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21 de abril de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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  Apresentação | A autora Ma Padma Deva | Galeria completa das cartas  
Ma Deva Padma,
criadora do  Osho Zen Tarot  e do  Tao Oracle
Apresentação de
Jaime E. Cannes
    A entrevista que se segue é reveladora. Mostra o pensamento criativo e devotado de Ma Deva Padma que desde cedo demonstrou imenso entendimento natural e profundo respeito pelo jogo do tarot. Criou um baralho cuja intenção era não apenas o de lançar mais um baralho de tarot, mas o de criar um que espelhasse com perfeição os ensinamentos do Zen-Budismo conforme a visão do guru indiano Osho e que aprofundasse a exploração do si-mesmo, ou o autoconhecimento.
   A autora pintou imagens que nos remetem a um salto para dentro, com paisagens belas e inspiradoras.
   A simbologia dos desenhos do Osho Zen Tarot nos conduzem a uma profunda reflexão interior, como aquela imagem do cavaleiro de copas que parece saltar de um abismo que não mostra o fundo, mas apenas um lindo céu cor-de-rosa de fim de tarde! Que salto é esse? Ele se salvará? É uma grande queda? E por que seu ato parece mais uma afirmação da vida do que uma saída dela?  Mesmo que a palavra Trust (Confiança) não estivesse ali, não há sinais de melancolia e a posição do corpo, ereta e excitada, parece estar dizendo SIM!
    Essas e outras fortes impressões plásticas (E acabo de compartilhar com os leitores uma das que tive quando vi suas imagens) tornam esse um dos baralhos mais belos já criados. E o que o torna ainda mais especial é que a autora já era uma buscadora amadurecida e uma artista plástica consagrada quando o criou, havia passado por vários trabalhos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, como a tabela Árica de Oscar Ichazzo e já havia realizado exposições de suas obras pelo mundo todo.
 
O Cavaleiro de Copas no Osho Zen Tarot
Trust (Confiança)
O Cavaleiro de Copas no Osho Zen Tarot
 
    Outra peculiaridade é que quase todos os conjuntos de cartas de tarot criados na atualidade são de um ilustrador orientado por um ocultista experiente. No Osho Zen Tarot o próprio ilustrador é o autor e não um iniciante ousado em nenhuma das duas coisas – como ocorre no Motherpeace tarot, no qual as realizadoras desse trabalho, Karen Vogel e Vicki Noble, eram ávidas pesquisadoras de ocultismo há muitos anos, mas não tinham experiência
 
Osho Rajneesh, 0 79º arcano no Tarot de Ma Deva Padma
O Mestre
Carta extra no Osho Tarot
  com artes plásticas quando decidiram iniciar a obra.
    Apesar de amar suas imagens e ele estar entre os meus favoritos em consulta, não o considero um bom baralho para um iniciante que não tenha se familiarizado com o tarot clássico. Como todos os tarots de autores as imagens de seu simbolismo são distorcidas com relação ao tradicional para enfatizar os significados mais considerados pela autora (Muito embora o significado original dos arcanos não tenha sido adulterado, apenas a sua representação artística).
     Outra peculiaridade é o 79º arcano chamado de “O Mestre” com uma imagem do Osho. O significado atribuído por Ma Deva Padma é a de um encontro com um guia ou guru inspirador, Como esses significados são cabíveis ao arcano V. O Hierofante – que nesse baralho se chama “Não-materialidade” – o considero redundante e não o incluo nas leituras. Muitos discípulos do Osho também não o incluem, e deixam-no à parte na mesa de atendimentos como uma imagem inspiradora, que afinal é o significado que a autora deu a ele.
    Para quem já tem intimidade com os arcanos, entretanto, eu só posso aconselhar uma experiência com suas poderosas imagens símbolo que fornecem uma visão nova e transformadora no modo como víamos as cartas do tarot.
Entrevista com Ma Deva Padma
Por Percy Balemans
 
Ma Deva Padma, a criadora do Tarot Zen do Osho e do novo Oráculo do Tao, fala sobre o tarot em geral e sobre os baralhos que criou.
 
