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19 de novembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


  11. A Força | 12. O Pendurado | 13. A Morte | 14. A Temperança | 15. O Diabo  
  ____________   Poemas para A Força  
____________
 
 
 
Para Maiá  
Alberoni
 

Sua procura não se encerra aqui.

Talvez mais adiante
quando a luz do fim do túnel
for mais firme
a seus olhos encobertos.

Talvez tudo se revele
quando a procura cessar,
talvez tudo se encontre
quando abrir os olhos e ver
a Luz em todo lugar.

E, nesse momento,
não haverá túnel,
não haverá passagem
 
 
A Força no Tarot Gringonneur
 
 
 
  apenas você em cada olhar!
agosto.05 
 
Flávio Alberoni - odontologista, coordena grupos de
estudos esotéricos nos quais utiliza os arcanos do tarô.
Poeta, colabora na seção de Poemas e no Fórum.
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Contatos: alberoni@uol.com.br
 
 
 
Para Ana Maria Gonzáles  
Alberoni
 

Encontrei a mãe na encruzilhada,
negra como a noite
sublime, com suas vestes claras.

Seus olhos eram estrelas
Na difusa névoa que me envolvia.

Logo o homem trouxe o Sol na mãos
E tirou dos meus ombros
o véu da dama que já me encobria.
O véu que me dissipava as sombras
o véu que me engrandecia.

Claro como dia era seu sorriso
e ela uma neblina no aconchego e quente.
Ambos me confundiam com seu olhar profundo.

Fechei os olhos ...

Nascendo de mim
dentro de mim
 
 
A Força no GOM Tarot
 
 
 
  o conflito perecia.
outubro.05 
 
 
  11. A Força | 12. O Pendurado | 13. A Morte | 14. A Temperança | 15. O Diabo  
 
  __________   Poemas para O Pendurado  
__________
 
 
O Apostolado  
Eliane Accioly Fonseca
 
 
 

Ouço o chamado:
Desperta-te para o apostolado!

Me iniciar mais uma vez?
Abandonar a paixão que me cega
e me aninha?

Que medo morrer pendurada,
o terror de cambiar o olhar
perder-me de um mundo certo
tornar-me outra na incerteza

Outra vez deixar
o Vale dos Reis
onde, adormecida, volta e meia
moro e peregrino

 Meu único olho aberto
soa inocente como o de um recém-nascido,
minhas mãos atadas se abrem
moedas caem sem tilintar

Descubro,
não são dinheiros
mas,  sementes

Desatando os pés
rodopio em  dança de dervixe
minhas mãos agora se libertam
volto a ter os pés no chão

Cegueira e faca no peito?
Nunca mais essa tortura!

 
 
XII. O Apostolado, aquarela de Eliane Accioly Fonseca
O Apostolado
Aquarela de Eliane Accioly Fonseca
 
 
setembro.09 
 
 
 
 
O Enforcado  
Eunice Arruda
do livro À Beira, 1999
 
Ainda assim
bebo o úmido
da seiva

Ainda assim
- estômago na boca -
mastigo o alimento
da terra

Pressentindo as raízes
 
 
12. O Pendurado no GOM Tarot
 
 
 
 
 
 
O Sacrificado  
Jaime E. Cannes
 
Pendia de uma árvore
Cujas raízes estavam no céu
E os frutos
Pendiam no chão
O Deus dos homens
Senhor das feras
E dos bosques
Cernunos, Odin,
Oxossi, Pã...

Puro como Jesus,
Silencioso como Sidarta...

E neste momento esvaiu-se
Para sempre a inocência
 
 
12. O Pendurado no Tarot de Crowley
 
 
 
  Do mundo.
março.07
 
 
 
 
O Doze Invertido  
Alberoni
 
Só um pouco de cansaço
e talvez por isso
tudo fique mais lento.

Não um cansaço dos ossos
nem esses de alma
nem dessa visão do mundo
que já falei tanto e tantas vezes.

