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07 de julho de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


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Adivinhação é pecado?
Constantino K. Riemma

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Flávio Siqueira - 26/4/2010 17:56:40
"Queria que você esclarecesse uma questão que tem estado em minha cabeça há algumas semanas. Como lidar com o tarô e com algumas idéias cristãs? Por exemplo, há diversas passagens bíblicas (Deuteronômio, Levítico) que condenam a prática adivinhatória e tal e coisa. Acho que você já ouviu muito acerca disso. Bom, creio que seja importante saber como lidar com tal questão, pois sou muito criticado por minha família acerca disso."

Constantino: O tarô não é condenado pelos cristãos. Ele aparece no mundo católico, no século XV, utilizado nas cortes e nos mais diferentes lugares, com finalidade lúdica, sem qualquer interdição religiosa. Mais ainda, na tradição judaico-cristã os prognósticos não são condenados. Muito pelo contrário, os profetas sempre foram valorizados. Portanto, a questão fundamental é compreender o que de fato pretendem os orientadores religiosos quando condenam a adivinhação. Seria mera implicância ou preconceito? Sim, pode ocorrer que muitos religiosos sejam simplesmente pessoas fechadas. Mas será só por isso? Talvez valha a pena refletirmos um pouco mais.

Uma imagem que utilizo para examinar essa questão é a seguinte. Se alguém passar por você em excesso de velocidade, em direção a um paredão, será possível prever que dentro de 5 segundos ele se arrebentará num impacto fatal. Você será elogiado e valorizado por suas aptidões de previsão. Se ao invés de confirmar a trombada você der um grito e alertar o distraído para brecar, talvez o impacto seja bem menor ou até mesmo possa ser evitado. Nesse caso, o seu gesto talvez não seja tão valorizado e todos acreditarão que você simplesmente fez o que deveria fazer pelo seu semelhante.

[Ao lado: "Fortune Teller" em www.aescott.net
Ilustração abaixo: Ramana in www. bhagavanramana.blogspot.com]


Outra imagem pode nos ajudar a refletir sobre o problema que você coloca. Um médico de diagnósticos pega uma radiografia e faz sua previsão ao paciente : "Você só tem três meses de vida". Já um médico curador vai olhar a mesma chapa e fazer tudo o que estiver ao seu alcance para superar ou, pelo menos, contornar a gravidade da situação. O paciente poderá viver ainda muitos anos, contrariando assim os diagnósticos iniciais. Ou seja, não é pecado fazer diagnósticos. O problema todo está na capacitação do profissional para utilizar os prognósticos de modo terapêutico e não para agravar o sentido negativo de um quadro muitas vezes bem difícil.

Em muitas questões humanas, nas quais predomina a mecanicidade dos  acontecimentos, o adivinho poderá prever como a pessoa sofrerá com a situação. E ao verbalizar sua previsão poder correr o grave risco de reforçar, na mente e no coração do consulente, a mecanicidade dos fatos, agravando assim os problemas que enfrenta. Caso esse mesmo consulente tivesse buscado um terapeuta competente ou um orientador espiritual talvez pudesse ganhar um novo discernimento, uma nova compreensão do processo, e tomar medidas e direções que evitassem equívocos e a piora da situação em que vive. Mais ainda, poderia até mesmo reverter tendências negativas e ganhar novos rumos de crescimento.

Com esses exemplos cabe a questão. Como lidar com as possíveis previsões? Qual é o grau de saber necessário para utilização terapêutica dos prognósticos? Como ganhar a qualificação para lidar evolutivamente com as questões humanas?

Desde sempre as artes divinatórias tiveram forte presença na vida humana; basta ver a enorme lista de mancias até hoje praticadas em todas as classes sociais (confira em: http://www.clubedotaro.com.br/site/r68_0_mancias.asp). São muitos, porém, os buscadores espirituais que contrapõem o livre-arbítrio ao determinismo das adivinhações. Apesar de, no plano coletivo, predominar a busca de previsões factuais de "sim ou não?", "vai ou não vai dar certo", e de também serem muito procuradas as técnicas mágicas e "trabalhos" de manipulação da vontade alheia, estamos frente a outra bela questão para considerarmos.

Se tivermos a possibilidade de realizar escolhas como devemos estudar para tomar as melhores decisões? Onde buscar orientação? Se, caso contrário, estivermos diante de situações inelutáveis, como fazer para descobrir a melhor atitude?

Quem poderia ser nosso guia e orientador? Em nossas crises e incertezas, procuramos por um cartomante, por um tarólogo, ou por um mestre e orientador espiritual? Será possível combinar essas alternativas?