    Como você se envolveu com o Tarot? De onde surgiu esse seu interesse?
    Eu tinha 12 ou 13 anos de idade quando eu vi e joguei o Tarot pela primeira vez. As imagens coloridas do baralho me intrigaram e de certa forma eram familiares para mim mas eu não tinha informação sobre o que elas eram até alguns anos mais tarde.Esta idade foi uma época apaixonante, explosiva para mim, coincidindo com o início da puberdade, questionando o sentido da vida e sendo exposta à arte que representava antigas filosofias religiosas/esotéricas ocidentais e orientais tão diferentes do meu mundo conhecido. Desde o início, eu sabia que eu seria uma artista. Eu também sabia que um dia eu criaria minhas próprias cartas. Isto não foi vislumbrado para ser um Tarot assim como tal. Melhor, "Meu Tarot" devia ser preenchido com imagens fabulosas que poderiam "falar" para qualquer um não importando de onde vieram.
   O fato de eu ser uma apaixonada artista Aquariana com um impulso de criar algo de valor para a humanidade me deu suporte para manter viva aquela visão por muitos anos até eu ser mais tarde "formalmente" introduzida ao Tarot. Mas para remontar às sementes iniciais do que são hoje meus baralhos Zen e do Tao, com 13 anos de idade eu assistia aulas de arte no sábado e ficava pesquisando por horas a extensa coleção de antiguidades nas imensas salas do Museu de Belas-Artes de Boston. Haviam três áreas (do Museu) às quais eu retornava com freqüência, a Egípcia, a Europa Medieval e a Chinesa/Tibetana. Nestas áreas eu me sentia tão familiarizada e de maneira misteriosa com certas imagens e símbolos. Eu fui particularmente atraída para os antigos manuscritos Cristãos ilustrados com iluminuras e também fui igualmente fascinada por pictogramas e hieróglifos dos antigos mundos do Egito, Suméria e China.
    Como você aprendeu mais sobre o Tarot?
    Minha primeira experiência real com o significado do Tarot veio no início dos anos 70 enquanto eu estava em um curso de treinamento avançado no instituto Arica em Nova York. Oscar Ichazo, o fundador e inspirador da eclética/esotérica escola de Arica, foi um homem extraordinário e uma presença carismática. Seu conhecimento sobre ensinamentos e métodos esotéricos de uma extensa variedade de culturas foi sintetizado no que era então o Projeto de Arica. Tudo começou com um treinamento de 40 dias e progrediu para um avançado de 3 semanas. Durante este curso avançado nós tivemos uma série  de  palestras  sobre
 
Susan Morgan Ostapkowicz ou  "Ma Deva Padma"
Susan Morgan Ostapkowicz,
ou Ma Deva Padma,
nasceu em 1947, nas
proximidades de Boston
www.thetaooracle.com
 
Ichazo que eram associadas a visualizações, trabalhos em grupo e meditações, alguns deles focados no Tarot.
    A simbologia do Tarot e sua interpretação refinada de todos os aspectos de nossa natureza humana, eram como comida para meu psiquismo faminto. Peças de quebra-cabeça foram tomando forma em minha mente. Eu descobri que poderia acessar percepções e orientação quando fosse necessário, através do uso das cartas. Eu não era fixada em métodos particulares ou jogadas tradicionais, nem estava interessada em discernir o futuro. Ao invés disto, eu cada vez mais vivenciei as cartas como um velho e sábio amigo que estava disponível quando meus questionamentos sobre o agora era sincero. Era como segurar um espelho à frente e ter um ser superior falando comigo através dele.
 
