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23 de agosto de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Fim de festa
Rui Sá Silva Barros
Historiador e Astrólogo
Os eventos de março desequilibraram o jogo: delação de Delcídio, Lula em foco (condução coercitiva, divulgação de telefonemas e nomeação para a Casa Civil), início do processo de impeachment na Câmara, desembarque do PMDB e o mais importante, vários sindicatos empresariais se posicionaram a favor do processo contra o governo. A balança virou.
O Sinarj promoveu um seminário tratando do mapa de ingresso solar em Áries. Acompanhei a excelente exposição dos colegas Fernando Fernandes e Celisa Beranger que detalhou minuciosamente o ano de 2016: uma tensão incrível em todos os mapas de equinócios, solstícios e eclipses. Eu fiz comentários sobre o futuro imediato do Brasil e no final, as pessoas se pronunciaram mostrando preocupação com a violência. Não foi à toa, Marte e Saturno fazem uma prolongada estação em Sagitário (signo de veemência ideológica) e podemos ver congressistas se pegando no plenário (a conjunção está na casa 11), policiais e soldados separando manifestantes, pró e contra governo, nas ruas.
Dilma e Temer
O divórcio
Foto em www.globo.com.br
O assassinato de uma figura pública, de qualquer partido ou instituição, pode desencadear uma crise institucional. Também manifestaram inquietações com golpe militar e exército da Bolívia, mas julgo altamente improváveis. Agora já é possível traçar um panorama lógico de todo o processo.
Os atos do drama
Primeiro mandato – Política econômica desastrosa: Petrobrás arca com prejuízo da diferença de preços no petróleo para segurar inflação. BNDES empresta a grandes empresas com juros subsidiados. Desonerações contraem as receitas do orçamento. Corte na tarifa elétrica desarticula setor. Corte voluntarista da taxa de juros não conseguiu se manter. Contabilidade criativa e pedaladas fiscais. Saltos na dívida pública. Tudo isto foi feito à luz do dia, alguns economistas e jornalistas alertaram para o desastre que se formava, mas não se ouviu nenhum pio no Congresso. Em 2013, os políticos foram surpreendidos pelas jornadas de junho e se aprestaram a reformar a casa, mas assim que a manifestação refluiu voltaram aos velhos costumes.
Protesto em Brasília-2013
Manifestações de 2013, o primeiro round.
2014 – A economia deteriora a olhos vistos. Eleição conturbada com alto índice de calúnias, difamações e mentiras sobre a situação econômica. Nem Marina nem Aécio conseguiram sinalizar convincentemente o desastre iminente. Declarada a vitória apertadíssima, o governo anuncia a necessidade de um duro ajuste fiscal e chama Joaquim Levy, indicado pelos banqueiros. Os eleitores de Dilma ficam perplexos.
2015 – O PT tratou o PMDB a pão e água, chamei atenção para isto desde o início do primeiro mandato nestas crônicas. O troco veio na eleição de Cunha para a presidência. Uma manifestação massiva contra o governo ocorreu em março e não teve sequência. O incompleto ajuste proposto por Levy começou a ser bombardeado pelo próprio governo e pelo Congresso que votou leis aumentando a despesa no orçamento. Diante da paralisia do sistema político, o processo do impeachment foi levado adiante pelo Judiciário e a imprensa em clara parceira: depoimentos classificados como sigilosos iam para na mídia imediatamente. As investigações desnudaram uma corrupção sistêmica abarcando todo o espectro político. A maioria dos empresários ponderava que era melhor dar tempo para fazer o ajuste, mas ao longo do ano ficou claro que o governo faria um déficit monumental com uma recessão cavalar. O governo passou o ano como barata tonta, ora se aproximando ou se afastando do PT e do PMDB, dos empresários e dos trabalhadores. Enquanto isto, Janot (PGR) estava com uma lista de mais de 50 políticos para serem indiciados e mal deu início ao processo, ajudando a conturbar ainda mais o cenário.