E aí?

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Flávio Siqueira - 4/5/2010 17:10:49 
"Oi Constantino. Agradeço demais sua resposta. Alías, ela me fez pesquisar várias coisas interessantes. Entrei no Google e joguei o seguinte: "Tarô e cristianismo". Qual não foi minha surpresa encontrar o link   para o próprio  Clube do Tarô, onde você escreveu  sobre o livro "Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores". Minha surpresa foi maior ainda ao verificar que a Editora é a Paulus. Daí segui um dos links que mostram o saudoso Papa João Paulo II sentado à sua mesa com esse tal livro, presente de um de seus Cardeais, fala o texto. Fiquei espantado ao pensar que talvez ser cristão e ao mesmo tempo fazer uso do tarô não seja algo tão antagônico.
De qualquer forma, quero pesquisar mais sobre as passagens bíblicas do Levítico e Deuteronômio que fazem referência ao assunto, pois quero saber por que usam tais passagens para condenar o tarô. Penso que manipulam ou manipularam o texto como forma de concentração de poder religioso, ou coisa parecida."

    [Foto: O Papa João Paulo II e, em sua mesa de trabalho, o tratado de Valentim Tomberg sobre o Tarô]

Resposta do Constantino: :
Flávio, foi muito bom você lembrar que um dos mais importantes tratados sobre os arcanos maiores é de autoria de um cristão, católico! Para registrar o link a outros visitantes, o texto que você menciona está na seção "Serviços / Livros e Autores / Estudos -> Valentim Tomberg". Ou para chegar até ele basta apenas clicar: http://www.clubedotaro.com.br/site/z94_Tomberg-bio.asp

 
03/05/2010 22:27:59

Comentários

Tinah Lima - 11/05/2010 17:59:51
Também sou católica e quando me interessei pelo Tarô tive a mesma dúvida.
Nei Naiff, após muitos anos de pesquisa, escreveu na sua trilogia (Tarô, Ocultismo & Modernidade - Tarô, Vida & Destino - Tarô, Oráculo & Terapia) que os esotéricos não foram caçados pela inquisição. Astrologia, tarologia e afins não eram considerados como bruxaria ou pecado.
Também existem citações de vários profetas na Biblia, Jose, Moises etc... Homens considerados "santos" que previam o futuro.
Nem de longe quero comparar a leitura do Tarô com previsão do futuro, mas apenas lembrar que seja pelas cartas do tarô, através de sonhos ou nuvens no céu, o ser humano sempre pediu orientação divina. Isso vem acontecendo muito antes de Cristo e a Bíblia está repleta dessas "passagens". Pelo menos naquela época isso não era considerado pecado.

Para saber a opinião atual da Igreja Católica sobre este assunto, você poderá acessar o site da CNBB e através do fale conosco perguntar sobre a questão (http://www.cnbb.org.br/site/).
Confesso que eu mesma não fui conferir, pois até hoje tudo o que o Tarô me aconselhou foi sempre muito sábio e verdadeiro. Todas as vezes em que eu consultei o Tarô e segui seus conselhos, me saí muito bem. Mesmo que alguns atribuam a sua origem aos deuses Egípicios, Indianos, Extra terrestres e etc, eu acredito que a origem do Tarô venha de DEUS.

Flávio Siqueira - 13/05/2010 09:04:44
Gente, ontem encaminhei um e-mail(abaixo) para o departamento da Doutrina da Fé da CNBB no qual questiono e peço um esclarecimento por parte da Igreja acerca da relação tarô & catolicismo(cristianismo). Óbvio que não pergunto se é certo ou errado, ou se é pecado ou não, mas simplesmente peço ao Padre Wilson que exponha o pensamento da Igreja.
Vou aguardar a resposta e quando eles responderem, e se responderem, eu posto aqui a opinião, ok?

Abaixo segue o e-mail:

Prezado Pe. Wilson.


Sou católico e gostaria de saber a opinião da Igreja acerca do tarô e seu uso. Pergunto isso porque ao fazer algumas pesquisas, descobri que existiu alguns membros do clero que pareciam que simpatizavam com o assunto. Um exemplo foi o famoso teólogo e jesuita Hans Urs von Balthasar que escreveu o prefácio da obra prima de Valentin Tomberg - Meditações Sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. Inclusive no site do Vaticano, o Papa Bento fez inúmeros elogios à vida e às contribuições intelectuais feitas por Balthasar.