Criatividade, carta do Osho Tarot
Criatividade
Carta do Osho Tarot de Ma Deva Padma
      Através dos tempos eu criei inúmeras maneiras de usar o Tarot. Naqueles dias eu me irritava quando eu testemunhava o Tarot sendo usado como um jogo ou como uma diversão. Eu ficava pessoalmente ofendida e desgastada diante da irresponsabilidade do que eu percebia como uma falta grosseira de entendimento e respeito! Eu gritava interiormente que as pessoas não percebiam que benção era ter este tipo de instrumento de sabedoria ainda disponível. Porque eles não enxergavam isto!!!
    Por volta dos meus vinte e poucos anos eu tive certeza que havia um modo de imbuir um baralho com a essência consagrada do Tarot como o Livro da Vida, da vida de todos, que poderia ser prontamente utilizado sem o conhecimento médio ou imediato dos símbolos esotéricos, e que eu poderia ser aquela a fazê-lo de um modo com que os outros pudessem ser atraídos mesmo que não tivessem nenhum interesse sobre o Tarot. Realmente uma grande visão. Não foi antes de eu ter ido à Índia em 1975 e ter me tornado discípula do Osho que eu percebi que tudo é possível dando a correta atenção, no tempo certo e com um coração aberto. Eu sentia que um dia o "meu" baralho estaria de alguma forma em conjunção com
o modo do Osho. Seu "estilo" muitas vezes usava de humor para amenizar a ventania que por outro lado seriam lições muito duras que poderiam criar resistência ao invés de assimilação. Osho era mestre em cortar completamente nosso papo furado e em imbuir-nos com a essência de seus ensinamentos apesar de nosso egoísmo espiritual. Tudo isto levou cada um de nós a um profundo questionamento para dentro da verdade e entendimento de nossa natureza interior.
    Você leu livros, fez cursos, ou aprendeu por si mesma?
    A vida foi meu mestre e Osho foi o guia que ajudou-me a acreditar que a vida é um mestre infinitamente sábio e compassivo e que em tempo, a vida vivida totalmente com emoção, convicção e consciência seria o suficiente.
    Qual foi o seu primeiro baralho?
    O Tarot de Rider-Waite.
    Você tem muitos baralhos?
    Somente três: meus baralhos Zen e do Tao e as cartas de Cura por Jamie Sams, David Carson e Ângela Werneke.
    Qual deles é o seu baralho favorito (não considerando os seus próprios)?
    Nenhum outro.
Sobre o Tarot Zen do Osho
    Bhagwan Shree Rajneesh participou na criação desde baralho?
    É impossível separá-lo da criação deste baralho. Eu vivi por muitos anos em sua comunidade, minhas salas eram em sua casa. Sua presença durante o tempo de criação permeou a confecção do baralho
    Ele deu o seu selo de aprovação?
    Sim. Ele ainda estava vivo quando uma leitora maravilhosa de tarot e discípula alemã, Ma Jivan Upasika, perguntou ao Osho sobre a criação de um baralho de tarot. Ele disse que ela deveria fazê-lo e então ela veio até mim. Então eu enviei alguns esboços para Osho analisar
e sua resposta foi que eu deveria criar as cartas.     Pouco eu sabia que dentre mais ou menos um ano Upasika deixaria a comunidade e eu eventualmente iria conduzir a maior parte deste projeto (por 5 anos no total). Então a criação do que nós temos hoje como o Tarot Zen do Osho, todas as pinturas, incluindo o desenho das cartas, os comentários para o livro e finalmente a seleção das citações dos discursos Zen do Osho foi um trabalho contínuo que eu mantive firmemente enquanto outros projetos e atividades da comunidade também eram dirigidos. Meu estúdio era na casa onde o Mestre viveu por muitos anos. Sua presença nunca partiu, mesmo depois da morte de seu corpo. Com freqüência eu sentia-o sorrindo como se estivesse no quarto comigo ou enquanto eu pintava até tarde da noite.
    Enquanto ele estava vivo ele sempre apoiou minha expressão criativa e criar o baralho Zen do Osho foi uma transformação pessoal e um trabalho profundo entre mestre e discípula devotada. Por muitos anos eu literalmente rezei no início de meu disciplinado que minhas habilidades criativas fossem um dia fortalecer seus ensinamentos.
    Não demorou muito durante o projeto para eu ter certeza que o meu trabalho seria realmente este. Estava bem claro para mim antes que qualquer um realmente visse o que eu estava fazendo que isto
 
