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15 de junho de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Arcano XVIII - A Lua e suas relações com outros arcanos
Flávio Alberoni
Considero de maneira especial este arcano, pois pessoas muito queridas em minha vida, o possuem como característica forte em sua personalidade.
Difícil ficarmos indiferentes às pessoas que o possuem como uma força intrínseca. Assim como também é difícil recorrer a seu estudo sem nos orientarmos por inúmeros pareceres e linhas de conhecimento muitas vezes conflitantes. Mas... isso é comum a todos os Arcanos. O estudo pormenorizado e racional muitas vezes descaracteriza a energia maravilhosa de cada um deles. Mas, como já disse anteriormente, não caio nessa: há muito renunciei o estudo meramente racional do tarô – talvez por falta de competência...
Peço, assim, ajuda a Cousté: O fundamental ante o tarô é uma atitude de disponibilidade tão despojada de superstição como de ceticismo. Mais adiante, ele acrescenta, citando Luc Benoist: O ponto de vista esotérico não pode ser admitido e compreendido a não ser pelo órgão do espírito que é a intuição intelectual ou intelecto, correspondendo à evidência interior das causas que precedem a toda a experiência.
Quatro representações do Arcxano XVIII - A Lua
A Lua nos tarôs de Oswald Wirth, Robin Wood, Rider-Waite e Bird Card.
Fazendo esta singela citação eu cedo um pouco aos ditames do Arcano, extremamente detalhista e enciclopédico em citações, comparações, trilhas no caminho, etc.
O Arcano XVIII – A Lua. O Crepúsculo
Primeiro a descrição da carta, coisa que qualquer livro de texto fornece de maneira bem mais detalhada. Um ser (cujo formato e tipo variam a gosto do freguês – caranguejo? lagostim?) sai de um lago e enfrenta um caminho sinuoso. Extremamente sinuoso. E logo no início é recebido por dois animais. Alguns dizem que se trata de um lobo e de um cão. Além da trilha sinuosa duas torres servem de fronteira a algo mais distante. Em cima, a Lua derrama lágrimas de cores diferentes. Há todo um universo de explicações para essas imagens. Passemos ao largo disto. Foge dos objetivos desta modesta exposição.
É impossível para mim avaliar o Arcano XVIII sem suas complementações associadas, como é o caso da sequência binária de Wirth, em que ele faz oposição com o Arcano V – O Papa. A carta da Lua está ladeada pelos arcano XVII – A Estrela e XIX – O Sol. Por outro lado, o arcano da Lua tem características bastante práticas, com relação à sua maneira de expressar, pois na mesma exposição de Wirth é tido como um arcano da linha prática, feminina e que busca as raízes das coisas. Também é múltiplo de três, o que equivale possuir uma criatividade em desenvolvimento e ser um elemento energético importante, com sua energia sempre em movimento.
Em sua busca a pessoa desperta o cão – a sociedade, e o lobo – a si próprio, com todas as suas agruras. E o caminho sinuoso indica que a cada dose acrescida de conhecimento, há um repouso, há uma cristalização. Nada indica conhecer mais e mais sem estabilizar o já adquirido.
Pelas pessoas que conheço regidas pelo XVIII, há uma relação em comum: detalhe, meticulosidade, vagarosidade na busca do conhecimento. Mas, sempre em profundidade, mesmo nos casos negativos.
Estrela, Sol e Lua
Cartas 17. As Estrela, 18. A Lua e 19. O Sol no tarô de Oswald Wirth
Este processo pode ser qualificado pelos arcanos próximos. Se ele possui um toque maior do – XVII – A Estrela, encontramos (em termos de personalidade) uma pessoa espiritualizada, com forte tendência aos estudos esotéricos. Ou um pesquisador metódico e ousado, com toques de criatividade extrema e até arriscada (também por influência do XVII – A Estrela).
Com o fator XIX – O Sol, em reboque, há um toque profundo pela busca de resultados, além da necessidade de harmonização. Por outro lado, uma presença maior de espírito crítico. Voltando ao pesquisador, há um ardor enciclopédico e uma exigência de que cada coisa ocupe um lugar essencial na busca do resultado. Não aceita conversas frívolas, apesar do XIX lhe dar uma alegria que o XVIII em essência – por sua seriedade – não possui. A proximidade maior do Arcano V – O Papa, o transforma num educador. Pode ser pesquisador, pode ser filósofo, pode ser agregado á minúcias exageradas, mas é um educador por natureza. Sem o Arcano V, aliás, e sem a influência dos outros, o arcano XVIII pode se tornar um verdadeiro déspota.
Usei como exemplo um pesquisador, mas logicamente esse raciocínio pode abranger qualquer situação.
A relação, apresentada abaixo, sustenta o que falei. Gosto mais desta disposição do que a veiculada por Wirth e, ousadamente, eu a considero mais completa. Confira o Os indícios reveladores dos segredos do Tarô, de Wirth.
Disposição dos arcanos maiores
Uma disposição dos arcanos maiores e suas conotações simbólicas
Ilustração com o jogo de cartas de Oswald Wirth
O quadrilátero 19/18/4 e 5 (Sol, Lua, Imperador e Papa) permite inferir um processo de reconstrução, onde formas velhas eliminadas dão lugar a formas novas, mais pensadas, cristalizadas de uma maneira segura e completa. Mas o processo construtivo característico deste Arcano nos leva representar uma personalidade em formação. Eu diria que um processo de cura de qualquer natureza tem um ponto forte no Arcano XVIII – A Lua. E este processo de cura é estimulado pela presença do Arcano V – O Papa, pois o XVIII tem uma tendência a ficar preso a hábitos perniciosos.
De modo mais abrangente este aspecto construtivo pode ser extrapolado até à concepção da formação do universo. Nessa linha, entraríamos no estudo dos Tammatras e Tattwas, conhecimento muito rico, mas que extrapola nossa atenção deste momento...
 
A luz refletida permite que eu vá lento
e determinado,
talvez para resolver a mim mesmo.
Não me afasto e mudo os passos
mesmo ofuscado pelo caminho.
Meço com cuidado o caminhar
Adianto o olhar atento
e com precisão demarco
a cristalização de meus sonhos.
Sonho que de maneira vívida acontece
sem antecipação, dentro,
bem dentro de mim.
 
Referências:
Libertação pelo Yoga – Caio Miranda
El tarot – o La Máquina de Imaginar – Alberto Cousté
Le Tarot des Imagiers du Moyen Age – Oswaldo Wirth
Arcanos Maiores do Tarô – G. O. Mebes
 
Contato com o autor:
Flávio Alberoni - odontologista, coordena grupos de
estudos esotéricos nos quais utiliza os arcanos do tarô.
Poeta, colabora na seção de Poemas e no Fórum.
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Contatos: alberoni@uol.com.br
Edição: CKR – 23/10/2015
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