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17 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Minha visão sobre 2016, o ano da Torre
Ivana Mihanovich
 
O modo que Ivana Mihanovich escolheu para indicar o arcano tônico de cada ano difere da soma dos quatro algarismos da data anual, como ela já explicou em Previsões 2015. A vantagem dessa opção é permitir a sequência natural dos arcanos. Já a redução do tipo 2+0+1+6=9 fará com que o ciclo alcance apenas a carta 12 em 2019 e, no ano seguinte, 2020, voltará para o arcano 4, sem contemplar os demais. Ou seja, a redução numérica rodará em círculos, alcançando os arcanos de números mais altos apenas no final do o século 21. Outros tarólogos, como poderá ser visto no Painel, também diversificaram as opções numerológicas.
Nota do Editor
 
Para mim, em 2016, o arcano XVI, A Torre, trará a desconstrução final das erosões iniciadas em 2015. Nem tudo será, porém, aquilo que parece ser, especialmente no primeiro semestre. No entanto, à Torre chamei anteriormente de “Cacetada Divina”, pois, de uma forma ou de outra, no fim das contas, ainda que sombras acreditem poder manipular até mesmo isso, é sempre o Imponderável que realmente passa a régua, sendo irrelevante o grau de poder do indivíduo na matéria. Portanto, acredito que mesmo aquilo que primeiro parecer uma desconstrução para o Bem, mas adiante provar-se ainda pior que a construção anterior, será também aniquilado, cedo ou tarde. Entre meu otimismo com o lado luminar do ser humano e algo que me mantém crente em algum tipo de poder superior (mesmo hoje em dia, onde está fácil achar que os deuses foram tomar café…), eu ainda acredito firmemente numa balança levemente tendente ao melhor do que ao pior, depois do noves fora.
Como o tarô não está preso ao calendário, o “fim” do Diabo deste ano funde-se à Torre tônica do ano próximo, dando uma prévia de como essa vibração funciona: o “acidente” da barragem em MG, a violência em Paris, o risco de guerra de grande porte pairando no ar, a vociferação desinformante de notícias diversas causando explosões, a truculência surpreendente contra cidadãos etc. Mas há autores mais sábios e mais expressivos do que eu analisando todas essas questões. Meu trabalho foca do micro para o macro; do indivíduo para a Vida – com V maiúsculo – em grupo.
O Diabo e a Torre no Vandenborre Tarot de 1780
O Diabo e a Torre no tarô de Vandenborre (1780)
Em tempo: considero que há Torres que pertencem aos Mistérios e Torres cujas raízes estão nas escolhas e nos passos que vamos dando vida afora. As primeiras, deixemos para outras reflexões. Das outras, penso, é que podemos retirar alguns insights para interagir com o ano que se aproxima.
Lidar com a Torre é para os fortes. Penso que ela segue ao Diabo por isso mesmo. Há que se engalfinhar, antes, com os atributos do arcano XV e encontrar equilíbrio nessa parte tão visceral (que incita a dinâmica essencial entre terreno e espiritual), antes de poder encarar o abalo do não-ser. Pois o que o arcano XVI traz é justamente isso: um golpe, um susto, uma traulitada e aí, pronto: nada mais é o que a gente pensava que era. E como a gente demora para perceber que foi se encerrando numa torre, desconectado da Vida verdadeira, fechado nos nossos “eu já sei” e/ou crendo firmemente que viver é adquirir, o Invisível só encontra jeito de nos acordar sentando a pua num raio, desmantelando tudo a que nos aferramos com unhas e dentes e mostrando claramente que há mais coisas entre o Céu e a Terra.
O fato é que a Vida dá montes de chances antes de aplicar a ferramenta de Zeus. Construir uma Torre leva tempo. Seus tijolos são feitos de cada ideia, conceito, dogma ou parâmetro que consideramos finalizado, encerrado, solidificado. “Viver é xis coisa”. “Pessoas têm que ser assim”. “Amor é tal coisa”. “Uma sociedade tem que ser de tal forma”. “Homem é assim, mulher é assado, o resto não existe”. E por aí vai. E os deuses todos de mão na cintura dizendo: “Sério? Então tá.” Zás. Raio. Despencamos, atordoados. A Torre tenta nos fazer enxergar num clarão, num estrondo. Tenta nos fazer compreender através do impossível, ruindo o que tínhamos tanta certeza de que jamais cairia. Do alto da Torre, do alto daquele “eu já entendi tudo”, ela nos joga no chão e nos deixa com cara de tacho, para não dizer outra coisa.
