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21 de abril de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Minha "Não Previsão" para 2015
Ivana Mihanovich
 
Alerto: Minha visão não prioriza o cálculo tradicional da soma, por isso chamo de “não previsão”. Para previsões claras para 2015, há vários textos de excelentes autores aqui no site. As minhas são reflexões com base num insight tido há alguns anos e que considero úteis. Isso não significa que eu despreze o cálculo com o qual a maioria dos tarólogos concorda, apenas que ele não me atende completamente. Talvez seja algo muito pessoal, mas talvez sirva ou auxilie a alguém mais, por isso apresento. Este ano, por exemplo, para mim, absolutamente não foi um ano “7”, bem ao contrário, aliás. Por outro lado, a ferramenta do “14” apresentou-se, sim, mais que claramente (bem como para muitas, muitas pessoas que atendi, conversei etc).
Para explicar meu ponto de partida, simplifico dizendo que considero o “20” inicial, O Julgamento, como um “objetivo cósmico” proposto à humanidade desde o ano 2000, e o número seguinte como a ferramenta a ser aplicada, naquele ano, para alcançar dito objetivo (se quiser saber na íntegra, veja Minha Não Previsão para 2014). O meu olhar sobre o ano de 2015 aponta, portanto, O Diabo, arcano XV, como ferramenta na busca da reunião de nossas partes desconexas e de nosso reflorescimento.
Ilustração de Brian Froud
Pintura de Brian Froud
O Diabo gera controvérsia e há quem o tema radicalmente. Afora certos hermetismos que ele apresenta e que confundem a maioria de nós, credito esse temor ao “chip judaico-cristão” presente em quase todos os ocidentais. No entanto, sendo seres encarnados, para mim ele é uma de nossas partes mais evidentes, algo que não podemos negligenciar ou torna-se um problema, em vez de uma capacidade. Porém, abarcando atributos tão intensos como faz, devemos lidar com ele de forma cautelosa. Dinamite pode ser muito útil ou um estrago total.
Acredito que em 2015 a inversão de situações e o apreço pelos destituídos, conceitos subliminares do XV, servirão de inspiração especialmente (mas não unicamente) aos “excluídos”, estimulando-os a retomarem seu poder pessoal, a capacidade de sucesso material, a conquista do prestígio profissional e o dom da oratória (o poder de convencimento intenso que esse arcano traz), algo vital na hora de vender ideias, projetos e serviços. Aliás, se há algo que aprendi empiricamente sobre O Diabo, é que ele, pese a qualquer reflexão filosófica, literalmente ativa nossa conexão com a matéria, o que gera três vibrações principais: capacidade de fazer dinheiro (e de gastá-lo), libido sexual acesa e o impulso oral aumentado (gula, falar demais, drogas etc). Porém, acima de tudo isso, há a elevação do poder da vontade, algo liberador, se bem aplicado.
Diante de eventos intensos ou passionais, alguns até transformadores, um desafio desta ferramenta é conectar-se com o poder de ver além da superfície, pois certas motivações ocultas nem sempre serão bem-intencionadas. Na verdade, penso que os que não tiverem um bom entendimento com seu “Diabo pessoal” poderão ser enganados pelo “ardil da oratória diabólica” (no sentido clássico). A tagarelice, midiática ou pessoal, também precisa ser compreendida como uma das energias utilizadas para gerar a desinformação (e é imperativo compreender a quem isso serve, para estancá-la). O XV como arma de combate pede a aplicação da astúcia para perceber o que vai por trás de boas promessas, antes de embarcar em entusiasmos, principalmente os de massa. Quando o Diabo é legião, a face que aparece não é a boa.
Ilustração de
Pintura de Ivana Frank Frazetta
A grande questão ao lidar com este arcano, penso, está em aprender a sutileza de sua real orientação. A meu ver, O Diabo ativado não busca arrastar-nos para o apego ou para o submundo apenas “por farra”. Ele propõe, pela prática, situações que favorecem o reconhecimento da sombra egoica e do apego material, para atingirmos o equilíbrio de um autoconhecimento genuíno. No Diabo ativo, é hora de parar de mentir a si mesmo e de mascarar a sombra sob discursos pretensamente “elevados”. Nenhum de nós é todo santo, nem todo diabo e é essa admissão honesta o que pode colocar a vibração do XV de forma favorável na vida prática. Este arcano aponta, ainda, que urge compreender o Mistério de que o submundo é sempre concomitante ao “supermundo”. Ninguém acessa um, sem automaticamente acessar o outro. Não há encantamento eficaz que não encante um tanto, também, o encantador. Compreender esse mistério que os bruxos conhecem há milênios, torna nossas ações mais conscientes na previsão e controle de seus efeitos. A luz luciférica não é nem guia, nem algo a evitar, mas uma ferramenta que nos força a ver onde temos luz e onde somos escuridão, pois só quem conhece a própria sombra detém poder duradouro.
