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23 de janeiro de 2022

Responsável: Constantino K. Riemma


Artes & expressões nos tempos da pandemia
Arte nos tempos de Pandemia - Em aberto
Paciente 63
Vera vilanova
"Diferente de um "rio que corre", o tempo não se comporta da forma como o percebemos. Passado, presente efuturo existem simultaneamente, mas em dimensões diferentes. Esse é o fundamento por trás do conceito do "Bloco universal", defendido pelo professor Bradford Skow". [Fonte: Renato Mota, Olhar Digital]
"Em tempos em que a pandemia vai e vem do noticiário na mesma intensidade que a esperança do mundo sobre a possibilidade de ver dias melhores, é um tanto surpreendente ver conceitos mais complexos da ficção-científica ganharem maior visibilidade entre o público e atingirem de vez a tal cultura pop. Isso inclui a ideia de múltiplas realidades, uma teoria clássica da física quântica que no último ano parece ter atingido de vez o audiovisual graças a produções como Dark, Homem-Aranha no Aranhaverso, e – mais recentemente – Loki. [Fonte: Pedro Strazza, ComCiência]
Logo da série Paciente 63 e os atores Mel Lisboa e  Seu Jorge
Ícone da série e os atores Mel Lisboa e Seu Jorge
Foto de Bruno Poletti
Dentro desse conceito de múltiplas realidades, Paciente 63 é a nova série Original Spotify que possui 10 episódios e é protagonizada por Seu Jorge e Mel Lisboa. Paciente 63 conta a história do cliente de uma psiquiatra que jura ser um viajante do tempo e ter vindo do futuro, do ano de 2062, para evitar a hecatombe da humanidade, num mundo marcado por doenças e distanciamento entre seres humanos. O título, discreto, dá ideia apenas de algo clínico, mas é muito mais envolvente do que se pode esperar. Com episódios curtos, diálogos pontuais e bem colocados e um roteiro brilhante, isso sem falar nas atuações consistentes dos personagens.
A série se passa em outubro de 2022, num contexto em que o Brasil está se erguendo após a pandemia do Coronavírus, e acompanha os relatos de Pedro Roiter (Seu Jorge) à psiquiatra Elisa Amaral (Mel Lisboa) em sessões terapêuticas de rotina, que logo se transformam em um embate entre a realidade e o delírio, o real e o possível. Uma história que transita entre o futuro e o passado de dois personagens que podem ter nas mãos o futuro da humanidade.
Após ter sido encontrado na rua nu, com comportamento agitado e violento e ser diagnosticado com psicose paranóide, Pedro alerta Elisa que o mundo a partir do ano de 2033, se tornará um caos completo, onde mídias sociais não existem mais e um novo vírus (Pégaso) será o mais fatal de todos os tempos. Para que isso não aconteça será necessário convencer a médica de ajudá-lo a impedir tais fatos, mas a tarefa é bem mais difícil do que se imagina.
A cada capítulo, a médica questiona o paciente sobre suas afirmações absurdas; ele, por sua vez, dá respostas que a deixam em dúvida sobre o possível e o real. O viajante que se apresenta como Pedro não sabe dizer, por exemplo, quais números saíram na loteria ou quem ganhou a Copa do Mundo, mas ele tem informações muito específicas sobre Eliza e também sobre o rumo da sociedade.
Rápida, agradável, com roteiro impecável e que termina com a necessidade de uma continuação, a minissérie Paciente 63 é sem dúvidas um passatempo inteligente e bem feito, não só para os fãs de ficção, mas para quem adora ter elementos diversos para pensar em situações que às vezes, nem a gente mesmo acredita. Quem gosta de ficção científica, principalmente daquelas que fazem críticas pertinentes a sociedade a ao direcionamento da humanidade daqui para o futuro, terá em Paciente 63 uma série imperdível.
O roteiro do chileno Julio Rojas nos prende desde seus primeiros minutos. A  série foi lançada originalmente na língua espanhola e, só agora, ganhou uma adaptação Brasileira.

Os 10 episódios estão disponíveis gratuitamente no Spotify:
https://open.spotify.com/show/4oh9G7rQXhTjI0mrXuuKm1? si=5c057e3172904f5f
Edit CKR - 05/01/2022
Por que cuidar das informações dos clientes
é tão importante
Helena Farias Galvani
No desenrolar da pandemia Covid-19, constatamos o crescimento das relações via internet e redes sociais. É uma situação oportuna para voltamos a lembrar no que a Lei Geral de Proteção de Dados tem a ver com a Astrologia, com o Tarô. E por que é tão importante ter cuidado com as informações e os dados em uma consulta.
A Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2019, ou apenas LGPD, entrou em nosso ordenamento jurídico em 2018, com o objetivo principal de proteger o nosso direito fundamental de liberdade, privacidade e livre desenvolvimento por meio da proteção do uso de nossas informações por outrem. É o caso do nome, endereço, orientação sexual, origem étnica, convicção religiosa, opinião política, entre outras coisas que podem nos identificar e causar discriminação, exclusão e até a utilização indevida de dados para comércio e ganhos próprios, sem que a gente queira ou compactue com isso.
