceia: Cristo com seus 12 apóstolos. Um dentre os 13 foi o traidor
Uma reprodução do quadro de Leonardo da Vinci
E só para ter uma ideia...
  Na fórmula 1 apenas dois pilotos usaram esse número após o acidente fatal de Giulio Masetti. É um número rejeitado entre as escuderias.
  Em algumas regiões no interior da Itália não existem casas com essa numeração.
  Uma matéria do Globo Repórter diz que oito em cada dez edifícios em Nova York não têm 13º andar (veja: www.g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2013/).
  Em algumas companhias aéreas não existe a fileira 13 nas aeronaves, tal qual nos elevadores americanos, a numeração pula do numero 12 para o 14.
E por aí vai... A esse arcano de número temido pelo próprio significado da carta, foi atribuída a imagem da morte como um esqueleto, com ou sem manto e capuz, segurando uma foice num cenário de um campo onde se encontram cabeças e corpos dilacerados espalhados pelo chão. É a imagem mais forte do baralho, em minha opinião.
A Morte vai passando e cortando sem dó e nem piedade, apenas fazendo o seu trabalho. O que precisa ser feito. Aquilo que já passou do tempo, que não tem mais como florescer. É a hora de ceifar o campo e prepará-lo para uma nova semeadura.
Quando esta carta sai como um conselho, considero o Arcano mais difícil de segui-lo, pois significa que a pessoa que o tirou precisa abandonar por si própria o hábito, vício ou situação em que se encontra, largando mão da acomodação e do benefício quaisquer que sejam eles, naquele contexto, pois a situação está caminhando para um cenário muito destruidor. Diferentemente da situação que eu descrevo no artigo da Torre: Uma Torre em minha vida!, onde a situação é interrompida pela Providencia Divina, porque a pessoa insiste em ir na direção errada, a dificuldade da Morte é assumir ser o Ceifador da própria vida: aceitar que não dá mais pra ir em frente e que é preciso cortar o que não pode mais continuar.
O recado da Morte é o seguinte: “– Certas coisas precisam acabar, antes que elas acabem com você e essa situação, relação ou hábito... É uma delas!”. Quem se habilita? A dificuldade de seguir este conselho é que mesmo numa experiência ruim, sair da zona de conforto, ou vencer o medo de mudar, pode parecer pior do que está sendo vivenciado, porque isso já é conhecido, já se sabe lidar. Mas se foi dado como conselho do Oráculo... Há de ser seguido para o próprio bem... Afinal, pra que o pediu? E quer saber? O consulente já sabe disso... No fundo, no fundo, ele sabe que aquilo não é bom pra ele, o que ele não sabe é que precisa cortar agora, ou será tarde de demais. Onde quer que saia a Morte numa tiragem o consulente está presente. Ele é o autor e sabe o que é preciso fazer.
Quatro cartas da Morte, arcano 13.
A Carta 13, A Morte, nos tarôs de Marselha, Rider-Waite, Thoth e Spiral
Quando essa carta sai em uma posição onde não é pedido um conselho, ou numa posição em que representa o consulente (onde ele está “de Morte” como dizemos na gíria), a pessoa já tem a plena consciência de que é preciso cortar. É o cair em si, de que aquela situação não pode mais seguir adiante e ela própria terá que resolver isso, apesar de querer que a situação fosse diferente.
É dureza, mas é uma das cartas de maior “empoderamento” que existe no Tarô. É uma tomada de decisão pelo bem maior. É a senioridade tomando conta. Não é fácil, mas é o que precisa ser feito e a pessoa tem essa percepção. E por causa dessa visão, da situação como um todo que gerou essa tomada de decisão, é que o consulente aprende com o erro cometido.
Novamente comparando com A Torre, onde a situação foi bloqueada, interrompida por uma “força maior”, a Morte traz o corte provocado pela tomada de consciência da própria pessoa que percebe estar numa situação onde não pode mais sustentar. Nada lhe é tirado. O consulente é quem resolve mudar, cortar, terminar e seguir outro rumo. Ceifar o campo para um novo plantio. Na situação com A Torre o consulente sofre a ação, com o Ceifador, ele é o autor da ação!
Após esse período, a perspectiva é de melhora e de não retomar mais o cenário anterior, pois a lição foi aprendida, plasmada na alma e nunca mais será repetida. É quando alguém consegue romper aquela relação pesada que não aguenta mais. Ou após um longo período de gastos desmedidos, consegue cortá-los, renegociar as dívidas e pagá-las finalmente. É quando realmente alguém vence um vício. Aqui não é necessário fazer um relatório de lições aprendidas, porque a lição virou propriedade. A fraqueza virou o ponto forte!
Um novo ser se apresenta e as promessas de outros tempos finalmente chegam novos brotos começam a nascer no campo ceifado, trazendo o prenúncio de uma boa colheita. Aqui dá pra dizer: “Depois da tempestade, a bonança”.
É um arcano difícil, mas extremamente poderoso, você não acha?
E aqui para nós, um dado curioso que eu achei: O AI-5, o decreto mais poderoso e cruel da ditadura militar brasileira, data de um dia 13. (Veja: www.planalto.gov.br/ccivil_03/AIT).
Contato com a autora:
Tinah Lima é taróloga, astróloga e terapeuta holística
tinah.lima@gmail.com e www.tinahlima.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 20/10/2015
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