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Poemas: de 1. Mago a 7. Carro |
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arcanos, suas imagens e conceitos,
provocam ecos e ressonâncias poéticas. |
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1 – O Mágico (O Mago) |
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Observo o rosto dos presentes
sou apenas o mensageiro
meus sussurros soam como prece
para os moucos ouvidos dos crentes
Vim, quase desisti, mas vim.
Sou uma gota no oceano da vida,
que se dissolve ao infinito,
deixando apenas vestígio
da mensagem,
que como uma semente
brota no húmus fértil da candura,
floresce no decorrer dos éons.
Sou tão antigo como a humanidade,
muito mais antiga do que crê a ciência
dos inconscientes, que mal arranham
a superfície da sabedoria.
Iludidos pela razão, esquecem,
que a vida é mais do que lógica
que a compreensão
só chega com o êxtase
contemplar o sublime é a meta!
Acorda, homem, acorda.
A morte chama para o doce acordar.
Sacrifica teus efêmeros bens
na cruz da tua alma.
Espero, espero até o último despertar,
Meus pés alados de mensageiro
estão feridos pelo veneno da ignorância.
Sou um paciente mensageiro
que quando soar a hora
franquearei os portões do paraíso
entrarei após o último homem.
Sou um servidor da humanidade! |
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Nada desprezo. E me concentro
em toda natureza à minha volta.
São meus o céu e a terra;
meus para a descoberta
meus para a conquista.
São minhas também esta
energia
e estas flores nas armas,
que meu impulso vela.
Lanço para frente todo ser
rumo ao infinito.
O
horizonte é a meta.
Eu inicio. |
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2
– A Papisa (A Sacerdotisa) |
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Ao contemplar em silêncio
ocorreu-me que
meus melhores momentos
aconteceram assim:
quando a mente
não me escraviza em futilidades,
quando os pensamentos
não me tiram do acaso sublime
e voltam-me para o caos dirigido
refletindo em si
toda a expressão confusa da vida.
Por estar em silêncio
eu me aproximo de quem amo
na totalidade. E meus atos
não são meros atos,
refletem o pensar de todo o ser,
e sinto-me vivo sem perceber! |
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Mãe negra como a noite
suas vestes claras
contrastam com a pele.
Cubra-me com seu manto azulado
para que possa perceber
minha própria cor
e segurar nas mãos a sua Lei.
Filha da Luz
Filha da Terra abra os teus braços
e me abençõe
dando alento para esta vida.
Ave Maria
gratia plena
ora pro nobis. |
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Sensibilizo
e aprofundo a mente
oculto o conhecimento do mundo.
Tudo recebo em silencio. Mudo,
serenamente acalento,
preservo e guardo.
Alberoni |
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Peço e torno
a pedir:
Sabedoria esquiva,
que não me olha nos olhos,
dê-me um toque de tua lucidez.
O excesso de imagens me confunde,
e tenho dificuldades de traçar
uma linha entre o sonho
e o que considero vida.
Noto que os deuses me invejam
por ser mortal
e cada instante meu é eterno,
por ser sempre o último
e o deles um passar de dias tedioso
com as mesmas cores
e as mesmas imagens do abismo.
Vejam: neste momento a Lua alta
e fria ilumina esta noite.
Talvez a derradeira
após abrir minha porta
e nunca serei melhor que agora,
nem mais vivo ou mais cristalino.
Mesmo que o Sol da manhã
não veja o meu corpo
já fiz agora a parte
que eu esperava de mim.
Vejam: traço na areia minha marca
e a água logo mais a limpará,
nenhum traço meu restará
na praia, e logo adiante talvez
nem a areia já exista.
Sinto a ínconcebível alegria
de ser na terra apenas uma marca na areia
que será esquecida
após desaparecer nos sapatos dos viajantes.
Fiz minha parte na árvore da vida
e nunca - embora escondido,
entre seus ramos -
estarei distante.
Alberoni 20/12/2005 |
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3
– A Imperatriz |
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Batalha de Arjuna
Na pequena batalha que assumo,
alguém se destaca na luta,
nas lanças, entre os arcos distendidos....
O cabelo se espalha em seu rosto,
a armadura de prata,
o escudo com o pássaro em relevo,
joga-se com coragem à refrega
e não teme os gritos, as espadas.
Ajoelha-se de quando em quando
para proferir um mantra: um adversário morto a seus pés,
apenas sorri de sua dureza.