Todo mundo quer sucesso, dinheiro, prestígio, capacidade de sedução e poder em geral, mas bem poucos sabem como lidar com isso de forma benéfica, pois não estão cientes da sombra que isso projeta automaticamente, pela natural contraposição contida em toda dinâmica. Sua presença nos ensina, ainda, que a apreciação da matéria é algo essencialmente divino, mas excesso de terra nos dá uma guinada e leva-nos ao “des-terro”. Suas figuras seguras pela coleira também atestam que, enquanto formos excessivamente agarrados ao conforto material, mais escravos nos tornaremos de quem maneja as coleiras econômicas. Um dos enigmas que se apresentou nesta meditação é que quem, em 2014, aprendeu duramente a se recolher e a não precisar de muito, terá, em 2015, mais habilidade para ter bastante.
Para lidar com o rei da esperteza, há que se saber barganhar. Ativar O Papa, seu reverso natural, bem como a Justiça latente na soma do ano, aplica a honra, a decência e a ordem à intensidade do Diabo. O XV bem centrado nos ajuda a enxergar além do óbvio: o mesmo pulsar que nos dá o gosto pelo que o dinheiro pode comprar, por outro lado é o que nos permite experimentar a Terra pelo exercício dos cinco sentidos; o mesmo gosto que temos pelo prestígio, também envolve o desejo atávico de amor; e a volúpia sensual exacerbada na verdade transparece a necessidade natural de intimidade e de partilhar sentimentos. Perceber essas diferenças em nossos próprios atos é colocar a potência d'O Diabo num grau mais sofisticado e, por isso, trabalhando a nosso favor.
Lúcifer - o portador da luz
Lúcifer, o portador de luz
 
2015 pedirá um empenho, portanto, calcado na correção e na honra, para usar a potência do XV para além do inferior: ao expandir o que ele trouxer também para além de nós mesmos, ao favorecer quem está num raio maior do que nosso ego, ao usá-lo para consertar antigas situações “fora da ordem” (nossas e de outros) e ao aprendermos a apreciar o prazer sem sermos dragados para a armadilha da adicção, o poder desse arcano revelará sua origem angelical. Afinal, aqui também considerando o conceito clássico, Lúcifer era, originalmente, o portador da Luz e aprendi que esse “anjo caído” simbólico faz parte de nossa psique e quer, antes de mais nada, reconhecimento pela sua função e, com isso, recolocação. Assim, ele nos sugere a sombra, como é o seu “papel”, mas secretamente celebra aqueles que vencem a tentação do desequilíbrio. Usando mais sabiamente o aumento de energia que esse arcano oferece, ele surpreendentemente trabalhará pela nossa elevação (terrena e espiritual). O Diabo volta a cintilar na Luz, quando lhe provamos que sua vibração é um auxiliar na nossa própria redenção, tornando-nos melhores. Para quem vê o Diabo da forma clássica, isso é um paradoxo, e, ainda assim, continua válido.
É hora de nos apresentarmos novamente ao mundo com a potência e a segurança do guerreiro interior que nos foi outorgado para lidar com a matéria. Quem for capaz de entender a estreita conexão do poder divino na autorização do poder terreno, conseguirá reassumir um lugar de conquista no mundo concreto, reativando sua autoconfiança, restabelecendo seu poder pessoal e, consequentemente, recebendo frutos decorrentes dessa força retomada. Então respire fundo e reassuma tudo isso, relembrando-se de quem você realmente é e da força que pensa ter perdido, mas que, na realidade, ainda tem. O Diabo quer que você se lembre disso.
Acredito que este será um ano em que precisamos aprender a admitir e incluir nosso dark side no exercício de quem somos sem, no entanto, permitir que ele nos domine, e então usar nossas conquistas também a favor de algo além de nós mesmos, pois os guerreiros de honra serão francamente auxiliados pela potência do XV. Porém, e é fundamental enfatizar, quando um guerreiro despreza de onde lhe vem o poder e nunca combate em prol de um bem comum, mas unicamente de si mesmo, sua força costuma esvair-se quando ele menos espera. Não caia na armadilha da soberba, contentando-se em ser um dos diabos inferiores. Seu XV pessoal será infinitamente melhor que isso, se você estiver desperto.
Contato com a autora:
Ivana Mihanovich é escritora, taróloga, publicitária. Publicou um livro
sobre o tarô e mantem o blog de conteúdo: www.tarotluminar.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 19/12/2014
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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