E o que isso tem a ver com astrologia, com o tarô? Pode parecer óbvio, afinal, que para fazer o mapa natal o astrólogo necessita um mínimo de informações: nome, o local, a hora e data do nascimento, sendo elas consideradas informações pessoais. Contudo, pode ocorrer algo grave nessa questão.
Qauntas histórias já ouvi...
Já perdi a conta de quantas pessoas atendi e de quantas histórias ouvi...
Fonte: https://theconversation.com/global
Em 2015, quando estava procurando um(a) professor(a) para me ensinar astrologia, eu fiz uma aula experimental expositiva em que eram mostrados mapas de clientes e compartilhadas informações íntimas das pessoas. O apresentador julgava os comportamentos e formas de ser das pessoas. Eu me senti incomodada só com este fato, primeiro porque pra mim, se você é astrólogo, tarólogo, psicólogo, deve cuidar  da vulnerabilidade das pessoas. Senti que o expositor ultrapassava várias linhas: a da confiança, entrega e vulnerabilidade da pessoa que lhe confidenciou seus segredos. Segundo, achei antiético usar como exemplo pessoas que ainda estão vivas e são comuns no dia a dia. E se eu conhecesse alguma delas? Saí da aula tão brava que nem me despedi: fui embora.
Bom, é possível vislumbrar o nível do problema... Como o trabalho do astrólogo é estudar a vida da pessoa e analisar seu mapa, todas as vezes o assunto tratado é sensível e pode identificar o consulente. Afinal, o astrólogo está ali para orientar o cliente em sua vida. No geral, as questões básicas dizem respeito aos filhos ou relacionamentos (questões sexuais, étnicas), relação com os pais/familiares, até mesmo tratar do emprego, futuro (pode ter um caráter filosófico), mudar de carreira, se pede aumento ou não... É tudo muito íntimo e sempre pessoal – identificável.
As Mães de Santo sabem guardar segredos
As Mães de Santo sabem guardar segredos
Foto de Tatiana Zanon em https://unsplash.com/@tatizanon
Por trabalhar com astrologia por 6 anos, tenho muita informação das pessoas. Das mais sensíveis que se possa imaginar; começando com o nome, data, local, hora de nascimento, até sobre religião e questões de saúde. Imagine se isso vaza ou se é compartilhado sem consentimento para fins comerciais? Ou simplesmente é compartilhado: alguém te identifica e você, além de tudo, passa por um constrangimento. É dito que "o que cai na rede é peixe" e nas redes sociais tudo é capturado e quase nunca volta para o anonimato...
Além disso, esses dados relevantes, espalhados no mundo digital, podem ser utilizadas, no mínimo, para identificar possível interesse de compra. Sabe aquelas propagandas que aparecem quando você está rolando o feed do Instagram? Pois é, isso acontece porque eles conseguem, com um algoritmo que é "inteligente" e está sempre mudando para ser cada vez mais "inteligente", ver um padrão nas suas escolhas.
Clicar, curtir e compartilhar passam para a máquina da internet o que você gosta ou acha que gosta. O sistema manipula e afunila as informações para que seja mais fácil vender o que querem. Sabe quando os antropólogos e sociólogos se perguntam se é o meio que transforma a pessoa ou a pessoa que transforma o meio? Pois é, os dois acontecem juntos e, neste meio digital, você também está se transformando.
Certa vez, eu estava rolando o feed e recebi umas três propagandas seguidas falando "você que é ariano...". Como eles sabem meu signo solar?! É claro, o Instagram é capitalista e uma das informações solicitadas por eles é a sua data de nascimento...
Precisamos levar essa questão a sério e lembrar que se trata de uma discussão importante também na área espiritual. Desde a aprovação da PEC 17/2019 temos o direito fundamental de proteção de dados pessoais, inclusive nos meios digitais,
Lembro que lá no início da minha época de curiosa sobre astrologia, eu acompanhava uma pessoa no Youtube que sempre falava sobre signos. Em um de seus vídeos, ela comentou o 'causo', de uma pessoa de confiança dela (não é mais, né) que usou as informações do mapa – compartilhados em algum momento – para se aproveitar de suas vulnerabilidades. Como ela era uma astróloga moderna, eu especulo que as informações tinham um caráter mais psicológico do que astrológico; o que também é bastante sensível, pois inclui dados de saúde.
Contudo, mesmo a astrologia tradicional, que reflete mais a espiritualidade, o destino e a filosofia da nossa existência, também trata de assuntos muito pessoais.
Consultas astrológicas
Como uma simples consulta pode guardar tantas informações sobre você?
Foto em https://unsplash.com/@pixelparker
Em uma consulta eu tenho informações de momentos relevantes da vida do cliente, como casamentos, nascimento de filhos, viagens, formaturas, cirurgias, dores; sobre orientação sexual, medos, etc.; e em um mundo no qual há muitos relacionamentos que podem ser abusivos – marido, amiga, tio, mãe, etc. – informações íntimas são um prato cheio.
