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15 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Os Saberes e o Tarô
Gloria Marinho
 
“E no final de todas as nossas explorações chegaremos ao lugar de onde partimos e o conheceremos pela primeira vez”
T. S. Eliot
O conhecimento está nos rodeando por todo o Universo e próximo a nós. Não é preciso ser esotérico para dele usufruir. Basta entender com os mecanismos e instrumentos de que dispomos, pois conhecer é inerente a todos nós. É sabido que o Tarô é um instrumento de autoconhecimento que faz parte do acervo da visão coletiva da Humanidade, do seu presente e passado. O Tarô lida com as Sincronicidades nas realidades de dentro e de fora das pessoas para se unificar no tempo e no espaço. Por isso se diz que as cartas dos Arcanos do Tarô são imagens de representações de forças Arquetípicas que ajudam a nossa interação com o Inconsciente pessoal e coletivo.
Rose Gwain, em seu livro Descobrindo o Seu Eu Interior Através do Tarô, afirma: “Os Arquétipos contidos no Inconsciente Coletivo são mais difíceis de se tornarem conscientes e de se integrarem do que os conteúdos mais próximos do Ego no Inconsciente pessoal – as funções, atitudes e a sombra pessoal”. E ainda: “A Persona negocia com o mundo. O Ego entre o mundo e o inconsciente pessoal. O Inconsciente Pessoal contém a sombra, as funções e as atitudes. É nele que os arquétipos assumem a forma pessoal”. Não se trata de um psicologismo exagerado aplicado ao Tarô, mas apenas de um viés psicológico na ênfase dada pela autora do livro Tarô Psicológico, cujo objetivo maior é o sentido psicológico da vida.
Com sua tríade de livros sobre o Tarô e seu novo método de coaching, Maria Celeste Rodrigues, conseguiu por completo explicar os pensamentos acima citados de Rose Gwain.
Os Saberes do Tarô - livros de Maria Celeste Rodrigues
Tríade dos livros de Maria Celeste Rodrigues: Tarot: Uma Proposta de Vida;
Linha da Vida: O Mapa Natal do Tarot  e  Tarot Coaching - Contando Historias, Curando Vidas.
Clique sobre os títulos para acessar as respectivas resenhas
Maria Celeste Rodrigues é professora, psicopedagoga, astróloga e taróloga. Pesquisa mitos e arquétipos há mais de 30 anos, buscando seus significados e sua influência na vida pessoal e profissional das pessoas através do estudo aprofundado dos Arcanos Maiores do Tarô. Ela é autora dos seguintes livros:
O Chifre do Unicórnio
Ensinando e Aprendendo: A Educação do Éden à Globalização
Tarot: Uma Proposta de Vida
Linha da Vida: O Mapa Natal do Tarot
Tarot Coaching - Contando Historias, Curando Vidas.
Os dois primeiros livros estão esgotados. Lendo a sua última tríade descobri sua ligação com mitos, arquétipos e numerologia, com a perfeita fusão de interpretação de uma lógica coerente com uma visão psicológica. Foi a partir do seu livro Tarot: Uma Proposta de Vida, no despertar da consciência, que entendi pela primeira vez o viés de uma psicologia simbólica, em que o mito é essencial para o entendimento do desenvolvimento pessoal e cultural.
Celeste lembra ainda, que a diferença entre um mito e um arquétipo é a sua função maior. O mito é moral. O arquétipo é ético; ele é também atemporal. Temos um exemplo recente de uma remitologização (ressurgimento do mito com outras roupagens). Foi, para muitas pessoas, o ressurgimento do mito do herói na figura do Bolsonaro.
O mito é criado pelo Imaginário popular e retira sua força dos seus valores e dos desejos do povo. No livro O Herói de Lutz Muller, está escrito que todos nascemos para sermos heróis. Heróis do cotidiano.
