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26 de setembro de 2021

Responsável: Constantino K. Riemma


Artes & expressões nos tempos da pandemia
Arte nos tempos de Pandemia - Em aberto
Pare a Terra que eu Quero Descer

Preciso, urgente, de palavras novas
para escrever velhos destinos...

Parafraseando Lucy Maud Montgomery, no livro "Anne", se eu pudesse resumir o que significa poesia, para mim, eu diria que é a capacidade de criar beleza onde ela não existe, assim como a habilidade de encontrar felicidade em locais improváveis.
Epidemias pelos séculos
Ilustração de autor não identificado
Grandes eventos como guerras, escassez de alimentos e pandemias são capazes de redefinir a população de um país e até do mundo inteiro. Estima-se que os diversos surtos de peste negra ocorridos na Europa entre os séculos 13 e 17 teriam dizimado mais de 25 milhões de pessoas. A gripe espanhola, em 1918, ceifou em torno de 100 milhões de vidas globalmente. [Fonte: Revista Piauí]
Com a pandemia da Covid19 em 2020/21 não tem sido diferente, o mundo está vendo acontecer o que antes se estudava apenas em aulas de História: mortes, muitas mortes. O novo coronavírus (SARS-COV-2) infectou mais de uma centena de milhões de pessoas no planeta, gerando até o momento 3.770.779 mortes no mundo, sendo 550.000 vítimas apenas no Brasil. Fonte: El País Brasil
Industrias farmacêuticas
Cartoon Movement - EBERT
Para além disso, estarrecidos nos deparamos com mudanças dos valores, dos hábitos, relacionamentos e do dia a dia das pessoas. As consequências do que se vive agora, além dos milhões de mortos, são muitas e envolvem restrições drásticas como proibição de aglomeração social, confinamento em casa, o uso obrigatório de máscaras, limpeza constante das mãos, home office, encontros e reuniões online, fechamento de fronteiras, quarentena etcetera.
Não sabemos ainda quais desses novos costumes e protocolos serão mantidos indefinidamente pelo mundo pós-pandemia. E isso, só a passagem do tempo (anos ou décadas), o nível da devastação causado pela crise e os estudos sobre a Covid19 (formas de transmissão, letalidade, mutações do vírus, imunidade e sequelas) poderão nos revelar – no futuro, depois que bilhões de pessoas já estejam vacinadas e protegidas no mundo inteiro.
No momento, a pandemia da Covid19 nos dá a impressão de um eterno retorno: é como se fosse preciso recomeçar cada vez que o vírus parece ter sido derrotado e de novo se manifesta furiosamente por meio de uma das suas 17 mutações já identificadas (conforme dados da OMS), muitas delas talvez imunes a diversas vacinas já desenvolvidas em alguns países.
A Verdade
Cartoon La Verdad - autor não identificado
Mas se por um lado a pandemia do coronavírus nos deixa tão cheios de incertezas e dúvidas, com a mesma ênfase observamos a proliferação da arte, sob suas mais diversas formas, sendo usada como ponto de reflexão, análise e mitigação do seu impacto nos planos individual e coletivo.
Pensadores e intelectuais também estão publicando muitas ideias durante a essa quarentena, em livros, ensaios ou entrevistas. Como todos nós, eles tateiam o presente e tentam vislumbrar o futuro próximo, usando o conhecimento acadêmico e a vivência política e tentam achar lições em meio à calamidade sanitária e social. Cada um com seu ponto de vista. Cada um com seu repertório de conhecimento.
Uma visão geral da "Arte em Tempo de Coronavírus", pode ser acessada na coluna "Em Aberto", no Clube do Tarô. Hoje, contudo, abordaremos a literatura de uma forma geral e a poesia mais especificamente, por meio do livro-poema épico dramático do autor baiano Aleilton Fonseca A Terra em Pandemia, publicado pela Editora Mondrongo no final de 2020.
A literatura é uma forma de arte que se baseia no uso das palavras. De forma geral, a literatura de ficção inclui a prosa, como o romance, o conto e a crônca, além da poesia e ainda os textos teatrais. August Wilhelm von Schlegel, poeta, tradutor, crítico e filósofo alemão, define a literatura como: "Literatura é a imortalidade da fala".
A Terra em Pandemia, livro-poema de Aleilton Fonseca, coloca em debate a pandemia causada pelo novo coronavírus, como uma prova de resiliência para toda a humanidade, posta em curso pelos desmandos do ser humano na natureza do Planeta Terra.
É como se a Terra, cansada e desesperançada, tivesse tirado férias, deixando a recuperação de sua natureza por conta do homem, esperando as "soluções" a serem implementadas ou não por ele, no sentido de empoderar o Planeta a partir de agora ou simplesmente destruí-lo totalmente em função da ganância econômica, egocentrismo, falta de empatia e estupidez.
"A nossa atenção vai para A Terra em Pandemia por uma série de razões. Primeira, porque a obra dialoga diretamente com A Terra Desolada (The Waste Land), de T. S. Eliot; segunda, porque mantém uma relação de intertextualidade, óbvia ou latente, com grandes nomes da arte, sobretudo da poesia, em todos os tempos; por fim, porque o poeta se arma da sensibilidade para acompanhar a via-crúcis das vítimas da Covid-19 e, ao mesmo tempo, do verbo para denunciar o vírus terrível e expor os aliados do negacionismo científico". [Fonte: Almir Zarfeg, em Musa Rara]
Um poema trágico-lírico-narrativo, híbrido, polissêmico, intertextual, alegórico, irônico, grave. São 620 versos, em 62 estrofes. Com uma gradação cronológica exata, registra aspectos tristes e emocionantes da pandemia no Brasil e no mundo". [Fonte: Kickante]
"A Terra em Pandemia dialoga com o famoso poema The Waste Land (1922), de T.S. Eliot, ao descrever a terra devastada pela doença e pela dor, em que o sofrimento e o luto levam o poeta a refletir sobre as estruturas podres de um mundo enfermo, que não respeita as regras da Natureza e por isso está condenado pela crise ecológica e pelas desigualdades sociais. Um ambiente desequilibrado, poluído e perigoso, onde a sobrevivência se torna cada vez mais difícil e sofrida. Como protesto, o poema convoca e cita diversas vozes de poetas e filósofos históricos como Ovídio, Platão, Dante Alighieri, William Shakespeare, Cervantes, Camões (…)" [Fonte: Kickante]
O Novo
El Nuevo - por autor não identificado
O épico de 1922 (The Waste Land) começa assim: "April is the cruelest month", já o poema épico e dramático de 2020 (A Terra em Pandemia) inicia com "Abril e maio foram os mais cruéis dos meses". "Praticamente a mesma coisa, mutatis mutandis. "Na jornada, estruturada em cinco cantos (I. O enterro dos mortos; II. Um jogo de cartas; III. A Terra em Pandemia; IV. O desfile das infâmias; V. Canto final", o eu lírico reflete sobre toda podridão de um mundo enfermo — vitimado pela reação da natureza aos abusos dos homens e pelo próprio ser humano, responsável pelas desigualdades sociais". Fonte: Rascunho
Apreciemos agora parte do referido livro, tendo como fonte o "boletim poesia.net (467)", do site "Alguma Poesia" (http://www.algumapoesia.com.br), de Carlos Machado, o melhor site brasileiro de poesia, onde você pode se deliciar com mais versos do poema aqui comentado, assim como conhecer muitos outros autores, com estilos poéticos diversos. Inicialmente apresentaremos algumas das estrofes do poema sobre a pandemia atual e, em seguida, algumas partes do poema que aborda a crise da gripe espanhola de 1918:
 