Durante minha pesquisa, curiosamente descobri que nosso saudoso Papa João Paulo II parece ter sido presenteado com os dois volumes do livro que acabei de citar. E tudo indica que foi presente do próprio Balthasar. Segue o link com a informação: http://theosophist.wordpress.com/2008/04/24/pope-john-paul-ii-meditating-on-the-tarot/

Hoje em dia esse livro ainda continua sendo editado pela Editora Paulus. Então gostaria que o senhor me esclarecesse o assunto, pois pelo que percebi, usar o tarô e ser católico não me parece ser algo tão contraditório.

Aguardo sua resposta.



Bete Torii - 13/05/2010 14:37:11
Que excelente iniciativa, Flavio! Nada como perguntar limpamente à outra parte, quando se tem dúvida. Voltarei aqui todos os dias, agora, esperando a resposta.
Um abraço.

Marcelo - 13/05/2010 22:44:58
Foi mal. Geralmente, quando tem uma caixa para incluir o site na área de comentários, o nome vira link para o endereço indicado, o que não aconteceu aqui. O endereço é http://zephyrus.blog.br/2010/03/07/o-futuro-a-dus-pertence/

abs

benedita - 13/05/2010 23:16:31
gente se e pecado , tem tanta coisa mais pecaminosa eu mesmo tenho e jogo o taro dos santos sou catolica e frequento a igreja sem fanatismo, nao sou fã de fanatismo em nada mas durante muitos anos jigue tarot dentro de uma igreja em troca de cestas basicas para os pobres da igreja e o padre adorava conversar sobre o esoterismo, ele tinha ate uma chacara com uma mesa redonda com 12 lugares representando cada signo pena que ele morreu o ano passado, ele era muito 10. sera que pecamos tanto assim em ajudar o proximo? acho que não mais pecado foi os inquisidores e outras aberraçoes em nime de cristo

Maria Aparecida - 16/05/2010 11:56:44
Venho constatando sua imensa luz, ao orientar as pessoas, parabéns por ser essa pessoa generosa que auxilia-nos a caminhar

Bete Torii - 17/05/2010 20:29:01
Obrigada, Marcelo.

Flávio - 18/05/2010 15:35:18
Gente queria propôr algo: Por que não perguntar ao próprio´tarô acerca do assunto? Alguem se arrisca? eu não porque iniciei os estudos agora e sei que a formulação da pergunta é parte bastante relevante, assim como o método, que por sinal não tenho amínima ideia de qual usar. Mas deixo essa sugestão para os colegas já mais íntimos. Nem sei se isso é possível, porque a questão de s pecado ou não é uma coisa tão pessoal, mas de qualquer forma me inspirei em uma táróloga(esqueci quem foi) que, com toda aquela discussão sobre consultas on-line, ela decidiu pergunta ao próprio tarô. Se alguém quiser tentar, aguardarei com muita expectativa a resposta do oráculo!!!

Flávio Siqueira - 19/05/2010 12:55:04
Oi pessoal.... A verdade é que essa dúvida me consome a cada dia...não consigo levar os estudos adiante pois tenho pavor de estar fazendo uma coisa errada...pra quem não é cristão acho que é mais fácil usar o tarô no dia-a-dia, mas para mim, não...as passagens bíblicas são claras...Como usar o tarô, estudar e fazer leituras sempre com a mente acusando e peguntando: isso é correto?? tem certeza??? Então acho que vou parar por aqui e deixar as cartas repousando até um dia, que sabe, pegá-las novamente.

Bete Torii - 19/05/2010 18:43:24
Flávio,
fiquei surpresa com sua decisão. Se me permite, quero apontar uma "falta de método" (como diria Poirot) na sua atitude: o que a Bíblia condena não é o tarô, é a adivinhação, ou a consulta a agoureiros e adivinhos! E o tarô não pode ser confundido ou igualado com augúrios - esse é apenas um de seus usos e não o mais rico. Se você estava estudando o tarô apenas com essa intenção, tudo bem, entendo que queira parar para não ter problemas de consciência - mas o problema ou a coisa a ser abandonada é essa intenção, e não o instrumento que viria a servi-la.

Garanto-lhe que, se você se dispuser a ler o livro "Meditações sobre os Arcanos Maiores do Tarô", verá que tal estudo pode inclusive aumentar sua cultura e aperfeiçoar sua atitude como cristão católico. Ou ao menos (já que esse livro não é muito fácil de ler) aproxime-se de textos e idéias que consideram o tarô como um "objeto histórico" ou sistema simbólico que tem algo a dizer. Veja por exemplo, para começar, esta página aqui mesmo neste site: http://www.clubedotaro.com.br/site/m33_flornoy_quadri.asp.

Um grande abraço,
Bete

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