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23 de abril de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


  APLICAÇÕES / Leituras-Previsões / 2009 / Nadia Greco < voltar  
Por que precisamos de oráculos?
  Nadia Greco  
 
    A natureza é um organismo perfeito, uma expressão da divindade, sempre num contínuo ciclo de semeadura, germinação e colheita. Nos primórdios da humanidade reconhecíamos o Sol, a Lua, as estrelas e a natureza como uma extensão de nós em conexão com o sagrado. Principiaram em alguns momentos do dia a meditar sobre o propósito da vida e criaram rituais para estes momentos, como o nascimento e o pôr-do-sol e as mudanças da lua.
     As forças divinas eram acessadas através de rituais diversos que colocavam-nos em harmonia com o cosmos e possibilitavam mudanças no modo de interagir com a vida. Seguíamos de estação em estação praticando estes rituais, mas muito importante é lembrar que estes rituais marcavam a passagem de muitos eventos na vida, entre eles os de jovens para adultos e de adultos para anciãos. A nossa expectativa do que acontecerá não mudou desde então. Somos uma espécie vulnerável e insegura. Mas ocorreu que entre nós alguns se destacaram aos olhos de todos e das divindades. E estes foram elevados a sacerdotisas, sacerdotes, xamãs, etc... e trabalhavam como intermediários do plano divino.
    Mas milênios foram passando e fomos nos afastando cada vez mais desta forma de enxergar a divindade em tudo e todos e fomos avançando na evolução até o ponto em que perdemos o contato com estas forças primitivas, sentindo-nos cada vez menores e inseguros, até que em dias atuais estabeleceu-se que o divino está fora, além e um tanto inacessível para grande parte da humanidade.
 
Shaman de Tom Perkinson
Xamã
Tela de Tom Perkinson
 
    Prova delas são as fontes arqueológicas (vide M. Gimbutas, J. Campbell, entre outros) e o fato que ainda existem grupos tribais e grupos diversos que ainda mantêm contato com a natureza, onde estas forças ainda se manifestam e são conhecidas por diversos nomes. Esta vivência tão intensa e profunda de nossos ancestrais existiu por milênios. Após percorrer por muito tempo por estes caminhos divinatórios, após muitas leituras em arqueologia, história e mitologias, após muitas pesquisas e também com a observação das pessoas que consultavam meus oráculos percebi que perdemos os rituais, mas não perdemos a necessidade deles. Ainda sobrevive em nós uma parte primitiva que está em contato com todas estas manifestações da natureza, dos rituais de passagens e precisa delas para seu equilíbrio. As pessoas acabaram substituindo-as por muitas coisas, entre elas as previsões.
    A memória primitiva é ativada em cada pessoa de uma forma diferente, e a falta de informação e vivência com nosso inconsciente mitológico faz com que não se entenda bem exatamente o que está ocorrendo, o porque disto ou daquilo. Quando recorremos aos oráculos e oraculistas desejamos que as divindades se manifestem tranqüilizando-nos que tudo acabará bem, que elas estão ao nosso lado. Não vamos até o oraculista com uma oferenda de frutas da nossa colheita... mas as pessoas acabam pagando de alguma forma, e o significado de irmos procurarmos por previsão tem praticamente o mesmo sentido dos primórdios da raça humana, reestabelecermos a conexão entre este mundo e o mundo espiritual que a religião não consegue, apenas porque a religião chegou muito depois deste modus operandi existir e ele já estava de muito arraigado em nosso ser.
    Final de ano, que venham todas as previsões e suas reflexões sobre nossa função no planeta, mas também importante é a reflexão: afinal para quê mesmo precisamos de oráculos?
dezembro.08
Contato com a autora:
Nadia Greco -www.nadiagreco.com
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