"Uma amável senhora, nossa vizinha, famosa vidente do bairro,
Não previu a má sorte, embora estivesse com receio dos fatos.
Era conhecida por ser a mulher mais esperta do condomínio.
Seria discípula de Tirésias, se alcançasse o sentido do mito.
O cego clarividente, guardião do devir, adivinho por dom,
Ungido por Zeus para ver além dos segredos do Olimpo.
A vizinha amava suas carcomidas peças de tarô. Em dezembro,
jogara as cartas. Não anteviu a crise, nem a falta de respiradores.
Desejava desvelar um ano de alegrias. Ela disse: eis aqui as cartas,
O destino, as revelações: a vida e a morte entrelaçadas.
Primeira carta, o Louco. Imprudência. Precipitação. Trevas.
Não pondera seus atos. Não avalia os fatos. Caos e ruína.
Vira outra carta: o Diabo. Perdas.Abismo. Destruição.
Agora o Enforcado. Sofrimento. Resiliência. Provação.
Outra carta, por favor: A Roda da Fortuna, porém travada.
Estagnação. Embaraços. Conflitos. Azares. Desafios.
Disse ela: vejo dias vazios, ruas sujas, multidões aflitas.
Pessoas andam a esmo. Medo da morte.Enterros. Emoção.
Há algo muito grave no ar, estou  impedida de ver.
Decerto, todo cuidado é pouco nesses dias insólitos.
Da parte II. Um Jogo de Cartas
 
