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26 de setembro de 2021

Responsável: Constantino K. Riemma


  Torre de Babel - setembro.2021
Primavera e recapitulação
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
No Norte o verão deixou um saldo de enchentes com algumas mortes e muitos prejuízos, e no sul um inverno seco e quente com algumas ondas de muito frio. A pandemia ainda preocupa e cogitam uma terceira dose de reforço. Os 5 planetas lentos estão retrógrados e sinalizam uma recapitulação e, com sorte, uma trégua.
Na pátria amada
Pandemia, inflação, risco de racionamento de água e eletricidade, extensas queimadas e desmatamentos, alta poluição ambiental, faltam vacinas e medicamentos, golpes financeiros de todos os tipos, e para arrematar desgoverno completo. Muita gente fala de punição, mas é só consequência: séculos de deixa andar, Deus resolve, puxadinhos variados e o resultado está aí.
7/9 — Grandes preparativos e Brasília não correspondeu, mas São Paulo sim, mais uma vez berreiros sobre um basta ao STF. No dia seguinte respostas iguais e nenhuma ação. Os pobres caminhoneiros continuam sem entender nada, no começo do ano reclamavam dos preços do diesel, o presidente da Petrobras foi trocado e os preços continuaram a subir; agora pensaram que o chefe falava sério e interditaram rodovias, mas não era sério. Dia 9 mais confusão, Temer é requisitado e sai uma nota de retratação para ira dos apoiadores. Já apostam em quanto tempo dura a contenção.
Os Trapaceiros - Caravaggio -- Torre de Babel
Os Trapaceiros – pintura de Caravaggio
In www.pt.wikipedia.org
A covardia Mês passado escrevi sobre o tema e depois os senadores reconduziram Aras na PGR, mesmo sabendo que ele atua como advogado do presidente. Empresários escreveram um manifesto inócuo clamando pela harmonia dos Poderes e diante da reação do governo a Fiesp recuou e a Federação mineira criticou o STF. Aos desastres do governo os empresários reagem fazendo o dólar subir e a Bolsa desabar.
CPI Covid — Se perdeu completamente investigando assuntos secundários. Parece que tem material escrito suficiente para dar um relatório substancial, mas mesmo assim Pazuello e Élcio devem sair sãos e salvos no final. A distribuição das vacinas está confusa e provoca críticas, muitos remédios de uso constante estão em falta nas UBS e nada disto é investigado.
Oposição — Saturno e Urano retrógrados continuam a pressionar a oposição Marte/Saturno do mapa da independência do Brasil (veja o mapa) e o atual quadrimestre (set/dez) é o mais conflituoso do atual mandato. O impeachment só sairá se a pressão nas ruas aumentar e o tempo está acabando, pois a partir de março do ano que vem só se falará em eleição, o que divide a oposição.
Economia — O consumo de carne caiu para a metade do que foi no ano passado, subnutrição e fome no horizonte e filas no SUS. A reforma do Imposto de Renda desagradou e talvez não passe no Senado. Para que vender os Correios se a empresa dá lucro e receita ao governo? O governo ganharia uma bagatela, metade dos funcionários seria dispensada e os preços iriam à Lua. As projeções para a economia em 2022 estão caindo.
Marte em Virgem passou pelo Sol e Mercúrio do mapa brasileiro e a retórica e boataria incendiaram o cenário. Um grupo de bolsominions acreditou que estava decretado o estado de sítio, comemorou e postou nas redes no dia 7. Feitas todas as contas o impasse continua e a tutela militar segue forte: não apoia os intentos golpistas nem apoia a deposição do presidente e muita gente quer que o sufoco se arraste por mais um ano. Marte em Libra estará em harmonia com Saturno e depois com Júpiter, é uma configuração ótima para um desfecho. A conferir.
Mundo afora
Talibã — Li e ouvi muito chororô pela volta do grupo ao poder. O Talibã é um grupo formado com armas fornecidas pelo governo americano na luta contra os soviéticos. A partir de 1996 governou o Afeganistão e assombrou o mundo reprimindo mulheres, dinamitando monumentos antigos e abrigando a Al Qaeda. Em 2001 foram abatidos pela intervenção e os americanos e europeus ficaram por lá durante 20 anos.