“O mito do herói, da pessoa que tem coragem para vencer todas as adversidades e superar todos os seus medos, que consegue penetrar em esferas até então desconhecidas para adquirir novos conhecimentos, que põe em risco a própria vida para outros salvar, mesmo que seja uma única pessoa, sempre fascinou os homens de todas as culturas e de todas as épocas.” Está explicado o sucesso do Bolsonaro. Diria que sua remitologização aconteceu através e pela sociedade brasileira.
Estas lembranças me vieram à cabeça porque em um e-mail, em resposta à minha ousadia de sugerir o acréscimo da Astrologia à tríade já escrita, Celeste me respondeu que seu próximo livro, seria escrito a quatro mãos e se chamaria Tarot e Mito, com o acréscimo da Astrologia.
O mitólogo Joseph Campbell nos diz que uma das mais importantes funções do Mito é a orientação dos passos na jornada, nas travessias de vida das pessoas, como uma espécie de mapa ou guia de viagem, ajudando-as a identificar e alcançar a realização plena.
Vem daí a minha euforia na espera de mais um livro. Tenho certeza que será o clímax de sua nova metodologia, o que a elevaria o ranking futuro dos estudos da Tarologia em suas várias conexões.
O Nilton Schutz já faz isso com o seu Tarot Quântico e Terapêutico. Ele inclui Cabala, Chacras e Astrologia. Existe também Astrologia Sistêmica, Mítica, Psicológica etc.
Celeste Rodrigues poderia ser referenciada ao Tarot Clássico e não aos tarôs transculturais, como é o caso do Junguiano, Da Vinci, Surreal de Dali e muitos outros.
Os tarôs da linha cabalística, como é o exemplo do Oráculo Cabalístico de Deepak Chopra, incluem as 22 letras hebraicas, em que cada uma delas letra é símbolo de um arquétipo fidedigno dessa linha espiritual. Já o Tarô Alquímico é pautado pela psicologia das profundezas de Jung. É o futuro dos estudos da Tarologia.
É de conhecimento geral que a magia e o misticismo se incluíram na psicologia Junguiana nos últimos livros desse autor, de difícil leitura, principalmente o Livro Vermelho. O interesse pela Numerologia cabalística é bem visível. Na Numerologia também vemos arquétipos, símbolos e metáforas que servem para definir estilos de existências.
Trouxe de Paris alguns ditos “tarôs”, que cabem perfeitamente no esquema de um simbolismo mais aberto, já que não lida com um tarô clássico, mas sim com sistemas simbólicos mais diversos e variados, como é o caso do L’ Oracle des Chakras, Oracle TaoJardin Interieur, Oracle des fleurs. Eles fazem parte desta nova visão do simbolismo.
Resumindo a Tríade de livros de Maria Celeste eu diria que no primeiro livro, Tarot, uma Proposta de Vida, poderia parecer como uma terapia cem por cento Junguiana, mas não é bem o caso. Alguns conceitos junguianos são aplicados, mas o mais importante é a inter-relação aplicada ao Tarô, que é vista como instrumento simbólico em sua linguagem inesgotável. Poderia ser considerado como um manual de interpretação dos 22 Arcanos Maiores.
Já no segundo livro, Linha da Vida, o mapa natal do Tarô, há inserção de um novo saber a Numerologia para a escolha dos arcanos na linha de Vida de cada um. Neste livro se vê ainda que, como diz o editor, “a leitura de Maria Celeste apenas facilita o caminho do autoconhecimento e aponta na direção ao que é mostrado pelos Arcanos. Nossas dificuldades podem ser compreendidas, possibilitando assim uma nova maneira de pensar e agir”.
Este método permite, como diz a Celeste, mostrar as respostas certas para todos os setores da existência, do pessoal e do transpessoal, da busca de identidade até a expressão da espiritualidade na Linha de Vida do consulente.
No terceiro livro, Tarot Coaching. Contando histórias, Curando feridas, o objetivo maior é o de encontrar e identificar os arquétipos mais significativos da Linha da Vida, no seu dia-a-dia, as histórias de cada pessoa, suas lembranças do imaginário, dos sonhos e dos projetos marcados ou esquecidos na memória. É a cereja do bolo.
