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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


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  Apresentação | A autora Ma Padma Deva | Galeria completa das cartas  
Tarô Osho Zen
Resenha de
Carolina Roxo
“O esplendor de uma pessoa que descobriu tudo o que se passa dentro dela é extraordinário porque, ao se tornar consciente, tudo o que é falso desaparece e tudo o que é real desabrocha. Exceto isso, não existe qualquer transformação radical possível. Nenhuma religião pode lhe dar isso, nenhum messias pode lhe dar isso. É um presente que você tem que se dar”.
Osho em O Livro da Transformação
    Costumo dizer que o Tarô Zen, inspirado nos ensinamentos de Osho, vai muito além da função premonitória de um oráculo. Por ser todo baseado na filosofia zen, trata-se de um jogo que privilegia o momento presente e incita a meditação e o uso da intuição como instrumentos para se atingir o equilíbrio e a integridade pessoal. É um tarô contemporâneo que foi criado a partir dos ensinamentos deixados pelo líder espiritual indiano Osho Rajneesh.
O Louco no Tarô Osho Zen
6. Os Namorados no Tarô Osho Zen
16. O Raio (A Torre) no Tarô Osho Zen
0. O Bobo (Louco); VI. Os Amantes (Namorados) e XVI. Relâmpago (Torre)
Um jogo com 79 cartas, acrescido de um arcano maior, além dos 22 habituais.
Para ver ampliações e percorrer a Galeria clique sobre as cartas.
    Vale aqui uma breve apresentação de quem foi Osho e de sua importância a fim de melhor compreender os fundamentos deste baralho.
 
Mestre, o arcano extra no Tarô Osho Zen
O Mestre
O retrato de Rajneesh ilustra o trunfo extra.
      Osho Rajneesh (1931-1990), nasceu na Índia, formou-se em filosofia e lecionou nesta área, tornando-se conhecido mundialmente pelos seus ensinamentos espirituais que desafiavam diversas ideologias tradicionais e doutrinas vigentes na sociedade.
    Durante sua vida, na Índia e também nos Estados Unidos, pregou com fervor a arte da meditação ativa – também conhecida como “dinâmica” – como meio para conquistar a liberdade pessoal e atingir a verdade e a compaixão. Ainda hoje existem centros de meditação baseados na sua visão, como o centro de meditação e auto-conhecimento que o próprio Osho fundou em 1974 em Puna, na Índia. É considerado por muitos como um dos maiores mestres espirituais do século XX, embora seus ensinamentos tenham gerado bastante polêmica na época.
    O Tarô Zen, por estar ancorado nesta filosofia de vida, que prima pelo desenvolvimento da consciência humana e pela libertação do indivíduo, oferece ao consulente, em cada uma de suas cartas, uma nova visão do ser, na qual o instante presente é a chave para a construção de um futuro melhor e onde o mental deve ser suprimido em função da intuição e do espiritual.
    O conjunto das imagens contemporâneas retratadas nas cartas do Tarô Zen substituem os elementos medievais presentes nos tarôs tradicionais, como o de Marselha, e permitem ao leitor um direta conexão com a filosofia transcendental do Zen. Tratam-se de desenhos que contém uma rica simbologia cujo significado pode ser facilmente identificado após as primeiras experiências com o baralho.
O Criador (Rei de Paus) no Tarô Osho Zen
Florescimento (Rainha de Ouros) no Tarô Osho Zen
Amizade (Dois de Copas)Mestre no Tarô Osho Zen
O Criador (Rei de Fogo), Florescimento (Rainha de Arco-íris), Amizade (Dois de Água)
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    São recorrentes, nas cartas, referências visuais que remetem a Buda, retratado como um ser iluminado; a indivíduos em postura de meditação; ao símbolo do equilíbrio do princípio feminino e masculino, yin-yang; à perfeição da flor de lótus; aos sete chakras; às forças da natureza (à Lua, ao Sol, aos animais) e aos 4 elementos, entre outras tantas.
 