O nível de responsabilidade é gigante! E nem você, nem eu, podemos ignorar o potencial de uma informação. Ela pode ser usada para orientar campanhas políticas personalizadas, dependendo da pessoa que os políticos buscam, por meio de informações alteradas, compartilhando meias verdades ou até mentiras deslavadas.
A saída para isso é a  LGPD, que nos protege e também auxilia o astrólogo, tarólogo a lidar com estas informações. Primeiro, para tratar qualquer dado é preciso consentimento do cliente, que precisa apresentar isto de forma escrita, ou, caso necessário, uma legislação que exija compartilhamento é também respaldo para o astrólogo (e para o cliente). Outra exigência é a transparência, para que o cliente saiba o que está sendo feito com os dados coletados. E o astrólogo precisa utilizar apenas as informações necessárias para realizar o trabalho, sempre prezando pela segurança da informação.
Eu mesma já instaurei as diretrizes da LGPD nos meus atendimentos: de tempos em tempos deleto as informações que são guardadas em um lugar específico, onde apenas eu tenho acesso; também não compartilho com outras pessoas os dados e as histórias de pessoas, a não ser que seja expressamente permitido (consentimento é tudo) e utilizo publicamente exemplos de pessoas que já falecerem há tempo, cujas histórias são bastante conhecidas e divulgadas, como a da Princesa Diana ou do David Bowie.
Que continuemos a defender o direito de proteção dos dados pessoais.
Bibliografia:
O Filtro Invisível: O que a Internet está Escondendo de Você, Eli Parisier
Privacidade é Poder, Carissa Véliz
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei Nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Proposta de Emenda à Constituição 17/2019.
Helena Farias Galvani
é astróloga tradicional e taróloga
https://helenadeastros.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR - dezembro/2021
Sob Pressão - a besta avança pelos corredores,
num jogo de azar ou sorte
Vera vilanova
Sob pressão, música gravada por Gilberto Gil e Chico Buarque, em agosto de 2020, em plena pandemia de COVID-19, é uma composição de Gil em parceria com o poeta moçambicano Ruy Guerra, que retrata com emoção o período da crise do Coronavírus. A música foi composta a convite do diretor Andrucha Waddington como tema para a temporada especial da série de televisão brasileira Sob Pressão, transmitida pela Rede Globo.
Sob Pressão - Gilberto Gil e Chico Buarque
Nela Ruy Guerra fala da falta de ar e dos temores dos pacientes, da coragem e do combate ao vírus pelos profissionais de saúde, citando também o jogo político frequente entre os Poderes do País, os quais, segundo a canção, "são tontos que blefam com a morte, num jogo de verdades e mentiras ". A música passeia entre a ciência e o culto dos orixás, a fantasia e razão, a resiliência e a esperança do povo brasileiro e retrata, também, a pressão que sofremos para sobreviver ao negacionismo, à falta de coordenação nacional no combate à pandemia que ceifa vidas, à falta de um governo à altura das necessidades do País.
O gênero da música "transita pela seara nordestina (...) para se embrenhar na terra musical do baião e da toada". Em seu blog hospedado no portal de notícias G1, o jornalista e crítico musical Mauro Ferreira  afirmou que "passada a epidemia, a música ficará como registro histórico (...) desse momento singular da humanidade".
A música está para a vida tanto quanto a ciência para a superação da pandemia. Sob Pressão é um retrato musical da pandemia de Covid-19, que tem o Brasil como um dos países mais afetados por essa crise mundial. A letra é forte e contém críticas à parcela da população que desacredita da gravidade da pandemia .
O clipe foi dirigido por Andrucha Waddington e Pedro Waddington. Confira:
Compositores: Gilberto Gil e Ruy Guerra
Apresentação: Gilberto Gil e Chico Buarque
  Falta de ar nos gemidos dos ais
A febre, seus fantasmas, seus terrores
Sem pressa, passo a passo, mais e mais
A besta avança pelos corredores
O médico caminha com cautela
Estuda as artimanhas do inimigo
A enfermeira brava vence o medo
Pouco lhe importa a extensão do perigo
O mundo está azaranza, ao Deus dará
O povo não se entrega é cabra cega
É lá e cá sem lei, sem mais aviso
Só sei que é preciso acreditar
Fazemos todos parte desta história
Mesmo que os tontos blefem com a morte
Num jogo de verdades e mentiras
Um jogo duplo de azar e sorte
A ciência abre as suas asas
A esperança à frente como um guia
  Com São João na reza, a pajelança
A intervenção de Xangô na magia
Neste canto aqui da poesia
Casa da fantasia e da razão
Abre-se a porta e entra um novo dia
Pela janela adentro um coração
A voz de um barco à bordo da alvorada
O sol da aurora secando o pulmão
Ano passado se eu morri na estrada
Vai que esse ano não morro mais não
É pra montar no lombo da toada
Desembarcar do trem da pandemia
É pra fazer da rima arredondada
O rompante final de uma alegria
Vamos em frente amigo, vamos embora
Vamos tomar aquela talagada
Vamos cantar que a vida e só agora
E se eu cantar amigo a vida é nada
Edit CKR - 27/11/2021
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