US Open - Torre de Babel
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Do site todamateria.com.br
Podiam acabar com a força política do grupo se tivessem feito alguns investimentos e promovido um governo minimamente representativo, mas nada disto foi feito, o país se tornou o maior produtor de ópio, o governo era fantoche e os drones matavam civis semanalmente. Há cinco anos já estava claro que o Talibã vivia e tomaria o país. Trump reconheceu isto e começou a negociar a retirada americana. Portanto, a retomada era esperada.
O que surpreendeu foi o desmanche rápido e fulminante do governo fantoche, cujo presidente fugiu do país levando dinheiro na mala. Cabul virou um caos na última semana de agosto. O país é muito pobre, tem cobre e outros poucos minérios, mas é importante na geopolítica, pois liga a Ásia Central e Rússia às planícies do Paquistão e Índia desde a antiguidade. O território abriga vários grupos étnicos e linguísticos, os pashtuns estão divididos, parte no Afeganistão, parte no Paquistão; o que é um transtorno. Os chineses devem investir no país que faz fronteira com uma região chinesa habitada por mulçumanos uygures.
O país tem uma longa história de invasões e lutas contra os invasores. Raramente teve estabilidade política e um regime autoritário parece a única saída para controlar a luta dos grupos domésticos e manter a população pobre sob controle. O governo anunciado dia 7 é provisório, é melhor esperar pelo definitivo para fazer o mapa astrológico. A retomada fulminante ocorreu com Marte em Virgem em trino a Urano em Touro e oposição a Netuno em Peixes.
20 anos do 11/09 — Os atentados ainda são apresentados como tendo mudado o curso da História, um óbvio exagero, pois o Talibã está de volta, o governo do Iraque é aliado ao Irã e Assad continua a governar a Síria. As grandes mudanças foram a ascensão econômica e tecnológica da China e a ressurreição do poder militar russo. Os atentados ocorreram com uma oposição Saturno em Gêmeos oposto a Plutão em Sagitário na linha do horizonte (veja o mapa dos EUA).
As controvérsias continuam, os engenheiros discutem como os prédios ruíram rapidamente, Bin Laden deu uma entrevista a Al Jazira dizendo não ter nenhuma responsabilidade, muitos acreditam que a coisa toda foi obra do próprio governo americano, o que acho muito improvável. A única certeza é que as pessoas identificadas nos sequestros dos aviões eram sauditas, mas não necessariamente da Al Qaeda.
As consequências dos atentados foram terríveis para a população do país: a vigilância e atos de segurança cresceram muito, a legislação autorizou a detenção provisória e suspendeu direito civis, o cinismo político chegou ao auge com a afirmação de que Saddam Hussein tinha armas químicas e apoiava a Al Qaeda, afirmações falsas, mas apoiadas por toda a mídia. O cinismo prosseguiu na economia com o financiamento do mercado imobiliário que levou ao colapso de 2008, enquanto as autoridades apregoavam que não havia problema algum.
O governo Bush Jr. tornou a mentira um elemento central da política e Cheney, Rumsfeld e Wolfowitz formaram uma bela gangue.  No filme O Mauritano, baseado em história real, vemos como um suspeito de organizar os ataques foi levado a Guantanamo, torturado, julgado inocente e ficou preso por 12 anos.
Agora Biden lida com dois problemas: o fiasco da retirada de Cabul e o terço da população que se recusa a vacinação e mantém a pandemia cozinhando em fogo lento.
Europa — Com as medidas de segurança tomadas nos EUA depois dos atentados, sobrou para os europeus que sofreram diversos atentados nos últimos 20 anos. Também tiveram que lidar com uma grande leva de refugiados vindos do Oriente Médio e África, mas eles não são inocentes na questão.
Os franceses desembarcaram na Argélia a partir de 1830, os ingleses no Egito em 1882, os dois países dividiram o Oriente Médio ainda durante a Primeira Guerra e criaram as fronteiras artificiais que perduram até hoje. Os ingleses invadiram o Afeganistão duas vezes no século 19 e foram derrotados. Tudo isto para levar a civilização: um cinismo completo.