O que escrevo a seguir servirá de orientação ou de estímulo para aqueles que se identificarem com metodologia celestiana. Também desejo saber, citando uma frase de Jung, se “quando o descobridor está pronto, o mestre aparece”.
Meus estudos sobre o simbolismo, a mitologia e o imaginário tiveram seu aprofundamento no mestrado de Antropologia. Ao tentar criar uma metodologia criativa pesquisei os seguintes livros: O Herói de Mil Faces, de Joseph Campbell;  Jung e o Tarô, de Sallie Nichols; Estruturas do imaginário, de Gilbert Durand e Yves Durand.
O meu primeiro artigo no Clube do tarô explicitava o meu pensamento na interpretação das cartas. Tenho outras experiências plausíveis além do estudo de Jung: 5 anos de atendimento como voluntária no CVV, um curso on-line de Coaching; uma terapia com a Psicologia Alquímica.
No Centro de Valorização da Vida (CVV) seguia-se a orientação do psicólogo Carl Rogers – Ser o que se é – onde aprendi a discernir o que é: Assertividade, Empatia, Ausência de julgamentos, Aceitação, Aconselhamento individual como orientação de Vida.
Falando do Coaching faço minha as palavras de Kate Burton quando diz que: “Coaching é uma parceria entre duas pessoas que inspira um novo pensamento e conduz à mudança”. O verdadeiro objetivo do Coaching é de fato a integração entre o consulente e o tarólogo para um aperfeiçoamento e melhoria da personalidade. O mentor em questão irá trabalhar despertando as habilidades e talentos escondidos  – tal como indicados pela Linha da Vida através dos Arcanos Maiores – permitindo assim o livre fluxo das ideias e decisões a serem tomadas para a melhoria da vida.
Seguindo a orientação da metodologia Celestiana teremos:
a. Introdução (aquecimento);
b. Mudança de temas;
c. Fechamento (conclusão).
Isto tudo deve ser realizado tendo em mente o autoconhecimento. Nas palavras de Celeste, o tarocoaching não se destina apenas à resolução de problemas, mas também ao conhecimento da vida de cada pessoa. O caminho do autoconhecimento ou da busca da individuação não se realiza por um curso que se faz para obter diploma...
Qualquer pessoa sabe que o árduo caminho do autoconhecimento depende de muito trabalho e prática de reciclagem constante. A formação de um coach envolve sempre vários saberes.
Finalizando, gostaria de acrescentar mais um livro importante para a questão discutida. Trata-se da Sabedoria do Eneagrama de Don Richards Riso, que considero um guia para o entendimento psicológico e espiritual dos:
– 9 tipos de personalidades,
– 9 maneiras diferentes de ver a vida,
– 9 modos de estar no mundo.
Em conclusão e atenta ao futuro da Tarologia colocaria Maria Celeste na trilha do desenvolvimento das novas modalidades do Tarô Clássico. Por tudo isso, expresso meus agradecimentos à Maria Celeste Rodrigues pela disponibilidade de seu trabalho para os interessados.
Expresso ainda a minha satisfação particular pela disponibilidade de sua metodologia, inclusive com os questionários já prontos, embora possam ser alterados ou ampliados de acordo com a necessidade. Finalmente, expresso a minha alegria por ter acessado o estudo de uma Tarologia onde se encontra o fechamento de minhas ideias e conceitos.
 
“Tendo nascido como ser Humano ele fez o que precisava fazer.
Nada mais existe para ele conquistar, nada mais para atingir,
Ele compreendeu o que precisava ser compreendido, o seu próprio Ego”.
Gratidão eterna Maria Celeste Rodrigues.
 
Glória Marinho é historiadora e antropóloga formada pela UFPE.
Atende pessoalmente, seguindo a linha junguiana: glorieta@bol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
 

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Edição: CKR – 23/11/2018
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