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25 de junho de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Momento Brasil
Flávio Alberoni
Respondendo ao convite do Clube do Tarô, eu procurei visualizar os Arcanos que indicam o estado atual do Brasil. Uma avaliação energética e sem preocupação de voltar a interpretação para um momento político ou econômico. Até porque a dificuldade de visualização é imensa até para um cenário geral. E depois acredito que erramos menos quando tentamos interpretar a energia vigente atual. A tendência que é subliminar a todos os acontecimentos.
Os arcanos visualizados são três cartas, de uma maneira sequencial: 17 (A Estrela), 2 (A Papisa) e o 4 (O Imperador). Logo em seguida, tentei visualizar o símbolo do momento Brasil que, necessariamente, deveria estar equilibrado com os Arcanos tirados... ou visualizados, pois não costumo usar o baralho.
O símbolo se manifestou de maneira dupla: uma árvore imensa, acolhedora, forte, bem enraizada, com uma sombra enorme, dado por sua copa acolhedora. Os galhos são vistos, não obstante, de maneira clara, permitindo visualizar os frutos e mesmo os seres do reino animal que abundam em sua copa acolhedora. No entanto, dentro dela, ao lado dela, em outro nível de consciência, apareceu-me uma outra árvore. Pequena, de corpo retorcido, sem frutos, com espinhos. Há uma dependência entre uma e outra. A primeira aceitando a segunda e esta sugando da outra energia e luz.
Árvores que representam o momento brasileiro
Árvores como símbolos das diferenças
A disposição dos arcanos visualizados é importante.
O Arcano 17 (A Estrela) – que ocupa o espaço correspondente à raiz da árvore – nos leva a uma comodidade grande e que determinou o status quo atual. Uma tendência a deixar acontecer por ser inevitável. Uma falta de reação ao clima agressivo e oportunista, por achar que é assim mesmo e não é possível mudar.
O Arcano 2 (A Papisa) – Reforça o anterior e nos leva a um estado de contemplação das forças que geram a energia negativa. O conhecimento pode ser enganoso e a tendência a visualizar com alguma clareza os conflitos favorece um processo de postergar a solução dos problemas, sem se preocupar com uma solução imediata.
Cartas representativas da visão de Flávio Alberoni
O arranjo das cartas visualizadas
Cartas do tarô de Oswald Wirth
O Arcano 4 (O Imperador) - Gera uma estratificação dos anteriores, criando um elemental, um pensamento forma, que torna qualquer mudança muito difícil.
A soma – Arcano 5 (O Papa) – O Papa. Estimula um processo de circulação de energia, provocando um excessivo jogo político, onde a procrastinação é considerada a ordem do dia.
O Arcano 19 (O Sol) nos remete a uma reação instintiva nossa a todos os acontecimentos.
O Arcano 6, nos leva às nossas limitações ou ao que nos dificulta atingir e que o Arcano 4 nos leva como tendência de meta até espiritual.
Temos no Arcano 7 (O Carro) a conscientização das dificuldades a serem vencidas para chegarmos à essência (5) com harmonia.
Outras associações são possíveis, mas estas já permitem algumas conclusões interessantes. Observamos certos fatores que estimulam em muito o que foi dito acima. A soma dos arcanos 4 e 2, nos leva ao Arcano 6. Isso gera um conflito acentuado nas decisões e corrobora os adiamentos citados, favorecendo mais ainda discussões e debates inúteis com o simples desejo de preservar o status quo (Arcano 4). E este jogo de interesse é assegurado pela soma do 17 com o 2, chegando ao 19. Onde os impulsos são determinados por uma leviandade sem limites e em muitos casos infantis ajudando a preservar a energia do arcano 4. E se somarmos ainda os arcanos 19 com o 6 chegamos ao Arcano 7. Isso favorece o clima, pois nos leva a dirigentes com egos inflados e que nunca acreditam em nada além de seu terreno e acham que todos nós somos servis a eles. Existem outras associações que nos asseguram a assertiva desta interpretação. Mas, não vou cansá-los com elas. Seria muito demorado e basta por enquanto o que já foi dito para demonstrar que o clima não é bom para ninguém. Inclusive para os causadores dos problemas. Que, em derradeiro acórdão, somos nós próprios. Diz o mestre: a vítima é sempre a culpada.
Mas, se observarmos em outro nível, a coisa muda de figura. Encontramos um processo de libertação, provindo de uma exoneração geral, onde a Ordem (Arcano 4), veiculada por uma vontade superior (arcano 5), e que é uma tendência até orgânica e influenciadora em todo o processo, ativa um processo receptivo e poderoso – Arcano 17, onde a vontade se alia à uma percepção das forças da natureza e espera que a melhora aconteça, sem impedimentos. Temos a expressão do deixar acontecer inteligente (Arcano 2), onde se contempla os processos Yin e Yang, como forças naturais que devem participar do movimento e se equilibrar (Arcano 4), de uma maneira instintivamente voltada para a Luz Interior (Arcano 19), buscando sempre um acórdão social satisfatório e profundamente amoroso (Arcano 6). As dificuldades (Arcano 7), antes corrompida por um ego gigantesco, torna-se pequena pela grandiosidade de todo o sistema e transforma o momento em que estamos como algo transitório, perturbador, mas exonerativo.