A estrutura do baralho Zen
    O Baralho Zen, baseado no legado de Osho, segue a estrutura do tarô tradicional, porém adiciona uma carta às 22 denominadas arcanos maiores: a carta O Mestre (sem número), que simboliza a transcendência do individuo após ter trilhado todo o caminho da viagem iniciática, marcando a dissolução final do “eu” no oceano da consciência cósmica.
    Cada uma das 23 cartas dos arcanos maiores recebeu uma releitura baseada na filosofia zen do Osho e, portanto, apresenta denominações diferentes das tradicionais, com exceção das cartas O Bobo e Os Amantes. As demais lâminas apresentam, tanto na ilustração quanto no título, uma tradução que sintetiza o pensamento zen e trabalha sobre a idéia da união do corpo, da mente e da alma. Seguem alguns exemplos.
  1. Existência (O Mago) no Tarô Osho Zen      A carta I - O Mago é traduzida neste baralho como Existência, representada por uma mulher nua, sentada sobre uma flor de lótus, a contemplar o universo.
   Ela representa a base do pensamento zen, segundo a qual o indivíduo é parte integrante de um todo e o seu crescimento interior (jornada do herói) é resultado de uma atitude de contemplação e de aceitação do que a vida lhe oferece.
    A carta III - A Imperatriz, é denominada A Criatividade e representa o potencial criativo do indivíduo quando este consegue se desprender do seu “ego” e participar da
  3. Criatividade (A Imperatriz) no Tarô Osho Zen  
existência de uma maneira fluida e desprendida.
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   A carta IV - O Imperador, é chamada de O Rebelde e mostra um homem que é mestre de seu próprio destino.
  4. Rebelde (O Imperador) no Tarô Osho Zen      Sobre o seu ombro direito podemos ver o emblema do Sol, representando a energia criativa masculina. A corrente partida aos seus pés denota uma pessoa que conseguiu romper os condicionamentos sociais e viver de acordo com sua verdade interior.
    A carta XIII - A Morte (ou “sem nome”) é traduzida como A Transformação e, ao contrário da assustadora imagem da caveira com a foice nas mãos presente no tarô de Marselha, é representada no Tarô Osho Zen por uma harmoniosa imagem de um ser em posição de lótus que mantém nas mãos os instrumentos para a auto-transformação: a
  13. A Transsformação (A Morte) no Tarô Osho Zen  
espada que corta a ilusão; a serpente que renasce ao abandonar a pele envelhecida; a corrente quebrada que elimina qualquer poder limitador; o símbolo yin-yang que representa a superação da dualidade.
 