Celebração, carta do Osho Tarot de Ma Deva Padma
Celebração
Carta do Osho Tarot de Ma Deva Padma
 
seria usado, amado e respeitado por centenas de milhares de pessoas pelo mundo afora. Ele tinha tudo para acontecer. E se eu não estou enganada ele é o título mais popular do Osho no presente e está em 14 ou 15 traduções estrangeiras.
    Quais foram os pontos de vista dele sobre o Tarot, caso tenha tido algum?
    Como eu me recordo, ele nunca deu muita importância a segredos ou práticas esotéricas, seu caminho foi descobrir os mistérios para que a humanidade pudesse evoluir para uma nova espécie com maior presença, responsabilidade e inteligência, o que ele se referia como O Novo Homem. Visão Aquariana ao máximo!
    Você foi ou é uma discípula do Osho e viveu em sua comunidade em Oregon?
    Eu vivi lá desde o seu início até o seu colapso.
    O que fez você decidir adicionar a carta do Mestre aos Arcanos Maiores?
    Isto não foi minha decisão. Eu não posso dizer se foi idéia de Ma Jivan Upasika ou se no início da atividade Osho solicitou que ela o incluísse no baralho. Eu nunca questionei isto como fez total sentido para mim que a carta para O Mestre deveria estar lá.
     Você está planejando um novo baralho de Tarot?
    Eu criei o Oráculo do Tao (também publicado pela Editora St. Martins) que foi somente recentemente, em Outubro de 2002, lançado no Canadá/US. Este foi outro enorme compromisso que consumiu 7 anos em sua criação. Ele é uma abordagem totalmente nova para o I Ching a qual fiz como um baralho (com uma qualidade particular de arte que eu designei para ilustrar as 64 mensagens essenciais do I Ching.
Sobre o Oráculo do Tao
    O que fez com que você decidisse criar este novo baralho?
    Eu senti nos meus ossos, antes de completar o Tarot Zen do Osho, que eu tinha outro baralho esperando surgir. Primeiramente eu pensei que era a respeito das runas, mas depois de uma série de momentos extraordinários de entendimentos eu "descobri" que era para ser sobre o I Ching. Então ficou tão claro que carmicamente eu tinha que trabalhar para colocar os dois pilares de conhecimento juntos: o leste e o oeste.
    Quais são as principais diferenças entre o Tarot Zen do Osho e o Oráculo do Tao?
 
Conclusão ou Finalização, carta do hexagrama 63 (I Ching) no Oráculo do Tao de Ma Deva Padma.
Conclusão
Tao Oracle
de Ma Deva Padma
      Depois de completar o Oráculo do Tao eu percebi que ressoava em uma freqüência diferente do Tarot Zen. Eu vejo o Tarot Zen como um pedaço do sol: brilhante, vibrante, cativante com sua limpidez colorida. Puramente de uma experiência palpável o baralho Zen surgiu, é fácil de lidar. Ele funciona como uma varinha Zen direto sobre a cabeça, criando uma luz de entendimento que então penetra sobre as coisas da mente e pode criar consciência elevada e grande entendimento. É essencialmente assim que ele pode facilitar a auto-transformação.
    Por outro lado, o baralho do Tao é como a lua: ele chama você para ir bem fundo, sua qualidade das cartas e imagens são velhas, mais antigas em aparência e sentimento. Em muitas das cartas as pinturas são perfeitamente detalhadas e foram originalmente criadas como quadros pintados à óleo. O baralho Tao ressoa como um profundo hum, ele sente-se muito antigo realmente, ainda que tenha entrado no agora de um modo que nós podemos nos relacionar com ele, mas uma vez que se trabalha com ele você irá retornar à ele com freqüência como o sábio criterioso como ele sempre foi.
    No meu entendimento, juntos estes dois baralhos abrangem uma completa cosmologia e são uma poderosa ferramenta para transformação.
    Qual é a sua ilustração favorita do Tarot Zen do Osho e do Oráculo do Tao?
    Eu não tenho preferidas, cada qual, em sua própria criação, ampliou minha mente, todas as 143...
 
Fontes
A entrevista original está em www.aeclectic.net/tarot/learn/interview_mdpadma.shtml.
A Autora, Susan Morgan Ostapkowicz, mais conhecida por Ma Deva Padma,
mantém dois sites sobre o seu trabalho com os oráculos e com a arte em geral:
www.thetaooracle.com/about-padma.htm e www.embraceart.com
abril.09
Contato com o autor:
Jaime E. Cannes - www.jaimeecannes.com
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