2016 – O impeachment parecia ter esfriado no início do ano até que os eventos de março viraram o jogo. Na ânsia de reativar o processo os responsáveis pelas investigações deram tropeções: a delação de Delcídio chegou à imprensa antes de ser enviada ao STF, a condução coercitiva de Lula foi desnecessária e a divulgação dos telefonemas foi alvo de uma reprimenda do STF. O processo está correndo na Câmara e são necessários 342 votos para depor a presidente, o que não é tarefa trivial, deputados podem se ausentar para não ficar mal com nenhum lado. Pode ocorrer que a oposição não tenha os 342 votos nem o governo consiga os 171. Se não passar no Congresso ainda há o julgamento do TSE alimentado agora com as delações premiadas das empreiteiras. As chances da deposição são bem altas, mas o governo já prepara recurso ao STF caso o Congresso aprove o fim do mandato.
O pós-Dilma
Agora que o processo corre, jornalistas, analistas políticos e econômicos começam a pensar o óbvio: as enrascadas de um governo Temer. Para ter um mínimo de estabilidade será preciso paralisar o julgamento do TSE e esfriar a Lava Jato, o que não é tão difícil assim, basta tirar as investigações das manchetes e promover o juiz Moro para um Tribunal Regional Federal. O problema é que os milhões que foram às ruas contra a corrupção podem ficar irados quando descobrirem que serviram de massa de manobra para restaurar o status quo. O Estado-Maior do PMDB (Renan, Cunha, Jucá, Moreira Franco, Eliseu Padilha, Eunício etc.) está todo sob investigação ou já sob processo, o mesmo valendo para Serra, Aécio e Alckmin.
Iceberg
Charge publicada no www.jornalnh.com.br
O Brasil está sob uma configuração astrológica intensa e rara, dos cinco planetas lentos, quatro estão em aspecto ao Sol da carta natal: Júpiter em conjunção, Saturno em quadratura, Plutão em trino e Netuno em oposição. Isto vai muito além de uma derrubada do governo, abre espaço para uma profunda transformação no Estado –política partidária, administrativa, tributária, previdenciária e o que mais for preciso. As condições estão dadas, mas não acontecerá automaticamente. O Sol progredido está deixando Peixes e ingressa em Áries o que estimula a iniciativa privada e o empreendimento.
O segundo mandato Dilma ainda não começou e não tem a menor possibilidade de governar com o atual Congresso, mais dois anos e meio disto e a ruína econômica será calamitosa. O governo em desespero convocou Lula e agora oferece ministérios, cargos e verbas a quem interessar como numa feira livre, as manifestações de março contra o impeachment deram algum fôlego e não ocorreu a esperada debandada dos partidos médios. Os grandes bancos separaram muitos bilhões para a inadimplência, esperam a falência de grandes empresas e, agora, só o que nos falta é um problema bancário. Dia 7/04 ocorre uma lunação em Áries próxima a Urano que está no FC do mapa de ingresso solar. É sem dúvida um gatilho potente. Marte está em oposição à Lua/Júpiter do mapa natal e próximo à grande estrela Antares, logo mais retrograda até o MC do mapa natal.
O auge do cinismo – O governo trata a lamentável situação da Petrobrás como um acidente de percurso e que os gringos querem o pré-sal; compara a crise atual com 1964 e chama os adversários de nazistas.  Os ministros do PMDB não querem largar o osso de jeito nenhum, alegam que não podem deixar o barco à deriva. Aécio declara que Delcídio mentiu sobre ele na delação, todo o resto é verídico. Roberto Jefferson, preso no mensalão, retornou triunfal: Cunha é meu bandido favorito. O dinheiro que as empreiteiras doaram aos partidos do governo era fruto de sobrepreço e aditivos (corrupção) e o que foi doado aos partidos de oposição era limpo, de coração. Geraldo Brindeiro, o engavetador-mor da República (FHC) dá aulas de moralidade administrativa nas páginas dos jornais. Se estivéssemos no teatro assistindo uma comédia de erros, seria divertido, mas na vida real milhões estão desempregados e o desespero é crescente. Se os dirigentes se entregam a estas chicanas como esperar sobriedade do povo?