Os arcanos menores
   Nos arcanos menores (56 cartas) os naipes de Paus, Copas, Espadas e Ouros foram traduzidos no Tarô Osho Zen por Fogo, Água, Nuvens e Arco-Íris, respectivamente. Estes são representados nas cartas por diamantes de cores diferenciadas: as cartas do elemento fogo possuem um diamante na cor vermelha, as de água um diamante azul, as de nuvens um diamante cinza e as de arco-íris um diamante multicolorido. Embora esta configuração se diferencie com relação a dos tarôs tradicionais, ela igualmente representa os 4 aspectos que devem ser trabalhados pelo indivíduo.
    Fogo (Paus): representa a esfera da ação, do movimento, da energia vital que nos move e nos permite ser criativos.
Experiência (Três de Paus) no Tarô Osho Zen
Totalidade (Cinco de Paus) no Tarô Osho Zen
Brincalhão (O Valete de Paus) no Tarô Osho Zen
3. Experiência, 5. Totalidade e Valete - Brincalhão
Exemplos do naipe de Fogo (Paus)
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    Água (Copas): corresponde à esfera das emoções, de um tipo de energia mais receptiva e mais feminina (Yin) do que a do fogo (Yang). Diz respeito igualmente à intuição e à voz do coração.
Celeberação (Três de Copas)  no Tarô Osho Zen
Sonho (Seis de Copas) no Tarô Osho Zen
Receptividade (Rainha de Copas) no Tarô Osho Zen
3. Celebração, 6. Sonho e Rainha - Receptividade
Exemplos do naipe de Água (Copas)
     Nuvens (Espadas): simboliza o mental, o pensamento, a capacidade de comunicação e de compreensão. É representado pelas “nuvens” uma vez que, na visão zen, o mental muitas vezes pode vir a obscurecer a luz, a tornar nebulosa uma situação que deveria ser resolvida a partir do coração e não apenas com a razão. 
Adiamento (Quatro de Espadas) no Tarô Osho Zen
Política (Sete de Espadas) no Tarô Osho Zen
Luta (Cavaleiro de Espadas) no Tarô Osho Zen 
4. Adiamento, 7. Política e Cavaleiro - Luta
Exemplos do naipe de Nuvens (Espadas)
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    Arco-Íris (Ouros): corresponde ao elemento terra e evoca os aspectos prático e material da vida. Por estar embasado na filosofia zen, também evoca a união da terra com o céu – representada pelo arco-íris –, a integração do corpo com a alma e o equilíbrio dos opostos.
Maturidade (Ás de Ouros) no Tarô Osho Zen
Compromisso(Seis de Ouros) no Tarô Osho Zen
Abundância(Rei de Ouros) no Tarô Osho Zen
Ás. Maturidade, 6. Compromisso e Rei - Abundância
Exemplos do naipe de Arco-Íris (Ouros)
O jogo
    Não é proposta uma regra específica para jogar o Tarô Osho Zen. Podem ser utilizadas diversas técnicas e modelos de tiragens a serem escolhidos de acordo com as questões que se apresentam no momento da consulta. Tampouco existe um ritual associado à tiragem das cartas, ficando à critério do consulente a maneira mais adequada de “interagir” com o baralho e a escolha dos elementos que devem estar presentes ou serem evocados durante a consulta. O importante é que cada um encontre a maneira mais autêntica e que tenha maior sintonia com suas crenças e motivações.
    A própria forma de interpretação das cartas pode ser feita de maneira intuitiva, a partir das primeiras sensações evocadas pelas imagens. É claro que ter em mente o significado das simbologias contidas nas cartas e conhecer a sua estruturação – os passos que compõe a viagem iniciática nos arcanos maiores, bem como os elementos representados em cada um dos naipes dos arcanos menores – facilita e enriquece significativamente o jogo.
    Independente da técnica ou do instrumento interpretativo utilizados, o jogo do Tarô Osho Zen, pode ser visto como um apelo para o despertar, para sintonizar-se com a sensibilidade e a intuição, incitando a coragem e a individualidade.
    E a mensagem final que resta, seja qual for a tiragem, é a de que a vida deve ser vivida aqui e agora, como uma grande aventura ou como uma dança para ser dançada com o coração, com a leveza, espontaneidade e alegria de uma criança – aliada à experiência e à maturidade de um adulto. Esse é o caminho para nos tornarmos seres mais íntegros e luminosos.
    Boa leitura!
março.09
 
 
Referências:
Ma Deva Padma (Osho), O Espírito Zen no Tarô, de Osho: o Jogo da Vida. SP, Cultrix, 2001.
Osho, O Livro da Transformação: Histórias e Parábolas das Grandes Tradições Espirituais para Iluminar a sua Vida. Rio de Janeiro, Ed. Sextante, 2003.
Osho, Mistérios da Vida: uma Introdução aos Ensinamentos. São Paulo, Ícone Ed., 2004.
As ilustrações deste texto foram obtidas no site oficial: www.osho.com
 
 
Susan Morgan Ostapkowicz, conhecida por Ma Deva Padma, trabalhou vários anos na elaboração de seu tarô. O projeto começou a tomar forma a partir de 1975, na primeira viagem da Autora à Índia, para participar dos programas de cursos com Rajneesh-Osho. A primeira impressão do Tarot Osho, em 1994, foi feito pela editora belga AGMuller. Sites com suas criações: www.thetaooracle.com e www.embraceart.com
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Sobre a autora e seu trabalho veja a resenha de Jaime E. Cannes: Ma Deva Padma
 
Contato com a autora da resenha
Carolina Roxo - carolroxo@uol.com.br
Atualizado: setembro.12
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