Mas algo que me prende ao solo
e tenho de tirar dos ombros
para conseguir respirar.

Mas, que adianta?
A sensação ainda persiste.
Melhor fechar os olhos...
 
 
 
 
 
  dormir.
dezembro.04
 
 
  11. A Força | 12. O Pendurado | 13. A Morte | 14. A Temperança | 15. O Diabo  
 
  ____________   Poemas para A Morte  
____________
 
 
 
Arcano 13 suavizado pelo 2  
Flávio Alberoni
 
Talvez traga algo
que sempre procurei. Pode vir numa palavra
ou numa história,
ou apenas num olhar lúcido.

Talvez.

De qualquer modo
marca em mim uma certa ansiedade,
pelo provável encontro.

Chove aí fora?

Por aqui ainda não,
mas é como se uma tempestade
gristasse raivosa
na relva do jardim.

Talvez seja melhor – sempre é melhor –
o silêncio encobrir os meus atos,
e esperar...
 
 
13. A Morte no Tarot de Liz Greene
 
 
 
  em contemplação
fevereiro.07
 
 
 
 
A Morte do Mestre  
Eliane Accioly Fonseca
 
Ensinou-me de frestas de montanhas,
do murmúrio dos ribeirões,
a ordenhar vacas enquanto líamos Kafka

a sobreviver em casa costureira
feminina e desordeira
em meio a azáfama de tesouras
e frufru de tecidos

Com ele aprendi de cercas de maracujá,
de cheiros de folha machucada
e dos mistérios gozosos
roxos e amarelos da flor guardiã
dos instrumentos da paixão

Tivemos lições de caminhar descalços
em caminhos pedregosos,
correr na praia e surfar o mar

Vivemos as artes do amor
e os perigos das curvas umidades
no calor e frescor de meu corpo
ao ritmo do dele se fundindo

Juntos apreciamos caipirinhas,
conhecemos vinho branco, tinto, rosado
e desprezamos no copo a borra do conhaque

Viajamos pelas diferenças entre o deserto
as estradas de terra e o asfalto
das ruas apinhadas das cidades

Um dia, entretanto,
ele que jamais me deixaria
estende um mapa sobre seus joelhos

pergunto-lhe: “mapa do quê?”

“Uma cartografia de pessoas mortas”, me diz
apontando como quem nada quer:
“este ponto rajado aqui embaixo, sou eu”

parecia Kafka a ordenhar uma vaca

e em seguida, como quem nada quer,
coloca o mapa sob o braço, como se baguete
e sem outra palavra se vai
sem se voltar, um tanto claudicante

Em dias-noite mergulho
em tristeza, a mais trágica das criaturas:
o sol jamais retornaria,
o mestre o levara, como ao mapa

Quando, porém, contra minha vontade,
o sol renasce
acende-se a luz de uma parcela minha
que ficava alhures e, como quem nada quer,
me humanizo mais um tanto

Percebo-me menos alegre,
mais desassossegada e
uma inquieta incerteza quando descubro:
 
 
13. A Morte no Tarot de Oswald Wirth
 
 
 
  a partir de então, ninguém me guiaria
2006
 
 
 
 
A morte do gato  
Eliane Accioly Fonseca
 
Enquanto o gato que me habitava morria,
(sete vidas espertas e bem vividas
agora moribundas)
um espelho explode todo um planeta,
a noite escura abate minha alma:

que mais em mim quebrando se esvaía?

Como ficar sem os muros
as heras e unhas-de-gato
as noites de cios vadios
as brigas e a malandragem
os gritos nas madrugadas
as travessias de ruas?

Sem o vício por sardinha
sem as cumbucas floridas
entornando leite ou água?

Sem os dengos
sem as manhas
o novelo arrepiado
e a poltrona beije rasgada
de afiar vinte garras?