A imprensa – É partidarizada desde a independência. No bota-fora de D. Pedro I, o jornalista Libero Badaró foi assassinado e Evaristo da Veiga foi um dos mentores da oposição. Todos os grandes jornais foram favoráveis ao golpe militar em 64 e se arrependeram amargamente depois do AI-5. Dois blogs reúnem diariamente editoriais e artigos de grandes jornais no país, eu os acompanho desde 2010. É uma leitura altamente instrutiva, pois a homogeneidade de temas e estilos é impressionante, alguns jornalistas ainda imitam Rui Barbosa. Só há artigos contra o governo, na realidade a mídia foi a verdadeira oposição no primeiro mandato, pois os partidos no Congresso brilharam pela ausência. A imprensa é regida por Marte no mapa natal do Brasil, em Escorpião e oposto a Saturno, não é uma configuração de objetividade e imparcialidade. O governo remete a maior parte das verbas publicitárias para os grandes veículos de comunicação e depois se lamuria quando os ingratos criticam suas ações. Um partido político que se preze deveria ter publicações próprias. O Brasil só tem mesmo um partido real: o Estado, com seu Diário Oficial.
Nota astrológica – Plutão ingressou na casa 11 (Legislativo) do mapa do país em 2004 e desvelou com crueza a realidade, o Congresso é a residência de Ali Baba e Cia. Foi quando estourou o mensalão, o julgamento acabou num desvario: um mero intermediário (Marcos Valério) levou a maior pena. A presidência de Dilma ocorreu sob a quadratura Urano/Plutão que está se desfazendo, a questão se agudizou com a passagem de Saturno em Escorpião que sempre traz crise política (1954/5 e 1984/5), com a longa quadratura de Netuno à Lua/Júpiter do mapa natal e agora com a oposição de Saturno e Marte.
União Europeia – O mapa de ingresso solar também está bem tenso. Marte e Saturno são angulares no MC, e o último atentado ocorreu no coração da União. As posições do Estado Islâmico no Oriente Médio estão sendo bombardeadas sem trégua e a organização já desloca militantes para a Líbia e Tunísia, mais próximas da Europa. É de esperar novos atentados ao longo do ano.
Ingresso do Sol em Aries, 2016, Bruxelas
Mapa do ingresso do Sol em Áries - 20.03.2016 - calculado para Bruxelas
Os europeus agem cinicamente, deram 6 bilhões de euros ao governo turco para cuidar dos refugiados sírios e fecham os olhos para o fato que Ancara se aproveita da situação para reprimir jornalistas e os curdos, além de permitir a compra de petróleo nas mãos dos jihadistas, é a realpolitik. No entanto, a indicação do mapa acima é que continua a chegar gente do exterior (Lua em Leão na casa 7). Choveram críticas ao governo belga pela negligência mostrada nos atentados. Na França uma greve contra reformas trabalhistas, na Espanha continua o impasse político para a formação do novo gabinete. O stellium na casa 1 evidencia problemas de identidade básica.
Por falar em islamismo, encontrei um vídeo sensacional no Youtube: El gusto – Algerien chaabi musique. Remonta a história da música popular da Argélia com depoimentos dos participantes, retraça suas origens desde a Segunda Guerra e da ascensão de seu patrono El Anka, as peripécias da guerra da independência, a dispersão do grupo em 1962. Judeus e mulçumanos tocavam juntos, frequentavam as mesmas festas, iam a sinagogas e mesquitas para apreciar a música. Os judeus foram convidados a se retirar pelo governo revolucionário. Cinquenta anos depois o grupo foi reunificado e tocaram na França com grande sucesso, também pudera, a música é eletrizante. O documentário é falado em francês com legendas em espanhol. A convivência dos diversos é possível, um bom tema para nossa atualidade.
Rui Sá Silva Barros é historiador, astrólogo e
estudioso da Cabala: rui.ssbarros@uol.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 05/04/2014
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