Madame Sosotris, célebre vidente,
Contraiu incurável resfriado; ainda assim,
É conhecida como a mulher mais sábia da Europa,
Com seu trêfego baralho. Esta aqui, disse ela,
É tua carta, a do Marinheiro Fenício Afogado.
(Estas são as pérolas que foram seus olhos. Olha!)
Eis aqui Beladona, a Madona dos Rochedos,
A Senhora das Situações.
E aqui está o homem dos três bastões, e aqui a Roda da Fortuna,
E aqui se vê o mercador zarolho, e esta carta,
Que em branco vês, é algo que às costas leva,
Mas que a mim proibiram de ver. Não acho
O Enforcado. Receia morte por água.
Vejo multidões que em círculo perambulam
Obrigada. Se encontrares, querido, a senhora Equitone,
Dize-lhe que eu mesma entrego, o Horóscopo:
Todo cuidado é pouco nestes dias.
"O Enterro dos Mortos" (The Burial of the Dead)
Máscara
Ilustração de Sílvio Jessé - Cartoon Kickante
Em solidariedade aos familiares e amigos dos mortos dessa fustigante pandemia, e com compaixão, relembro uma fala da personagem principal do livro "Jane Eyre", de autoria de Charlotte Brontë, a qual se adequa muito ao momento atual.
"Deve ser terrível você perder quem você ama muito. Numa fração de segundo, num suspiro, a pessoa se vai para sempre. E não há nada que você possa fazer para mudar isso e trazê-la de volta (…) O luto é o preço que se paga pelo amor".
Edição: CKR 26/07/2021
Por trás da máscara: mentiras, sorrisos e verdades
Assim como muitos brasileiros, tive bastante resistência para acatar a máscara como uma ferramenta imprescindível e eficaz na proteção ao surto de coronavírus. Até abril de 2020, eu via a máscara como um acessório supérfluo, que dificultava a respiração, escondia o sorriso e enfeiava as pessoas. Passei muito tempo preferindo ficar em casa do que sair para a rua com o referido adereço, que tanto me incomodava. Naquele momento eu ainda não sabia que a máscara tinha vindo para ficar, gostássemos ou não da ideia.
Hoje, 15 meses depois, considero a máscara uma grande aliada durante a pandemia da COVID-19. Com ela, e mantendo uma distância social média de 1,5 a 2 metros entre as pessoas, limpando as mãos regularmente com água e sabão ou álcool gel e evitando aglomerações é possível esperar a vacina com um grau de segurança acima de 80%, conforme dados da OMS.
Além das medidas de prevenção relacionadas acima, ficar em casa é o quarto e último mandamento recomendado pelos cientistas para esperarmos com mais segurança a vacinação, a qual se dá de uma maneira muito lenta no Brasil. Mas, ficar em casa nem sempre é uma opção viável, seja por causa da profissão das pessoas (médicos, enfermeiros, coveiros, motoboys etc.), seja pela condição econômica das mesmas que não permite tal "luxo" (é preciso sair para rua, às vezes até, para assegurar a alimentação diária), seja porque muitas moradias não permitem o isolamento físico-social recomendado em caso de doença.
Por trás da máscara
A fotógrafa Flávia Tebaldi com o marido Bruno e as filhas Teodora e Antônia
Foto: Flávia Tebaldi/Cedida ao G1
Recentemente, em reportagem do El País Brasil, profissionais da área médica do SUS informaram que várias pessoas têm chegado às UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) queixando-se de COVID-19 e que a anamnese desses pacientes revela que o problema não é nada mais do que fome.
A fome, que crescia no Brasil na última década, acabou se agravando na pandemia. Em 2020, 19 milhões de pessoas viviam em situação de fome no país, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Em 2018, eram 10,3 milhões. Ou seja, em dois anos houve um aumento de quase 9 milhões de pessoas. Fonte: BBC News
Por trás da máscara - Santiago do Chile

Pessoas com máscaras percorrem o centro de Santiago (Chile) em 3 de junho, antes de a cidade voltar a entrar em quarentena.

