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15 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


 
I Ching, o Livro da Sabedoria ao nosso alcance
Constantino K. Riemma
 
O I Ching ou Yi Jing, o Livro das Transmutações, é um texto de sabedoria incomparável. De origem chinesa, ele integra o grupo de livros que constitui o patrimônio dos ensinamentos tradicionais. Ele apresenta um diferencial notável: é utilizado, desde a Antigüidade, como oráculo e guia para os mais variados assuntos que desafiam o cotidiano dos homens. 
Os conselhos do I Ching nos ajudam a esclarecer até mesmo as menores questões práticas, porém, sua função mais nobre – como fonte inesgotável de ensinamentos – é a de nos despertar e guiar na busca do conhecimento superior. O nome, Livro das Transmutações ou das Mutações, ou ainda das Transformações, já indica que seu conteúdo contém as leis fundamentais dos movimentos cósmicos, nos quais se incluem a vida e o destino dos homens.
Portador do segredo da longevidade, seus símbolos básicos são tirados da própria natureza – céu e terra, fogo e água, lago e vento, montanha e trovão. Talvez por isso, sejam facilmente transmitidos através das gerações e tornam-se mais compreensíveis quando traduzidos para outras línguas.
Os 64 símbolos
O Livro está constituído essencialmente de 64 conjuntos de símbolos, que revelam detalhadamente as 64 etapas dos ciclos universais, tais como os santos sábios observaram no céu e na terra. Traduzidos genericamente por hexagramas, cada um desses conjuntos ou seções contém os seguintes elementos:
 
o ideograma, ou seja, o nome escrito em chinês, é por si só repleto de significados simbólicos. O exemplo ao lado é Tai, o nome do Hexagrama 11, que se traduz por Paz.
 
o hexagrama propriamente dito, que é a representação abstrata, geométrica, de cada estágio de transmutação. Recebeu esse nome, nas línguas européias, por ser constituído de 6 linhas. Ao lado, vemos o Hexagrama 37 - A Família.
o texto, também chamado julgamento ou oráculo, revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama. Cada julgamento vem acompanhado de comentários e interpretações que ajudam a traduzir o ensinamento do texto.  
a imagem ou símbolo, que consiste em um modelo de conduta, um verdadeiro conselho estratégico, para lidar com a situação indicada pelo hexagrama.  
o texto das linhas, em número de seis, que indicam alternativas ou transformações das condições retratadas no hexagrama.  
Nota sobre o Nome:
I Ching é a grafia corrente no Brasil. Aparece também Yi King em algumas versões francesas e inglesas. No entanto, a melhor grafia seria Yìjïng ou Yi Jing, segundo a transcrição oficial chinesa, denominada Pinyin, utilizada atualmente pela ONU, UNESCO e outros organismos internacionais.
Um pouco da história
O I Ching é considerado o mais antigo livro da China. Sua origem, ou pelo menos a de seus oito símbolos fundamentais, denominados trigramas, é atribuída a Fu Xi, que teria vivido por volta de 5500 anos antes de Cristo, para alguns, ou 2850 a.C., para outros. É pela combinação dos 8 trigramas que se formam os 64 hexagramas, portadores do corpo de ensinamentos do Livro.
Fu Xi, o lendário imperador, é representado como um deus-montanha (ilustração ao lado). A fonte inspiradora do Livro remonta à Era de Ouro da humanidade, durante a qual se diz que os guias espirituais recebiam os ensinamentos diretamente da fonte da consciência.
O segundo personagem ligado ao I Ching é o Rei Wen, fundador da Dinastia Chou (1121-256 a.C.), a quem se atribui a autoria dos 64 Julgamentos, ou seja, os textos que explicam os hexagramas.
 
Ao Duque Chou, filho do Rei Wen, são atribuídos os textos das 6 linhas de cada um dos 64 hexagramas, num total de 384 Julgamentos das linhas. Com ele completaram-se os textos tradicionais do Livro, que hoje contam mais de 3000 anos.
Finalmente, coube a Confúcio (551-479 a.C.) dar ao I Ching a feição que conhecemos modernamente. Seus comentários, registrados em sete obras, boa parte das quais agregadas ao corpo do próprio Livro, facilitam a aproximação aos ensinamentos esotéricos dessa corrente de transmissão espiritual.
O I Ching e o Ocidente
O contato do mundo ocidental com o I Ching ocorreu através dos relatos dos jesuítas que residiam na corte de Pequim entre os séculos XVI e XVIII. A primeira tradução completa do livro para o latim, feita pelo Padre Regis, surgiria apenas em 1834. No final do século 19, outras duas versões, de Legge e Filastro, ampliam a divulgação do livro na Europa.
Atualmente, a mais conhecida versão ocidental do I Ching é a de Richard Wilhelm, um pastor protestante que viveu muitos anos na China. Feita de início para o alemão, foi a seguir traduzida para praticamente todas as línguas ocidentais. (Veja: Livros).
É um acontecimento extraordinário que religiosos católicos e protestantes tenham reconhecido a profundidade dos ensinamentos do I Ching e enfrentado todas as dificuldades que trazem a tradução de um clássico chinês para torná-lo acessível a nós, ocidentais. Trata-se de mais uma evidência do poder incomparável desse legado para a humanidade, que encontrou uma linguagem a tal ponto universal, que não levanta reações de natureza religiosa nem obstáculos culturais intransponíveis para tocar a alma de todos os seres que buscam qualidade.
Contato com o autor:
Constantino K. Riemma - constantinokr@clubedotaro.com.br
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Atualizado: julho.15
 
 

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