Como perder o poder
de fazer tremer e correr
ratazanas e baratas?
A oitava vida parte, lunar,
em tranças pretas e prata

Nenhum príncipe para me acordar
(mas também, nenhuma torre
de onde ser libertada)

A grande morte chegara?
Passada a quarentena
brotos de um verde tímido, os vigias guardiões,
me tiram da cidadela gritando uma notícia:

"ouça o poeta a forjar um dia mais
martela a bigorna,
não sons de cristal, bem de bronze,
as palavras – esteira de mil sinos –
acordam inteira uma cidade, escuta!"

Um último suspiro apaga
a chama da pena de mim
seco os olhos, abro cortinas e persianas
com a força dançarina de mãos e braços,
e felina, (a isto não renuncio...)
espreguiço diante de um Sol acolhedor
a letargia sim espanto em uma cascata gelada
(coisa que gato abomina)

Me penteio, escovo os dentes
visto velhas pantalonas
e descalça, preparo-me para rodar
mais algumas tantas milhas
por estreitas vigílias escarpadas,
 
 
13. A Morte no GOM Tarot
 
 
 
  não mapeadas
2006
 
 
 
 
A Supresa  
Eliane Accioly Fonseca
 

O gato-maravilha que em mim morreu
muitas vezes retorna,
cara redonda e invisível

Sua sombra errante corre livre
na saudade de bandos vadios
arrepiando as ruas e as paredes
de meu corpo

Intumescente lábio de lua crescente
fixo só na aparência
ri de mim, Alice,
prisioneira dos contrários,
o país dos espelhos
onde me extravio
na aprendizagem banal e mágica
 
 
13. A Morte no Tarot Gringonneur
 
 
 
  de ser sendo humana
2006
 
 
 
 
Árvores caídas  
Alberoni
 
Vi as árvores caídas
e não pensei nelas. Eram crianças
famintas gritando por comer.

Homens destruindo
esmagam seus filhos, já cegos de si,
não vêem nada e resgatam
seus dramas do dia
mutilando tantos,
matando a vida,
morrendo aos poucos,
cada dia.

Tentei beber água
de uma nascente, próxima a um cipreste caído e apodrecido. Musgos o cobriam como vermes e mesmo os musgos eram belos, nesse esqueleto doído! Um gnomo fazia dela sua casa e olhava para mim com uma vela nas mãos, vazia de fogo. Quase só percebi o seu chapéu quando fugia amedrontado corria.

A água – eu dizia da água –
era límpida. Lágrimas de uma terra desprezada
e ofendida. Sangue
do homem a descobrir...

 
 
13. A Morte no Tarot Visconti Sforza
 
 
 
  Salvou o meu dia!!
setembro.05
 
 
  11. A Força | 12. O Pendurado | 13. A Morte | 14. A Temperança | 15. O Diabo  
 
  __________   Poemas para A Temperança  
__________
 
 
A Temperança  
Eliane Accioly Fonseca
 
 
 

Chegou a hora
de ser um pouco anjo

descansar da dor de ser mulher

Chegou a hora
de ser asas azuis e água
 e jorrar de uma fonte
para outra fonte

Chegou a hora!

Que nenhuma gota se perca
se cada gota sou eu


  setembro.09
 
 
14. A Temperança, aquarela de Eliane Accioly Fonseca
A Temperança
Aquarela de Eliane Accioly Fonseca
 
 
 
 
Transformação  
Eunice Arruda
 

Anjo
dá guarda

Eu estou atravessando

Também me empresta
de tuas asas
o vôo

Que eu chegue a nenhum lugar

 
 
14. A Temperança no Tarot Mitológico
 
.
 
 
 
 
Rebeca  
Orides Fontela
(1940-1998
 
A moça do cântaro
e seu gesto essencial:
dar água.
 
 
 
 
 
 
 
 
Infância  
Abelard Gregorian
 
Um anjo com os pés no chão,
prepara bebida celeste.
Ah, que saudades me dá
este dom da infância!
setembro.08
 
 
14. A Temperança no GOM Tarot
 
 
 
 
Preparo  
Alberoni
 
Logo após o preparo
e no devido tempo
o Anjo Solar
circula a energia
com suas ânforas vazias.