Foto de Martin Bernetti
Considerando o grau de negacionismo do atual do governo do Brasil, ao fazer a pesquisa para embasar esse texto, surpreendeu-me a existência da Portaria no. 1565, de 18 de junho de 2020, que tem como base a Lei no. 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que dispõe sobre as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus.
Tal Portaria visa "Estabelecer orientações gerais visando à prevenção, ao controle e à mitigação da transmissão da COVID-19, e à promoção da saúde física e mental da população brasileira, de forma a contribuir com as ações para a retomada segura das atividades e o convívio social seguro".
A Portaria, dentre outras orientações, define "Os Cuidados Gerais a serem adotados individualmente pela população", tais como:
1.1 Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou, alternativamente, higienizar as mãos com álcool em gel 70% (...)
1.2 Usar máscaras em todos os ambientes, incluindo lugares públicos e de convívio social. (...)
1.6 Evitar situações de aglomeração (...)
1.7 Manter distância mínima de 1 (um) metro entre pessoas em lugares públicos e de convívio social. (...)
1.9 Se estiver doente, com sintomas compatíveis com a COVID-19, tais como febre, tosse, dor de garganta e/ou coriza, com ou sem falta de ar, evitar contato físico com outras pessoas, incluindo os familiares, principalmente, idosos e doentes crônicos, buscar orientações de saúde e permanecer em isolamento domiciliar por 14 dias. (...)
Essa Portaria e a Lei que originou a mesma, que estão em vigor, comprovam um dito popular de que no Brasil " a lei é feita para não ser cumprida". No momento, essa atitude de desrespeito à lei é puxada pelo maior mandatário do País, o qual as assinou, reforçando com tal atitude a situação de descrença e ignorância da população brasileira sobre a pandemia, a qual tem por principais meios de informação as TVs abertas, as redes sociais e as Igrejas, fontes repletas de fake news e notícias com viés político.
Nesse país doente que se tornou o Brasil, a opiniões mais delirantes, loucas e estapafúrdias eclodem do imaginário coletivo e integram-se aos valores e comportamentos individuais e sociais, destoando profundamente das características de personalidade pelas quais os brasileiros eram anteriormente conhecidos.
Tempo sombrio e desanimador esse nosso, onde o País vive intrinsecamente uma pulsão de morte - a qual está vencendo -  e que neste momento (01/07) já contabiliza 517.800 vítimas fatais, além dos casos subnotificados. Que País é esse? Enquanto os governos do mundo todo se voltam para cuidar e proteger suas populações, os brasileiros estão relegados ao "ao Deus dará".
Quem poderia imaginar que, um dia, em vez de pegarmos a bolsa ou o guarda-chuva para sair de casa, pegaríamos primeiro a máscara? Essa indumentária meio esquisita que, de repente, passou a ser tão essencial como a roupa e o sapato.
Curiosamente as máscaras estão fazendo com que as pessoas fiquem menos "mascaradas", pois o acessório encobre quase tudo no rosto menos o olhar, que acaba ganhando destaque. É difícil deixar enganar-se por um olhar mais triste, ou alegre, mais preocupado, deprimido ou empático. Os olhos ressaltam nossos sentimentos e ânimo. Os olhos denunciam o amor e a dor, assim como o sofrimento e o medo.
A pandemia da COVID-19 tornou obrigatório o uso de máscaras. Só que esse item de segurança tirou de cena algo que sempre foi sinônimo de alegria e bom humor dos brasileiros: o sorriso. Pensando nisso, a fotógrafa Flávia Tebaldi, de 40 anos, moradora de Adamantina (SP), resolveu mostrar que é possível registrar momentos felizes mesmo com distanciamento social e a máscara cobrindo parcialmente o rosto. Uma brincadeira de família virou a campanha "Sorrir com os Olhos".
"Tebaldi trabalhou como fisioterapeuta por 18 anos. Depois de ganhar uma câmera fotográfica do marido, ela resolveu investir em um novo desafio e mudou de profissão. Há quase dois anos, ela tem se dedicado à fotografia. A campanha 'Sorrir com os Olhos' começou com as fotos dos sogros. 'Os amigos foram vendo, pedindo. Aconteceu mais para amigos e cresceu de uma maneira que me mostrou o quanto as pessoas estavam precisando mudar o foco em um período tão difícil', explicou". Fonte: G1
Por trás da máscara - sorriso
A Campanha começou com as fotos da sogra e do sogro de Flávia Tebaldi
Foto de Flávia Tebaldi, cedida ao G1.

"Para que o distanciamento social seja mantido, ela pede para que os 'modelos' fiquem de máscara esperando no portão de suas casas. Ela faz as fotos sem entrar nas residências. A fotógrafa também fez fotos de uma amiga delegada e os colegas policiais também ganharam um registro. Toda repercussão a deixou surpresa. 'Fluiu de uma maneira que eu não esperava e eu fiquei muito feliz porque fez bem para mim e para as pessoas que estão participando', comentou. Com o ensaio na polícia, o trabalho ganhou outra proporção. 'Eu comecei a ter essa ideia da linha de frente, os policiais, enfermeiros, farmacêuticos, todos os que não podem parar', disse". (Fonte: G1)

A idealizadora da campanha "Sorrir com os Olhos" diz que "gosta de fotos naturais, com gosto de alma: de foto que fala'', explica. "Meu objetivo é buscar verdades", as verdades e os sorrisos que estão por trás das máscaras; sorriso que hoje, geralmente, é transmitido pelos olhos - os olhos que nunca mentem.
Texto de Vera Vilanova
Edição: CKR 01/07/2021
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