O que pode acontecer? Ano que vem é hora de cair na real – e de uma vez por todas. Para muitos, na porrada. Para outros, menos. Quem, este ano, não entendeu que ego tem lugar, sim, mas não é o trono do meio, vai custar a fluir bem. Quem, em 2015, não aprendeu a realocar seu Diabo e ainda fica à sua mercê em vez de colocá-lo a seu serviço, vai levar bofetadas divinas. Quem ainda acredita que pode controlar tudo, vai aprender que não pode. Quem sequer procura saber a que veio, vai ser forçado a levantar essa pesquisa psíquica e espiritual. Quem se pauta pela certeza de que o dinheiro está acima de qualquer obra, vai sentir um abalo nos dois, para recomeçar entendendo que a matéria trabalha a seu favor desde que o intuito e o resultado tenham comunhão com a Vida [exceto para quem, como se diz, “tem parte com o (outro) diabo” e cuja conta receberá em hora diversa]. Quem ainda vê os outros como oponentes, vai ser obrigado a reaprender a interação. Quem ainda engole dizeres alheios sem questionar, pela preguiça de refletir, vai se sentir, primeiro, confiante, imerso numa massa de iguais e, de repente, num estalo, ficará perdido, talvez mesmo desterrado, e tendo que reaprender a “ouvir a voz de Deus” a partir das próprias células. E quem ainda dá livre curso à própria arrogância ou que aplica seu abjeto reverso, a prepotência germinal da humildade exacerbada, vai levar um imenso susto para compreender a poesia divina do paradoxo de ser um ser especial e que, no entanto, é apenas mais um.
A Torre de Babel num manuscrito búlgaro
A Torre de Babel num manuscrito búlgaro
Ilustração em www.en.wikipedia.org
Ainda há, portanto, tempo para suavizar ou, quem sabe, transmutar o abalo da Torre: basta caminhar em sua direção, em vez de dela fugir. Abrace a possibilidade de desconstrução, em vez de procurar enganar os deuses, fingindo que muda, quando na verdade quer apenas garantir a permanência das suas vontades e dogmas. Aceite ideias novas: podemos, sim, mudar várias coisas. Podemos mudar o espelho no qual nos olhamos, a maneira de entender o viver. Podemos mudar de cidade, de profissão, de namorado, de opinião, de objetivos – desde que a mudança seja para algo mais elevado ou menos medíocre, pois a Torre tem especial predileção por desmantelar mediocridades. Quem acha que juntar dinheiro é a única saída, saiba que “dinheiro” vai significar muitas coisas, nos tempos adiante. Reveja, portanto, que tipo de “dinheiro” você vem buscando. Se vivemos grudados nos outros, aprendamos a arte do Eremita, uma vibração latente ano que vem. Se vivemos isolados, podemos nos abrir a interagir mais. Qualquer um de nós pode, sim, repensar se está voltado para a luz ou para a sombra e porquê. Pode checar os parâmetros que o guiaram até agora e verificar se eles tem coerência, se estão calcados em impulsos benéficos, se melhoram seu entorno ou se o ignoram.
Podemos admitir a própria covardia e começar a mudar isso, aprendendo coisas completamente novas, chacoalhando, por livre e espontânea vontade, nossas conexões neurais modorrentas, em vez de esperar que a Torre nos force a isso. Podemos aprender algo novo, algo que consideramos estranhíssimo, algo mesmo que presumimos ser uma idiotice. Teste algo que mexa com o que você acha imutável. Só pensa em esportes? Aprenda radiestesia. Só navega pelo intelecto? Vá dançar mambo. Fala demais? Aprenda a desenhar. É introvertido? Estude mitologia. Só almeja o espiritual? Vá gargalhar. Fica pirado com que educação dar aos filhos? Aprenda a soprar vidro. Desmonte o óbvio. E compartilhe o que te fez despertar, pois estes tempos pedem generosidade de espírito.
2016 não dá pra disfarçar: é ano para ser encarado com culhão. Alma faxinada, cabeça aberta e a coragem de quem finalmente captou que Vida é bem mais que vidinha. Quem puder reunir tudo que sugeri até agora, receba o ano da Torre de frente, com a tranquilidade humilde de quem se sabe a um tempo mortal e imortal e que, por isso, recorre à ajuda divina se necessário for. E centre-se: não libere a soberba, nem escape pela covardia. Haverá clemência então.
Ivana Mihanovich é escritora, taróloga, publicitária. Publicou um livro 
sobre o tarô e mantem o blog de conteúdo: www.tarotluminar.blogspot.com.br 
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Edição: CKR – 8/12/2015
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