Com um grito de aviso
solta do braço esquerdo a águia,
qual uma flecha e tirando o elmo,
se revela.
É uma mulher. Seu porte severo não é altivo
mas atrai os olhos e a inveja
seu movimento certo clama as paixões
e todos tem medo e recuam uns passos para longe ...
quase em frenesi, sem conseguir tirar os olhos,
infundindo respeito
Aproximo-me. Fico surpreso:Conheço esse rosto,
sou eu!
Alberoni 06/08/06 |
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Impero
em mim.
Sou eu, o outro e nosso filho.
Plena e viva,
contenho e abraço as forças
do mundo.
Bete
07/10/2005 |
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4
– O Imperador |
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Para
Enelci Prado
Você um dia
cruzará o portal
que lhe mostrei outrora.
Talvez mais adiante,
quando não se preocupar com
a forma.
Veja:
as flores nascem
sem que eu interfira,
o véu que cobre a porta
foi colocado por alguém
não foi por mim.
Antes mesmo que descreva
o que sente como verdade
tudo será destruído
pelo tempo.
Talvez então
me veja, como sou,
e tão somente.
Até lá
estarei junto de si.
– E me diga, por favor,
como devo me vestir.
Alberoni
29/08/2005 |
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5
– O Papa (O Hierofante) |
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Para
Rodrigo Araês Farias
Por percorrer em mim
os 22 caminhos, encarei de frente
todas minha vidas.
Cada pórtico me atraindo
e cada trilha e seus requintes
olhando por mim.
Todos encontrei nessa busca inaudita
e o fim foi igual ao começo,
escondido
no tempo e nas trevas sem fim.
Nada percebi
que merecesse essa ânsia
e os conflitos que me procuravam
sem eu pedir.
Na contemplação saí
da roda
e da escravidão,
refleti minha alma
em cada acidente da jornada
outrora percorrida
sem a devida atenção.
– Venha comigo:
largue o que não é seu
e faça como eu:
Dê a cada ponto
de seu passo suavizado,
este único olhar - igual ao
meu:
maravilhado!
E deixe todas as coisas fluírem,
como realmente são!
Alberoni 29/08/2005 |
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6
– Os Enamorados |
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Futuro
indiviso
Marco Aurélio
Teixeira
Diva me disse um dia: a Vida
é uma dádiva e a dúvida
é o diabo
– não dividas teu ser
e não dês vida às
imagens
que te farão descer à
vida;
não te deixes mais invadir
pelo desejo à matéria,
cedendo lugar à aspiração
que pode conduzir ao ditoso
destino de volta ao divino.
Disse eu: a verdade dói, Diva:
mas, como devo proceder
para achar meu dom profundo,
e desvendar os mistérios do
mundo?
Declarou
ela, sorrindo: és doidivanas,
mas não te vou deixar agora:
descobre o discernimento dentro
e dá as costas para a realidade
fora,
de densos e infindáveis moldes
que tanto te causam danos,
dizimando tua energia como drenos
na dança do manifestado,
e, sendo de fato dono de ti,
devagar, sem mais divagar,
dá a devida atenção
para a chance de mudança,
depois transmutação:
do desejo em vontade
e da densidade em luz;
abre teu coração, deixa
o dilema
e a dor de ter duas naturezas
e dedica-te a dar condição
para que desabroches teu ser,
através de lenta depuração,
muita tranqüilidade e meditação.
E sem descanso, teus guias
te hão de conduzir nessa empreitada
e na grande escalada para outra dimensão!
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7
– O Carro |
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Um
desafio aos homens que lutam:
alcançar a vitória sem
mãos pesadas
e, o êxito, sem rédeas
curtas...
Renato out.05
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Persigo
o conhecimento
que é meu por herança
e que perdi
há anos
por aí.
Noto que minha atitude
é errada
e o desperdício imenso.
Deixo-me levar
pela rede de emoções
e a meta se dispersa;
deixo um tolo acidente
desviar minha atenção
e o esmorecimento marca
a soberana intenção!
Também paro com freqüência
para apreciar a flor amarela
que preenche de ternura
o meu coração...
E o mundo todo caminha
por não esperar um tolo
que não sabe buscar
e conquistar o que é seu,
realmente seu
e apenas seu, por divino direito!
Flavio
Alberoni Farias 27/08/05 |
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