Batalha inglesa no Afeganistão -- Torre de Babel
Segunda guerra inglesa no Afeganistão
www.pt.wikipedia.org
As vítimas civis dos atentados nos EUA e Europa Ocidental chegam a uma dezena de milhar, as vítimas civis no Afeganistão e Iraque vão às centenas de milhar, sobre esta marcha fúnebre nem uma linha na imprensa ocidental.
O espiritual na música
Em muitas cosmologias a criação tem início com som. No ensinamento de Gurdjieff a escala de Dó natural é o modelo de organização do cosmo. A música pode ter efeitos físicos como vemos nos animais ou na quebra deum cristal através de um agudo exato.  Ultimamente é usada para relaxar ou adormecer. Na Índia há temas especiais (ragas) para todo tipo de ocasião e na Pérsia produziram temas para cada dia do ano. A música popular é usada corriqueiramente como auxílio à memória, lembramos o que estávamos fazendo na época da música X.
Nietzsche observou que durante milênios a música conviveu com o canto e a dança e que, portanto, carrega sempre associações mesmo na música instrumental de concerto. A música é uma linguagem em si, mas precisamos traduzi-la para palavras, movimentos ou imagens visuais. Ouvir música e associar pode ser prazeroso, mas isto aniquila a possibilidade de usufruir o que ela tem de único.
Com os filmes, seriados e novelas a situação se agravou, pois música instrumental é usada como trilha de fundo para realçar ansiedade, suspense, alegria, lirismo etc.  A música árabe é muito bonita, mas a importância da percussão é tão grande que o convite ao movimento e dança é inevitável.
Cresci em meio à música, quando não era o rádio, a vitrola estava ligada e ouvíamos todo tipo. Comprei muitos discos e quando chegou o Youtube foi uma festa: a obra toda de Bach, cada uma delas com várias gravações disponíveis. Depois de anos eu conhecia um repertório enorme e já não sentia surpresa quando ouvia algo novo.
Por volta de 60 anos eu estava pesquisando quintetos para piano e cordas. Conheci os de Brahms, Cesar Franck e Shostakovich, que são muito interessantes, mas quando ouvi o segundo de Fauré meu coração disparou e me aprumei na cadeira. Quando terminou o primeiro movimento parei e repeti ouvindo a peça inteira. Estava espantado com minha reação. A música não me recordava nenhum período ou evento de minha vida, nem um desejo para o futuro, por que ela me afetava tanto?
Depois de uma semana eu tinha memorizado o primeiro movimento e comecei a perceber que mesmo uma execução mental trazia uma alegria serena, aumentava a concentração e tranquilizava, com o tempo criei uma associação: a tecelagem dos anjos.
Orfeu - Surande - Primavera e recapitualão na Torre de Babel
Orfeu encantando animais - pintura de G. Surande
Do site warnurg-chaa-unicamp.com.br
Recomendo o quinteto (op. 115), pois é grande arte fundindo com grande talento elementos díspares: temas do classicismo, barroco, cromatismo, ressonâncias românticas e ravelianas; mistura de tons e modos, uma frase com escala de tons inteiros, outra com contraponto, raramente acordes perfeitos, raramente acentos no primeiro tempo dos compassos. Geralmente isto resulta em confusão, artificialismo ou coisa amorfa, mas aqui há uma coesão impressionante.
Dez anos depois a sensação é a mesma, ela ativa algo íntimo e estável em mim. Penso que todo ser humano pode ter uma experiência desta com uma paisagem, equação, outro ser humano e muitas outras situações e atividades. É uma benção e mais ainda nestes tempos.
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo.
Mestre em História social (USP) e autor de textos sobre simbologia
(Esoterismo, ciência e sociedade). Pesquisador em Kaballa (Tarô e Qabbalah).
Oferece consultas astrológicas com ênfase nas soluções para todos os temas.
Contatos e informações: rui.ssbarros@uol.com.br ou fone: 11 2367-9179.
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 13/09/2021
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