Não a contém pela mente
no círculo vasto que vislumbro
apreendo e pouco entendo,
apenas acompanho deslumbrado
sua dança e as mãos espalmadas
em círculos completos.

Em certo momento crítico
parece que para
e retorna suave em outro nível
que no entanto é o mesmo!

Não percebo movimento
ao acaso, e cada momento
compassado é atento

como por acidente o portal
que esconde o centro vívido
se revela...

e apenas neste momento mágico
 
 
14. A Temperança no Tarot de Waite
 
 
 
  eu penetro na Vida e ... entendo!
03.outubro.2005 
 
 
  11. A Força | 12. O Pendurado | 13. A Morte | 14. A Temperança | 15. O Diabo  
 
  ____________   Poemas para O Diabo  
____________
 
 
A Paixão  
Eliane Accioly Fonseca
 
 
 

Anjo caído recaio
na paixão pelo homem
com a faca no peito

A cada abraço mais dôo
olhos vendados, atada

Regresso ao vale dos Reis
ao sono
 vigília e reza esquecidas

Foi desta vez
o silêncio a me acordar
quando, espantada, vejo:

– Por deus,
A faca está no meu peito


Acalanto

1

(no medo de morrer
durmo sono pesado
viro sapo-de-pedra

sonâmbula, moro
entre os parentes)

em paixão
e febre do feno
queimo o medo da morte
pólen, teimo:
morro e renasço

2

medo oco do escuro
tece coroa de espinho,
não deixa menino dormir

3

candeia de cera e mel,
uma cadela pastora

pastora sonhos
e sombras, ovelhas
negras e brancas

 

Canção do nó cego

Há um olho redondo
no meio da dOr,

Uma nódoa
um nó

Me conta a dOr
com seu olho de peixe:

Há na nódoa um nó que não vê


E dentro do sono, o sono

Tuas pestanas
pedras
caem-me no sono

Cílios sem olho
asas sem pássaro

Sonho abandono

 
 
15. A Paixão (O Diabo), aquarela de Eliane Accioly Fonseca
A Paixão
Aquarela de Eliane Accioly Fonseca
 
 
setembro.09 
 
 
 
 
Arcano 15 invertido. Ouvindo João Mário  
Flávio Alberoni
 
para A.M.V.C.
 
Para se construir o que é real
há que se ficar atento

Tudo se desfaz
em terceiro momento –
velhos hábitos são movidos
e desaparecem no movimento.

Melhor percebê-los de imediato
melhor haver desapego e ausência de ilusão,
para que a separação não doa
e não restem marcas ou solidão.

De vez em quando
uma pausa para um café
logo ao anoitecer –
e o meu bem forte
com açúcar por favor!

– Quero ficar desperto quando a crise vier
e se for,
deixando como cinzas sólidas a profunda alegria,
e a total ausência de paixão!!!

 
 
O Diabo no Buffy Tarot
O Diabo
Buffy Tarot
 
 
junho.09 
 
 
 
 
Dúvida  
Abelard Gregorian
 
Todo mundo nu.
Liberou geral.
Entro nessa ou não ?!
outubro.08
 
 
 
15. O Diabo no GOM Tarot
 
 
 
 
Marcas  
Alberoni
 

Pelo toque profundo
marcas incrustadas na pele
lembradas por anos e vidas
ainda por viver.

Depois, um instante em reflexão
parado no templo,
seu reflexo como gotas de orvalhos
destruidas pelo Sol
em faces coloridas.

Mais tarde, mais adiante
quando tudo for esquecido
e despojado de tudo
retoma o processo.

Ganha com isso
 
 
15. O Diabo no Tarô artístico de Michaël Bellon
Pintura de
Michaël BELLON
 
 
  sua própria vida!
novembro.05
 
 
  11. A Força | 12. O Pendurado | 13. A Morte | 14. A Temperança | 15. O Diabo  
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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