Outro aspecto ainda não mencionado é a relação entre o Arcano 7 e os outros que o originaram. Com o 19 chegamos ao 8. A Justiça, indicador de que os aspectos legais estão em andamento de maneira imediata – refletindo o descontentamento do povo.  O 7 adicionado ao 6 leva ao 13, culminado uma transformação que necessariamente ocorrerá, destruindo o que o 4, em seu aspecto inferior, dignifica. Mas, como já disse, há outros aportes a serem avaliados. Mas, fiquemos apenas com estes.
Portanto, tudo depende do enfoque. No primeiro a tragédia é algo consequente e já a estamos vivenciando. No segundo, talvez mais demorado, pois como vimos no símbolo um depende do outro, a sucesso é certo. Digo demorado, pois com o Arcano 4 e 2 tão em evidência as coisas vão sempre devagar. O sete, colocado nas dificuldades a serem vencidas, torna vagaroso o processo também. O Arcano 5 como essência exige para que a relação entre a energia superior e inferior que o caracteriza aconteça, encontre sossego. Justamente o processo contemplativo que o Arcano 2 garante e o Arcano 17 favorece e, inclusive, fornece um aporte telúrico pela sua associação com as forças da terra e as que a mantém sadia e plena.
A conclusão é que o embate é duro e ainda continuará este ano – acredito eu. Mas, favorecido por um desejo de ordem (Arcano 4), um lance espiritual de respeito (Arcano 5), uma chegada às energias básicas do homem, representada pelo Arcano 2 e uma entrega total às energias superiores (Arcano 17), a vitória é certa e já está a caminho.
Flávio Alberoni - odontologista, coordena grupos de
estudos esotéricos nos quais utiliza os arcanos do tarô.
Poeta, colabora na seção de Poemas e no Fórum.
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Contatos: alberoni@uol.com.br
Edição: CKR – 7/04/2016
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Flávio,
gostei demais! Sua intuição iluminada, seguida de uma interpretação sem os limites costumeiros, é de uma riqueza que sempre me desperta, me inunda com tantas coisas difíceis de expressar!
Já reli pela terceira vez para compreender, antes de falar qualquer coisa... A visão da árvore dual com aquela parte não espiritualizada, porém vista e aceita é magnífica. O 2 no tronco corrobora os dois aspectos, a essência em fortalecimento e a 2ª ao lado, ou interna, em franco processo de vida endurecida e obscurecida.
Me interessou muito observar a ação do 7 (O carro do triunfo), como sombra do processo e de outro lado a do arcano 5 (O papa) como essência do todo, como que comandantes das ações em cursos simultâneos. Há uma luta se desenrolando, muito profundo o toque da transformação que você traz e ainda estou buscando todo significado.
A segunda parte, a partir do que trata como processo de exoneração, traz numa oitava acima, ou mais além, como um abrir-se uma nova janela e toda beleza da oportunidade começa a fluir. Magnífico! 
Esse “deixar acontecer” do 2 e também do 17, contrapondo o passivo de um lado e a nata sabedoria do outro são uma expressão que existe dentro de nós, mas que tantas vezes nos confunde. E aqui você demonstra com clareza o desenrolar de ambas, e da importância de ser assim.
Num 2º. nível, as forças do 19 (O Sol) e do 6 (Os Namorados) como que amplificam toda ação dos arcanos à superfície evocando um 7, talvez já com o Senhor do carro mais ativo e revelado interiormente. Parece que reforça também um triunfo.
Apesar das forças atuantes nessa oitava, a questão do ritmo ditado pelo 2, pelo 4, e também pelo 7 também sobressai. Traz a visão do movimento do que atua resistindo à subida, ou à exoneração propriamente dita, usando sua expressão.
Há um cenário formado, a partir da concepção binária que Oswald Wirth propõe, do 19 (O Sol) se contrapondo ao 4, e outra relação pela síntese que traz o 6 (O Namorado), opondo-se ao 17 (A Estrela). Formam um quadrado interessante, oportuno e pela harmonia caracteriza novamente o aprimoramento nacional:
um conflito arquetípico da personalidade (4) frente à essência (19) que demonstra amadurecimento, como uma pré-disposição à exposição, para resultar do atrito direto entre os opostos um despertar da consciência nacional a que estamos assistindo.
Enquanto que a outra oposição, ponto de toque de uma clara transição, traz o conflito, a dúvida, a indecisão (6) que, ao ser rompida ou ajustada, cede a um conhecimento intuído (17), ao poder da alma, com um saber de si despojado, agora aberto, pronto e transformado para um tomar a direção já despido de posições antagônicas.
Desculpe-me, ousei tentar algo no meio do intocável: somei o 5 e o 7 em suas ações. Resulta no 12. Em princípio revela uma fragmentação, uma entrega em si. Lado a lado ao 12, seguem o 11 (A Força) e o 13 (A Morte). Um demonstrando a derradeira vitória, mas na paz, com certa suavidade e o 13 reforçando a derradeira morte que a de vir, como você mencionou com o 7+6=13.
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